Blog do Alfredo

Month: março 2016 (page 1 of 2)

Lições da derrota da Emenda Dante Oliveira e a batalha do impeachment

Ainda que a mídia e a oposição deem como favas contadas a aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef, buscando no clamor popular uma forma de constranger quem esteja disposto ou interessado em votar na sua manutenção na presidência da República, há exemplos de estratégias que se revelaram perversamente exitosas.

Lembro, bem, do dia/noite de 25 de abril de 1984. Neste dia, a despeito de uma campanha efetivamente nacional – unindo ricos e pobres, brancos e pretos, intelectuais e analfabetos – que uniu o Brasil de ponta a ponta com a campanha das Diretas Já, o governo da ditadura militar conseguiu evitar a aprovação da emenda.

Para aprovar a Emenda, eram necessários 320 votos para a obtenção da então maioria de 2/3. Graças a imensa mobilização nacional, a pressão das entidades sindicais e da mídia – a TV Globo foi a última a aderir – obteve-se 298 votos a favor.

Lembro, bem, do dia/noite de 25 de abril de 1984.

Estava na Praça da Figueira, em Florianópolis. Vestia uma camiseta do Grêmio, enrolado na bandeira do RS e tomando uns tragos de canha ao pé de uma das várias fogueiras que se acenderam naquela noite por todos os cantos do Brasil. Cantávamos canções de protesto, indignados diante de nossa impotência para mudar a realidade.

O governo militar se valeu de uma estratégia que hoje revela-se oportuna: para evitar o constrangimento de votar contra a emenda e assim ser “queimado” pelos meios de comunicação, os milicos incentivaram que os deputados federais não comparecessem à sessão.

Assim, a despeito de 298 votos a favor, o sonho de milhões de brasileiros foi soterrado por um placar avassalador que indicou: 65 votos contra a emenda, três abstenções e 113 ausências.

Trocando em miúdos: o governo tem dois leques para negociação – e isto não tem sido levado em consideração por muitos.

  1. O Governo precisa evitar que a oposição consiga os 342 votos. E isto não passa por contar com 172 votos no Plenário. Passa pela estratégia de evitar que os pró-impeachment alcancem os 342 votos.
  2. O Governo tem o Diário Oficial da União e tenho certeza que muitos agora gritarão com o fisiologismo – esta prática perversa e que a gente esperneia muito quando so inimigos usam com sabedoria.

Um novo e oportuno cenário

No exato momento no qual as investigações da Lava Jato tinham saído do controle do establishment e se encaminhado perigosamente para começar a revelar a amplitude da corrupção endêmica, fazendo com que ela deixe de ser uma coisa adequadamente tipificada e identificada com um partido, eis que o juiz Moro subitamente resolveu se lembrar dos aspectos legais que ele, apoiado pela mídia, desconsiderava. Inclusive a precaução com os fatos ainda não confirmados e que se transformaram em condenações via mídia.

Sabe-se, agora, que a gloriosa e sempre corrupta PF, por exemplo, está com a lista com mais de 500 nomes de pessoas que foram aquinhoadas com recursos da Odebrecht desde o ano passado e nada fez de efetivo. Guardou a lista – como guardou o “Japonês” que, depois de virar símbolo da “nova PF”, foi desnudado (e condenado) por ser o espelho da verdadeira PF. E está com a lista e nada faz, porque ali vai atingir quem ela, a PF, tem o dever de defender…

O próprio MP está com a lista e nãos e importou em nem ao menos averiguá-la…

Mas a lista dos “200 da Odebrecht” fez com que o juiz Moro e todos os integrantes da Lava Jato colocassem o rabinho entre as pernas e tratassem de ir saindo de fininho do noticiário. Porque em lugar de Lula e Dilma, lá estavam Serra, Aécio, FHC e tantos outros aliados dos pseudos-paladinos.

A necessidade de um novo cenário fez com que a estrutura voltasse suas baterias especificamente para a possibilidade de impeachment – um atalho absurdo, comandado pelo mordomo de filme de terror e capitão do golpe.

