Blog do Alfredo

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Os riscos com o desencanto e a sedução das soluções mágicas

Vivemos tempos estranhos, delicados – que se anunciam sombrios.

Escrevi reiteradas vezes que a oposição, derrotada em 2002 nas urnas (e depois em 2006, 2010 e 2014), para se manter nas proximidades do poder, usufruindo de algumas benesses, cuidando de alguns nichos que o PT deixou sob o comando de grupos do PSDB, do DEM e de outras agremiações,esta oposição abriu mão de “fazer oposição” e delegou esta tarefa para os meios de comunicação.

Como a oposição dos meios de comunicação não conseguiu impedir as derrotas da oposição, a estratégia foi atacar a política – que era o meio de atacar o PT. E ainda assim, o efeito não foi o desejado – ao menos naquele momento.

Veio então a Lava Jato, uma poderosa aliança entre a mídia e setores contrariados com a permanência do PT e de Lula no imaginário popular e seu potencial eleitoral.

Que fique bem claro: nunca escrevi e nem escreverei que a Lava Jato não é necessária.

Ela seria fundamental se tivesse compromisso – por menor que fosse – com a mudança.

Na verdade, o único compromisso da Lava Jato é atingir uma pessoa – e, volto a dizer, não estou aqui dizendo se é inocente ou culpado.

O problema é que a Lava Jato partidarizou a sua ação de modo que as denúncias contra os tucanos jamais avançam. Pior: são esquecidas. Abandonadas. Relegadas a morrerem debaixo dos tapetes…

O roteiro elaborado mostrou-se inconsistente – e acabou atingindo quem não deveria, ainda que a eles nada aconteça.

Em lugar de determinar que o PT era a causa de tudo, fixou-se na sociedade o conceito de que o PT é igual a todos. E como todas as campanhas foram estruturadas no sentido de dizer que o PT era a parte podre da política, o que temos é a destruição da política – onde todos ficaram iguais. Desgraçadamente iguais.

A mídia tentou, junto com a turma da Lava Jato, mostrar para o Brasil e para os brasileiros que a corrupção em nosso País começou no dia 1º de janeiro de 2003. Ao não conseguir concretizar sua parte no roteiro, acabaram desacreditando a política como um todo.

E o risco está no espontaneísmo, na opção por soluções mágicas – e aqui no Brasil já tivemos a experiência nefasta da passagem de Collor pela presidência.

Como ao que parece eles finalmente assumiram que a montagem saiu do controle da mídia, agora ela parte para a desconstrução de Bolsonaro – tentando repetir o que fez com Marina em 2014.

Pode ser tarde, porque o discurso de Bolsonaro mexe com muitas das principais inquietações das pessoas mais simples, humildes, das cidades do interior e do campo: segurança.

Temer, o incansável e cotidiano cabo eleitoral de Lula para 2018

Já explicitei minha teoria da conspiração, segundo a qual Temer e Lula fizeram um bem-bolado para tirar a Dilma da Presidência – em contrapartida, Temer trataria de aprovar um pacote de maldades, muitas delas simpáticas ao mercado – com quem, cá entre nós, o PT flertou de modo desavergonhado sob o argumento da governabilidade.

E quanto mais o Temer cumpre o seu papel no script, mais trabalho a turma da Lava Jato tem para impedir que a dupla Lula e Temer vençam as eleições em 2018. Há uma parcialidade sem parcimônia entre a turma da Lava Jato, que flerta em muitos momentos com o arbítrio – certos de que a mídia continuará sendo condescendente, omissa e conivente com ilegalidades e ilicitudes. Tudo em nome de impedir que a dupla Lula e Temer concretizem o projeto que armaram.

Mas, é preciso reconhecer: Temer é imbatível na sua cotidiana ação em favor do fortalecimento da candidatura Lula.

