A possibilidade de retornar ao poder de onde foi enxotado por falta de votos, ainda que escudado em um mandato sem votos e decorrente de um processo contra um governo pelo qual foi derrotado, anda tirando o sono e fazendo com que o PSDB volte ao muro de suas indefinições, de suas incertezas, da precariedade de suas convicções, da volatilidade de suas estratégias e principalmente de sua angústia latente e necessidade orgânica e fisiológica em voltar a comandar orçamentos.

Há um conflito latente entre as seções paulista e mineira do tucanato, que atuam mais como facções de grupos políticos que possuem estratégias distintas para o momento de instabilidade que ajudaram a construir de modo sistemático e orgânico a partir da não aceitação do resultado das urnas.

O agrupamento paulista precisa voltar ao poder, inclusive por conta dos acordos regionais e sua relação com o patronato retrógrado que tem na Fiesp a voz mais forte e financeiramente mais amiga. Para este grupo, estar nas cercanias do poder é mais importante e decisivo, neste momento, do que efetivamente ser o governo.

Esta estratégia é capitaneada por caciques do partido que, octagenário um e a caminho desta faixa outros dois, sabem que lhes resta pouco tempo de vida política para cumprirem acordos e reforçarem o caixa do partido com o cumprimento de antigos compromissos – inclusive para eleições futuras. Mesmo Alckmin, o mais “novo” dos donos da facção paulista do tucanato, tem 63 anos e avalia que 2018 será sua última possibilidade eleitoral.

A pressa maior é de Serra, hoje com 74; Aloysio Nunes, com 71 anos e sem cacife eleitoral para voos; e FHC, com 84 anos. Eles querem, precisam e buscam de todas as formas fazer com que a facção paulista volte ao governo federal – porque sabem que este é o momento sonhado para implementar o ideário de uma venda rápida, e com respaldo popular, das empresas públicas. O discurso e o cenário está tudo pronto.

Bem posicionados junto aos formadores de opinião no eixo Rio-São Paulo, ainda que citados de modo constante por delatores e pela realidade dos fatos da corrupção em nosso País, blindados pela Lava-Jato e mediante o silêncio conivente da mídia, esta trinca tenta impedir que a facção mineira tenha vez, voz e espaço.

Do tucanato, Aécio Neves é o mais novo. Tem 56 anos e quase tantas citações e problemas quanto a idade – trazendo um sem fim de menções nada louváveis a si e a irmã, sua conhecida operadora financeira e que nas Gerais atende pela nada louvável alcunha de “Goebbels das Gerais”.

Aécio sabe que sua oportunidade eleitoral não é agora, mas sim em 2018.

Para muitos tucanos, o ideal seria deixar Dilma e o PT continuarem sangrando até 2018 – para que cheguem ao pleito exauridos e consumidos. Dentro deste cenário, em 2018 seria mais um referendo do que uma eleição.

Dois fatores, no entanto, ainda colocam em cheque esta visão de 2018 e reforçam o pragmatismo da facção paulista:

  • a sempre terna candidatura de Marina, que, a despeito de suas contradições, indecisões e indefinições ideológicas, poderia seduzir o eleitorado mais a esquerda como uma espécie de voto útil ;
  • o surgimento da candidatura Bolsonaro, se ela sobreviver a insanidade latente e a verborrágica compulsão para falar asneira que o parlamentar carioca tem, que pode servir de alento para aqueles que se afinam com o discurso meramente moralista que o aprendiz de clown carrega.

A reunião do PSDB para decidir se decide ou não está marcada para o dia 3 de maio, mas já é sabido que, a despeito de qual seja a decisão que o partido vier a ter, ela não terá validade. Será apenas uma forma de pintar o muro para que cada uma das facções possa estar representada na “vontade” de estar no poder, mesmo sem ser poder.