Blog do Alfredo

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Agnelo Pacheco: cheiro de calote no ar

Atualizado às 12h51

Tida como uma das principais agências de publicidade do Brasil antes das denúncias de corrupção, a Agnelo Pacheco fechou as portas em Brasília e se encaminha celeremente  a deixar de existir, no seu rastro muitos pequenos empresários aqui do DF vivem a angústia e o medo de levar calote.

Ela que sempre tinha generosos contratos com a administração pública – GDF, Governo Federal e outros governos estaduais e municipais – sendo conhecida pelo retorno financeiro que dava aos entes públicos, complementando vencimentos, ajudando na manutenção de estruturas paralelas e negociando boas taxas de lucro aos seus operadores, hoje definha e deixa muita gente com a pulga atrás da orelha.

No caso da CLDF, em boa hora ela reteve os últimos pagamentos – exatamente por conta de não haver o repasse dos valores aos veículos. O GDF tem uma situação ainda mais complexa, tendo em vista que ela tinha contratos com o Governo Agnelo e manteve com o Governo Rollemberg.

Há um passivo bem expressivo do GDF com os veículos relativos aos anos de 2013 e 2014, que se encontra na rubrica “restos a pagar”. Pode-se discutir se a dívida do GDF é com a Agnelo (que serviu de intermediária) ou com os veículos (que foram contratados e prestaram os serviços ao GDF – ainda que através da Agnelo). O que o GDF não pode é querer continuar achando que a dívida é do ex-governador…

O mais estranho é que não há nenhum dispositivo nos contratos feitos entre os entes públicos e as agências para situações de insolvência destas – possibilitando o pagamento direto aos veículos e retendo os 20% que são devidos às agências.

Preocupados com o calote, veículos começam a entrar na Justiça contra a CLDF e devem começar a fazer o mesmo contra o GDF – porque são muitas as razões pelas quais o pagamento direto deve ser buscado na Justiça:

  • a Agnelo Pacheco definha;
  • o escritório em Brasília foi fechado;
  • caso o GDF repasse o dinheiro devido (hoje inscrito em restos a pagar), os veículos podem ser prejudicados;
  • as garantias bancárias expiraram.

Mesmo reconhecendo a urgência da resolução do imbróglio, a Consultoria Jurídica da CLDF se diz de mãos atadas – porque os contratos não tratam da falência da agência contratada – no que diz respeito ao pagamento direto.

No caso do GDF, o governo Rollemberg vinha dando de ombros aos restos a pagar – como se o devedor fosse o ex-governador e não o governo. Os veículos – na maioria nanos empresários – ficaram sabendo que estava sendo feito um repasse, mas continuam temendo que a Agnelo Pacheco não faça o pagamento dos valores recebidos.

Neste sentido, ainda nesta semana pretendem procurar Conselheiros do TCDF para ver se conseguem apoio da casa, quem sabe encontrando um mecanismo que apoie a criação da alternativa do pagamento direto do GDF aos veículos – caso a Agnelo Pacheco atrase ou retarde o repasse aos veículos contemplados neste repasse.

PS1: Segundo o secretário Paulo Fona, o GDF repassou R$ 10 milhões e que ainda está em aberto o montante de R$ 27 milhões que deverá ser repassado em 2018.

PS2: As agências Agnelo Pacheco, Propeg e Tempo receberam os respectivos valores na semana passada. O prazo de três dias para que a Agnelo Pacheco faça o repasse aos veículos expira hoje.

O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

Gov. Rollemberg: um doente terminal ou um demente sem igual?

Ao ser vaiado impiedosamente pelo público em um shopping aqui de Brasília por ocasião do aniversário do empreendimento, Rollemberg sentiu na cara aquilo que seus defensores tentam dourar: seu governo se encaminha para ser o mais nefasto da história de Brasília – superando todos os seus antecessores.

