Blog do Alfredo

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O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

Isolado, PT-DF tenta garimpar “um” candidato ao Buriti para 2018

Antes força definidora das alianças políticas no DF, o Partido dos Trabalhadores na Capital Federal se vê às voltas com um quadro inusitado: ninguém quer ser candidato ao governado local em 2018. As principais estrelas do partido, conhecidos como “capas” e que comandam tendências, desta feita estão mais preocupadas em garantir um mandato parlamentar a partir de janeiro de 2019 do que sonhar com a cadeira do Buriti.

Na busca de um nome, os petistas já procuraram José Geraldo, hoje afastado da legenda e ex-reitor da UnB. A despeito de ter se sentido lisonjeado, declinou da generosa oferta, mostrou-se disposto a colaborar com o partido na formulação de propostas, mas não quer a missão suicida.

O nome da vez é Eugênio Aragão, participou do MP, ex-ministro da Justiça de Dilma e professor titular da UnB – que parece ter o perfil talhado para este momento: é bom de palanque, tem capacidade jurídica, não foge da luta. Para alguns, pode ter pouca viabilidade eleitoral em 2018, mas com a visibilidade ocuparia o protagonismo de um espaço que hoje o partido perdeu.

A situação do PT na capital é muito delicada.

Seus aliados tradicionais e históricos hoje constroem outros caminhos – muito por conta do impasse jurídico que envolve a candidatura de Lula à presidência, porque são dois caminhos totalmente distintos. Os partidos, no entanto, costumam reclamar da ingratidão do PT em momentos pós-eleitorais, mormente nas vitórias.

O PDT, que poderia ser uma alternativa, depende da candidatura presidencial de Ciro e seu aliança com o PSB – o que sepultaria qualquer conversa local, até porque o Lupi (presidente do PDT) não brinca e não aceita deserções. O PCdoB hoje vive uma crise de identidade, tendo se transformado no mais fiel aliado de Rodrigo Maia (Dem) e aqui no DF não se sabe qual o rumo que seguirá. Cristovam, do PPS, que chegou a flertar com uma candidatura ao GDF e depois fez banners em redes sociais anunciando-se candidato à presidência da República, voltou ao seu devido tamanho político e sonha com mais um mandato de Senador – ele que nos dois anteriores, nada fez de útil ou produtivo para o DF. O chamado campo rorizista está minado de candidaturas e de candidatos a candidato, engalfinhando-se para ver quem será o nome – que, na avaliação deles, é coisa de favas contadas. Qualquer que seja o ungido em algum ritual de pajelança.

Dentro deste quadro, o PT tenta acomodar seus nomes e suas vaidades, de modo a que não fiquem sem mandato e possam pensar em fazer política mais sossegadamente no futuro. Neste momento, os projetos pessoais e as demandas urgentes da vida política não passam pelo Buriti.

Como disse um petista bem humorado, o maior risco do PT-DF é ter como único aliado em 2018 o Pros, que hoje tem o senador Hélio Gambiarra como seu “representante”.

Janaína, uma incompetente buscando holofotes

Alçada a uma condição de celebridade jurídica dentro de circunstâncias muito específicas, a professora Janaína Paschoal agora se julga vítima da academia, que supostamente não concorda com seus pontos de vista.

Explico-me, para quem não acompanha o noticiário: autora do estudo encomendado pelo PSDB sobre a legitimidade das chamadas “pedaladas fiscais” da ex-presidente Dilma, Janaína que leciona na Faculdade de Direito da USP dançou, de modo aplastante, na sua pretensão de virar professora titular – último degrau da carreira do magistério em instituições de ensino superior públicas.

O barraco se arrasta já faz algumas semanas e hoje voltou a ser manchete no Estadão por conta da rejeição de um de seus muitos recursos – dentro da tese do jus esperniandi, do qual ela lança mão na tentativa de reverter decisões desfavoráveis.

Eram duas vagas, quatro candidatos.

E ela ficou em quarto…

Mas, claro, que não aceitou.

