Blog do Alfredo

Month: maio 2016 (page 1 of 4)

Governo Temer envergonha o Brasil e os brasileiros mundo afora

0526 - Serra

São tantas as trapalhadas cotidianas, foram tantas as trapaças e os acordos espúrios que as pessoas de bem que em algum momento realmente acreditaram que tirando a Dilma teríamos de volta o paraíso perdido, mostram-se perplexas e desamparadas.

Envergonham-se, mudam o discurso – buscam justificativas. Conversam de outros assuntos. Perguntam notícias de familiares…

Tenho amigos e conhecidos que, de uma hora para outra, pararam de mandar um monte de mensagens defendendo o fim da corrupção e com a mirabolante sensação de que estavam ajudando a construir um novo despertar, um novo tempo no Brasil.

Não consigo viver de modo tão sectário que me leve a pensar que só os que estão ao meu lado, perfilados com minhas ideias, que defendem os mesmos sonhos e torcem pelas mesmas cores (inclusive gremisticamente falando em termos futebolísticos), estão certos, são certos, probos, honestos e com o direito de formular teses e teorias.

Claro que o assunto saiu dos jornais, deixou-se de lado o pudor e o que existe é uma necessidade de legitimar o impossível – mas, como tem dito uma amiga minha, com esta turma que o Temer escolheu para abrilhantar o espetáculo… será difícil.

A revelação de conversas, de conjecturas e de promessas é comum na política – onde a mesquinharia e a traição fazem parte do DNA dos “profissionais”. Traem beijando na boca, sorrindo, jurando amor e fidelidade… enquanto buscam um jeito de apunhalar.

A trouppe que Temer para compor o seu governo mais parece um bando de trombadinhas, batedores de carteira e meliantes com toda sorte de delitos e contravenções. Poder-se-ia dizer que Temer teve o esmero de pegar para junto de si, para compor com ele o “governo de salvação” majoritariamente pessoas que estavam no “governo da corrupção”.

O que mudou, é que agora o Judiciário é amigo, parceiro, cúmplice e conveniente.

O que mudou, é que agora a mídia está saciada em seu sanha moralizante.

O que mudou, é que agora os bandidos de outrora – em um passe de mágica, viraram os honestos, probos e éticos de agora.

Mas nada, nada mesmo irá superar a cena degradante – e por isso mesmo reveladora – de um Ministro da Educação receber em audiência um ator pornô e demente, alguém que faz apologia ao estupro.

Quando um ministro de Estado, de uma pasta da importância da Educação, abre sua agenda para receber uma figura deste perfil, percebe-se que o golpe não foi só político. Golpearam também a dignidade e a liturgia do cargo.

Que o governo Temer não me represente é algo que diz respeito a mim.

Mas o governo Temer aviltar e transformar o Brasil em motivo de esculacho é algo que diz, sim, respeito a todos nós…

Apertem os cintos que, mesmo sem o voto do povo, o governo do PSDB voltou…

0525 - Herança tucana

A cada novo dia, o cenário fica mais claro. Mesmo para aqueles que AINDA pensam que o impeachment foi apenas e tão somente uma necessidade de remover da presidência uma pessoa despreparada (e, neste caso, é!), extirpar do poder o partido que criou a corrupção no Brasil (porque antes e a partir de agora, restaura-se a probidade republicana), e proceder o resgate e a continuidade daquilo que foi aplicado nos anos 90 nos foi mandatos de FHC: arrocho salarial, inversão da prioridade saindo do social e priorizando o capital, penalizando os mais pobres, protegendo o andar de cima e liberando o orçamento para que este contemple mais quem sonega do que quem trabalha.

A tarefa de Temer – que atua como boneco de ventríloquo com cara de ratazana – será muito facilitada pelo discurso acordado entre a mídia, o Judiciário, partidos políticos, entidades empresariais, algumas centrais sindicais sem compromissos com os trabalhadores e preocupadas com a manutenção do seu quinhão financeiro e de poder: a herança maldita.