O que me soa patético e doentio é observar que as pessoas tentam reanimar um cadáver já putrefato, como se buscassem sinais vitais onde só o que emana é o cheiro de podre. Pesa contra Rollemberg não apenas sua decrépita figura, mas o equívoco e ações que apenas servem para ilustrar sua total inaptidão para o cargo para o qual chegou sob o guarda-chuva de um mantra e de onde sairá como o retrato mais acabado da incompetência. O mandato no Buriti desvendou aquilo que muitos já sabiam…

Irá se arrastar nos últimos meses de mandato, contando com um séquito de bajuladores a lhe dizerem que ele não é tudo isso que ele próprio deve ter consciência de ser. Sempre haverá alguém a lhe mostrar números de pesquisas – e aqui vale lembrar que o verdadeiro papel de uma pesquisa é ela revelar aquilo para o qual foi contratada.

Li, não sei quando e nem onde, que pesquisas podem ser forjadas para provar qualquer coisa – até mesmo a verdade e que o verdadeiro papel do estatístico, que é, em síntese, quem tabula os resultados de pesquisas, é torturar os números até que eles confessem. Como sou daqueles que vivem no mundo real, que usam transporte coletivo, que conversam com pessoas de diferentes grupos sociais, culturais, esportivos, religiosos e esportivos, posso dizer que as vozes do mundo real não chegam aos ouvidos moucos do governador e de seus asseclas e puxa-sacos.

Porque se tivessem ao menos um pouco de respeito pelo cidadão Rodrigo Rollemberg não o submeteriam ao opróbrio, ao vexame e a ser achincalhado publicamente – e nem permitiriam que ele se deixasse fotografar consumindo bebida alcoólica, logo ele que já tem a voz embaralhada como se estivesse o tempo todo entre uma ressaca e outra.

Fico imaginando o que será de patético este final de mandato…

A Globo e a delação: quando interessa, vale como prova

Qualquer pessoa sabe bem o modus operandi da Rede Globo em todo País. E todo mundo também sabe como ela se vale da hipocrisia e do falso moralismo para chantagear, extorquir e manter sua hegemonia.

Produto mais duradouro e nefasto da ditadura militar que enfrentamos de 1964 até 1985, a Rede Globo é a prova cabal do quanto falta de percepção política ao pessoal do PT – que em lugar de construir alternativas de comunicação, resolveu ser generoso com a emissora (refinanciando empréstimos, sendo condescendente na cobrança de débitos tributários, etc).

Há inclusive uma história atribuída ao Lula – da qual nunca soube a plena veracidade.

Reza a lenda de que o morubixaba comandava uma reunião quando foi interpelado por alguém acerca da importância de estruturar mecanismos de democratização do acesso a informação, investindo pesado na crianção de uma TV Pública e definindo estratégias para enfrentar o monopólio da informação.

E ali, entre uma risada e outra, Lula teria disparado:

–  Não entendo por que vocês insistem nessa história de ter uma TV do Governo. Nós já temos uma!

E diante do silêncio, ele mesmo teria concluído:

– Vocês esqueceram que agora a TV Globo é nossa?

Verdade ou mentira – estou mais para crer em tal fato do que duvidar, porque a incapacidade dos petistas em compreender a realidade pode ser vista nas relações promíscuas que TODOS os governos do PT mantiveram com os grupos tradicionais de mídia – este fato ilustra bem o que é a Rede Globo.

É importante destacar que a Rede Globo não tem escrúpulos. Ela tem interesses. Para ela, os segmentos sociais se legitimam apenas financeiramente. Assim, na visão dos seus diretores, se há oportunidade de faturar com a tragédia, que se transforme a tragédia em fonte de renda.

Mas, como dizia meu velho e saudoso pai: a desgraça é que o mundo é redondo!

