Blog do Alfredo

Month: fevereiro 2017

Fator Bolsonaro é fruto da incompetência do PSDB

Derrotado eleitoralmente em 2002, o PSDB optou por terceirizar o papel político de ser oposição para os meios de comunicação. Os parlamentares tucanos passaram a ser pautados pela mídia, num processo onde o ego era mais importante do que a articulação de uma proposta, de um projeto diferenciado daquele que o PT buscava implantar.

A dificuldade do PSDB talvez se justifique pelo fato de que os dois possuem o mesmo viés social-democrata (sendo o PT de centro e o PSDB de centro-direita). Olhando desapaixonadamente, há mais convergências entre as propostas e as práticas dos dois grupos políticos do que propriamente “antagonismo”.

Levando em conta a falta de hábito de “fazer oposição”, os tucanos optaram por esperar que o desgaste do PT no governo – até por ser sabedor desde o primeiro instante que os seus operadores passaram a ser operadores do novo governo – faria com que, em 2006, voltassem facilmente ao comando do Diário Oficial da União.

Entre o fim do 2º turno de 2002 e o 1º turno de 2006, os próceres tucanos apenas usaram o microfone para repercutir o que a mídia diziam – sem coragem, sem capacidade e sem oferecer nenhuma alternativa ao que estava acontecendo.

Desde o fim do 2º turno de 2006 até o 1º turno de 2010, o Brasil e os brasileiros continuaram vivendo o mesmo cenário político, onde a chamada oposição nada mais era do que um grupo ansioso e angustiado para voltar ao poder, a se beneficiar do poder – sem nenhuma proposta concreta.

Sem coragem de ser oposição, o PSDB incentivou, por omissão e conveniência, que além da mídia, algumas figuras histriônicas passassem a ocupar o papel de “oposição”.

Perdeu outra vez e teve de engolir a transformação de um poste, em presidente.

Desde o fim do 2º turno de 2010 até o 1º turno de 2014, tudo que o PSDB conseguiu fazer foi acirrar sua própria luta interna pelo poder – sempre pautado na análise infantil de que o poder voltaria a cair no seu colo. Como se isso fosse um direito natual – e não uma construção política.

Por ter sido omisso e ausente do “fazer política”, eis que em 2014 o tucanato viu que tinha criado algumas cobras – antes incentivadas. E precisou atacar a candidatura de Marina de modo impiedoso, desconstruindo a imagem da ex-seringueira e assim garantir a sua presença no 2º turno.

Outra vez derrotado em 2014, o grão-ducado de plumagens rotas percebeu que era preciso buscar uma forma de, antidemocraticamente, inviabilizar o governo de Dilma – algo para o que ela contribuiu de modo decisivo.

O resto da história é sabido – ao menos a parte já revelada, com suas nuances de perversão e de nonsense.

Faltando mais de um ano para as próximas presidenciais e o desespero tomou conta das hostes tucanas ao constatar que a estratégia adotada – terceirizar o “fazer oposição” para a mídia, instrumentalizar o judiciário como uma ferramenta política e delegar a figuras excêntricas e tresloucadas o papel de vociferar contra o PT – não só se revelou inútil como, nas últimas pesquisas, mostrou que a criatura está engolindo outra vez o criador.

Hoje, fevereiro de 2018, o PSDB precisa se preocupar muito mais com Bolsonaro do que com Lula – porque ao que tudo indica o ex-presidente irá terçar armas contra o “candidato” que não se sabe por qual partido estará na disputa. Se é que estará…

Com a expertise de ter destruído política, moral e ideologicamente Martina Silva em 2014, os tucanos terão de repetir a estratégia contra Bolsonaro. Resta saber se terão o mesmo êxito, uma vez que, ao ser atacada, Marina foi para uma posição de fuga. Não é de se acreditar que Bolsonaro vá aceitar os ataques do PSDB de modo calado, ainda que o seu nome só tenha conquistado espaço por uma concessão política da visão deturpada dos tucanos – que nunca tiveram coragem de se posicionar em relação a nada.

Sinais de desespero diante do inevitável

E as redes sociais e as bancas com revistas de ocasião voltaram a ficar “alvorotadas”, com o rancor da impotência estampado em capas sinistras, de denúncias vazias e posts carregados de ódios e mentiras – como se a realidade já não tivesse demonstrado, várias vezes, que a desconstrução da imagem de Lula no imaginário popular segue uma ótica que já se revelou incapaz de atender aos anseios que quem o odeia por saber que não consegue vencê-lo.

