Blog do Alfredo

Category: Corrupção (page 1 of 7)

Os riscos com o desencanto e a sedução das soluções mágicas

Vivemos tempos estranhos, delicados – que se anunciam sombrios.

Escrevi reiteradas vezes que a oposição, derrotada em 2002 nas urnas (e depois em 2006, 2010 e 2014), para se manter nas proximidades do poder, usufruindo de algumas benesses, cuidando de alguns nichos que o PT deixou sob o comando de grupos do PSDB, do DEM e de outras agremiações,esta oposição abriu mão de “fazer oposição” e delegou esta tarefa para os meios de comunicação.

Como a oposição dos meios de comunicação não conseguiu impedir as derrotas da oposição, a estratégia foi atacar a política – que era o meio de atacar o PT. E ainda assim, o efeito não foi o desejado – ao menos naquele momento.

Veio então a Lava Jato, uma poderosa aliança entre a mídia e setores contrariados com a permanência do PT e de Lula no imaginário popular e seu potencial eleitoral.

Que fique bem claro: nunca escrevi e nem escreverei que a Lava Jato não é necessária.

Ela seria fundamental se tivesse compromisso – por menor que fosse – com a mudança.

Na verdade, o único compromisso da Lava Jato é atingir uma pessoa – e, volto a dizer, não estou aqui dizendo se é inocente ou culpado.

O problema é que a Lava Jato partidarizou a sua ação de modo que as denúncias contra os tucanos jamais avançam. Pior: são esquecidas. Abandonadas. Relegadas a morrerem debaixo dos tapetes…

O roteiro elaborado mostrou-se inconsistente – e acabou atingindo quem não deveria, ainda que a eles nada aconteça.

Em lugar de determinar que o PT era a causa de tudo, fixou-se na sociedade o conceito de que o PT é igual a todos. E como todas as campanhas foram estruturadas no sentido de dizer que o PT era a parte podre da política, o que temos é a destruição da política – onde todos ficaram iguais. Desgraçadamente iguais.

A mídia tentou, junto com a turma da Lava Jato, mostrar para o Brasil e para os brasileiros que a corrupção em nosso País começou no dia 1º de janeiro de 2003. Ao não conseguir concretizar sua parte no roteiro, acabaram desacreditando a política como um todo.

E o risco está no espontaneísmo, na opção por soluções mágicas – e aqui no Brasil já tivemos a experiência nefasta da passagem de Collor pela presidência.

Como ao que parece eles finalmente assumiram que a montagem saiu do controle da mídia, agora ela parte para a desconstrução de Bolsonaro – tentando repetir o que fez com Marina em 2014.

Pode ser tarde, porque o discurso de Bolsonaro mexe com muitas das principais inquietações das pessoas mais simples, humildes, das cidades do interior e do campo: segurança.

O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

A lambança da Dona Carmen Lúcia manda lembranças

Ao desempatar a acirrada votação no STF em 11 de outubro, delegando ao Congresso nacional o aceite, o aval, para o afastamento de deputados e senadores de seus mandatos por ordem da Corte, a ministra Carmem Lúcia tentou dar ares de magistrada a sua tresloucada intervenção, em um voto que foi mais bizarro e vergonhoso do que ridículo e patético – propriamente dito. Vale lembrar que ela, apatetada, tentou dizer que não estava dizendo o que de fato estava dizendo.

Todo mundo sabia que o precedente daquela decisão da Justiça funcionaria como um salvo conduto a ser utilizado pro Câmaras de Vereadores e por Assembleias Legislativas. O mais avassalador de tudo é que ela não aceitou rever a própria porcaria que fez e agora, virou norma: a Justiça prende poderosos com mandato e o Plenário da “casa” a qual pertencem, solta.

Seria bom a Carmem Lúcia ao menos dizer: desculpem-me pela cagada, mas eu tinha que liberar o Aécio…

A Globo e a delação: quando interessa, vale como prova

Qualquer pessoa sabe bem o modus operandi da Rede Globo em todo País. E todo mundo também sabe como ela se vale da hipocrisia e do falso moralismo para chantagear, extorquir e manter sua hegemonia.

Produto mais duradouro e nefasto da ditadura militar que enfrentamos de 1964 até 1985, a Rede Globo é a prova cabal do quanto falta de percepção política ao pessoal do PT – que em lugar de construir alternativas de comunicação, resolveu ser generoso com a emissora (refinanciando empréstimos, sendo condescendente na cobrança de débitos tributários, etc).

Há inclusive uma história atribuída ao Lula – da qual nunca soube a plena veracidade.