E quem comanda o processo?

Seria, por acaso, um figura respeitada?

Não… o processo é comandado por um criminoso, por um desqualificado e que ridiculariza a PF, o MP e o Judiciário. Fico pensando se houvesse tantas evidências contra o Lula quanto há contra o Cunha… Lula já teria sido fuzilado em praça pública. Se houvesse tantas citações ao Lula quanto há ao Aécio, ao Serra e ao FHC… até a pena de morte já teria sido aprovada como “Emenda”, mesmo sendo cláusula pétrea de nossa Constituição.

Basta observar que depois da lista dos “200 da Odebrecht”, a Lava Jato está virando uma espécie de flanelinha – aquele sujeito que passa um pano úmido e sujo no seu carro, na ilusão de que está limpando-o…

“Prescrição” a principal aliada da corrupção…

Sou cético quanto a qualquer possibilidade de mudanças em nosso País. Digo mudanças efetivas. Culturais. Estruturais. Comportamentais. Faz falta uma utopia, quando o presente e o futuro teimam apenas em repetir o pior de tudo que o passado nos legou.

Tenho acompanhado toda esta movimentação onde o povo atua mais como boiada, indo a reboque e servindo a interesses que ele, na sua ingenuidade, pensa combater. Ou contra práticas que ele, povo, pratica no seu dia a dia, no seu cotidiano.

Nada vai mudar e a razão é muito, mas muito simples: não interessa a ninguém!

Porque se houvesse por parte dos membros do poder Judiciário, do MP, da oposição ou da mídia qualquer compromisso com a mudança, todos eles deveriam estar propondo alterações simples e com profundo impacto na vida dos criminosos.

Na minha visão, qualquer mudança no Brasil passa pelo fim imediato da “prescrição” dos crimes – este aliado de bandidos e ganha pão de advogados e de bandas podres do Judiciário.

Que se instaure em nosso País um regime simples e que todos tenham como acreditar e confiar: que se acabe coma prescrição de todos os crimes contra o sistema financeiro (colarinho branco), contra a administração pública e contra a malversação de recursos.

É preciso terminar com a prescrição por idade – 70 anos. Como se o tempo fosse suficiente para tornar menos criminosos aqueles que envelhecem. Leio teses sobre a importância de reduzir a menor idade penal, mas está na hora de lutarmos pelo fim do limite de idade para beneficiar criminosos.

É preciso também elimina a contagem do tempo. Observe-se que uma ex-secretária da Norberto Odebrecht entregou uma lista com m ais de 500 nomes de potenciais corruptos e o argumento da PF, do MP e da própria mídia para não investigar e nem divulgar os “meliantes” é que os crimes – se aconteceram! – já prescreveram. Mas que se divulgue, porque ao menos ficará escancarado o lado mais perverso do circo que foi montado.

E, como complemento, além de acabar coma  prescrição, que estes condenados não sejam beneficiários de nenhum tipo de perdão ou remissão de penas ou de benefícios que buscam, a bem da verdade, diminuir as punições.

Mas é claro que não interessa aos que hoje se declaram éticos e indignados acabar com os mecanismos que fomentam e alimentam aqueles que querem se inserir outra vez nos mecanismos de acesso às verbas públicas.

As lendas urbanas de Brasília…

Se acaso algum viajante de outros mundos chegasse hoje em Brasília e conversasse com 10 pessoas ficaria, certamente, estarrecido com as certezas que as pessoas têm. Na realidade, esta é um das características desta cidade-estado onde cada qual tem sua certeza, tem seu amigo no poder e seus tentáculos no Judiciário.

Brasília vive e sobrevive a partir de lendas urbanas, verdades que são edificadas seguindo a determinação das circunstâncias a atendendo aos ditames dos próprios interesses. Em Brasília, todo mundo sabe de tudo!

A certeza inquestionável de hoje pode ser desnudada por outra certeza que ontem era dúvida ou boato.

