Blog do Alfredo

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O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

Sobrecarga de trabalho no “jurídico” dos Sindicatos

Com a proximidade do dia 11, quando entra em vigor a “nova” Lei Trabalhista – com impactos ainda não mensurados na vida do trabalhador – os departamentos jurídicos dos principais sindicatos em Brasília estão trabalhando ao máximo para limpar as gavetas e dar entrada em todos os processos possíveis até sexta-feira (10).

É consenso entre dirigentes sindicais de que ficará muito mais perigoso questionar algo na Justiça do Trabalho e, com a nova regulamentação, a parte perdedora terá de arcar com as custas. Por esta ótica, algumas entidades sindicais pensam em alterar seu modo de prestar assistência jurídica aos sindicalizados – para não haver risco de condenações financeiras em caso de insucesso em alguma demanda.

Óbvio que haverá um tempo de ajustes – como se dizia lá no passado que era no sacolejar da carroça que as melancias iam se ajeitando, o mesmo acontecerá com a nova dinâmica nas relações de trabalho.

A única certeza cristalina é que a parte naturalmente mais fraca, ficou ainda mais fragilizada. E quem já era naturalmente mais forte, agora joga de mão, escolhe as cartas e se mesmo assim achar que pode perder, sempre poderá contar com a nova visão do TST, manifestada por seu presidente Ives Gandra em entrevista na Folha de São Paulo – o título por si é aterrador, ainda mais quando reflete o pensamento do presidente do TST: “É PRECISO FLEXIBILIZAR DIREITOS SOCIAIS PARA HAVER EMPREGO, DIZ  CHEFE DO TST.

O link da entrevista está AQUI.

Em 2018, qualquer um – menos Rollemberg

Repete-se no fim de 2017 um discurso que era recorrente em fins de 2013: qualquer um, menos Agnelo. O nome da vez, em 2017, é do senador que estava na boa vida, em 2013, sem nada fazer, sem nada de trabalho e só fazendo aquilo que mais gosta: saudar a chuva. Convencido que bastaria vendê-lo como sabão em barra de qualidade e ninguém perceberia que sua biografia era de sabão em pó de péssima qualidade – destes que nem o governo tem coragem de incluir em cestas…

Se Agnelo fez um governo marcado pelos fantasmas dos tempos de ministro dos Esportes, com uma equipe de comunicação bizarra, ineficiente e infantilizada em seu modo de trabalhar, carregando o peso das contradições e do desgaste do PT, além dele próprio carecer de ambição e gosto pelo trabalho, Rollemberg consegue ser ainda pior do que o seu antecessor.

E conversando com empresários – muitos daqueles que em 2013 diziam que “serve qualquer um, menos o Agnelo” – há uma unidade quanto ao fato de que, para o bem do DF, é preciso defenestrar Rollemberg da cadeira, para a qual foi guindado muito mais por falta de opção política do que por qualificação para o cargo.

E dentro deste cenário, há uma profusão de candidaturas – inclusive há uma tentativa de criar algum ou alguma outsider, mas até o momento são nomes caricatos que buscam ocupar o espaço vazio. Ainda que não passem de opções vazias.

Muitos destes empresários nutrem simpatia por Jofran Frejat, mas colocam um porém: Jofran é um bom nome, o problema é quem vem junto… O que os empresários temem é a volta dos tempos de extorsão e de pressão que foram marcas de ação política dos governos de Roriz e de Arruda, sem contar a proximidade de alguns nomes que causam pavor em quem desenvolve atividade produtiva.

Caso Jofran consiga se distanciar dos grupos que todos acreditam ter poder de interferir em sua ação – mais precisamente os cadáveres políticos representados por figuras como Arruda, Luis Estevão, o estigma do que ainda resta de Roriz, Fraga, Paulo Octávio, Izalci e tantas figuras que se mostram sempre à espreita por acesso ao poder – ele pode sim se viabilizar eleitoralmente, até porque não há, contra ele, nenhuma acusação.

Descolar destes cadáveres será uma tarefa delicada, porque há muitos comensais visíveis e outros tantos ocultos. Mas a sua viabilização eleitoral efetiva para 2018 passa por esta dissociação com um modo de política que se enraizou no DF há muitos anos e do qual Rollemberg não conseguiu se afastar – pelo contrário.

Eleição para Distrital em 2018: o PT pode sofrer com a falta de votos

Até o momento, tudo indica que o PT terá uma nominata de luxo para disputar as 24 vagas para a Câmara Legislativa em 2018, dentro do projeto de fazer uma bancada forte. Os nomes ventilados, são representativos e todos carregam a fama de amealharem milhares de votos a cada eleição – mas o que garante mesmo que a legenda atinja o quociente eleitoral não é apenas o desempenho das estrelas, mas principalmente daqueles candidatos que possuem um padrão entre três e oito mil votos.