Como pode a USP – que é ligada ao Governo do Estado de SP, ninho e nicho do tucanato há 16 anos – ser “petista”, perseguindo aquela que ocupou holofotes sem ter estrutura nem para brilhar à luz de um candeeiro?

Certa feita, conversando com um psiquiatra, conversei sobre as sequelas e eventuais desvios de personalidade, síndromes que poderiam sofrer as pessoas “comuns” que por “n” razões fossem alçadas a uma condição de celebridades momentâneas – dentro daquele conceito profetizado por uma frase de Andhy Warhol: “um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama”.

Como as pessoas reagem com o fim das luzes, do brilho e do espaço na mídia?

Antes do continuar com com a resposta do psiquiatra, conto a rápida história de como conheci Nilton Santos aqui em Brasília. Sócio da ABCD – Associação Brasiliense dos Cronistas Desportivos, numa das tardes que antecediam a uma partida no velho Mané Garrincha, lá fui eu para ver a questão dos coletes.

Lá chegando, estava ele – a quem conhecia de fotos, filmes e histórias. Eu o cumprimentei como cumprimento a todos: de modo efusivo. Quando já ia passando, ele alcançou meu ombro com a sua mão grande e perguntou: você sabe quem eu sou?

Respondi brincando, claro, Senhor Enciclopédia – é uma pena que não tenha jogado no Grêmio. Depois de uma risada, perguntou se eu não queria fazer uma reportagem com ele e me disse que poderia mostrar as muitas caixas com recortes. Disse que sim, que seria uma boa pauta e que poderíamos conversar sobre esta ideia, uma vez que eu também morava em Brasília.

Fiquei consternado com a situação daquele homem que já esteve nas manchetes dos principais jornais e revistas e estava ali, mendigando um pouco de atenção. Volto à conversa com o psiquiatra sobre as sequelas…

Ele falou que no mais das vezes as pessoas podem desenvolver alguma síndrome de perseguição, uma vez que não conseguem voltar a ter uma vida normal. Ligo o episódio da Janaína ao deste povo que participa dos reality shows e conseguem uma exibição pública que gera milhões de seguidores em redes sociais.  E o que fazem para se manter em evidência: contratam assessores de imprensa – e eu recebo, por conta de uma revista que edito, dezenas de eventos destas sub-celebridades em lançamento de produtos, em inauguração de boutiques, comprando produtos, exibindo o silicone ou mesmo revelando uma traição.

Não há limite nesta busca insana por “aparecer”. É como se estas pessoas tivessem medo de voltar a ser apenas… gente.

A demanda por realimentar o ego é tão grande que tenho um conhecido no Rio que tem uma profissão inusitada: ele é paparazzi de encomenda. Ou seja: ele é contratado para um flagrante armado e combinado, para uma roupa mais ousada, para uma passada de mão na bunda, para um beijo, para uma encoxada na praia, para uma saída de motel ou uns amassos em boate. E depois, ele repassa para blogueiros e jornalistas de fofocas.

Para não sair da mídia, o corpo é só uma mercadoria – seguramente a menos valiosa.

No caso da professora Janaína, está sendo muito interessante observar o quanto ela esperneia, o quanto ela se debate – porque sabe que a sobrevivência dela jamais será pautada pela gratidão de quem a quem ela serviu. Até por ter se exposto demais, não interessa a ninguém que por ventura tenha sido beneficiado por sua ação, aparecer ao seu lado.

Ou ela vai aprender a viver com o peso do anonimato ou terá de conviver com os fantasmas que hoje a vitimizam, tiranizam e escravizam emocional e mentalmente.

Temer, incansável cabo eleitoral do Lula

Por mais que a turma da Lava Jato, junto com boa parte da mídia, se esmere em querer enfiar goela abaixo dos brasileiros de que evidências servem como provas, indícios são suficientes para condenação e necessidade pessoal justifique punir aqueles apontados como inimigos, a verdade que o ex-presidente Lula conta com um cabo eleitoral de primeira qualidade, que trabalha 24h por dia no único objetivo e fazer com que o ex-metalúrgico vença em 2018.