Neste momento no qual o Brasil dá todos os indícios de viver a eminência de um segundo impeachment num curto espaço de 22/23 anos, a percepção mais clara que se tem é que a estratégia do atalho constitucional para voltar ao poder é a tentativa mais explícita de restaurar o establishment que as urnas não permitiram.

E isso precisa ser feito com a maior celeridade possível, na esperança que a entrega da cabeça de Dilma na bandeja seja suficiente para saciar a voracidade da sociedade vingativa, uma espécie de Erodias a exigir a cabeça do desafeto para sentir-se saciada, contemplada e aliviada.

Porque, ao contrário do que muitos tentam mostrar ou defender, o que está em jogo não é o combate à corrupção. O que está em jogo é a saída do PT ao poder e que os éticos de plantão possam voltar a se saciar dos recursos públicos. Claro que as palavras podem até seduzir incautos, mas o cotidiano mostra que a voracidade dos que ficarem 14 longos anos longe do poder é assombrosa.

Comenta-se aqui e ali a formação dos novos ministérios. Pessoas tratam de rearticular-se, retomar contatos e avaliar como ficaram as pontes depois deste tempo. Muitas pessoas envelheceram, mas a possibilidade de ter acesso outra vez aos recursos faz com que se sintam revigorados.

No fundo, todos trabalham com a mesma certeza: depois de ejetarem o PT do poder, os éticos de plantão, as pitonisas da mídia, os santos do judiciário e os honestos da PF… todos voltarão ao mesmo caminho que sempre trilharam em Brasília antes do PT: de conivência, complacência e aquiescência com a corrupção. Inclusive e principalmente se beneficiando dela…

A busca por novas bandeiras

Se levarmos em conta as conversas, é óbvio que o impeachment da presidente Dilma Roussef é questão de dias – nos tempos de modernidades, até pai-de-santo hoje conta com assessoria de imprensa e recebi o vaticínio de um destes charlatães (mas nunca soube de pai de santo ou leitora de cartas ou runas que tenha acertado os números mágicos da mega-sena).

Conversando com petistas que circulam com desenvoltura nas cercanias da cúpula partidária, a impressão que se tem é de um misto de fim de festa, alívio e perplexidade. Diria que ainda falta a percepção da importância de um imediato mea-culpa.

O discurso da vitimização permanente se mostrou fraco e vazio diante da realidade das revelações – e aqui é preciso dizer que TODAS estas estrepulias hoje reveladas ao grande público sempre foram do conhecimento de TODOS que vivem no DF, que de alguma forma convivem com o poder. O que nunca houve – por parte da PF, do MP e da mídia – foi a decisão ou a necessidade é desvendar estes fatos, de estancar a sangria.

O PT errou ao aceitar o jogo do sistema e ao se lambuzar com as pilantragens que sempre denunciou. Estas figuras hoje levadas à execração pública e tidas como maléficas para o País são as mesmas que antes eram saudadas em todas as rodas sociais, estavam presentes nas colunas dos jornais e nos eventos. No sonho de matar o PT, acabaram criminalizando quem antes idolatravam.

Viraram boi de piranha por conta da necessidade de tirar o PT do poder. E o sistema é bruto: descarta quem não interessa e constrói novos mecanismos de corrupção. OU apenas trata de aperfeiçoar os já existentes, sofisticá-los e dotá-los de mecanismos que possam, de alguma forma, ludibriar os mecanismos de prevenção.

Esta talvez seja a consequência direta da omissão do PT em propor a reforma política logo que chegou ao poder: foi cooptado, seduzido e envolvido pela máquina já existente e que, com seus tentáculos, era o oxigênio que manteve o presidencialismo de coalizão em pé.

Copa de 2030 escancara a farra do Mundial no Brasil

Campo do Peñarol

Placa reverencia antigo campo do Peñarol. Neste local aconteceu o 1º gol na história dos Mundiais da Fifa

Eu não pensei este espaço para falar de futebol, mas como de quando em vez abordo questões da maior lavanderia do crime organizado, da corrupção e do tráfico no mundo, acaba sendo natural que o assunto entre em pauta.