O mantra terá como linha básica de atuação ao modo dos ensinamentos de Goebbels: por conta da herança maldita; por conta do fardo dos desmandos dos (des)governos; por conta do descontrole das contas públicas causadas pelo PT; por conta do 7 a 1 da Alemanha; por conta do Dunga; por conta do rombo da Previdência (que existe, mas é superestimado); por conta…

Tudo caberá na frase a partir do argumento “POR CONTA DE”… e é um governo que tem pressa em fazer o serviço, até porque não é certo que conseguirão aprovar a cassação de Dilma ao final do processo do impeachment no Senado. O caldo entornou tanto que, antes, os usurpadores do poder concedido pelo voto a Dilma antes queriam apressar a votação do processo. Hoje, já não sabem se é melhor apressar o rito na tentativa de evitar surpresas ou protelar e dilatar ao máximo os prazos para, na eventualidade de vitória de Dilma, já terem completado o serviço que não conseguiram concluir até 31 de dezembro de 2002.

O recado foi dado e de modo bem claro: este é um governo que governa com o programa do PSDB – até porque o PMDB nunca teve competência de elaborar ou de pensar projeto algum para o País, preocupado apenas em elaborar estratégias para se locupletar com verbas públicas.

Claro que o PT e principalmente o governo de Dilma colaboraram para este estado de coisas, mas colaboraram exatamente porque mantiveram a mesma prática política – tendo apenas tentado inverter UM POUCO, um cadinho só, a ordem de prioridade dos gastos públicos, direcionando pouco mais do que migalhas para o andar de baixo, para o subterrâneo. Mas esta pequena rotação foi um ponto fora da curva que assustou aqueles que pensam, querem e precisam de um Brasil exclusivo.

Ao contrário do que pensam os “vitoriosos”, boa parcela da conta desta aventura tucana será paga por eles também – por conta do arrocho salarial, pelo fim de concursos públicos, por alterações na previdência do servidor. Claro que o estouro maior será nas costas dos pobres, dos mais humildes e da classe trabalhadora – a começar pelo fim e/ou redirecionamento de programas sociais e de transferência de renda(sob o eufemismo de auditorias e sistemáticas de avaliação e desempenho), o fim da vinculação dos investimentos em saúde e em educação com base em avanços reais.

Por que “guilhotinaram” Delcídio com celeridade e serão condescendentes com Jucá?

05112015 - Guilhotina

A política, a exemplo de todos os grupos onde o instinto de preservação e sobrevivência tem regras definidas, códigos consolidados e condutas toleradas dentro de uma ética peculiar e que segue estes parâmetros de modo radical, não admite “traições” a este conjunto de normas ocultas.

Delcídio Amaral, o jeitoso que trouxe sua plumagem tucana de toda vida e deixou que ela adquirisse tons avermelhados (como algumas aves do Pantanal) também trouxe informações do modus operandi que havia quando de sua passagem por diretoria da Petrobras nos pretéritos da governança tucana.

E foi ao aceitar fazer a delação premiada que Delcídio assinou sua sentença de morte – porque ele, sabe-se lá movido por quais razões, resolveu sair do roteiro cuidadosamente urdido e segundo o qual a corrupção e os desvios só começaram a surgir no Brasil em 1ª de janeiro de 2003. Antes, aqui era o reino da retidão, da honestidade e do culto a meritocracia.

O pecado que custou o mandato de Delcídio foi ele ter envolvido nomes tucanos em suas denúncias, apontando que a podridão do nosso sistema político é parte de nossa formação política, parte do modus operandi de uma casta que se perpetua no poder, transformando-o em ente a serviço dos seis interesses e dos interesses de quem eles são porta-vozes e defensores.

A questão de Romero Jucá é mais simples…

Ele é apenas um paspalhão, um charlatão que foi flagrado em incontinências verbais – e ainda que tenha confirmado tudo que já se sabia, protegeu o establishment. Falou sobre Aécio, mas quem em sã consciência acredita que o Aécio seja exatamente aquilo que já foi sentenciado por FHC: apenas o neto do Tancredo. Claro que a divulgação dos diálogos bizarros serviu para alegrar as TLs com a expressão de que “Aécio será o primeiro a ser comido” – algo que correu o mundo e serviu para alegrar a tarde de muitos.