Funciona de modo cotidiano.

Não há dia no qual o Temer não faça questão de dizer ao eleitorado: olha, vocês precisam votar no Lula. O Lula é a sua única alternativa.

O caso mais aterrador é o do gás de cozinha – que não é apenas uma das principais fontes de renda do tráfico nos morros cariocas, mas serve como uma catapulta a arremessar o nome de Lula para a liderança nas pesquisas eleitorais.

Hoje, por exemplo, a Petrobras anunciou mais um pequeno reposicionamento nos preços: mais 12,9%. Com um detalhe: apenas para o gás de cozinha, vendido em botijões de até 13 quilos. Com isso, as famílias sofreram com aumento de 47,6% do gás de cozinha desde o dia 7 de junho.

É preciso realmente tirar o chapéu para o Lula: diante da teimosia de Dilma em disputar a reeleição – ela que nem deveria ter sido candidata em 2010 – ele foi fazer aliança com o Temer; instigou ele a lançar o Eduardo Cunha para a presidência; pediu para o Aécio espernear pela derrota. Porque se a Dilma ainda estivesse na presidência, Lula hoje não teria 5% dos votos – tal a quantidade de trapalhadas que já teria cometido.

Perspicaz, Lula se aliou ao Temer porque entendeu que apenas ele poderia ajudar a tirá-lo das catacumbas e do rancor ao qual estava fadado, por conta das maluquices de sua “criação”, que nunca virou criatura e se revelou um monstrengo.

É dentro deste contexto que é preciso entender as ações do Temer. Ele e seu governo – que na verdade tem a equipe econômica dos sonhos do Lula – atuam 24 horas em favor do ex-presidente. E o resultado é perceptível nas pesquisas.

Para mostrar que é mesmo leal ao Lula, Temer foi além: isentou comércio e indústria do reajuste do gás.

 

 

Com a democracia, não se brinca. Jamais!

Dilma final

Em menos de 48 horas, 7.386 pessoas contribuíram espontaneamente para que o patamar de R$ 500 mil fosse alcançado – valor este a custear as despesas do uso dos aviões da FAB por Dilma Roussef – presidente democraticamente eleita e afastada por um golpe torpe, vil e que funcionou como um 3º turno para os derrotados sucessivamente pelos eleitores em 2002, 2006, 2010 e 2014.

Não estou entre aqueles que morrem de amor pela Dilma – bem pelo contrário.

Considero-a desqualificada, despreparada e incapaz para o exercício da presidência,

Mas “eu” pensar isto, não me dá o direito de pensar em algum modo de retirá-la do poder que não seja através do voto.

Esta é a regra básica da democracia.

Qualquer atalho ou desvio – sob qualquer que seja o argumento (ódio, interesses contrariados, podridão dos interlocutores, impotência eleitoral, etc) – é aviltante e precisa ser combatido, denunciado e não deve ser reconhecido.

A pequenez política de Temer e seus asseclas certamente perdem apenas para a torpez, a volúpia e o exercício do poder para beneficiar uma súcia de ladrões, uma corja de contraventores.

Temer, com sua cara de rato, seu focinho de rato e a idoneidade moral de um ganster, precisa aprender que a democracia é um bem mais caro – para muitos – do que se sujeitar o papel vil e degradante de um traidor, de um desequilibrado, de um conspirador torpe. Um batedor de carteiras de enésima categoria.

Diante da acintosa provocação de Temer e de seus asseclas – as pessoas responderam de modo claro, doando voluntariamente mais de R$ 500 mil em menos de 48h.

Teriam Temer, Gedel, Padilha, Gilmar mendes, Aécio, Serra, Cristovam e outros golpistas travestidos de “éticos” em alguns arroubos verborrágicos a coragem de fazer algo semelhante ao que aconteceu no financiamento coletivo para Dilma?

Duvido – até porque não precisam.