Reza a lenda de que o morubixaba comandava uma reunião quando foi interpelado por alguém acerca da importância de estruturar mecanismos de democratização do acesso a informação, investindo pesado na crianção de uma TV Pública e definindo estratégias para enfrentar o monopólio da informação.

E ali, entre uma risada e outra, Lula teria disparado:

–  Não entendo por que vocês insistem nessa história de ter uma TV do Governo. Nós já temos uma!

E diante do silêncio, ele mesmo teria concluído:

– Vocês esqueceram que agora a TV Globo é nossa?

Verdade ou mentira – estou mais para crer em tal fato do que duvidar, porque a incapacidade dos petistas em compreender a realidade pode ser vista nas relações promíscuas que TODOS os governos do PT mantiveram com os grupos tradicionais de mídia – este fato ilustra bem o que é a Rede Globo.

É importante destacar que a Rede Globo não tem escrúpulos. Ela tem interesses. Para ela, os segmentos sociais se legitimam apenas financeiramente. Assim, na visão dos seus diretores, se há oportunidade de faturar com a tragédia, que se transforme a tragédia em fonte de renda.

Mas, como dizia meu velho e saudoso pai: a desgraça é que o mundo é redondo!

A Globo que silenciou diante de muitas denúncias, que se omitiu diante de muitas realidades, que foi conivente com muitas barbaridades, que aplaudiu muitas insanidades, que deu voz e vez para gatos pingados em suas diatribes e insanidades, ela que sempre viveu e continua vivendo do BV junto às agências de publicidade, ela que tenta transformar o modo de vida da zona sul do Rio em padrão de comportamento para o Brasil da periferia (para os mentecaptos do Jardim Botânico, se não for da zona sul do rio, o resto do Brasil é periferia), ela que sempre usou delações como prova irrefutável, agora tenta se vender como a virgem, a santa.

O episódio refere-se à denúncia feita em delação do empresário Alejandro Burzaco. Em depoimento perante a justiça em Nova Iorque nesta terça, dia 14.  Burzaco, ex-executivo da Torneos Y Competências, empresa argentina que negociava os direitos de transmissão de competições organizadas pela Conmebol, disse com todas as letras que a Globo pagava suborno aos dirigentes da entidade que comanda o futebol na América Latina.

Por analogia ao seu comportamento anterior e histórico, é preciso considerar a Rede Globo como culpada – porque é assim que ela trata as delações e os vazamentos eletivos e seletivos: se foi denunciado, se foi citado, se foi sugerido – é culpado.

Dentro deste cenário, é um exercício de cinismo, de hipocrisia e de desrespeito para com a sociedade o que a Globo faz ao se defender das acusações e alardear-se como último bastião da ética, da moralidade e da transparência.

 

Temer, o incansável e cotidiano cabo eleitoral de Lula para 2018

Já explicitei minha teoria da conspiração, segundo a qual Temer e Lula fizeram um bem-bolado para tirar a Dilma da Presidência – em contrapartida, Temer trataria de aprovar um pacote de maldades, muitas delas simpáticas ao mercado – com quem, cá entre nós, o PT flertou de modo desavergonhado sob o argumento da governabilidade.

E quanto mais o Temer cumpre o seu papel no script, mais trabalho a turma da Lava Jato tem para impedir que a dupla Lula e Temer vençam as eleições em 2018. Há uma parcialidade sem parcimônia entre a turma da Lava Jato, que flerta em muitos momentos com o arbítrio – certos de que a mídia continuará sendo condescendente, omissa e conivente com ilegalidades e ilicitudes. Tudo em nome de impedir que a dupla Lula e Temer concretizem o projeto que armaram.

Mas, é preciso reconhecer: Temer é imbatível na sua cotidiana ação em favor do fortalecimento da candidatura Lula.

É o aumento do combustível, do gás de cozinha, o aumento das passagens aéreas (a despeito do fim da gratuidade de bagagem despachada), reforma da Previdência, manutenção das pensões de filhas de militares, os ataques ao Fies, as ameaças ao Bolsa Família, o fim do Ciências sem Fronteiras, o sucateamento do Minha Casa, Minha Vida, a redução da importância do Enem, a ameaça de tirar o rendimento mínimo dos que chegam aos 60 anos e tantas outras medidas destrambelhadas.

As ações tresloucadas de Temer não apontam para um “palanque” em favor do Lula, mas sim uma verdadeira plataforma a catapultar o nome do ex-presidente – que, ao que tudo indica, deverá enfrentar Bolsonaro…

E talvez por medo do crescimento de Bolsonaro, Temer resolveu dar uma cartada que deve ter julgado decisiva: reduziu a projeção para o aumento do mínimo em 2018. Pouco importa que a redução da expectativa se dê em face de números e índices: importa que o governo Temer, com esta medida, mostra que não está para brincadeira. É Lula… e não quer nem saber!