É o aumento do combustível, do gás de cozinha, o aumento das passagens aéreas (a despeito do fim da gratuidade de bagagem despachada), reforma da Previdência, manutenção das pensões de filhas de militares, os ataques ao Fies, as ameaças ao Bolsa Família, o fim do Ciências sem Fronteiras, o sucateamento do Minha Casa, Minha Vida, a redução da importância do Enem, a ameaça de tirar o rendimento mínimo dos que chegam aos 60 anos e tantas outras medidas destrambelhadas.

As ações tresloucadas de Temer não apontam para um “palanque” em favor do Lula, mas sim uma verdadeira plataforma a catapultar o nome do ex-presidente – que, ao que tudo indica, deverá enfrentar Bolsonaro…

E talvez por medo do crescimento de Bolsonaro, Temer resolveu dar uma cartada que deve ter julgado decisiva: reduziu a projeção para o aumento do mínimo em 2018. Pouco importa que a redução da expectativa se dê em face de números e índices: importa que o governo Temer, com esta medida, mostra que não está para brincadeira. É Lula… e não quer nem saber!

Ele não para! Ele não cansa! Ele é Temer, o cabo eleitoral…

Mal tinha liberado a publicação do comentário, eis que vem mais uma ação em favor do Lula – copio e colo o texto de Marcelo Brandão, repórter da Agência Brasil:

“Uma das medidas é a alteração na contribuição previdenciária, de 11% para 14%, para servidores públicos com salários acima de R$ 5 mil. Quem ganha acima desse valor terá uma nova tributação, mas somente em referência ao valor que ultrapassar o limite estipulado. Assim, se o servidor ganha R$ 6 mil, a nova tributação incidirá apenas sobre R$ 1 mil.

Na mesma medida provisória, está previsto o adiamento do reajuste para servidores públicos em 2018. “Há uma medida que traz postergação dos reajustes previstos para 2018 para o conjunto de categorias do governo federal que são as mais bem remuneradas e que tinham anteriormente feito um acordo de reajuste por um período de quatro anos”, disse o ministro.”

“Favas contadas”, Temer já comemorou a vitória em jantar com aliados

Certo de que fez o serviço da forma como o rito preconiza – pagando com o que não é seu, prometendo o que for preciso e confiando na absurda falta de pudor e de caráter da maioria dos deputados federais – o governo Temer não só tem certeza de que se safará na votação de hoje a tarde na Câmara dos Deputados, como aproveitou para jantar com os aliados ontem à noite na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Jantar e comemorar.

Já não há panelas nas janelas. Já não há histeria nas ruas. A mídia sabe que com Temer não é a mesma relação “republicana”.

Ainda que o saco de maldades esteja aberto e a corrupção e o fisiologismo continuem sendo a tônica deste presidencialismo de cooptação, o importante – na visão deles – já foi alcançado lá atrás…

Na votação, Temer deve alcançar entre 260 e 270 votos contra o prosseguimento da denúncia. Para alguns parlamentares, esta foi a última oportunidade de extorquir dinheiro do governo – talvez a conta para muitos em 2018. Resta saber se o eleitor levará isto em conta na hora de trocar o seu voto por alguma promessa…

Sobre a expressão “favas contadas”…

Há muitas explicações, copio e transcrevo:

“Esta expressão idiomática vem da forma de eleição do abade em muitos mosteiros medievais, e mesmo depois. Os monges, depois de “chamados a capítulo”, procediam à escolha do abade mediante um sistema de votação de favas brancas (a favor do nomeado) e favas pretas (contra o nomeado). No final, contavam-se as favas. Alguns autores asseveram que este costume de eleger com favas de diferentes cores remonta já à Grécia Clássica.”

Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

 

Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

Senado decreta: boliu com um, boliu com todos. E salva Aécio

Foi um grande e bizarro circo – com roteiro definido em conchavos, conversas, acordos e juras de amor eterno e de lealdade.

Não conta tanto o resultado em si, mas serve de parâmetro o que o instinto de sobrevivência da classe política é capaz de fazer com seus próprios escrúpulos. Ao restituir o mandato ao senador Aécio Neves, os 44 senadores mostraram que “ali dentro” é outro mundo, são outros os parâmetros e são outras as leis que regem o submundo da política.