A Globo que silenciou diante de muitas denúncias, que se omitiu diante de muitas realidades, que foi conivente com muitas barbaridades, que aplaudiu muitas insanidades, que deu voz e vez para gatos pingados em suas diatribes e insanidades, ela que sempre viveu e continua vivendo do BV junto às agências de publicidade, ela que tenta transformar o modo de vida da zona sul do Rio em padrão de comportamento para o Brasil da periferia (para os mentecaptos do Jardim Botânico, se não for da zona sul do rio, o resto do Brasil é periferia), ela que sempre usou delações como prova irrefutável, agora tenta se vender como a virgem, a santa.

O episódio refere-se à denúncia feita em delação do empresário Alejandro Burzaco. Em depoimento perante a justiça em Nova Iorque nesta terça, dia 14.  Burzaco, ex-executivo da Torneos Y Competências, empresa argentina que negociava os direitos de transmissão de competições organizadas pela Conmebol, disse com todas as letras que a Globo pagava suborno aos dirigentes da entidade que comanda o futebol na América Latina.

Por analogia ao seu comportamento anterior e histórico, é preciso considerar a Rede Globo como culpada – porque é assim que ela trata as delações e os vazamentos eletivos e seletivos: se foi denunciado, se foi citado, se foi sugerido – é culpado.

Dentro deste cenário, é um exercício de cinismo, de hipocrisia e de desrespeito para com a sociedade o que a Globo faz ao se defender das acusações e alardear-se como último bastião da ética, da moralidade e da transparência.

 

Em 2018, qualquer um – menos Rollemberg

Repete-se no fim de 2017 um discurso que era recorrente em fins de 2013: qualquer um, menos Agnelo. O nome da vez, em 2017, é do senador que estava na boa vida, em 2013, sem nada fazer, sem nada de trabalho e só fazendo aquilo que mais gosta: saudar a chuva. Convencido que bastaria vendê-lo como sabão em barra de qualidade e ninguém perceberia que sua biografia era de sabão em pó de péssima qualidade – destes que nem o governo tem coragem de incluir em cestas…

Se Agnelo fez um governo marcado pelos fantasmas dos tempos de ministro dos Esportes, com uma equipe de comunicação bizarra, ineficiente e infantilizada em seu modo de trabalhar, carregando o peso das contradições e do desgaste do PT, além dele próprio carecer de ambição e gosto pelo trabalho, Rollemberg consegue ser ainda pior do que o seu antecessor.

E conversando com empresários – muitos daqueles que em 2013 diziam que “serve qualquer um, menos o Agnelo” – há uma unidade quanto ao fato de que, para o bem do DF, é preciso defenestrar Rollemberg da cadeira, para a qual foi guindado muito mais por falta de opção política do que por qualificação para o cargo.

E dentro deste cenário, há uma profusão de candidaturas – inclusive há uma tentativa de criar algum ou alguma outsider, mas até o momento são nomes caricatos que buscam ocupar o espaço vazio. Ainda que não passem de opções vazias.

Muitos destes empresários nutrem simpatia por Jofran Frejat, mas colocam um porém: Jofran é um bom nome, o problema é quem vem junto… O que os empresários temem é a volta dos tempos de extorsão e de pressão que foram marcas de ação política dos governos de Roriz e de Arruda, sem contar a proximidade de alguns nomes que causam pavor em quem desenvolve atividade produtiva.

Caso Jofran consiga se distanciar dos grupos que todos acreditam ter poder de interferir em sua ação – mais precisamente os cadáveres políticos representados por figuras como Arruda, Luis Estevão, o estigma do que ainda resta de Roriz, Fraga, Paulo Octávio, Izalci e tantas figuras que se mostram sempre à espreita por acesso ao poder – ele pode sim se viabilizar eleitoralmente, até porque não há, contra ele, nenhuma acusação.

Descolar destes cadáveres será uma tarefa delicada, porque há muitos comensais visíveis e outros tantos ocultos. Mas a sua viabilização eleitoral efetiva para 2018 passa por esta dissociação com um modo de política que se enraizou no DF há muitos anos e do qual Rollemberg não conseguiu se afastar – pelo contrário.