É forte a tendência de que o Mundial da Fifa em 2030 seja disputado no Uruguai e na Argentina. Será o Mundial para marcar os 100 anos do primeiro evento, que teve o Uruguai – então bi-campeão olímpico – como sede.

Apenas para lembrar: a Copa de 30 foi disputada no Uruguai e teve jogos em estádios do Nacional (Parque Central), do Peñarol (Pocitos) e no Centenário – que não ficou pronto a tempo dos primeiros jogos. Tanto assim que existem fotos de jogos da época e que mostram os torcedores assistindo aos jogos em pé, porque o cimento ainda estava “molhado”.

E daí a gente começa a receber as informações, a coletar os dados e ver que realmente a festa em 2014 aqui no Brasil foi uma demonstração de irresponsabilidade financeira, de megalomania descabida e de roubalheira desenfreada.

Ontem à noite, 28, foi inaugurado nas cercanias de Montevidéu o estádio “Campeón del Siglo”. É a nova casa do Peñarol, com capacidade para 43 mil pessoas e já está pré-aprovado pela Fifa para 2030.

São detalhes interessantes, porque parece que a Fifa sob o comando de Gianni Infantino está deixando de lado as exigências absurdas – e começo a me questionar se a entidade realmente exigiu as arenas ou foi só uma forma dos dirigentes brasileiros, dos empresários brasileiros e dos governantes brasileiros esbugalharem um pouco mais os cofres públicos.

O novo estádio do Peñarol – a casa dos “carboneros” – é bonito e custou a bagatela de U$ 40 milhões. Bancados, divulga-se, exclusivamente pelo time e seus torcedores. Sejamos justos com os espertos brasileiros: aqui, a bandalheira é unânime.

Nem vou falar deste absurdo que foi a questão dos custos do elefante branco de Brasília – ao irrisório custo de R$ 1.8 bilhões – o que no câmbio da época equivale a mais de U$ 1 bi… Vou usar como parâmetro a REFORMA do Beira Rio, do Inter em Porto Alegre e time da presidente Dilma Roussef que teve, inclusive, intervenção direta para a liberação do financiamento para a Andrade Gutierrez.

Pois bem…

O reformado estádio do Inter tem a mesma capacidade do “campo” do Peñarol. Para construir sua casa, o time uruguaio investiu U$ 40 milhões. Para reformar seu velho e obsoleto estádio, o Inter precisou de R$ 380 milhões – a maior parte oriunda de financiamento público – via BNDES. Além de outros R$ 30 milhões para as chamadas “estruturas temporárias” que, dizem, ter sido exigência da dona Fifa. Teríamos R$ 410 milhões de custos para REFORMAR um estádio. Na cotação da época (R$ 1,70), a bagatela de U$ 241 milhões…

Moro transforma a Lava jato em espetáculo circense

Como um palhaço de um circo mambembe, o juiz Moro mostra-se cada vez menos afeito a seguir os ditames da Lei que ele, supostamente, deveria administrar enquanto “magistrado”.

Transformou-se num ente doentio e vingativo, que se considera acima da lei e, mais, que se considera a própria encarnação da lei. Deixou de ser juiz, para virar justiceiro. Perdeu a condição de magistrado e voltou a ser apenas um militante partidário com poderes.

Vivemos o estado policialesco no seu sentido mais perverso e perigoso – onde as garantias legais são deixadas de lado. Grampeia-se quem convém e se divulga da forma que for do interesse.

Não há preocupação com a lei. O juizinho não fala mais nos autos. Fala em jornais. Pelos jornais e portais. Trata de “publicidade” em seu sentido mais comercial e mercantilista. É a perda da idoneidade do juiz, travestido de moleque de recado de uma banda tão corrupta quanto aquela que quer tirar do poder.

O que está em jogo é uma disputa pelo poder e a ida de Lula para a Casa Civil deixou irada a oposição e fez o Moro perder o que restava de compostura, o que lhe restava da aura de juiz. É perceptível que ele, de forma doentia e desequilibrada, quer transformar a Lava Jato em seu trampolim político. O próprio Moro mostra uma limitação intelectual, na medida em que escreve erroneamente “lavajato”.