Apertem os cintos que, mesmo sem o voto do povo, o governo do PSDB voltou…

0525 - Herança tucana

A cada novo dia, o cenário fica mais claro. Mesmo para aqueles que AINDA pensam que o impeachment foi apenas e tão somente uma necessidade de remover da presidência uma pessoa despreparada (e, neste caso, é!), extirpar do poder o partido que criou a corrupção no Brasil (porque antes e a partir de agora, restaura-se a probidade republicana), e proceder o resgate e a continuidade daquilo que foi aplicado nos anos 90 nos foi mandatos de FHC: arrocho salarial, inversão da prioridade saindo do social e priorizando o capital, penalizando os mais pobres, protegendo o andar de cima e liberando o orçamento para que este contemple mais quem sonega do que quem trabalha.

A tarefa de Temer – que atua como boneco de ventríloquo com cara de ratazana – será muito facilitada pelo discurso acordado entre a mídia, o Judiciário, partidos políticos, entidades empresariais, algumas centrais sindicais sem compromissos com os trabalhadores e preocupadas com a manutenção do seu quinhão financeiro e de poder: a herança maldita.

O mantra terá como linha básica de atuação ao modo dos ensinamentos de Goebbels: por conta da herança maldita; por conta do fardo dos desmandos dos (des)governos; por conta do descontrole das contas públicas causadas pelo PT; por conta do 7 a 1 da Alemanha; por conta do Dunga; por conta do rombo da Previdência (que existe, mas é superestimado); por conta…

Tudo caberá na frase a partir do argumento “POR CONTA DE”… e é um governo que tem pressa em fazer o serviço, até porque não é certo que conseguirão aprovar a cassação de Dilma ao final do processo do impeachment no Senado. O caldo entornou tanto que, antes, os usurpadores do poder concedido pelo voto a Dilma antes queriam apressar a votação do processo. Hoje, já não sabem se é melhor apressar o rito na tentativa de evitar surpresas ou protelar e dilatar ao máximo os prazos para, na eventualidade de vitória de Dilma, já terem completado o serviço que não conseguiram concluir até 31 de dezembro de 2002.

O recado foi dado e de modo bem claro: este é um governo que governa com o programa do PSDB – até porque o PMDB nunca teve competência de elaborar ou de pensar projeto algum para o País, preocupado apenas em elaborar estratégias para se locupletar com verbas públicas.

Claro que o PT e principalmente o governo de Dilma colaboraram para este estado de coisas, mas colaboraram exatamente porque mantiveram a mesma prática política – tendo apenas tentado inverter UM POUCO, um cadinho só, a ordem de prioridade dos gastos públicos, direcionando pouco mais do que migalhas para o andar de baixo, para o subterrâneo. Mas esta pequena rotação foi um ponto fora da curva que assustou aqueles que pensam, querem e precisam de um Brasil exclusivo.

Ao contrário do que pensam os “vitoriosos”, boa parcela da conta desta aventura tucana será paga por eles também – por conta do arrocho salarial, pelo fim de concursos públicos, por alterações na previdência do servidor. Claro que o estouro maior será nas costas dos pobres, dos mais humildes e da classe trabalhadora – a começar pelo fim e/ou redirecionamento de programas sociais e de transferência de renda(sob o eufemismo de auditorias e sistemáticas de avaliação e desempenho), o fim da vinculação dos investimentos em saúde e em educação com base em avanços reais.

O começo do fim daquilo que nunca deveria ter sido sequer pensado

0523 - Jucá e Temer

O episódio “Jucá” revela bem mais do que o destempero verborrágico de uma figura abjeta que ocupou o espaço político através da capacidade de sobreviver adaptando-se às conveniências. É preciso lembrar e dizer SEMPRE que o PT é parte deste esquema que busca transformar o que é público em particular ao aceitar lambuzar-se no fel de um presidencialismo gerido e comandado por ladrões.