Mas não nominou ministros do STF – e alguém tem dúvidas do NÃO envolvimento deles em qualquer arbitrariedade? Aquela Casa, que tem “ministros” e não Juízes, é um antro onde pontifica, reina e conspurca o ambiente a desavergonhada militância política de Gilmar Mendes – diante da passividade, omissão e conivência dos demais “membros”. Os outros, me parecem que oscilam entre o deslumbramento do “cargo”e o fastio de fazerem parte de uma encenação bizarra onde desfilam o verborrágico, empolado, enfadonho e vazio conhecimento jurídico – para mostrarem uma sapiência que tem o único objetivo de esconder o cinismo de quem está a serviço de algo escuso.

As pessoas ainda precisam entender que roubar o poder é algo para profissionais!

A Tim desrespeita os clientes e mostra que a Anatel não serve para nada!

0524 - Tim

Na era digital, todas as normas de segurança ditadas por consultores de qualquer viés indicam que os clientes não devem – em hipótese alguma – passar dados pessoais, mesmo quando tratam diretamente com os malditos, enfadonhos e desrespeitosos canais de comunicação por telefone ou qualquer outra plataforma.

A Tim mostra que pouco está se lixando para isto e desrespeita sistematicamente os clientes, com a arrogância de quem sabe que tem o respaldo da inútil Anatel.

Não oferece, por exemplo, a opção de atendimento presencial para os chamados contratos corporativos – indicando terceirizados pomposamente chamados de “consultores”, que na verdade não passam de vendedores travestidos de picaretas ou seria de picaretas travestidos de vendedores.

Uma vez pedi um atendimento presencial, sendo contemplado com a visita de uma pessoa que não pode resolver as demandas porque era nova e como não tinha ninguém para ajudá-la, foi um contato inútil. Mas só para mim. Porque passados 15 dias, eis que recebo a visita da mesma “consultora”, então já vendedora de produtos de um grupo de marketing de rede me propondo negócios e como tinha os dados cadastrais da minha empresa – que buscou no cadastro da Tim, passou a me oferecer toda sorte de quinquilharia.

E fez uma, duas, três e quatro visitas – somente cessando o incômodo quando ameacei chamar a polícia…

Ao não dispor de atendimento presencial, a Tim terceiriza o serviço ou obriga o cliente a fornecer minuciosamente todos os seus dados pessoais ou de sua empresa – numa postura que beira à leviandade. Para não dizer que se trata de safadeza pura.

As telefonistas se esmeram em seguir um roteiro, destituídas em sua maioria de senso crítico – incapazes de perceberem o absurdo que é pedir dados empresariais.

Instada, a Anatel diz que não pode responder a estas questões a não ser através de um requerimento formal – nem mesmo em relação à obrigatoriedade da opção de atendimento presencial.

Observemos o que dispõe e normatiza a Resolução 632 de 7 de março de 2014 – da Anatel em seu anexo que cria, com o pomposo e inútil nome, de Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações:

“Art. 33. As Concessionárias do STFC e as Prestadoras do SMP devem manter ao menos um Setor de Atendimento Presencial por Microrregião com população igual ou superior a 100.000 (cem mil) habitantes atendida em sua Área de Prestação.

§ 1º Deve ser previsto um Setor de Atendimento Presencial adicional a cada 400.000 (quatrocentos mil) habitantes, por Microrregião.

§ 2º Os Setores de Atendimento Presencial adicionais devem ser distribuídos na Microrregião.”

Confrontada com esta realidade, as telefônicas dizem que a Anatel sabe que esta é um resolução sem poder de Lei e que só fez isto para agradar clientes chatos e antiquados.

Não sei como é o atendimento em outras empresas, mas na Tim o cliente é desrespeitado na qeustão do atendimento.