E alguns destes nomes de forte representatividade – e cá entre nós, fazer oito mil votos não é o mesmo do que discutir filosofia em mesa de bar – e que em eleições passadas ajudaram de forma decisiva para completar o balaio de votos dos eleitos, já não estão mais no PT e outros já avisaram que não pretendem entrar na disputa de novo.

Se o partido conta com Arlete Sampaio, Chico Vigilante, Policarpo, Ricardo Vale, Rodrigo Brito e a professora Rosilene Correa como nomes com potencial de conquistar muitos votos, sempre é bom lembrar que nas eleições de 2014, o quociente eleitoral foi de 63.549 votos por vaga (em termos de CLDF). E aí é que a coisa começa a ficar complicada.

A decisão de Wasny de Roure de não disputar um novo mandato na CLDF e se colocar como pretendente a uma vaga no Senado, deixa o PT sem um nome no segmento evangélico, algo que pode ser crucial – dado o peso e a representatividade do segmento e, também, os ataques que muitas lideranças petistas costumam desfechar contra este grupo religioso.

Pesquisando, encontrei apenas dados de 2013, quando os evangélicos representavam 26,58% da população de todo o DF (no mesmo levantamento católicos representavam 56,91%; espíritas, 3,62%; umbanda e candomblé, 0,25%; outras religiões, 2,23%, e sem religião, 14,21%). Ou o PT abriu mão deste segmento eleitoral, dada a incompatibilidade entre a pauta que o partido defende e aquela que as correntes religiosas preconizam?

Além das dificuldades naturais que o partido sofre por estar sendo vinculado pelos meios de comunicação como sinônimo de corrupção – numa demonização trabalhada e que também atinge os movimentos sociais – o PT vem penando com algumas deserções – nomes que saíram do partido e migraram até para o Dem, enquanto que outros não pretendem repetir a experiência de uma campanha.

Dentro desta realidade, o grande desafio de Érika Kokay, presidente do PT-DF, será montar uma nominata que não represente um processo de autofagia interna, como aconteceu em 1998 – naquela oportunidade, na reta final, muitos cabos eleitorais perguntavam acerca das intenções de voto e, diante da resposta, atacavam: “mas fulano já está eleito! Vamos ampliar a bancada. Seu voto é mais importante para o meu candidato do que para este com o qual você simpatiza.

Nem vou citar nomes para não reavivar velhas feridas – até porque este processo gerou rancores que acabaram levando muitos a não trabalharem no 2º turno da eleição para governador por uma espécie de vingança, possibilitando uma virada do Roriz que até hoje é motivo de dúvidas.

Além de todas estas questões, a ausência de um nome competitivo do PT na disputa para o Buriti surge como outro entrave para o desempenho dos candidatos ao Legislativo. Como será a experiência para os petistas?

Sobre as mudanças – e aqui nem falo nem de modo indireto em relação ao PT, mas como parte do cenário nacional e com a rápida cooptação de pseudos lideranças pelo sistema: Onde buscar estes nomes em um momento no qual as pessoas estão fugindo da política e muitos dos que se apresentam como renovação já chegam com todos os vícios, manias e defeitos que nos levaram a este estágio de saturação?

PT vai em busca do tempo perdido e lança plataforma de participação popular

Foi como nos velhos e bons tempos de sonhos e utopias.

Havia faixas nas paredes, palavras de ordem e emoção nos discursos.

Também havia venda de camisetas, botons, listas de apoio, rifas e tempo para conversas. E nada de coquetéis, ainda que sempre com vinhos de duvidosa qualidade.

Enfim, era como se o velho PT – de antes de 2002, estivesse ali, redivivo.

No lotado Teatro dos Bancários de Brasília, militantes de todas as idades – muitos antigos militantes – readquiriam uma coragem que esteve adormecida ao longo dos anos de pleno emprego. Deixaram de lado, ao menos durante as quase três horas de discursos, palmas e palavras de ordem, aquela preocupação que hoje, sabe-se, embotou o partido: o burocratismo e a sedução do poder.

O evento marcou o lançamento de “o Brasil e o DF que o povo quer”, uma plataforma aberta à participação popular e que busca reconstruir o tempo perdido pelo partido, com o afastamento das demandas e dos anseios populares.

A plataforma está disponível em www.brasilqueopovoquer.org.br e pode ser acessado por qualquer internauta – não precisando ser filiado ao Partido.