E não é por “falta” de força!

Diria que é por falta de capacidade e de inteligência.

Hoje, quem deveria “ajudar a matar” Lula e seu legado, funciona como ferramenta poderosa de seu fortalecimento e sua transformação em um ente “invencível”.

Observe-se a pantomima do STF, que a cada momento mais e mais confirma a observação de Lula de que se trata de uma corte acovardada. E nem digo apenas pelo episódio Moreira Franco, que é apenas patético e revelador da decadência ética daquela Casa. Falo do silêncio diante da indicação de um plagiador como Alexandre Moraes, sobre o qual recaem suspeitas inclusive de ter advogado para uma conhecida facção criminosa. Falo da militância ostensiva, partidária e rancorosa de Gilmar Mendes. E falo principalmente pelo pânico hoje instalado naquela casa por conta das ameaças e chantagens de Eduardo Cunha em revelar as supostas relações nada recomendáveis entre ministros e o suborno.

O Supremo é apenas uma ponta de um Judiciário que flerta vergonhosamente com o arbítrio, ao delegar a um Juiz que no passado foi omisso por conveniência com a corrupção – caso Banestado – a condução de um processo que deveria sim ser tocado e conduzido de modo isento. Porque eu ao menos quero muito que a mazela da corrupção seja extirpada dentre nós. Mas não chegaremos a isso seccionando intencionalmente no tempo a ação, delimitando que antes de 2003 havia honestidade e que pós 2003 instaurou-se o caos.

Convenhamos que se trata de algo estúpido, para dizer o mínimo…

As delações da Odebrecht estão servindo de argumento jurídico para pedir a extradição de um ex-presidente do Peru por atos supostamente cometidos nos anos 80 – fatos estes revelados pela Lava-Jato. Mas no Brasil, o juiz faz este corte em 2003 – para proteger a súcia que o venera, protege e incensa. E assim evita que se revele ao País o grau de degradação que as instituições vivem – e não é de hoje.

Ou pode existir algo mais perversamente patético do que as posturas que o rapazinho deslumbrado pelas luzes e apavorado pela ciência do fracasso de sua cruzada vem adotando na condução do processo?

  • ao proibir a gravação das audiências;
  • ao defender o presidente Temer;
  • ao beijar os pés e se humilhar de modo assombroso diante de FHC;
  • ao blindar as fundações de Collor, Itamar, Sarney e FHC da simples relação de todos os seus doadores.

A exemplo de tantos, recebi na sexta-feira, 17, o resultado de uma pesquisa acerca da qual não li nenhuma reflexão. Realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, tendo como universo 2.200 entrevistados em 146 municípios,  entre os dias 12 e 15 de fevereiro, buscava responder:

Em sua opinião, o Governo do Presidente Michel Temer apoia, é contra ou não apoia, nem é contra a Operação Lava Jato?

Apoia 26,4%

Não apoia, nem é contra 23,9%

É contra 44,3%

Não sabe/ não opinou 5,5%

Tem na mesma pesquisa uma outra pergunta interessante e o resultado óbvio:

Em sua opinião, a mídia e o Poder Judiciário protegem nomes do PSDB e do PMDB?

Não 33,7%

Sim 61,0%

Não sabe/ não opinou 5,3%

Esta pesquisa deve ter embasado a guinada de posição da Veja, que de repente perdeu o papel de porta-voz do grupo golpista que preferiu investir os recursos disponíveis para ter a IstoÉ como porta-voz.

Já escrevi e volto a dizer e enfatizar: os dados das pesquisas de intenção de voto para 2018 farão com que o juiz ao qual foi imposta a missão de “matar o Lula” se torne cada vez mais presunçoso, arbitrário e arrogante – inclusive desrespeitando, ignorando e atropelando ritos processuais. Ele sabe que uma parte da sociedade já está cobrando dele as luzes e os holofotes que obteve, sem ter capacidade para conquistá-las de moto próprio. E que estas cobranças aumentarão a cada nova rodada…

O ostracismo leva imbecis ao patético em busca da luz perdida

O dilema do Grenal político que nós vivemos é que cada um dos contendores escolhe seus ídolos de momento. E não leva em conta a qualidade ou o conteúdo de suas posições. Aninha-se no costado de um ou de outro para encobrir a própria incapacidade de pensar pela cabeça que supostamente carrega grudada no pescoço.