Bem-vindos ao pragmatismo de Temer: quem manda no governo… são “os outros”

0524 - Ratos

Faz algum tempo, houve série famosa na TV – Lost – que começou bem e desandou na fase final ao ponto de se arrastar em busca de um final menos melancólico, como se os autores buscassem ligar os pontos e dar nexos aos vários sub-enredos que foram criando. Em Lost, ao menos nas duas primeiras temporadas às quais assisti, tudo que acontecia fora do previsto era responsabilidade dos “outros”, seres capazes das maiores vilanias e torpezas em meio a uma vida já atribulada e interrompida por um misterioso acidente aéreo.

Hoje, ao acordar e depois de orar por um novo e abençoado dia, minha TL do whatsapp estava repleta de mensagens de indignação e de um estranho júbilo. De um lado, os grupos mais à esquerda dos quais participo extremamente indignados com o silêncio da Globo e a ausência de maiores repercussões do caso Jucá no dia de hoje. De outro, os grupos de direita e aqueles que são totalmente sem-noção exultantes com o pragmatismo com que Temer entendeu e atendeu as ordens do establishment e entregou a cabeça de Jucá como “exemplo”.

E é preciso reconhecer que os dois lados estão certos e são reações que servem para mostrar como todo este processo que vivemos é marcado pelo cinismo e pela hipocrisia.

Já escrevi, aqui e alhures, que boa parte da esquerda brasileira e os seus militantes se portam como se vivessem em um mundo ideal, onde mocinhos e bandidos se enfrentam em duelos e depois cada qual vai para sua casa curar suas feridas. Querem, em muitos casos, os “outros” tenham a fidalguia que eles pensaram ter – mas que, depois, se deparam com a constatação de que foi visto muito mais como um comportamento medroso, covarde e conivente – com aqueles que supostamente haviam vencido em embates.

O sistema é bruto, costuma dizer um amigo meu acostumado com a lida de campo e que, por vezes, se embreta na civilização onde as regras valem de acordo com as conveniências.

Temer foi pragmático. Tentou resistir e manter Jucá, mas percebeu que os seus mentores, os verdadeiros donos do jogo que o haviam tirado de uma vida obscura de conchavos, corrupção e tramóias e o colocado numa improvável cadeira presidencial – para a qual não possui capacidade, nem representatividade eleitoral – exigiam que ele se curvasse e cumprisse as ordens: demita.

E demitiu, numa encenação ridícula, num jogo de cena que foi transformado em modelo pelo sistema. Por isso, os grupos de direita exultam com a “Solução Jucá”. Sem o personagem, o assunto morreu na Globo e nos portais. O embate continuará nas redes sociais, mas estas têm alcance reduzido porque são sempre os mesmos falando e xingando (para) os mesmos. As redes sociais só alcançam relevância se o seu conteúdo for repercutido para “o mundo real” – jornais, revistas, TVs, rádios, etc.

Enquanto o embate se dá apenas nas redes sociais, a sociedade que trabalha e que precisa trabalhar para sobreviver continua sem saber o turbilhão de guerras que acontecem nas redes.

Um dos maiores equívocos dos governos do PT foi ter “pensado” a comunicação do seu governo no apoio a redes sociais, a blogs – esquecendo de fortalecer outras redes alternativas, como os “obsoletos” jornais, as rádios do interior e as emissoras comunitárias de rádio e de TV.

Assim… enquanto o Brasil real se prepara para mais um dia de inflação, trânsito caótico, transporte público em pandareco, hospitais lotados, violência e insegurança nas ruas nas redes sociais o assunto que já morreu por ordem de quem manda, continuará vivo por conta, risco e responsabilidade de quem acredita que outro modo de ver a vida não só é possível, como necessário.

ratazanas

A ensaiada rebeldia do PV se posicionando de modo “independente” em relação ao Temer, mas votando sempre em seu favor, revela uma faceta enojante do sistema político nacional: o faz de conta. O PV – supostamente Partido Verde – é destas siglas que existem para barganhar cargos, sobreviver do fundo partidário e tentar algum lugar ao sol. Os seus mentores viram no casco trincado (mas hoje já devem ter passado durepox ou cola tenaz)  do “navio fantasma” do Temer o risco de naufrágio e se anteciparam à debandada. Bem como aconteceu com a Dilma, o PV anunciou que saiu mas continua – ou seja: é só uma questão de acertos e ajustes operacionais…

barata tonta

Depois de ter ignorado, rejeitado e até evitado diálogo com os movimentos populares, eis que a dona Dilma agora não só encontra tempo como também diz-se encantada com o “calor” das pessoas. No afã de mostrar-se viva, corre o risco de virar arroz de festa. Logo-logo estará até em festa de condomínio – logo ela que SEMPRE tratou com desdém quem a apoiava.

tóing!