TV Comunitária suspende programação ao vivo e apela para vaquinha

Um dos principais instrumentos para democratização da informação, canal que serve de voz e espaço para movimentos sindicais, sociais, além de funcionar como centro de formação e qualificação de mão de obra em vídeo, a TV Comunitária de Brasília está com uma “vaquinha” online.

O objetivo é, através da contribuição de muitos, comprar uma nova mesa – e assim possibilitar a volta da programação ao vivo, uma das principais características da emissora.

O valor é salgado – R$ 20 mil – e a campanha foi lançada no dia 16 de outubro, sendo que a data limite é 31 de dezembro. Em três dias, já foi possível atingir 10% do valor necessário e a expectativa é que exista um engajamento de todos aqueles que já foram beneficiados com a visibilidade de suas lutas.

A programação da TV Comunitária de Brasília pode ser acompanhada pelo Canal 12 na Net-Brasília.

Os dados da campanha são os seguintes:

“Mesa de Corte de imagens (DataVideo HD-SDI SE-2200 – foto), no valor de R$ 19.996,86, na Merlin, para a TV Comunitária de Brasília. A TVCOMDF somente voltará a fazer transmissões, ao vivo pelo canal 12 na NET-DF, quando conseguir comprar o equipamento, com a sua ajuda! O equipamento que estava sendo utilizado, queimou e apenas um nova pode substituir.

O canal é a emissora brasileira que mais promove o acesso público. É a TV mais democrática do Brasil. Para manter nossa independência, a TV não veicula anúncios e é financiada por sindicatos e apoiadores. Doe qualquer quantia. Vamos fortalecer a produção de conteúdo audiovisual no DF!”

PORTANTO…

Se você está entre aqueles que acreditam que lutar pelo democratização da informação e da comunicação é bem mais do que fazer discurso em mesa de bar, compareça, participe, contribua acessando no link abaixo:

www.vakinha.com.br

Eleição para Distrital em 2018: o PT pode sofrer com a falta de votos

Até o momento, tudo indica que o PT terá uma nominata de luxo para disputar as 24 vagas para a Câmara Legislativa em 2018, dentro do projeto de fazer uma bancada forte. Os nomes ventilados, são representativos e todos carregam a fama de amealharem milhares de votos a cada eleição – mas o que garante mesmo que a legenda atinja o quociente eleitoral não é apenas o desempenho das estrelas, mas principalmente daqueles candidatos que possuem um padrão entre três e oito mil votos.

E alguns destes nomes de forte representatividade – e cá entre nós, fazer oito mil votos não é o mesmo do que discutir filosofia em mesa de bar – e que em eleições passadas ajudaram de forma decisiva para completar o balaio de votos dos eleitos, já não estão mais no PT e outros já avisaram que não pretendem entrar na disputa de novo.

Se o partido conta com Arlete Sampaio, Chico Vigilante, Policarpo, Ricardo Vale, Rodrigo Brito e a professora Rosilene Correa como nomes com potencial de conquistar muitos votos, sempre é bom lembrar que nas eleições de 2014, o quociente eleitoral foi de 63.549 votos por vaga (em termos de CLDF). E aí é que a coisa começa a ficar complicada.

A decisão de Wasny de Roure de não disputar um novo mandato na CLDF e se colocar como pretendente a uma vaga no Senado, deixa o PT sem um nome no segmento evangélico, algo que pode ser crucial – dado o peso e a representatividade do segmento e, também, os ataques que muitas lideranças petistas costumam desfechar contra este grupo religioso.

Pesquisando, encontrei apenas dados de 2013, quando os evangélicos representavam 26,58% da população de todo o DF (no mesmo levantamento católicos representavam 56,91%; espíritas, 3,62%; umbanda e candomblé, 0,25%; outras religiões, 2,23%, e sem religião, 14,21%). Ou o PT abriu mão deste segmento eleitoral, dada a incompatibilidade entre a pauta que o partido defende e aquela que as correntes religiosas preconizam?