Quando o STF se acovardou e se acadelou às ameaças de enfrentamento em reiterados recados enviados de modo aberto e escancarado pelos senadores, ficou claro que cada qual lavaria suas mãos e trataria de safar os seus próprios privilégios.

É preciso entender o recado que o Senado deu à sociedade dentro de uma perspectiva de escárnio e de deboche. A Corte Alta (SFT) e a Câmara Alta (Senado) se igualam no mesmo patamar de cumplicidade, de conivência e de descaso com quem lhes paga salários, mordomias e lhes garante a abjeta impunidade com a qual fazem questão de colocar o povo brasileiro apenas na condição de míseros palhaços.

Não vou entrar no mérito de todos os votos que livraram a cara do Aécio, mas no caso do DF me pareceu pilhéria um levantamento que colocova como indeciso o Hélio Gambiarra – uma das maiores aberrações políticas que nossa (de Brasília) história recente foi capaz de forjar. Trata-se de um político sem noção de compromisso com a sociedade, que chegou ao senado sem ter votos e sairá de lá para a lata de lixo da história como uma justificativa definitiva para o fim desta excrecência chamada de “Suplentes” – algo que acabará sendo extinto pela Justiça, com o fim das coligações.

Gambiarra, que fez 6 votos na disputa para a Câmara Legislativa em 2014, é conhecido dentro do Senado como um puxa-saco de Renan, votando a cabresto e fazendo o que o senador de Alagoas mandar – ainda que custe cargos e empregos de aliados.

Reguffe, o outro senador do DF, votou Sim e Cristovam, só para variar, estava viajando – ele que pretende ganhar do povo do DF mais oito anos para não fazer nada e conhecer muitos lugares e muitos países. Sempre às custas do dinheiro do cidadão.

Senado ainda não definiu como salvar Aécio

Enredado em denúncias, flagrado em gravações e refém de sua própria inépcia política – depois de perder por pouco mais de 2 milhões de votos a eleição presidencial em 2014 disse que o PSDB até poderia quebrar o País, mas não deixaria a Dilma governar – o senador afastado Aécio Neves conta com a cumplicidade de uma banda bem articulada que faz de tudo para restituir o seu mandato em sessão previamente marcada para hoje em hora incerta e pouco provável.

Se forem verdadeiros os muxoxos e os cochichos, existem dois fatores que antecedem qualquer ideia de “ir pro voto” com a cabeça do neto de Tancredo:

  • a necessidade de cassar a liminar concedida por um juiz de Brasília (juiz Marcio Lima Coelho de Freitas, da Sessão Judiciária do DF) que obriga a votação aberta e nominal;
  • a espera de que o ex-militante tucano Alexandre de Moraes, transformado em ministro do STF por serviços prestados ao presidente Temer, irá negar a liminar requerida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) *.

Ou seja: a turma que hoje corre para livrar Aécio – aí incluídos Renan, Michel Temer e os articuladores políticos do Planalto – precisa do voto secreto na esperança de que alguns se arrisquem ao cadafalso para salvar o amigo e, de certa forma, se precaver, porque o futuro sempre é incerto quando o assunto se refere a ratazanas.

O que é notável no caso do senador tucano é que os próprios aliados apelam para chicanas, para questionamentos pueris de ritos processuais. Não há nenhum voz dizendo: ele não fez!

Nem ele tem a coragem de dizer que não fez, ainda que alegue que ligou para um bandido pedindo empréstimo de R$ 2 milhões.

Ninguém sabe ao certo o desfecho deste enredo no Senado.

A única certeza é que o Senado consegue se diminuir a cada dia, corroído e consumido em sua credibilidade junto à sociedade pelo escárnio com que trata a honestidade, a decência e também o pudor.

* O ministro Alexandre de Moraes (do STF) concedeu a liminar ao mandado de segurança impetrado pelo senador Randolfe e determinou que a votação seja “aberta”.