A proposta de construção de uma TV Pública, onde todos os segmentos estivessem devidamente representados e tivessem voz, não sobreviveu a simples transformação do vice em interino. Sob novo comando e chefia, a EBC virou efetivamente uma TV do Governo. Ao ponto de ontem até evitar a divulgação de qualquer matéria sobre as inconfidências de Jucá. É o modo tucano de ver o mundo…

Sumiu a “mãe dinah”

Depois de ter obtido seus segundos de nefasta fama e notoriedade, o tal do Catta-Preta, aquele que dizia que era preciso tirar a Dilma da presidência para fazer com que o dólar voltasse a R$ 3,00 e as pessoas pudessem voltar a fazer compras em Miami, simplesmente sumiu. Como seu vaticínio não se concretizou, resolveu voltar a vida medíocre de “juiz” – carregando debaixo do braço a cópia da liminar concedida e que é seu maior feito jurídico…

O começo do fim daquilo que nunca deveria ter sido sequer pensado

0523 - Jucá e Temer

O episódio “Jucá” revela bem mais do que o destempero verborrágico de uma figura abjeta que ocupou o espaço político através da capacidade de sobreviver adaptando-se às conveniências. É preciso lembrar e dizer SEMPRE que o PT é parte deste esquema que busca transformar o que é público em particular ao aceitar lambuzar-se no fel de um presidencialismo gerido e comandado por ladrões.

Já disse outras vezes e vou tornar a dizer sempre que me parecer conveniente lembrar que o PT não criou a corrupção, nem a institucionalizou e nem mesmo foi pioneiro em transformar empresas públicas e a ocupação de CCs (ou sei lá qual a sigla do cargo destinado àqueles puxa-sacos que, do nada, adquirem um poder para o qual NUNCA se exigiu qualificação e/ou capacitação) em prática partidária.

O erro do PT – e aí é sim responsabilidade do Lula e do PT – foi não ter tido coragem de, com o respaldo das urnas e com a esperança de mudança, denunciar o preço da governabilidade.

O erro do PT foi achar que, ao jogar o jogo conforme as regras passadas pelo establishment, isto garantiria que ele, PT, seria aceito pelo sistema e visto como confiável.

O erro infantil do PT foi acreditar que usando os mesmos esquemas e canais de desvios de recursos públicos em contratos e de lavagem de dinheiro, isto impediria que, seletivamente, se atacasse e se acusasse apenas o PT.

Enquanto o PT não assumir estes seus erros, continuará aceitando o rótulo de “inventor” da corrupção – quando o Partido foi apenas irresponsavelmente conivente e cúmplice de esquemas que já existiam. E que continuam existindo.

A conversa de Jucá mostra que a derrubada de Dilma foi uma trama urdida entre segmentos que precisam ter um acesso mais privilegiado aos recursos públicos – quanto menso transparente, melhor. A derrubada de Dilma foi uma alternativa “simples, fácil e barata” que uma parcela significativa de membros do Judiciário, da imprensa, do Legislativo, do empresariado, do mercado financeiro e da sociedade naturalmente com viés fascista encontrou para voltar ao poder – ainda que o poder em momento algum tenha saído de suas mãos.

A derrocada de Jucá é um sinal de que dificilmente Temer conseguirá concluir a interinidade – uma vez que a falta de legitimidade do processo como um todo fica a cada dia mais escancarada.

As manifestações contra Temer se intensificam e já é sabido que o vice não possui o mesmo “estomago democrático” que a Dilma tinha e tem – de suportar a pressão, por exemplo. No linguajar do meu tempo de jovem, Temer é um banana de não aguenta pressão. Forjado mais nos conchavos do que no enfrentamento político. Mais afeito à barganha do que à discussão de ideias. Busca mais convergir para sobreviver do que sobreviver para triunfar.