Ele não para! Ele não cansa! Ele é Temer, o cabo eleitoral…

Mal tinha liberado a publicação do comentário, eis que vem mais uma ação em favor do Lula – copio e colo o texto de Marcelo Brandão, repórter da Agência Brasil:

“Uma das medidas é a alteração na contribuição previdenciária, de 11% para 14%, para servidores públicos com salários acima de R$ 5 mil. Quem ganha acima desse valor terá uma nova tributação, mas somente em referência ao valor que ultrapassar o limite estipulado. Assim, se o servidor ganha R$ 6 mil, a nova tributação incidirá apenas sobre R$ 1 mil.

Na mesma medida provisória, está previsto o adiamento do reajuste para servidores públicos em 2018. “Há uma medida que traz postergação dos reajustes previstos para 2018 para o conjunto de categorias do governo federal que são as mais bem remuneradas e que tinham anteriormente feito um acordo de reajuste por um período de quatro anos”, disse o ministro.”

“Favas contadas”, Temer já comemorou a vitória em jantar com aliados

Certo de que fez o serviço da forma como o rito preconiza – pagando com o que não é seu, prometendo o que for preciso e confiando na absurda falta de pudor e de caráter da maioria dos deputados federais – o governo Temer não só tem certeza de que se safará na votação de hoje a tarde na Câmara dos Deputados, como aproveitou para jantar com os aliados ontem à noite na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Jantar e comemorar.

Já não há panelas nas janelas. Já não há histeria nas ruas. A mídia sabe que com Temer não é a mesma relação “republicana”.

Ainda que o saco de maldades esteja aberto e a corrupção e o fisiologismo continuem sendo a tônica deste presidencialismo de cooptação, o importante – na visão deles – já foi alcançado lá atrás…

Na votação, Temer deve alcançar entre 260 e 270 votos contra o prosseguimento da denúncia. Para alguns parlamentares, esta foi a última oportunidade de extorquir dinheiro do governo – talvez a conta para muitos em 2018. Resta saber se o eleitor levará isto em conta na hora de trocar o seu voto por alguma promessa…

Sobre a expressão “favas contadas”…

Há muitas explicações, copio e transcrevo:

“Esta expressão idiomática vem da forma de eleição do abade em muitos mosteiros medievais, e mesmo depois. Os monges, depois de “chamados a capítulo”, procediam à escolha do abade mediante um sistema de votação de favas brancas (a favor do nomeado) e favas pretas (contra o nomeado). No final, contavam-se as favas. Alguns autores asseveram que este costume de eleger com favas de diferentes cores remonta já à Grécia Clássica.”

Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

 

Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

GDF: falta de água, falta de vergonha, falta de planejamento

Reza a lenda que ao ser planejada, a nova Capital da República – implantada no Cerrado e historicamente com baixa incidência de chuvas – tinha previsão de uma população de 500 mil habitantes na virada do Séc. XX.

Lenda ou não, a verdade é que no meio do caminho teve a passagem de uma figura que viu na imensidão de terra a possibilidade de formar um curral eleitoral e tascou a distribuir lotes, a convidar pessoas de várias partes para virem ao Planalto Central.

E a irresponsabilidade de um governante criou uma verdadeira quadrilha que se imiscuiu na política – que tinha como objetivo incentivar invasões e assentamentos, sempre de olho nos dividendos eleitorais. Sem nenhuma preocupação se tais amontoados urbanos implicavam no assoreamento de riachos até  sua extinção e mesmo a simples “morte” de nascentes.

Vicente Pires é o retrato mais gritante desta leviandade com o meio ambiente – para a qual contribuíram, quer por incentivo, quer por omissão, todos os governos que passaram pelo DF.

A ganância por dinheiro e a busca de votos e dinheiro fácil levaram o DF a situação atual – e aqui não falo apenas de invasões de pobres, porque estes vieram na esteira de um movimento que começa bem antes que é a proliferação desordenada de “condomínios residenciais” voltados para a classe média e localizados em áreas de proteção ambiental, sem sistemas de captação e tratamento de esgotos (o que acabou comprometendo a qualidade da água até do lençol freático) e alimentadas através de poços artesianos abertos de modo indiscriminado.

O grande responsável pelo caos que hoje vivenciamos em termos de abastecimento, sempre foi e continua a ser o GDF – que ao longo do tempo e hoje sob o desmando de Rollemberg – que só tem a preocupação em fazer dinheiro. Quer vendendo lotes em áreas que deveria preservar, quer cobrando IPTU de áreas que deveria derrubar.