Além das dificuldades naturais que o partido sofre por estar sendo vinculado pelos meios de comunicação como sinônimo de corrupção – numa demonização trabalhada e que também atinge os movimentos sociais – o PT vem penando com algumas deserções – nomes que saíram do partido e migraram até para o Dem, enquanto que outros não pretendem repetir a experiência de uma campanha.

Dentro desta realidade, o grande desafio de Érika Kokay, presidente do PT-DF, será montar uma nominata que não represente um processo de autofagia interna, como aconteceu em 1998 – naquela oportunidade, na reta final, muitos cabos eleitorais perguntavam acerca das intenções de voto e, diante da resposta, atacavam: “mas fulano já está eleito! Vamos ampliar a bancada. Seu voto é mais importante para o meu candidato do que para este com o qual você simpatiza.

Nem vou citar nomes para não reavivar velhas feridas – até porque este processo gerou rancores que acabaram levando muitos a não trabalharem no 2º turno da eleição para governador por uma espécie de vingança, possibilitando uma virada do Roriz que até hoje é motivo de dúvidas.

Além de todas estas questões, a ausência de um nome competitivo do PT na disputa para o Buriti surge como outro entrave para o desempenho dos candidatos ao Legislativo. Como será a experiência para os petistas?

Sobre as mudanças – e aqui nem falo nem de modo indireto em relação ao PT, mas como parte do cenário nacional e com a rápida cooptação de pseudos lideranças pelo sistema: Onde buscar estes nomes em um momento no qual as pessoas estão fugindo da política e muitos dos que se apresentam como renovação já chegam com todos os vícios, manias e defeitos que nos levaram a este estágio de saturação?

PT vai em busca do tempo perdido e lança plataforma de participação popular

Foi como nos velhos e bons tempos de sonhos e utopias.

Havia faixas nas paredes, palavras de ordem e emoção nos discursos.

Também havia venda de camisetas, botons, listas de apoio, rifas e tempo para conversas. E nada de coquetéis, ainda que sempre com vinhos de duvidosa qualidade.

Enfim, era como se o velho PT – de antes de 2002, estivesse ali, redivivo.

No lotado Teatro dos Bancários de Brasília, militantes de todas as idades – muitos antigos militantes – readquiriam uma coragem que esteve adormecida ao longo dos anos de pleno emprego. Deixaram de lado, ao menos durante as quase três horas de discursos, palmas e palavras de ordem, aquela preocupação que hoje, sabe-se, embotou o partido: o burocratismo e a sedução do poder.

O evento marcou o lançamento de “o Brasil e o DF que o povo quer”, uma plataforma aberta à participação popular e que busca reconstruir o tempo perdido pelo partido, com o afastamento das demandas e dos anseios populares.

A plataforma está disponível em www.brasilqueopovoquer.org.br e pode ser acessado por qualquer internauta – não precisando ser filiado ao Partido.

Trata-se de uma iniciativa diferenciada, uma vez que resgata a figura do cidadão como parte fundamental do processo político. Ainda que na etapa seguinte o controle das sugestões esteja na mão de “relatores”, a ideia representa um avanço porque busca mudar a visão do “fazer política”.

O próximo passo é ver como será a participação da sociedade, tão receosa de participar da ação política – um processo perigoso e que dá margem ao espontaneísmo e ao viés autoritário de algumas propostas.

Senado ainda não definiu como salvar Aécio

Enredado em denúncias, flagrado em gravações e refém de sua própria inépcia política – depois de perder por pouco mais de 2 milhões de votos a eleição presidencial em 2014 disse que o PSDB até poderia quebrar o País, mas não deixaria a Dilma governar – o senador afastado Aécio Neves conta com a cumplicidade de uma banda bem articulada que faz de tudo para restituir o seu mandato em sessão previamente marcada para hoje em hora incerta e pouco provável.