A volta de Dilma pode ser importante para restabelecer a normalidade democrática, mas mergulhará o País em um clima de total passionalidade – dada a posição adotada pelo Congresso Nacional nas votações deste processo que hoje está confirmado que foi urdido e tramado na sua forma mais popular e consagrada: Golpe!

A estratégia para transformar o mantra “novas eleições” em clamor nacional

Depois de ter assumido publicamente a defesa da antecipação das eleições para a presidência da República, qualquer notícia da Folha deve ser vista dentro de um contexto estratégico do “seu” projeto de fazer com que o PSDB volte ao governo federal.

O vazamento do áudio se insere neste contexto e busca tornar irreversível a bandeira defendida pelo jornal que atua como porta-voz da elite.

Não há qualquer compromisso com a informação, com a pluralidade ou com a verdade. A divulgação é parte de sua estratégia para que o que ela (Folha) deseje passe a ser clamor nacional. É uma jogada inteligente e que mostra o quanto este discurso encontra amparo.

Comenta-se que o teor das gravações está, desde fins de março, com a PGR, com a PF e com a Justiça (árbitro Moro). A Folha não disse quem liberou o áudio, porque indicaria o que está em jogo e quem a Folha usará como ponta de lança de sua estratégia.

É sabido que hoje o PSDB mantém comando sobre boa parte da cúpula da PF – tanto assim que o seu Diretor Geral trabalhou durante muito tempo na “seccional” de São Paulo e muitos federais sonham com a volta do PSDB ao poder para terem menos trabalho. Não pela diminuição da corrupção. Muito antes, bemmm pelo contrário. Mas porque eles ainda lembram e contam aos mais novos que nos governos do PSDB cabia a Polícia Federal apenas montar dossiês contra os inimigos dos tucanos.

Percebe-se que a movimentação da Folha é no sentido de legitimar a sua bandeira e isto é perceptível na mudança de tom dos que antes batiam panelas contra a corrupção do PT e hoje usam o mote de “é, não tem outro jeito – o negócio é fazer uma nova eleição”.

Mas fazer uma nova eleição sem antes uma profunda, séria e responsável reforma política é apenas MAIS uma tentativa desesperada da Folha de São Paulo e os segmentos que ela representa de voltar a ocupar o poder, a comandar o Brasil.

Zunzum portenho…

Que ninguém se assuste com um eventual retorno apressado de Serra a Brasília, deixando a Argentina e as ameaças das bolinhas de papel e das vais que recebe por onde anda na capital Argentina. Equipe de Michel Temer cogita deslocá-lo do Ministério das relações Exteriores para o Planejamento. A última resistência é de Meirelles – desafeto de Serra e, como ele, pré-candidato a 2018.

Pressa no senado

A incontinência verbal de Jucá e Machado – e, comenta-se, de outras gravações – fez com que Eduardo Cunha aumentasse o ritmo de sua articulação como forma de pressionar senadores a reduzirem ao mínimo “tolerável” – e que possa ser referendado pelo STF em caso de recurso do PT ou de alguém que se sentir ultrajado – o período até a votação final do processo de impeachment. Verdadeiro dono do poder – no qual Temer é apenas um joguete – Cunha não quer correr nenhum risco com eventuais deserções de votos de senadores. A ideia que ele já fez chegar aos seus subalternos no Planalto – Temer, Michelzinho, Padilha e Moreira Franco – é que eles trabalhem no sentido deste prazo não ser superior a 45 dias.

Mais do que isto, é brincar com o imponderável.

Jucá pediu “licença”

No interior há uma expressão meio campeira e que aponta que a pessoa envolvida em falcatruas ou suspeitas ou que foi pega em situação difícil de explicar que ela peça licença e saia de fininho. Jucá, flagrado confessando o golpe, não resistiu e “pediu licença”. A política brasileira e os brasileiros esperam que seja uma licença “até nunca mais”.

Agora, caberá ao Senado passar a guilhotina em seu mandato como passou no mandato de Delcídio.