Agora, mais do que nunca, ficou escancarada a farsa da Lava Jato: ela é eletiva no seus alvos e seletiva nos seus vazamentos. Situação semelhante a esta que o Brasil viveu hoje talvez apenas tenhamos registro nos tempos de Hitler na Alemanha.

Com que critérios ele divulgou a gravação?

Foi ele próprio quem concedeu a autorização?

Nos encaminhamos de modo célere para um desrespeito às garantias constitucionais. E isso hoje pode agradar a alguns, mas amanhã pode ser o motivo de choro de tantos.

Mesmo esgualepado, Lula ainda é Lula

Aprendi no mundo que a reação normal, ainda que doentia, dos impotentes em mudar uma realidade que eles julgam adversa se manifesta basicamente pelo rancor. Basta observar que as manifestações populares – de todos os matizes – possuem “cânticos” positivos de apoio aos seus incensados e de rancor, ódio, preconceito e irracionalidade aos desafetos.

Das tantas conversas, reconstruo quatro cenários.

  1. Oposição passa atestado

Depois de passar o dia conversando com interlocutores de todos os matizes políticos, ideológicos e de visões e abordagens econômicas distintas, cheguei apenas a uma conclusão: mesmo esgualepado*, Lula é ainda o mesmo “sapo barbudo” que tira o sono do establishment político, social e desequilibra emocionalmente pessoas tidas na conta de “racionais”, como Fernando Henrique, o devasso.

O discurso histriônico de FHC, o devasso, escancara as próprias contradições de quem não passa de um fantasma insepulto, um cadáver adiado que procria (quando não manda abortar, sejamos claros) – na imagem poética de Fernando Pessoa retratada por seu heterônimo Ricardo Reis no poema Nada fica. Este mesmo FHC, o devasso, faz um par de dias estava na mídia defendendo a instauração de uma espécie de semi-parlamentarismo como solução para o Brasil e agora esbraveja porque as suas preces foram atendidas mais do que na plenitude.

A reação colérica de FHC, o devasso, é como passar o recibo – numa expressão de quem vive no mundo real. Ou, como diz um amigo: se não sabe brincar, não desce pro play.

A exemplo do que disse o Rei Juan Carlos ao Chaves, poderíamos perguntar: ¿Por qué no te callas, tonto? FHC, o devasso, poderia bem aproveitar os microfones e explicar o episódio Brasif – algo que tem merecido seu silêncio e a conivência da mídia.

Mas talvez nada represente mais claramente o desalento dos “tontos” do que ver FHC, o devasso, resgatar um discurso raivoso e eivado de preconceito: “Você não pode dirigir este pais sendo analfabeto”. E isto foi dito em uma palestra que ele deu, contratado que foi por uma empresa de seguros de São Paulo – sem que a mídia tenha declinado o nome da empresa e quanto recebeu.

A oposição esbraveja pela escolha, passando recibo de que sentiram o golpe e agora terão de lutar ainda mais para a consecução de seus objetivos e correr contra o tempo, na medida em que cresce na sociedade brasileira a compreensão de que a Lava Jato não mira a corrupção, mas sim o objetivo é o PT, para não perder o respaldo da mídia e continuar iludindo os néscios que vão protestar nas ruas com a camisa da CBF – a instituição mais corrupta do País, cujos três ex-presidentes foram condenados hoje a ressarcir o cofres na Fifa em míseros U$ 5,3 milhões (ou algo como R$ 20 milhões).

E quanto mais esbravejar, mais estará mostrando que sentiu o golpe.

2. Militância em polvorosa

Depois de ter sido alvo de condução coercitiva, Lula desencadeou um processo de filiação em massa ao PT. Dados ainda não oficiais apontam que cerca de 30 mil pessoas teriam se filiado em todo País. Isto sem nenhuma campanha de filiação. Apenas pelo sentimento de que Lula esta sendo “perseguido”.