Trata-se de uma iniciativa diferenciada, uma vez que resgata a figura do cidadão como parte fundamental do processo político. Ainda que na etapa seguinte o controle das sugestões esteja na mão de “relatores”, a ideia representa um avanço porque busca mudar a visão do “fazer política”.

O próximo passo é ver como será a participação da sociedade, tão receosa de participar da ação política – um processo perigoso e que dá margem ao espontaneísmo e ao viés autoritário de algumas propostas.

Em 2018, qual o discurso que os candidatos ao GDF usarão para seduzir os servidores?

Depois de um governo extremamente generoso – Agnelo – os servidores públicos do GDF se depararam com a cruel realidade de um governo que resolveu tratá-los a pão e água, não apenas sem abrir negociação salarial, mesmo com  a inflação corroendo o poder de compra, bem como não pagando aqueles que já tinham sido acordados no passado.

E cabe lembrar aqui que o Rollemberg foi muito generoso com promessas, porque segundo sua ótica de quem vive no mundo da lua, o que não faltava era dinheiro para dar aumentos, mas sim um “choque de gestão”

E este será o primeiro abacaxi que o governador a ser eleito em 2018 terá pela frente: administrar o caos e fazer frente a demandas crescentes e reprimidas por melhorias salariais por parte das categorias e contemplar a sociedade em sua justa expectativa por uma melhor qualidade dos serviços.

Levando em conta de que alguns dos pré-pré-pré candidatos têm sua trajetória política apoiando fortemente o corporativismo – ao menos nos períodos pré-eleitorais – a dúvida é como irão pautar sua plataforma de governo tendo que partir do princípio de que não haverá condições de prometer loucuras como equiparar a remuneração da Polícia Civil do DF com a PF, conceder benefícios para o pessoal da PM, melhorar o salário do pessoal da saúde e dos professores.

Porque esta será a realidade a ser enfrentada, a menos que os servidores queiram ser enganados, que estejam dispostos a serem ludibriados, tapeados e tratados como otários – porque quem prometer o Eldorado, terá pouco mais a oferecer do que o inferno.

Não há nada no cenário econômico nacional no médio prazo – algo como seis ou oito anos – que indique que os governos voltarão a ter gordura financeira para conceder reajustes. A tendência é que ações como a do governador Rollemberg de atacar recursos que servem para provisionar futuras demandas com a aposentadoria dos servidores deixarão de ser esporádicas para se transformarem em rotina – enquanto houver algum caraminguado.

Porque o que a gente observa é que entra governo, sai governo e o desperdício continua sendo uma prática deplorável – a começar pela estrutura administrativa que vai sendo criada, inchada e aumentada para ir contemplando com cargos e benesses os apadrinhados políticos e também para contemplar os Deputados Distritais aliados, sempre ávidos por cargos, e que revelam um apetite descomunal.

Basta observar quantas administrações regionais existem e o quanto cada uma delas custa para o cidadão – porque muitas delas funcionam como mecanismos para obtenção de vantagens: vendem dificuldades, para justificar pequenos e cotidianos achaques.

O GDF que possui imóveis desocupados, sublocados ou simplesmente abandonados, se dá ao luxo de alugar salas e mais salas. E ninguém precisa ser vidente para saber o que há por trás dos dois casos – um levantamento revelaria quem são os proprietários de tais imóveis…

É assustador perceber que os candidatos prometem o paraíso antes das eleições e depois assumem a verdadeira faceta. E o servidor, que tem como principal preocupação a melhoria do seu salário, acaba aceitando ser tratado como otário.

Todo mundo sonha, mas só o Aécio tem um Judiciário para chamar de “seu”

Como os julgamentos do Supremo seguem uma tendência de momento, o que a Casa decide em uma situação, perde o valor logo ali adiante – basta que os seus privilégios sofram qualquer tipo de risco. Lula já sentenciou que o País tem uma “Suprema Corte totalmente acovardada” – e isso pode ser motivo de júbilo da alguns que hoje veem seus interesses resguardados, mas é péssimo para o País, é péssimo para a sociedade e, pior ainda, péssimo para o próprio STF.

O contorcionismo vocabular da Presidente do STF ao final da sessão foi algo constrangedor, ela sabia o que tinha que fazer – mas não sabia como. Foram momentos hilariantes, onde os ministros que estavam ao seu lado tentavam ajudá-la a construir uma linha de raciocínio que justificasse o que ela própria não conseguia.

E quanto mais ela falava, mais atrapalhada ela ficava – já quase arrancando os cabelos para saber como fazer para cumprir o que tinha acordado.

Instaura-se, agora, o reinado que deve, por dever, passar a ser direito de todo cidadão: decisões judiciais só passarão a ser cumpridas se o apenado concordar com ela.