O Brasil tem a oportunidade de se livrar de Romero e de muitos “jucás”

O pernambucano Romero Jucá é uma das figuras que melhor identificam o perfil de corrupto da classe política brasileira e sua inesgotável capacidade de portar-se como um camaleão para sobreviver.

Pernambucano, foi o último governador de Roraima enquanto território federal. É desta época que vem o apelido de “Lata de Ninho” ou simplesmente “Ninho”: fez um acordo com os garimpeiros, permitindo que extraíssem o minério em reservas indígenas – mediante o pagamento semanal, quinzenal ou mesmo mensal de uma lata de ouro. Este acordo era garantido por um oficial gaúcho da PM de lá. Tinha experiência no trato com os índios e sabia o potencial de extração na região, visto ter sido do Projeto Rondon e ter comandado a Funai.

Foi com este acordo que, segundo o povo de lá, ele construiu sua fortuna e asfaltou a estrada de sua trajetória política.

Virou governador por via indireta quando Roraima virou Estado, mas não conseguiu eleger-se pelo voto. Ocupou outros cargos, até ser eleito senador em 1994 – e passou então a demonstrar toda sua habilidade em sobreviver a governos e denúncias.

Foi fiel escudeiro de FHC, em 2002 já pelo PMDB, passou a ser auxiliar e escudeiro de Lula (de quem foi até ministro), serviu Dilma com dedicação e, quando viu um novo galho, passou a ser conspirador em favor de Temer.

A revelação das gravações, ao que tudo indica pela PF que as tinham em seu poder desde março e há indícios de que também estariam com a PGR e o próprio árbitro Moro cópias do material, mostra que a trama do impeachment foi urdida de modo solerte, escancarado e institucional. E que o interino Temer é um temor para a democracia e o seu governo é um embuste.

E qual a alternativa para o Brasil?

Resta saber ATÉ QUANDO Temer manterá Jucá e quando o Senado irá caçar o Jucá…

Na disputa do “nós contra eles” e “eles contra nós”, os corruptos são sempre os “outros”…

A cada novo dia, a cada nova informação que vem à lume, a cada nova revelação… enfim, a cada novo piscar de olhos fica mais claro que o objetivo dos mentores, defensores e justificadores do impeachment no meio político, no STF onde pontifica a militância política desenfreada e, até certo ponto, irresponsável, de Gilmar Mendes e segmentos da mídia que aproveitaram o mote petista do “nós contra eles” e criaram o “eles contra nós”… que o único objetivo estava na “salvação”. Não aquela prometida por Jesus aos que se arrependem e confessam seus pecados, mas a salvação da impunidade e da manutenção da roubalheira.

A divulgação de trechos de conversas entre Romero Jucá com o ex-tucano Sérgio Machado dá razão aos que apregoam, tipificam e consagram que o que ocorreu no Brasil foi apenas e tão somente um golpe.

Estas revelações do Jucá também serviram para mostrar que aparentemente só resotu um “juiz” honesto no STF, casualmente aquele que é “juiz” e não está ministro por injunções e contingências.

É preciso, por sinal, abrir um parêntese sobre o PSDB: não há criminoso político, corrupto ou delinquente da contravenção com recursos públicos que não tenha em seu DNA uma passagem de formação e qualificação na condição de quadrilheiro-mestre pelos quadros do PSDB. Basta observar alguns exemplos:

  • Marcos Valério
  • Delcídio do Amaral
  • Sérgio Machado
  • Youssef

Sem contar aqueles tantos que por lá continuam – ansiosos pela volta ao poder para voltarem ao seu passatempo predileto: dilapidar cofres públicos, com a conivência da mídia. E a proteção do Judiciário – em sua imensa maioria.

Mas, voltando as confidências…

Sabe-se, agora (para aqueles puros de alma que achavam que apenas o Lula falava palavrão), que os termos de Jucá primam pelo zelo – mas as revelações foram muito mais esclarecedoras:

  • a condução coercitiva foi um circo para impedir Lula de assumir a Casa Civil;
  • que a delação da Odebrecht é uma picaretagem:

 

Machado: Odebrecht vai fazer (delação).