Se forem verdadeiros os muxoxos e os cochichos, existem dois fatores que antecedem qualquer ideia de “ir pro voto” com a cabeça do neto de Tancredo:

  • a necessidade de cassar a liminar concedida por um juiz de Brasília (juiz Marcio Lima Coelho de Freitas, da Sessão Judiciária do DF) que obriga a votação aberta e nominal;
  • a espera de que o ex-militante tucano Alexandre de Moraes, transformado em ministro do STF por serviços prestados ao presidente Temer, irá negar a liminar requerida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) *.

Ou seja: a turma que hoje corre para livrar Aécio – aí incluídos Renan, Michel Temer e os articuladores políticos do Planalto – precisa do voto secreto na esperança de que alguns se arrisquem ao cadafalso para salvar o amigo e, de certa forma, se precaver, porque o futuro sempre é incerto quando o assunto se refere a ratazanas.

O que é notável no caso do senador tucano é que os próprios aliados apelam para chicanas, para questionamentos pueris de ritos processuais. Não há nenhum voz dizendo: ele não fez!

Nem ele tem a coragem de dizer que não fez, ainda que alegue que ligou para um bandido pedindo empréstimo de R$ 2 milhões.

Ninguém sabe ao certo o desfecho deste enredo no Senado.

A única certeza é que o Senado consegue se diminuir a cada dia, corroído e consumido em sua credibilidade junto à sociedade pelo escárnio com que trata a honestidade, a decência e também o pudor.

* O ministro Alexandre de Moraes (do STF) concedeu a liminar ao mandado de segurança impetrado pelo senador Randolfe e determinou que a votação seja “aberta”.

Lava Jato agoniza sem ter cumprido sua única razão de ser

Por mais que se entenda o chororô da turma da Lava jato, mas eles sempre foram reles barnabés do segundo escalão – alçados a uma condição de proeminência e destaque não pela capacidade pessoal, qualificação profissional ou idoneidade, mas pela missão a qual eles foram designados: alimentar a mídia com um noticiário tendencioso, liberando informações truncadas e transformando a palavra de criminosos em “suspeitas” – como se elas tivessem o poder legal de substituir as provas.

Escutar o chororô dos procuradores é um prêmio para quem teve que conviver com a estúpida arrogância que a plena percepção de impunidade gera em agentes públicos. Alçados a uma condição de paladinos, encheram os bolsos com palestras e diárias, tudo com a covarde omissão e conivência da mídia.

Afinal de contas, havia – e ainda há! – um objetivo central no manto de proteção: atacar o PT e impossibilitar a candidatura de Lula.

E vou deixar bem claro mais uma vez o meu posicionamento e a razão pela qual sempre considerei a Lava Jato uma farsa: a eletividade e a seletividade das ações – tanto da PF, Ministério Público e o Judiciário. Ninguém lerá um apanhado meu dizendo que o Lula é inocente, porque este não é o meu papel. Dizer se o Lula é inocente ou culpado é papel da Justiça – mas não uma Justiça que prima pela parcialidade de suas ações, de seus atos e de suas decisões.

Se o Moro, a PF e a Lava Jato até hoje foram incapazes, incompetentes, ineptos e fracassaram na única missão para a qual existiram, é hora de pensar seriamente até que ponto vale a pena continuar deixando que segmentos atuem a margem da Lei apenas para saciar o desejo de punição de grupos que os mantém, que os sustentam e que os protegem na mídia.

Negar as evidências de que há uma profunda proximidade eletiva entre Moro e os trombadinhas do PSDB é querer tapar o sol com a peneira – e as fotos com perversa intimidade, trocas de afagos e gestos de cordialidade entre um juiz e corruptos é a prova cabal de que a ação central da Lava Jato nunca foi o combate à corrupção.