Este foi o recado direto do grande circo de hoje (dia 11) que o STF encenou – numa demonstração cabal que os interesses de grupos são maiores do que os direitos dos cidadãos. E o mais patético foi a própria Carmem Lúcia dizer que não estava dizendo o que no fundo ela precisava dizer. Porque assim tinha sido dito lá, bem atrás, numa gravação que soa como roteiro de um filme de terror.

Ora, sejamos estúpidos: se um senador da República pedindo dinheiro para alguém já não é passível de encarceramento, então que se abram todos os presídios – que se pare de gastar dinheiro com o confinamento de presos de todas as espécies.

A lição nada positiva que o Supremo deu hoje, para a sociedade, foi a de que existem várias Justiças em nosso País – dependendo das circunstâncias e dos interesses que estiverem em jogo.

Saúdo com imensa alegria esta decisão, porque ela serviu para escancarar o que muitos tolos ainda tinham como referência: temos, infelizmente, uma Corte acovardada, controlada por interesses que fogem da questão judiciária e passam por questões de afinidades ideológicas, por questões de compadrio e de escárnio.

E este é, na minha opinião, apenas o primeiro de muitos ajustes que serão adotados. Chego a temer os próximos passos, como por exemplo o fim da prisão aos condenados em 2ª instância. Porque a sinalização que o STF deu hoje para a sociedade é que o crime, quando envolve poderosos, sempre compensa.

Temer, incansável cabo eleitoral do Lula

Por mais que a turma da Lava Jato, junto com boa parte da mídia, se esmere em querer enfiar goela abaixo dos brasileiros de que evidências servem como provas, indícios são suficientes para condenação e necessidade pessoal justifique punir aqueles apontados como inimigos, a verdade que o ex-presidente Lula conta com um cabo eleitoral de primeira qualidade, que trabalha 24h por dia no único objetivo e fazer com que o ex-metalúrgico vença em 2018.

Funciona de modo cotidiano.

Não há dia no qual o Temer não faça questão de dizer ao eleitorado: olha, vocês precisam votar no Lula. O Lula é a sua única alternativa.

O caso mais aterrador é o do gás de cozinha – que não é apenas uma das principais fontes de renda do tráfico nos morros cariocas, mas serve como uma catapulta a arremessar o nome de Lula para a liderança nas pesquisas eleitorais.

Hoje, por exemplo, a Petrobras anunciou mais um pequeno reposicionamento nos preços: mais 12,9%. Com um detalhe: apenas para o gás de cozinha, vendido em botijões de até 13 quilos. Com isso, as famílias sofreram com aumento de 47,6% do gás de cozinha desde o dia 7 de junho.

É preciso realmente tirar o chapéu para o Lula: diante da teimosia de Dilma em disputar a reeleição – ela que nem deveria ter sido candidata em 2010 – ele foi fazer aliança com o Temer; instigou ele a lançar o Eduardo Cunha para a presidência; pediu para o Aécio espernear pela derrota. Porque se a Dilma ainda estivesse na presidência, Lula hoje não teria 5% dos votos – tal a quantidade de trapalhadas que já teria cometido.

Perspicaz, Lula se aliou ao Temer porque entendeu que apenas ele poderia ajudar a tirá-lo das catacumbas e do rancor ao qual estava fadado, por conta das maluquices de sua “criação”, que nunca virou criatura e se revelou um monstrengo.

É dentro deste contexto que é preciso entender as ações do Temer. Ele e seu governo – que na verdade tem a equipe econômica dos sonhos do Lula – atuam 24 horas em favor do ex-presidente. E o resultado é perceptível nas pesquisas.

Para mostrar que é mesmo leal ao Lula, Temer foi além: isentou comércio e indústria do reajuste do gás.

 

 

Separatismo e miopia política na ordem do dia

Depois da Catalunha, foi a vez dos três estados sulistas encenarem um plebiscito reivindicatório de autonomia. Sim, a palavra que melhor define as duas iniciativas é de encenação. Na Itália há ambições separatistas em várias regiões – e não me surpreenderia se daqui um tempo nossos patrícios de Portugal s envolvessem numa celeuma a separar o norte do país – região do Porto, Braga, Coimbra – do restante. Dentro da insanidade que se espalha, nada haverá de nos surpreender.

No caso espanhol, há ódios que se arrastam há séculos e uma queda de braço permanente entre Barcelona e Madrid – a primeira acusando a segunda de ser uma espécie de sanguessuga do catalães e a segunda dizendo que apenas cumpre a lei.

