Blog do Alfredo

Category: Censura

A Globo e a delação: quando interessa, vale como prova

Qualquer pessoa sabe bem o modus operandi da Rede Globo em todo País. E todo mundo também sabe como ela se vale da hipocrisia e do falso moralismo para chantagear, extorquir e manter sua hegemonia.

Produto mais duradouro e nefasto da ditadura militar que enfrentamos de 1964 até 1985, a Rede Globo é a prova cabal do quanto falta de percepção política ao pessoal do PT – que em lugar de construir alternativas de comunicação, resolveu ser generoso com a emissora (refinanciando empréstimos, sendo condescendente na cobrança de débitos tributários, etc).

Há inclusive uma história atribuída ao Lula – da qual nunca soube a plena veracidade.

Reza a lenda de que o morubixaba comandava uma reunião quando foi interpelado por alguém acerca da importância de estruturar mecanismos de democratização do acesso a informação, investindo pesado na crianção de uma TV Pública e definindo estratégias para enfrentar o monopólio da informação.

E ali, entre uma risada e outra, Lula teria disparado:

–  Não entendo por que vocês insistem nessa história de ter uma TV do Governo. Nós já temos uma!

E diante do silêncio, ele mesmo teria concluído:

– Vocês esqueceram que agora a TV Globo é nossa?

Verdade ou mentira – estou mais para crer em tal fato do que duvidar, porque a incapacidade dos petistas em compreender a realidade pode ser vista nas relações promíscuas que TODOS os governos do PT mantiveram com os grupos tradicionais de mídia – este fato ilustra bem o que é a Rede Globo.

É importante destacar que a Rede Globo não tem escrúpulos. Ela tem interesses. Para ela, os segmentos sociais se legitimam apenas financeiramente. Assim, na visão dos seus diretores, se há oportunidade de faturar com a tragédia, que se transforme a tragédia em fonte de renda.

Mas, como dizia meu velho e saudoso pai: a desgraça é que o mundo é redondo!

A Globo que silenciou diante de muitas denúncias, que se omitiu diante de muitas realidades, que foi conivente com muitas barbaridades, que aplaudiu muitas insanidades, que deu voz e vez para gatos pingados em suas diatribes e insanidades, ela que sempre viveu e continua vivendo do BV junto às agências de publicidade, ela que tenta transformar o modo de vida da zona sul do Rio em padrão de comportamento para o Brasil da periferia (para os mentecaptos do Jardim Botânico, se não for da zona sul do rio, o resto do Brasil é periferia), ela que sempre usou delações como prova irrefutável, agora tenta se vender como a virgem, a santa.

O episódio refere-se à denúncia feita em delação do empresário Alejandro Burzaco. Em depoimento perante a justiça em Nova Iorque nesta terça, dia 14.  Burzaco, ex-executivo da Torneos Y Competências, empresa argentina que negociava os direitos de transmissão de competições organizadas pela Conmebol, disse com todas as letras que a Globo pagava suborno aos dirigentes da entidade que comanda o futebol na América Latina.

Por analogia ao seu comportamento anterior e histórico, é preciso considerar a Rede Globo como culpada – porque é assim que ela trata as delações e os vazamentos eletivos e seletivos: se foi denunciado, se foi citado, se foi sugerido – é culpado.

Dentro deste cenário, é um exercício de cinismo, de hipocrisia e de desrespeito para com a sociedade o que a Globo faz ao se defender das acusações e alardear-se como último bastião da ética, da moralidade e da transparência.

 

Senado decreta: boliu com um, boliu com todos. E salva Aécio

Foi um grande e bizarro circo – com roteiro definido em conchavos, conversas, acordos e juras de amor eterno e de lealdade.

Não conta tanto o resultado em si, mas serve de parâmetro o que o instinto de sobrevivência da classe política é capaz de fazer com seus próprios escrúpulos. Ao restituir o mandato ao senador Aécio Neves, os 44 senadores mostraram que “ali dentro” é outro mundo, são outros os parâmetros e são outras as leis que regem o submundo da política.

Quando o STF se acovardou e se acadelou às ameaças de enfrentamento em reiterados recados enviados de modo aberto e escancarado pelos senadores, ficou claro que cada qual lavaria suas mãos e trataria de safar os seus próprios privilégios.

É preciso entender o recado que o Senado deu à sociedade dentro de uma perspectiva de escárnio e de deboche. A Corte Alta (SFT) e a Câmara Alta (Senado) se igualam no mesmo patamar de cumplicidade, de conivência e de descaso com quem lhes paga salários, mordomias e lhes garante a abjeta impunidade com a qual fazem questão de colocar o povo brasileiro apenas na condição de míseros palhaços.