Lava Jato agoniza sem ter cumprido sua única razão de ser

Por mais que se entenda o chororô da turma da Lava jato, mas eles sempre foram reles barnabés do segundo escalão – alçados a uma condição de proeminência e destaque não pela capacidade pessoal, qualificação profissional ou idoneidade, mas pela missão a qual eles foram designados: alimentar a mídia com um noticiário tendencioso, liberando informações truncadas e transformando a palavra de criminosos em “suspeitas” – como se elas tivessem o poder legal de substituir as provas.

Escutar o chororô dos procuradores é um prêmio para quem teve que conviver com a estúpida arrogância que a plena percepção de impunidade gera em agentes públicos. Alçados a uma condição de paladinos, encheram os bolsos com palestras e diárias, tudo com a covarde omissão e conivência da mídia.

Afinal de contas, havia – e ainda há! – um objetivo central no manto de proteção: atacar o PT e impossibilitar a candidatura de Lula.

E vou deixar bem claro mais uma vez o meu posicionamento e a razão pela qual sempre considerei a Lava Jato uma farsa: a eletividade e a seletividade das ações – tanto da PF, Ministério Público e o Judiciário. Ninguém lerá um apanhado meu dizendo que o Lula é inocente, porque este não é o meu papel. Dizer se o Lula é inocente ou culpado é papel da Justiça – mas não uma Justiça que prima pela parcialidade de suas ações, de seus atos e de suas decisões.

Se o Moro, a PF e a Lava Jato até hoje foram incapazes, incompetentes, ineptos e fracassaram na única missão para a qual existiram, é hora de pensar seriamente até que ponto vale a pena continuar deixando que segmentos atuem a margem da Lei apenas para saciar o desejo de punição de grupos que os mantém, que os sustentam e que os protegem na mídia.

Negar as evidências de que há uma profunda proximidade eletiva entre Moro e os trombadinhas do PSDB é querer tapar o sol com a peneira – e as fotos com perversa intimidade, trocas de afagos e gestos de cordialidade entre um juiz e corruptos é a prova cabal de que a ação central da Lava Jato nunca foi o combate à corrupção.

Desde o seu surgimento, a Lava Jato sempre teve uma só preocupação – e foi assim no seu começo e será assim até o seu final, que a turma já pressentiu que está chegando. Está chegando e em lugar de terem a dignidade de uma postura de hombridade, disfarçam e tentam misturar alhos com bugalhos.

Lembro de uma entrevista com um dos tantos envolvidos na operação Mãos Limpas, quando ele reconheceu que aquela operação não apenas não terminou com a corrupção, mas depois de um período de êxito midiático, gerou uma reação na classe política.

É isto que estes tolos deslumbrados com os holofotes circunstanciais não querem ainda entender – e o recado do Jucá foi claro: é preciso estancar tudo isso.

A Lava Jato poderia sim ter contribuído com uma melhora do ambiente político, mas preferiu atuar de modo partidarizado, de modo seletivo – sempre com o esmero de proteger os seus. No pior sentido da história, a Lava Jato repete os erros da operação do Banestado, pelas mesmas razões: proteger determinadas figuras políticas, determinadas lideranças.

Mas a turma da Lava Jato levou seus rancores pessoais, suas frustrações e suas idiossincrasias a defender uma tese esdrúxula que o vírus da corrupção foi inculcado na política nacional pelo PT em 1º de janeiro de 2003.

E não aceitaram os depoimentos que apontavam que o PT não foi o criador da corrupção, foi apenas incapaz de romper com  a prática – repetindo o modus operandi e os próprios operadores do ancien régime. Se cabe uma acusação complementar ao PT é que o partido, seduzido pelas benesses do poder, pelos salamaleques de cortesãs não se preocupou em se blindar, acreditando na pureza de antigos bandidos, subitamente transformados em aliados preferenciais.

A Lava Jato não teve capacidade de prestar o serviço que o Brasil queria e que os brasileiros sonharam porque ela se tornou uma frente de ação política. Um braço auxiliar da oposição – incapaz de pensar uma alternativa política para o Brasil.