Em relação ao Sul – de onde eu venho, de onde trago todas as raízes culturais e hábitos gastronômicos – é muito mais uma brincadeira, uma bravata, um chiste. Não que as razões que são apresentadas não devessem estar na ordem do dia, mas por uma ótica distinta.

Dada a sua dimensão territorial, já passou da hora de se discutir um pacto federativo que tire das mãos dos burocratas de Brasília o poder sobre tudo que os brasileiros recolhem na forma de taxas, tributos, impostos.

Assim, em lugar de proporem uma discussão séria, uma agenda para ser colocada aos candidatos à presidência em 2018, alguns preferem brincar.

O que fica claro é que o povo – classe trabalhadora, empresários – está cansado de pagar pelo estado mastodôntico que foi sendo engendrado em nosso País, onde os privilégios de uma minoria corroem o esforço produtivo da maioria.

E o que se vê é um descolamento cada vez maior da sociedade como uma força social do Estado, um ente que suga tudo. Fica cada vez mais claro que quanto menos o governo se preocupar com o Brasil, melhor o Brasil anda.

Nós, brasileiros, somos especialistas em desperdiçar oportunidades – perdendo o foco do principal e nos atendo ao folclórico, geralmente baseado em um discurso reducionista, ufanista e cheio de lacunas.

O caos hoje reinante nas finanças de todos os estados foi uma construção sistemática onde a irresponsabilidade dos governantes sempre andou de braços dados com o fortalecimento de corporações de um lado e de relações promíscuas com segmentos empresariais e industrias de outro. Tudo sob o olhar conivente da mídia, regularmente paga para se omitir.

Mas quando chega a hora de pagar a conta – e esta hora, depois de muito empurra-empurra, chegou – ninguém quer assumir a sua parcela. E o que se observa é que outra vez, opta-se pelo discurso fácil, simplista e irresponsavelmente irreal.

O que justifica que estados concedam benefícios fiscais e tributários para segmentos e depois reclamem da falta de dinheiro para repassar dinheiro a hospitais? Nenhum governo aceita abrir a verdadeira caixa preta destas isenções, porque elas muitas vezes servem apenas para troca de favores, para barganhas e porta aberta para favorecimentos e corrupção.

Estamos nos aproximando do período pré-eleitoral e outra vez tenho a percepção de que perderemos a oportunidade de discutir o Brasil e ficaremos reféns da discussão entre quem é mais ladrão.

Piadinha separatista

Dizem que o ex-presidente Lula estava até mesmo disposto a gravar alguns vídeos em favor da turma lá do Sul. Com a separação, Moro não poderia mais julgá-lo.

No DF, fracasso de Rollemberg alimenta candidaturas

Eleito na esteira de governantes fracos, incompetentes, omissos e sem compreensão da dimensão do cargo, Rollemberg, que foi, a vida inteira, um político que forjou sua trajetória na sombra de alguém, sem jamais apresentar um trabalho digno dos cargos que ocupou e muito menos apresentar um perfil “positivo”, vai cumprindo a sina de sair da história para apodrecer no lixo da memória dos moradores de Brasília.

Como diz um bem humorado desafeto, a ação mais importante do Rodrigo nos quatro anos de mandato no Senado foi livrar o povo do DF da presença do Hélio “Gambiarra” José. Mas eis que, por falta de opção e embalado num bem cuidado projeto de marketing, Rollemberg virou governador e então se estabeleceu o caos temido: ele no Buriti e Hélio no Senado. Estava pronto o elenco do verdadeiro circo de horrores que tem sido a presença da dupla em postos para os quais nenhum dos dois possui estrutura, qualificação e perfil.

Por conta da debacle que tem sido o desgoverno de Rollemberg, o DF vive um fenômeno político sui generis: se até um incompetente como ele conseguiu, qualquer um consegue. Esta tem sido a justificativa para algumas candidaturas que se anunciam com vistas a 2018 – nomes caricatos, patéticos e cheios de certezas. Exatamente o perfil que Rodrigo sempre carregou.

O quadro é tão hilariante que mesmo derrotados nas urnas, outros com muitas contas para ajustar com várias justiças e também aqueles que usam como lógica a vontade pessoal, enfim… tudo mundo se julga apto a ser candidato. E a frase que permeia os discursos é sempre a mesma: “se até um incompetente como ele conseguiu, qualquer um consegue”.

Claro que estes candidatos que hoje fazem contas e desenham cenários eleitorais mágicos em guardanapos de mesa de bar, estão no jogo tentando barganhar alguma vantagem futura – além do Buriti, haverá duas cadeiras em jogo para o Senado.

O quadro é assustador.

Mas ainda pode piorar…

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