E estes que são alçados a condição de luminares também sentem o peso do ostracismo, quando perdem o brilho e as luzes que recebiam. E partem para o bizarro, em busca de outra vez ostentar um brilho. Ainda que seja fugidio. Ainda que este “novo” reluzir seja apenas o epitáfio da própria imbecilidade.

Via de regra, estes insnat celebrity têm como o fio condutor a incapacidade de compreender quando o tempo deles passou. Ficam parecendo aquelas candidatas que quase foram miss e que tratam de reavivar até o fim da vida a lembrança daquilo que jamais conseguiram ser.

Uma destas inutilidades de plantão é Rachel Sheherazade, pródiga em confirmar a sua condição de tola – algo para o qual ela tem particular aptidão.

Fora do foco, abandonada e sem valor de mercado – que a descartou, porque certos imbecis são otários com tempo de celebridade curto – ela tenta a todo custo voltar a fulgir. E como não tem mais impacto o que ela diz e como seus comentários tem a mesma credibilidade de uma piada de Grouxo Marx, ela está agora com uma nova estratégia: passou a atacar aqueles que, tendo um posicionamento divergente do seu, vivem com luz própria.

Gritou, xingou, esperneou e se escabelou.

E aqueles que ela quis agredir, deram a ela a única resposta que dilacera este tipo de pessoa: simplesmente a ignoraram.

Estranhos pesos para semelhantes casos

A parcialidade da Lava-jato, cuja credibilidade se esvai na medida em que os seus protagonistas optaram pelo espetáculo circense em lugar de efetivamente atacar as mazelas do sistema político nacional e as relações inescrupulosas que a iniciativa privada SEMPRE teve com a classe política (e vice-versa), salta aos olhos – numa expressão que servia para identificar algo bizarro demais para não ser considerado.

Delatados, Sergio Cabral e Eike Batista estão presos.

Delatados, Aécio, Temer, Moreira Franco, Serra, Alckmin e outros tantos, continuam impunes e posando em fotografias com o Moro em cerimônias que mais parecem reuniões da máfia do que cerimônias às quais pessoas honestas se atrevem em comparecer.

E mais…

Aqui no Brasil, a turma da força-tarefa para prender o Lula definiu que, em nosso país, só existe corrupção a partir de janeiro de 2003. Enquanto isto, baseados nas mesmas delações prestadas aqui, te gente sendo presa em outros países por suborno da Odebrecht nos anos 80 e 90.

Pera aí….

Como explicar este descompasso – com um evento de corrupção tendo acontecido antes do próprio surgimento da corrupção?

Mas não ficou claro no power-point do capeta que tudo girava em torno do Lula?

Moro corre contra o tempo: 2018 já chegou!

Na medida em que o próprio tempo está sendo o responsável por revelar e cristalizar, na sociedade, a percepção de que a única razão pela qual a “Lava jato” foi concebida, apoiada (inclusive de modo sub-reptício a partir de acordos ocultos com outros governos) e mantida ao longo dos anos foi de atingir Lula e que não consegue atingir seus objetivos a despeito de todo o esforço dos meios de comunicação e de todas as arbitrariedades que vêm sendo cometidas pela força tarefa, pelo MP, pelo Moro e pela PF, fica apenas uma certeza: O juiz benevolente do Banestado, o bajulador vergonhoso que se desculpou por interrogar FHC e o defensor de Temer na audiência de Cunha está, a cada dia, com menos tempo de cumprir a única razão de sua existência e de sua transformação em ícone de palestras do PSDB: prender Lula.

O tempo começa a atuar contra o Juiz que não se constrange diante de suas próprias insanidades – como se soubesse que terá de fazer cada vez mais das tripas coração para entregar aquilo que lhe foi encomendado: a cabeça do Lula.

Até agora, foram tiros e mais tiros no pé – numa sucessão patética de presepadas, transformando o judiciário numa esperança eleitoral de quem não possui nenhuma alternativa eleitoral ou política.

E a pressão sobre o magistrado das cartas marcadas aumenta a cada nova pesquisa que é divulgada e que reitera a posição de Lula – cada vez mais favorito para a disputa de 2018. Inclusive com perspectivas de vitória já no 1º turno.

Assim, depois de ser “trolado” por FHC e desmoralizado por Cunha que lhe deu preciosas lições de Direito, Moro terá de aumentar seus malabarismos para evitar o cenário que hoje é o mais palpável para as eleições que se aproximam se transforme em realidade.

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