E a exemplo do que ocorreu na Itália, também aqui a realidade e os riscos de que o que era para atingir uns, acabou atingindo aliados (a despeito de todos os cuidados), paciência do establishment terminou e os meninos deslumbrados com os holofotes e com muita exposição na mídia estão sentindo que o brinquedinho que tinham em mãos está fugindo por entre os dedos.

A própria prisão depois de sentença em 2ª Instância foi uma concessão de risco, na expectativa de que facilitaria a prisão do Lula – uma imagem que permeia o sonhos de muitos, principalmente do povo da Lava Jato. Tentaram de tudo: condução coercitiva, definição de prazos, desrespeito ao processo legal – enfim: tudo foi feito e aceito porque era parte de um roteiro que tinha um só objetivo: enjaular o Lula.

Acontece que o trem não aconteceu no tempo combinado, por ações atabalhoadas do MP, por erro de cálculo do Lula ou, como disse um frustrado delegado da PF: por perda de timing.

E como quem está mais perto da prisão são quem antes os protegiam, incentivavam e respaldavam inclusive suas arbitrariedades, a reação está em andamento: o STF deverá reavaliar a prisão depois do julgamento em 2ª Instância.

Também há a convicção de muitos juristas e operadores do Direito de que quando estas ações hoje midiáticas chegarem ao STJ, a maioria delas deverá ser reformada, inclusive com a declaração de inocência de muitos hoje condenados por força da pressão da opinião pública por uma razão muito simples: ausência de provas.

Mas nem tudo está perdido para o pessoal da Lava Jato: eles sabem que o TRF da 4ª Região não os deixará na mão: mesmo só com evidências e sem provas, certamente terão tempo de condenar o Lula em 2ª Instância e impedir que ele concorra em 2018 – contando com uma celeridade jamais vista em termos de processos naquela Corte. Afinal de contas, eles terão de completar o serviço que o povo do MP, da PF e do Judiciário em Curitiba, a despeito de todo apoio, da imposição de instrumentos de excessão, não tiveram competência para realizar.

 

 

Mesmo sem franquia de bagagem, passagens aéreas aumentam

Eu não sei se o pessoal da ANAC é só ingênuo ou só mau-caráter. Não tem como ser os dois ao mesmo tempo, porque daí é ofender aqueles que acreditam em papai noel, em livre concorrência, em transparência empresarial.

Quando soube-se que haveria uma Portaria determinando o fim da gratuidade das bagagens, houve um alarde muito grande de que isto implicaria em redução no preço das passagens – alguns mais pessimistas acreditando que elas poderiam baixar até 12% e os ilusionistas acreditavam que a queda chegaria a 20%.

É preciso ser muito estúpido para acreditar que ainda exista almoço de graça – e ninguém, mas ninguém mesmo, vai tentar ser honesto em um País onde o chefe da Nação já foi chamado de chefe de quadrilha. Por qual razão os empresários do setor aéreo haveriam de cumprir o que prometeram se a Portaria não exigiu nenhuma contrapartida?

Podem me dizer o que quiserem, mas nada tira de meu foco a interpretação mais lógica: Temer, seus ministros e asseclas trabalham diuturnamente pela volta do Lula. É o preço do gás – e o botijão de 13kg a R$ 100 até o fim do ano. É a gasolina a R$ 4,70. É a suspensão do Fies para 2018. É o aumento médio de 35,9% das passagens aéreas – sem contar as tarifas escorchantes. Este povo do Temer trabalha 24 horas por dia em favor do Lula – e depois querem que o Moro resolva a eleição!

Voltemos às passagens – e vou transcrever aqui o que o Estadão disseminou para quem contrata o seu serviço:

“Ao contrário do que se esperava quando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) permitiu que as companhias aéreas passassem a vender passagens que não dão direito a despachar bagagem, o preço das tarifas tem subido desde que as empresas começaram a adotar a prática. Entre junho e setembro, essa alta chegou a 35,9%, segundo dados da FGV. De acordo com levantamento do IBGE, entretanto, a elevação foi mais moderada, de 16,9%.”