Desde o seu surgimento, a Lava Jato sempre teve uma só preocupação – e foi assim no seu começo e será assim até o seu final, que a turma já pressentiu que está chegando. Está chegando e em lugar de terem a dignidade de uma postura de hombridade, disfarçam e tentam misturar alhos com bugalhos.

Lembro de uma entrevista com um dos tantos envolvidos na operação Mãos Limpas, quando ele reconheceu que aquela operação não apenas não terminou com a corrupção, mas depois de um período de êxito midiático, gerou uma reação na classe política.

É isto que estes tolos deslumbrados com os holofotes circunstanciais não querem ainda entender – e o recado do Jucá foi claro: é preciso estancar tudo isso.

A Lava Jato poderia sim ter contribuído com uma melhora do ambiente político, mas preferiu atuar de modo partidarizado, de modo seletivo – sempre com o esmero de proteger os seus. No pior sentido da história, a Lava Jato repete os erros da operação do Banestado, pelas mesmas razões: proteger determinadas figuras políticas, determinadas lideranças.

Mas a turma da Lava Jato levou seus rancores pessoais, suas frustrações e suas idiossincrasias a defender uma tese esdrúxula que o vírus da corrupção foi inculcado na política nacional pelo PT em 1º de janeiro de 2003.

E não aceitaram os depoimentos que apontavam que o PT não foi o criador da corrupção, foi apenas incapaz de romper com  a prática – repetindo o modus operandi e os próprios operadores do ancien régime. Se cabe uma acusação complementar ao PT é que o partido, seduzido pelas benesses do poder, pelos salamaleques de cortesãs não se preocupou em se blindar, acreditando na pureza de antigos bandidos, subitamente transformados em aliados preferenciais.

A Lava Jato não teve capacidade de prestar o serviço que o Brasil queria e que os brasileiros sonharam porque ela se tornou uma frente de ação política. Um braço auxiliar da oposição – incapaz de pensar uma alternativa política para o Brasil.

E a exemplo do que ocorreu na Itália, também aqui a realidade e os riscos de que o que era para atingir uns, acabou atingindo aliados (a despeito de todos os cuidados), paciência do establishment terminou e os meninos deslumbrados com os holofotes e com muita exposição na mídia estão sentindo que o brinquedinho que tinham em mãos está fugindo por entre os dedos.

A própria prisão depois de sentença em 2ª Instância foi uma concessão de risco, na expectativa de que facilitaria a prisão do Lula – uma imagem que permeia o sonhos de muitos, principalmente do povo da Lava Jato. Tentaram de tudo: condução coercitiva, definição de prazos, desrespeito ao processo legal – enfim: tudo foi feito e aceito porque era parte de um roteiro que tinha um só objetivo: enjaular o Lula.

Acontece que o trem não aconteceu no tempo combinado, por ações atabalhoadas do MP, por erro de cálculo do Lula ou, como disse um frustrado delegado da PF: por perda de timing.

E como quem está mais perto da prisão são quem antes os protegiam, incentivavam e respaldavam inclusive suas arbitrariedades, a reação está em andamento: o STF deverá reavaliar a prisão depois do julgamento em 2ª Instância.

Também há a convicção de muitos juristas e operadores do Direito de que quando estas ações hoje midiáticas chegarem ao STJ, a maioria delas deverá ser reformada, inclusive com a declaração de inocência de muitos hoje condenados por força da pressão da opinião pública por uma razão muito simples: ausência de provas.

Mas nem tudo está perdido para o pessoal da Lava Jato: eles sabem que o TRF da 4ª Região não os deixará na mão: mesmo só com evidências e sem provas, certamente terão tempo de condenar o Lula em 2ª Instância e impedir que ele concorra em 2018 – contando com uma celeridade jamais vista em termos de processos naquela Corte. Afinal de contas, eles terão de completar o serviço que o povo do MP, da PF e do Judiciário em Curitiba, a despeito de todo apoio, da imposição de instrumentos de excessão, não tiveram competência para realizar.

 

 

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