Não vou entrar no mérito de todos os votos que livraram a cara do Aécio, mas no caso do DF me pareceu pilhéria um levantamento que colocova como indeciso o Hélio Gambiarra – uma das maiores aberrações políticas que nossa (de Brasília) história recente foi capaz de forjar. Trata-se de um político sem noção de compromisso com a sociedade, que chegou ao senado sem ter votos e sairá de lá para a lata de lixo da história como uma justificativa definitiva para o fim desta excrecência chamada de “Suplentes” – algo que acabará sendo extinto pela Justiça, com o fim das coligações.

Gambiarra, que fez 6 votos na disputa para a Câmara Legislativa em 2014, é conhecido dentro do Senado como um puxa-saco de Renan, votando a cabresto e fazendo o que o senador de Alagoas mandar – ainda que custe cargos e empregos de aliados.

Reguffe, o outro senador do DF, votou Sim e Cristovam, só para variar, estava viajando – ele que pretende ganhar do povo do DF mais oito anos para não fazer nada e conhecer muitos lugares e muitos países. Sempre às custas do dinheiro do cidadão.

Rollemberg apela ao Judiciário para evitar críticas

Conviver com o contraditório, aceitar as críticas e enfrentar os desafios faz parte da personalidade de algumas pessoas – que sabem que este é o preço que se paga pela liberdade, pela democracia.

Existem outras, criadas dentro de um sistema de privilégios, contando sempre com as lições e os exemplos de casa, que acreditam que só elas possam falar, dizer e atacar as pessoas e que qualquer admoestação que sofram, precisa ser reprimida.

No Brasil recente, esta tem sido a norma levada ao pé da letra por muitos políticos: querem o direito de falar a asneira que quiserem, mas acreditam que possam contar com um escudo de proteção que evite que sofram com o natural efeito bumerangue.

A bola da vez é a ação de Rollemberg que conseguiu no TRE-DF a suspensão das propagandas do PT com críticas a sua gestão, aos seus desmandos, ao descalabro que uma administração marcada por incompetência, má-gestão e destruição dos serviços públicos vem causando ao DF e seus moradores.

Foi um baita de um tiro no pé, o que demonstra que o atual governador, além de despreparado, incapaz e medíocre, é também extremamente burro. E mal, muito mal assessorado. E vou explicar.

Eu, por exemplo, não assisto TV e nem escuto rádio – por problemas de uma úlcera estomacal que me incomoda com a mania de manipulação e de desinformação dos meios de comunicação. Pois bem: eu – e acredito que o mesmo acontece com milhares de brasilienses e brasileiros pelo Brasil e mundo afora – acabei assistindo o vídeo porque o Rollemberg não queria que ninguém soubesse que ele é incompetente. A ação de Rollemberg gerou a curiosidade e o impacto que o material em si não teria.

A pessoa precisa ser um gênio, a pessoa precisa ser uma mistura depauperada de uma anta com um esquilo para dar um tiro destes no pé: ao não querer que as pessoas assistissem as críticas na TV, levou elas a assistirem nas redes sociais.

Eu me pergunto: quem são as cabeças geniais que assessoram o governador que entrou no Senado sem fazer concurso – e, cá entre nós, se não fosse pela janela, estaria desempregado até hoje? Porque é preciso ser muito, mas muito burro para conceber uma estratégia tão genial. O que era um mimimi partidário, virou mais um manifesto contra Rollemberg – agora não só por sua incompetência, mas por seu viés de censor, de quem não aceita críticas, de quem não tolera a divergência.

Hoje, as redes sociais possuem uma audiência muito mais ampla do que os meios tradicionais. Um assunto abordado nas redes sociais repercute muito mais do que uma inserção na TV. Hoje as redes sociais atuam como a voz da sociedade em todos os sentidos – ainda que algumas pessoas só gostem da voz das redes sociais quando elas ecoam o que elas pensam, mas esta é outra história.

Enquanto as pessoas estão no transporte coletivo (arghh), enquanto estão nas filas dos hospitais esperando atendimento, elas estão nos seus smartphones vendo o que acontece e não ficam olhando a programação da Globo que é imposta aos pacientes nas salas de recepção.

O que Rollemberg fez foi algo tão estúpido, tão irracional, tão descabido, que chego a imaginar ele diante do espelho, com aquela sua cara preparada para dar desculpa: eu sou mesmo um gênio.

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