O peso eleitoral destes segmentos – nos condomínios de classe média uma parcela mais simpática ao PT e nos assentamentos e invasões populares mais tendentes ao assistencialismo e às práticas coronelescas – acabou unindo todos os campos políticos, não encorajando um debate sobre este tema em seu devido tempo.

Sem optar pelo viés do catastrofinismo, diria que agora é tarde – porque o simplismo das soluções do atual governador seguem dentro da sua capacidade mental de apontar sugestões e alternativas para os problemas do DF. Em sue mandato, Rollemberg não teve capacidade mental e nem qualidade política para propor nenhuma alternativa nova. O simplismo de suas ações lembra aquela imagem de como a avestruz reage a qualquer problema.

E em lugar do propagandeado choque de gestão – bordão eleitoral vazio, mas efetivo ao ponto de levar um desqualificado ao comando do Buriti – o que o povo de Brasília é um convívio cotidiano com a incompetência, o academicismo e a a piora dos serviços públicos que já eram ruins.

Não é só a falta de planejamento na questão da gestão dos recursos hídricos – afinal de contas, dinheiro não é o problema da Caesb, que paga salários de 1º mundo aos seus dirigentes – mas o mesmo vale no caso da educação, da segurança pública, do transporte coletivo e da saúde. Não há um só setor no qual a gestão de Rollemberg tenha feito alguma intervenção para “melhorar” o quadro desalentador que na verdade já vinha como um quadro continuado de desalento nos últimos governos.

O que Rollemberg conseguiu fazer – e digo da vida real, das pessoas que sofrem com a mediocridade do seu governo – foi implantar o caos em todos os segmentos, foi piorar o que já estava ruim. Há dois governos bem distintos: o ideal e perfeccionista das publicidades e blogues oficiais, onde não há problemas e tudo funciona com a precisão de um relógio eletrônico japonês original; e o real, que não é vivido nem pelo governador e seus assessores, nem pelos parlamentares que apoiam suas iniciativas (sendo regiamente recompensados com verbas, cargos e benesses), nem pelos publicitários que seguem um roteiro de mundo encantado (devem ser os mesmos roteiristas, redatores e diretores de arte que vem trabalhando ao longo dos últimos anos nas agências do DF, porque sai governo, entra governo e é sempre o mesmo padrão de “wunderbar”) e muito menos em vozes e porta-vozes que buscam defender Rollemberg mesmo do indefensável.

Não adianta negar o aumento do racionamento para dois dias, quando todos sabem que ele será inevitável se as chuvas não vierem – e quando elas chegarem iremos nos deparar com o caos de todos os anos, porque o governo de Rollemberg reage com a rapidez de uma tartaruga e age coma  celeridade de um cágado: bueiros sujos e entupidos, carros boiando nas tesourinhas da Asa Norte e pessoas surfando e outras navegando em vias alagadas no DF. Em todo o DF.

E como este é um governo errático, engolido pelo ego de um governante que é motivo de chacota e que viraliza em redes sociais em vídeos em não recomendável estado de lucidez e sobriedade, o pior ainda está por vir.

Eleição para Distrital em 2018: o PT pode sofrer com a falta de votos

Até o momento, tudo indica que o PT terá uma nominata de luxo para disputar as 24 vagas para a Câmara Legislativa em 2018, dentro do projeto de fazer uma bancada forte. Os nomes ventilados, são representativos e todos carregam a fama de amealharem milhares de votos a cada eleição – mas o que garante mesmo que a legenda atinja o quociente eleitoral não é apenas o desempenho das estrelas, mas principalmente daqueles candidatos que possuem um padrão entre três e oito mil votos.

E alguns destes nomes de forte representatividade – e cá entre nós, fazer oito mil votos não é o mesmo do que discutir filosofia em mesa de bar – e que em eleições passadas ajudaram de forma decisiva para completar o balaio de votos dos eleitos, já não estão mais no PT e outros já avisaram que não pretendem entrar na disputa de novo.

Se o partido conta com Arlete Sampaio, Chico Vigilante, Policarpo, Ricardo Vale, Rodrigo Brito e a professora Rosilene Correa como nomes com potencial de conquistar muitos votos, sempre é bom lembrar que nas eleições de 2014, o quociente eleitoral foi de 63.549 votos por vaga (em termos de CLDF). E aí é que a coisa começa a ficar complicada.

