Blog do Alfredo

Month: abril 2017

O Clube de Vizinhança 1, em Brasília, virou propriedade familiar?

0408 - BdoA - Clube de Vizinhança

A ideia dos Clubes de Vizinhança surgiram antes mesmo da inauguração de Brasília. Deveriam ser seis, mas apenas um saiu do papel e foi inaugurado em 11 de abril de 1961 – poucos dias antes da nova capital completar um ano de sua inauguração. O espaço para os demais, existe – mas os terrenos seguem ociosos.

O Clube de Vizinhança 1 localizado na EQS 108/109 está em polvorosa por conta das eleições que acontecem neste domingo. Cansados dos desmandos de um grupo que transformou a estrutura da entidade em algo para benefício familiar, os sócios decidem neste domingo se dão fim a 10 anos de obscurantismo, pressão sobre associados, falta de transparência e, acima de tudo, malversação de recursos.

São várias as chapas que tentam conquistar a simpatia de mais de três mil associados. Um cargo que, além do poder de administrar um orçamento bem representativo (cerca de R$ 700 mil por mês), também dá visibilidade e poder político ao seu ocupante.

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É o caso do presidente Gerson Dias de Lima, réu em processo por improbidade administrativa por conta de estripulias quando fez parte do Governo Arruda, que tentou mudar o estatuto para possibilitar que se candidatasse mais uma vez. Ao não conseguir, colocou a esposa como cabeça da chapa – algo que é visto pelos adversários como uma jogada que define uma laranja.

No caso do processo 2011.01.1.217602.6 a denúncia oferecida pelo MPU-Ministério Público da União é claro e cristalino: Gerson Dias de Lima, que foi Subsecretário de Mobilização de Eventos do GDF na gestão de Arruda, teve participação fundamental para fraudar as contratações diretas – em favor principalmente de uma empresa.

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E não se trata de suspeita ou coisa típica de processos eleitorais. Era propina corriqueira e direta. Sem meias palavras – como está no depoimento do dono da empresa que SEMPRE vencia as licitações:

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O mais engraçado é que muitos dos eventos contratados nem aconteciam – como está no processo. Ou seja: é muita maracutaia.

Mas há mais, inclusive a contratação de obras e serviços com o claro intuito de benefício pessoal.

 

 

E o PSDB encontrou um nome e um baita problema

0402 - BA - Doria

Doria surge como uma alternativa com o verniz do “novo”, mas sua ligação com os cofres públicos vem do começo dos anos 90

Manhã de domingo, eis que antes mesmo do café da manhã, desanda o celular a acusar chamadas. Tenho por hábito atender, nos finais de semana, apenas ligações de números identificados, de pessoas conhecidas.

E o número que insiste é de um código 011. Uma, duas, três e quando veio a quarta ligação, resolvi atender.
– Alemão… agora nós não precisamos mais que o Moro prenda o Lula…

Pelo sotaque paulistano, arrastado e carregado de nuances de quem nasceu em Piracicaba e se orgulha até dos erros de concordância, ficou fácil saber quem estava assim todo afoito.

– Bom dia, primeiro… E nós quem, cara pálida?

A gargalhada inconfundível veio acompanhada de um regozijo que não havia nas últimas e monocórdias conversas quando ele apenas sentenciava:

– Ou o Moro prende o Lula, ou vamos morrer de fome sem o dinheiro do governo…

E a explicação eufórica, como quem estava ali pela terceira garrafa de vinho ou sexta dose de uma boa cachaça da Weber Haus, veio logo: os reiteradamente derrotados, acreditam ter encontrado um nome para se contrapor ao favorito…

Na verdade, eu já havia captado esta sensação de alívio que percebo entre os conhecidos que antes de mais nada odeiam o Lula e depois detestam o PT. Já tinha conversado com alguns tucanos que, coçando a cabeça, se mostravam ainda contrariados com o almofadinha – mas já admitindo que o “novo” que eles temiam em hipótese alguma seria Bolsonaro.

Mas era uma espécie de alivio contido e um misto de resignação e perplexidade: ele vai nos engolir, constatavam estes tucanos em conversas ao longo dos últimos 45/60 dias.

Ao se vender como um político não político – e que sempre teve dinheiro público em suas ações empresariais e carrega inclusive condenações do TCU por malversações e estrepulias quando comandou a Embratur – Dória ocupou um espaço no imaginário social que estava vazio.

Bolsonaro tentou ocupar este espaço, mas a falta de consistência de sua cruzada e o fato de ser apenas um caricato, sempre impediram que ele fosse visto pelo centro e pela direita como um nome. Na verdade, ele teve o papel de, quando toda a oposição esperava o que os jornais diriam para se manifestar, Bolsonaro ficava entupindo redes sociais com suas tresloucadas, bizarras e insanas tiradas.

Para este segmento, a aparição de Doria soa como uma espécie de oásis.

É a possibilidade de um paulista voltar ao comando do País, de onde foram ejetados pelas urnas em 2002. E, o mais importante, com a possibilidade de preservar o Moro para ações futuras – ele que foi um prestativo defensor da causa em ações como Banestado e Lava Jato.

Mas qual a capacidade de Dória sobreviver fora do aquário de super-proteção que a mídia paulista lhe concede. Como ele irá reagir quando as contestações aos factóides que ele cria forem sendo confrontados coma  realidade? Olhando de longe, Dória afz com que relembremos de César Maia – hoje engolido pela lata de lixo da história e que deve estar sobrevivendo daquilo que amealhou e não houve intenção em descobrir.

Como Doria irá reagir quando confrontado pelas ruas – e já se sabe que ele não tem muita habilidade no trato direto, sem encenação e sem roteiro.

Será o Doria uma espécie de Collor do séc. XXI?

Com as redes sociais dissecando cada momento do seu passado, dos seus contratos de publicidade, com seus débitos do IPTU, com as promessas abandonadas em seu plano de metas e tantas coisas que ainda nem se sabe… como Doria irá sobreviver?

E mais…

  1. Alguém acredita que Andrea (sim, quem manda no Aécio é a Andrea e o neto do Tancredo é reles fantoche) vai aceitar que o irmão fique fora do jogo – logo ela que tem uma imensa voracidade no manuseio de verbas publicitárias e em ameaças a jornalistas vai aceitar que o sonho de “chegar lá” se espatifou?
  2. Deixará Serra de lado o hábito de com sua troupe na PF fazer dossiês contra os inimigos e mesmo ações como foi o episódio contra a Roseana Sarney – para ficar em um só registro?
  3. Alckmin, o mentor insosso que viu a criatura engolir o criador… vai aceitar o papel de coadjuvante a ser descartado ali adiante?

São questões que irão surgir ao longo dos próximos dias – mas a verdade é que, neste momento, Doria surge como uma tábua de salvação.

Por isso a euforia do velho amigo – que foi stalinista e hoje é capaz de andar congregando na Opus Dei.

– Com o Doria, o Moro vai ficar sem o que fazer…

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