Escrevi em 7 de março um texto que termina assim:

“O que temos agora é um folhetim bizarro (Lava a Jato), com atores medíocres (promotores de SP) – num roteiro grotesco e que, de tão mal elaborado, acabou criando a única coisa que nós brasileiros não precisávamos: uma vítima.”

Se “nós” não precisávamos de uma vítima (Lula), ter uma vítima era tudo que o PT precisava. As despertarem a Jararaca, os tresloucados da condução coercitiva tiraram Lula da letargia, da posição de intocável na qual ele mesmo se colocava.

As redes sociais estão em polvorosa. O “trends” escancarou: Lula presidente tinha 100 citações e em segundo lugar vinha Lula da Silva com 85, seguido por Lula 3d com 75, Dilma com 70, Governo Lula com 70 e só então vinha Lula molusco com 45 e Lula preso 40.

Haverá, claro, uma clima mais belicoso, de enfrentamento nas redes sociais e nas ruas. Os petistas que estavam cabisbaixos, recuperarão a sua capacidade de intervenção no cotidiano – mesmo que isso represente um risco de agressões físicas.

Porque há um sentimento de beligerância, de ódio e de rancor que é alimentado pelos dois lados. E agora, a oposição vai tratar de alimentar e acirrar esta perspectiva. Que ninguém se admire se voltarem os ataques contra os nordestinos…

3. E o que esperar?

Para quem não é parte direta deste embate entre os ruins e os piores – e cada qual escolha o seu lado – o quadro que se desenha é preocupante. Ainda que as ações da Vale e da Petrobras tenham tido uma forte valorização e o dólar tenha fechado em baixa, é preciso esperar alguns dias para ver como as melancias irão se acomodar.

Algumas perguntas estarão postas de modo permanente:

  • Meirelles voltará o governo?
  • Como ficará a necessária reforma de previdência, principalmente o rombo causado pela previdência pública?
  • Usar as reservas internacionais não pode acelerar o processo de  “grecisisação” do Brasil?
  • O país suportará um novo saco de bondades?
  • Lula conseguirá recuperar o prestígio e a confiabilidade do mercado?

4. 2018 começa agora

A oposição estava se sentindo muito solta, batendo hoje e já antevendo 2018.

A volta de Lula pode colocar um ingrediente novo e que não estava assim no script: Lula voltará ao cenário que ele mais gosta, no qual ele se sente mais à vontade: fazendo política.

E que ninguém se engane: se ele conseguir debelar todo este incêndio, a sua vitória não pode ser vista como insanidade. E a reação histérica da oposição mostra que ela sentiu o golpe.

Mesmo esgualepado, Lula ainda é Lula.

* Cansado, judiado, arrebentado, quebrado, esfarrapado

Estado: relações espúrias ao longo da história…

É óbvio que houve, ao longo dos séculos, um continuado processo de transformação do Estado em “ente” cuja razão de existir estava em estar a serviço de um grupo social. Luis XIV teve um reinado de 72 anos e 110 dias e teria cunhado a frase “L’État c’est moi”. Esta frase hoje serve para identificar o monstro da estrutura burocrática que atua, pela força do corporativismo e pela falta de perspectivas para a sociedade, como um “Estado dentro do Estado”. Este monstro tem braços, tentáculos poderosos em todos os partidos. Ainda que atendam ou sejam identificados por nomes específicos dependendo do viés ideológico ou dos interesses. Financeiros.

As grandes empresas nacionais foram “construídas” com dinheiro do Estado (leia-se: do povo). Por linhas de financiamento com crédito subsidiado. Por mecanismos de perdão de dívidas. Esta prática é parte do modelo capitalista que temos em nosso País – e assim foi ao longo dos tempos. A própria história mostra que o apoio dos usineiros pernambucanos aos portugueses para a expulsão dos holandeses foi para não pagarem os empréstimos que haviam contraído da Cia das Índias.