Já a Abear – Associação Brasileira das Empresas Aéreas e responsável pelo lobby do setor, aponta que “entre junho e o início de setembro, as tarifas recuaram de 7% a 30% nas rotas domésticas das companhias que adotaram a cobrança da mala despachada (Azul, Gol e Latam)” – sem especificar metodologia, base de análise e mesmo auditoria dos dados.

A Abear, por sinal, tem se esmerado em fortalecer seu lobby no Congresso Nacional buscando evitar que os deputados votem um projeto de resolução, já aprovado pelos senadores, sustando os feitos perversos da Resolução 400 da Anac que determinou o fim da franquia de bagagem sem exigir nada das aéreas – apenas a promessa de boa vontade…

Temer, incansável cabo eleitoral do Lula

Por mais que a turma da Lava Jato, junto com boa parte da mídia, se esmere em querer enfiar goela abaixo dos brasileiros de que evidências servem como provas, indícios são suficientes para condenação e necessidade pessoal justifique punir aqueles apontados como inimigos, a verdade que o ex-presidente Lula conta com um cabo eleitoral de primeira qualidade, que trabalha 24h por dia no único objetivo e fazer com que o ex-metalúrgico vença em 2018.

Funciona de modo cotidiano.

Não há dia no qual o Temer não faça questão de dizer ao eleitorado: olha, vocês precisam votar no Lula. O Lula é a sua única alternativa.

O caso mais aterrador é o do gás de cozinha – que não é apenas uma das principais fontes de renda do tráfico nos morros cariocas, mas serve como uma catapulta a arremessar o nome de Lula para a liderança nas pesquisas eleitorais.

Hoje, por exemplo, a Petrobras anunciou mais um pequeno reposicionamento nos preços: mais 12,9%. Com um detalhe: apenas para o gás de cozinha, vendido em botijões de até 13 quilos. Com isso, as famílias sofreram com aumento de 47,6% do gás de cozinha desde o dia 7 de junho.

É preciso realmente tirar o chapéu para o Lula: diante da teimosia de Dilma em disputar a reeleição – ela que nem deveria ter sido candidata em 2010 – ele foi fazer aliança com o Temer; instigou ele a lançar o Eduardo Cunha para a presidência; pediu para o Aécio espernear pela derrota. Porque se a Dilma ainda estivesse na presidência, Lula hoje não teria 5% dos votos – tal a quantidade de trapalhadas que já teria cometido.

Perspicaz, Lula se aliou ao Temer porque entendeu que apenas ele poderia ajudar a tirá-lo das catacumbas e do rancor ao qual estava fadado, por conta das maluquices de sua “criação”, que nunca virou criatura e se revelou um monstrengo.

É dentro deste contexto que é preciso entender as ações do Temer. Ele e seu governo – que na verdade tem a equipe econômica dos sonhos do Lula – atuam 24 horas em favor do ex-presidente. E o resultado é perceptível nas pesquisas.

Para mostrar que é mesmo leal ao Lula, Temer foi além: isentou comércio e indústria do reajuste do gás.

 

 

Rollemberg, o medíocre com sorte. Para azar de Brasília

Entre os treinadores do futebol brasileiro, cada qual vai construindo seu pefil, sua história: Murici, o ranzinza; Tite, o padre; Joel Santana, o folclórico; Renato Gaúcho, o falastrão; Luxemburgo, o “professô dos pojetos” e assim por diante. Levir Culpi, hoje no Santos, é conhecido por ser um exímio contador de histórias.

Uma delas inclusive é o nome do seu livro (Burro com sorte), com as suas histórias ao longo de 50 anos de futebol.

Ia o ano de 1989, Levir treinava o Criciúma, perdia um clássico regional de SC contra o Joinville. Precisando de um gol, tirou o centroavante e colocou um meia.

Diante da substituição estranha, um torcedor começou a chamá-lo de “burro”.

Eis que o meia, faz o gol do empate e depois ele vai até o alambrado e procura o torcedor e quando o encontra, o torcedor sentencia: “Seu burro com sorte”.