A decisão de Wasny de Roure de não disputar um novo mandato na CLDF e se colocar como pretendente a uma vaga no Senado, deixa o PT sem um nome no segmento evangélico, algo que pode ser crucial – dado o peso e a representatividade do segmento e, também, os ataques que muitas lideranças petistas costumam desfechar contra este grupo religioso.

Pesquisando, encontrei apenas dados de 2013, quando os evangélicos representavam 26,58% da população de todo o DF (no mesmo levantamento católicos representavam 56,91%; espíritas, 3,62%; umbanda e candomblé, 0,25%; outras religiões, 2,23%, e sem religião, 14,21%). Ou o PT abriu mão deste segmento eleitoral, dada a incompatibilidade entre a pauta que o partido defende e aquela que as correntes religiosas preconizam?

Além das dificuldades naturais que o partido sofre por estar sendo vinculado pelos meios de comunicação como sinônimo de corrupção – numa demonização trabalhada e que também atinge os movimentos sociais – o PT vem penando com algumas deserções – nomes que saíram do partido e migraram até para o Dem, enquanto que outros não pretendem repetir a experiência de uma campanha.

Dentro desta realidade, o grande desafio de Érika Kokay, presidente do PT-DF, será montar uma nominata que não represente um processo de autofagia interna, como aconteceu em 1998 – naquela oportunidade, na reta final, muitos cabos eleitorais perguntavam acerca das intenções de voto e, diante da resposta, atacavam: “mas fulano já está eleito! Vamos ampliar a bancada. Seu voto é mais importante para o meu candidato do que para este com o qual você simpatiza.

Nem vou citar nomes para não reavivar velhas feridas – até porque este processo gerou rancores que acabaram levando muitos a não trabalharem no 2º turno da eleição para governador por uma espécie de vingança, possibilitando uma virada do Roriz que até hoje é motivo de dúvidas.

Além de todas estas questões, a ausência de um nome competitivo do PT na disputa para o Buriti surge como outro entrave para o desempenho dos candidatos ao Legislativo. Como será a experiência para os petistas?

Sobre as mudanças – e aqui nem falo nem de modo indireto em relação ao PT, mas como parte do cenário nacional e com a rápida cooptação de pseudos lideranças pelo sistema: Onde buscar estes nomes em um momento no qual as pessoas estão fugindo da política e muitos dos que se apresentam como renovação já chegam com todos os vícios, manias e defeitos que nos levaram a este estágio de saturação?

Senado decreta: boliu com um, boliu com todos. E salva Aécio

Foi um grande e bizarro circo – com roteiro definido em conchavos, conversas, acordos e juras de amor eterno e de lealdade.

Não conta tanto o resultado em si, mas serve de parâmetro o que o instinto de sobrevivência da classe política é capaz de fazer com seus próprios escrúpulos. Ao restituir o mandato ao senador Aécio Neves, os 44 senadores mostraram que “ali dentro” é outro mundo, são outros os parâmetros e são outras as leis que regem o submundo da política.

Quando o STF se acovardou e se acadelou às ameaças de enfrentamento em reiterados recados enviados de modo aberto e escancarado pelos senadores, ficou claro que cada qual lavaria suas mãos e trataria de safar os seus próprios privilégios.

É preciso entender o recado que o Senado deu à sociedade dentro de uma perspectiva de escárnio e de deboche. A Corte Alta (SFT) e a Câmara Alta (Senado) se igualam no mesmo patamar de cumplicidade, de conivência e de descaso com quem lhes paga salários, mordomias e lhes garante a abjeta impunidade com a qual fazem questão de colocar o povo brasileiro apenas na condição de míseros palhaços.

Não vou entrar no mérito de todos os votos que livraram a cara do Aécio, mas no caso do DF me pareceu pilhéria um levantamento que colocova como indeciso o Hélio Gambiarra – uma das maiores aberrações políticas que nossa (de Brasília) história recente foi capaz de forjar. Trata-se de um político sem noção de compromisso com a sociedade, que chegou ao senado sem ter votos e sairá de lá para a lata de lixo da história como uma justificativa definitiva para o fim desta excrecência chamada de “Suplentes” – algo que acabará sendo extinto pela Justiça, com o fim das coligações.

Gambiarra, que fez 6 votos na disputa para a Câmara Legislativa em 2014, é conhecido dentro do Senado como um puxa-saco de Renan, votando a cabresto e fazendo o que o senador de Alagoas mandar – ainda que custe cargos e empregos de aliados.

Reguffe, o outro senador do DF, votou Sim e Cristovam, só para variar, estava viajando – ele que pretende ganhar do povo do DF mais oito anos para não fazer nada e conhecer muitos lugares e muitos países. Sempre às custas do dinheiro do cidadão.

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