O empresariado nacional, acostumado com esta relação espúria, sempre se valeu de salvaguardas e mecanismos de proteção para não enfrentar a concorrência. Resultado desta parceria entre Estado e Empresários é que temos produtos de baixa qualidade e a preços elevados.

O mesmo empresário que quer o Estado para ele, luta contra o Estado – alegando que ele é caro, mastodôntico e anacrônico.

Muitas das críticas são pertinentes. Outras apenas jograis mal redigidos, interpretados por atores mambembes.

Nos anos 90 havia uma estratégia muito estranha aqui no DF. Os rodoviários faziam justas greves por melhores condições de trabalho, melhores salários e benefícios sociais e os empresários do transporte coletivo forçavam o governo a conceder aumentos nas tarifas.

Este tipo de estratégia se deu em quase todos os setores da economia, levando ao sucateamento da estrutura produtiva e da infra-estrutura que possibilitaria o crescimento da economia.

Que não se acuse o governo petista de ser o único responsável pelos desvios do Estado – porque há cadáveres insepultos desde o confisco de bens e empresas de cidadãos do Eixo durante a 2ª Guerra Mundial.

Não há cálculos atualizados sobre o “tamanho” do Estado brasileiro. Estima-se que “ele” seja dono – em maior ou menos escala – de MAIS de 330 empresas.

Um dos desafios que espera ali na volta da curva é exatamente enfrentar este Estado paralelo, tirá-lo da sombra e botá-lo para respirar com os próprios pulmões. A sociedade não consegue mais produzir oxigênio (dinheiro) por quem apenas o consome, o devora e se refestela numa situação de vida sem nenhuma vigilância ou nenhum tipo de responsabilidade sobre a própria razão de existir.

Quem terá coragem de enfrentar o monstro?

Quem terá coragem de segurar o elefante pela tromba?

Dilma e o PT pagam pela arrogância

Ainda que seja conveniente usar filtros e ter muito cuidado com as “informações” que são veiculadas – lembrando que se acusa o PT de ter terceirizado a militância e a oposição de ter delegado à imprensa o papel de agente político – a verdade é que ninguém pode, neste momento, eximir a presidente Dilma da responsabilidade por estar fragilizada ao ponto de criar na sociedade a percepção de que o fim do seu governo é uma questão de “tempo”.

Pouco afeita ao diálogo, centralizadora e com dificuldade de interlocução com TODOS os segmentos sociais, Dilma pode, com sua ação, realizar o grande sonho de Bornhausen de “extirpar” o PT da vida pública. Negar esta possibilidade é uma estratégia que muitos petistas usam em público, mas no particular mostram-se cada vez mais cientes (e temerosos) deste risco.

O cerco do Judiciário existe, mas o próprio PT fez questão de se fragilizar como voz contra as ações arbitrárias do MP, da PF e o justiçamento que a mídia faz (num consórcio que hoje causa espanto em alguns e é motivo de júbilo em outros), quando resolveu apostar tudo em um projeto de poder e não  numa proposta de mudança.

Muitos dos que votaram em Lula e no PT em 2002, o fizeram na expectativa de mudanças – porque a sociedade já tinha percepção dos escândalos, das negociatas e da roubalheira. Ao se valer do modus operandi de quem estava sendo escorraçado do poder, obviamente que o PT se enlameou da mesma lama que antes combatia.

Ao preferir aprofundar o fisiologismo como prática política, o PT, em lugar da esperança, passou a trabalhar com um cenário de faz de conta.

Deveria ter tido a responsabilidade, naquele momento e contando com o apoio da sociedade, de propor as mudanças estruturais e estruturantes que o nosso País precisa.

A fragilização de Dilma é irreversível. Ela decorre de uma série de políticas e ações equivocadas, mas principalmente é o preço da omissão do PT enquanto governo.

E esta novela para a entrada de Lula em seu governo é apenas uma tentativa desesperada de fazer com que o mandato dela se prolongue por mais alguns meses – num sonho ou delírio de que consiga se arrastar até 2018.

Olderposts

Copyright © 2017 Blog do Alfredo

Theme by Anders NorenUp ↑