Uso esse gancho para falar do governador do DF – um medíocre que sempre contou com a sorte – a começar pelo fato de não precisar fazer concurso para virar funcionário do Senado Federal. Valeu-se do sobrenome, valeu-se da politicagem. E, cá entre nós, nada mais torpe, vergonhoso e desabonador para alguém do que carregar a pecha de incompetente até para conseguir emprego por seus próprios méritos.

A história de Rollemberg mostra um político oportunista e sem produção legislativa. Foi secretário de turismo no governo do PT entre 1995 e 1998; deputados distrital entre 1999 e 2002, eleito com os votos do PT. Tentou um voo solo em 2002 lançando-se ao GDF e acabou em terceiro lugar. De volta aos braços do PT, assumiu a Secretaria Nacional de Inclusão Social, do Ministério da Ciência e Tecnologia – e a sua passagem é marcada por muitas denúncias. Com o uso da máquina do Governo do PT, elegeu-se deputado federal em 2006 e, só para variar, teve uma ação legislativa dentro do seu padrão.

Em 2010 elegeu-se senador – eram duas vagas – na bacia das almas e outra vez carregado eleitoralmente pelo PT. Em 4 anos no Senado, nada.

Quando assume a candidatura ao GDF em 2014, pode-se dizer que de novo seu maior cabo eleitoral foi o PT – nesse caso, o caos que foi a gestão de Agnelo, engolido pelas obras do Estádio Nacional, uma obra que é um monumento aos desperdício de dinheiro público.

E o que se observa nesses mais de mil dias de trapalhadas administrativas, de medidas tresloucadas para beneficiar financiadores de campanha e para tentar encontrar sempre algum culpado? Nada, absolutamente nada.

Nesses mais de mil dias, Rollemberg conseguiu dar razão às piores e mais nefastas perspectivas que as pessoas tinham em relação ao seu governo. Por vezes converso com seus eleitores e mesmo pessoas que financiaram sua campanha e, quando confrontados com a bizarrice deste governo, dão de ombros e assumem: o mais importante era tirar o PT.

E no lugar do prometido “Choque de gestão”, Rollemberg foi chocando as pessoas com a voracidade com que se jogou nos braços de aprisionados para buscar a governabilidade – tendo em vista que seu partido não tinha e nem tem nenhum Distrital (alguém pode dizer que isto não faz mal, afinal de contas, o DF também não tem ninguém no comando do GDF).

E a única coisa que realmente seria impossível, ele está conseguindo: a proeza de fazer um governo pior do que a trinca de incompetentes que pavimentou o seu caminho (Arruda, Rosso e Agnelo). Cá entre nós: é preciso ser muito medíocre para conseguir tal feito.

Ele que usou como bordão o “choque de gestão” para solucionar tudo, tomou um choque de realidade e se deu conta de sua própria mediocridade.

Para o azar dos moradores de Brasília…

O que é Medíocre:

Medíocre significa mediano, sofrível. É um adjetivo de dois gêneros que qualifica aquele ou aquilo que está na média entre dois termos de comparação , ou seja, que não é bom nem mau, que não é pequeno nem grande etc. Por exemplo: “Um livro medíocre”.

A expressão medíocre é usada também para fazer referência àquele ou àquilo que tem pouco merecimento, que é ordinário, insignificante. irrelevante, vulgar.

O adjetivo medíocre é normalmente utilizado para qualificar aquilo que está abaixo da média, que possui pouco valor, pouca qualidade, algo ordinário e insignificante, mas, é muitas vezes usado como um insulto, no sentido pejorativo, no intuito de agredir verbalmente.

Ser medíocre significa não ter qualidades ou habilidades suficientes para se destacar naquilo que se propõe a fazer, seja na vida pessoal ou profissional. Uma pessoa medíocre é vulgar, tem poucas qualidades, é uma pessoa pobre do ponto de vista intelectual.

Mediocridade é um substantivo feminino que nomeia o estado ou a qualidade do que é medíocre, que revela ausência de mérito, vulgaridade, indivíduo medíocre, sem talento.

Extraído de www.significados.com.br/mediocre/

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