Jucá: Seletiva, mas vai fazer

Fica, pois, a pergunta ao árbitro Moro:

  • é assim que funciona a picaretagem da Lava-jato? A delação é seletiva para proteger quem o protege?

O que estamos vivenciando é um estágio de deterioração do tecido social, do esfacelamento da esperança e da transformação da classe política em dejetos sociais.

E agora… o Temer vai escrever uma cartinha pro Joe Biden?

05132016 - Temer e a cartinha

Comandando um governo sem reconhecimento e sem legitimidade, Temer entrará para o anedotário nacional por algumas pérolas que tornam o dia a dia dos brasileiros mais felizes, porque mostram claramente que nada pode estar tão ruim que não possa piorar.

Ao contrário do que o folclórico Catta Preta apregoava em posts que beiravam o nonsense e ajudaram a revelar a que nível de leviandade e de irresponsabilidade podem chegar membros do Poder Judiciário, o Temer assumiu e o dólar subiu e a bolsa caiu – porque está patente, ao menos neste primeiro momento, que o “novo governo” é tão ou mais desqualificado do que aquele que não servia, inclusive com a reutilização de muitos que deixaram de ser bandidos para virarem santos.

Até Joaquim Barbosa, ídolo maior dos revoltados e condutor do julgamento do Mensalão no STF saiu do seu silêncio para dizer: “Não tem legitimidade” e ainda aproveitou para fustigar sem dó e nem piedade o PSDB: “É um grupo que, em 2018, completará 20 anos sem ganhar uma eleição”.

Claro está que logo-logo Joaquim Barbosa, o “justiceiro” perderá a consigna que ornava o seu nome e voltará a ser apenas e tão somente um reles ex-ministro do STF indicado pelo PT.

O governo Temer, que navega com o respaldo dos éticos de plantão, não é reconhecido como legítimo pelos países e virou motivo de chacota. Uma rádio argentina o entrevistou e o locutor fez-se passar pelo presidente Macri e ficou visível que ele, Temer, não tem noção do ridículo ao tentar comunicar-se num portunhol deprimente, parecendo um “gardelón” com brilhantina no cabelo, botóx nas facesmetido a poliglota e que não passa de uma figura esdrúxula que denigre a imagem dos brasileiros.

Diante da negativa de Obama em ligar para Temer, dizem que ele está escrevendo uma carta para o vice de Obama, de quem diz ser amigo e parceiro, usufruindo de uma amizade plena, sincera, intensa e cheia de confidências e intimidades inclusive familiares. Escreverá dizendo que não é justo que Obama não ligar para ele, que não é legal que o Barack não reconheça que ele fez tudo aquilo que a embaixadora dos EUA mandou ele fazer e vai mandar para o Congresso nacional todas as mudanças e alterações que ela mandou que ele fizesse e que ainda assim o Obama não ligasse.

Uma ligação do Obama, ele certamente dirá isso na carta para o Joe, valerá mais do que todos os beijos e abraços que já recebeu do Aécio, do Caiado, do Cunha, do Sarney, do Bob Jefferson, do Gedel, do Eliseu, do Gilmar Mendes, do Bolsonaro e do patinho da Fiesp.

No entanto, a coisa é bem mais complexa do que uma eventual ligação que não virá do Obama pode indicar. Em conversas com pessoas de representações diplomáticas e sempre falando na condição de absoluto anonimato, eles revelam uma inquietude com a situação política do país.

De recuou em recuo…

Na noite desta sexta-feira, 13, Michel Temer, o interino, pouco mais de 24 horas no poder, já recuou e restaurou a autonomia da Cultura, que passa a ser uma “secretaria” dentro do MEC e não terá o comando de Mendonça Filho.

De coice em coice

O Itamaraty, sob o comando de José Serra, resolveu partir para o ataque. Depois de não conviver com as críticas dos brasileiros, o catatônico e cadavérico chanceler disse, por meio de nota liberada na noite desta sexta-feira, que ele, na condição de comandante supremo e dono da verdade, não aceita que nenhum país coloque em cheque ou critique o golpe no Brasil.

 

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