Já disse outras vezes e vou tornar a dizer sempre que me parecer conveniente lembrar que o PT não criou a corrupção, nem a institucionalizou e nem mesmo foi pioneiro em transformar empresas públicas e a ocupação de CCs (ou sei lá qual a sigla do cargo destinado àqueles puxa-sacos que, do nada, adquirem um poder para o qual NUNCA se exigiu qualificação e/ou capacitação) em prática partidária.

O erro do PT – e aí é sim responsabilidade do Lula e do PT – foi não ter tido coragem de, com o respaldo das urnas e com a esperança de mudança, denunciar o preço da governabilidade.

O erro do PT foi achar que, ao jogar o jogo conforme as regras passadas pelo establishment, isto garantiria que ele, PT, seria aceito pelo sistema e visto como confiável.

O erro infantil do PT foi acreditar que usando os mesmos esquemas e canais de desvios de recursos públicos em contratos e de lavagem de dinheiro, isto impediria que, seletivamente, se atacasse e se acusasse apenas o PT.

Enquanto o PT não assumir estes seus erros, continuará aceitando o rótulo de “inventor” da corrupção – quando o Partido foi apenas irresponsavelmente conivente e cúmplice de esquemas que já existiam. E que continuam existindo.

A conversa de Jucá mostra que a derrubada de Dilma foi uma trama urdida entre segmentos que precisam ter um acesso mais privilegiado aos recursos públicos – quanto menso transparente, melhor. A derrubada de Dilma foi uma alternativa “simples, fácil e barata” que uma parcela significativa de membros do Judiciário, da imprensa, do Legislativo, do empresariado, do mercado financeiro e da sociedade naturalmente com viés fascista encontrou para voltar ao poder – ainda que o poder em momento algum tenha saído de suas mãos.

A derrocada de Jucá é um sinal de que dificilmente Temer conseguirá concluir a interinidade – uma vez que a falta de legitimidade do processo como um todo fica a cada dia mais escancarada.

As manifestações contra Temer se intensificam e já é sabido que o vice não possui o mesmo “estomago democrático” que a Dilma tinha e tem – de suportar a pressão, por exemplo. No linguajar do meu tempo de jovem, Temer é um banana de não aguenta pressão. Forjado mais nos conchavos do que no enfrentamento político. Mais afeito à barganha do que à discussão de ideias. Busca mais convergir para sobreviver do que sobreviver para triunfar.

A volta de Dilma pode ser importante para restabelecer a normalidade democrática, mas mergulhará o País em um clima de total passionalidade – dada a posição adotada pelo Congresso Nacional nas votações deste processo que hoje está confirmado que foi urdido e tramado na sua forma mais popular e consagrada: Golpe!

Com Temer, Brasil viverá a paz dos cemitérios

Consulting the Oracle 1884 John William Waterhouse 1849-1917 Presented by Sir Henry Tate 1894 http://www.tate.org.uk/art/work/N01541

Nos primórdios, as pessoas do povo e os mandatários recorriam aos oráculos para saber o futuro, para antever o destino e tentar fugir das armadilhas criadas pelo acaso ou, na crença de então, por desígnios de uma infinidade de deuses que viviam em conflito entre si e redundando em castigos, pragas e penas para os “mortais”.

A partir da mitologia sabe-se da existência de três destes oráculos famosos (Delfos, Zeus e Ámon). A própria Bíblia trata de oráculos em vários momentos, por vezes textualmente e em outras de modo simbológico.

Entender o que vai acontecer com a política brasileira passa por esta vontade latente de querer saber o que vem pela frente – mas já se sabe que aquilo que começa de um desvio da normalidade democrática – ou da forma irresponsável como um ex-ministro do STF reduziu a “pausa democrática” – não tem como chegar a bom termo.

Ungido a condição de presidente, Temer é, em termos reais, a própria negação daquilo que se propõe a conduzir: a pacificação. Instrumento barato e leviano para a construção do golpe, Temer será mais um joguete nas mãos dos interesses ocultos que comandaram e financiaram a cruzada moralizadora, do que chefe da Nação – visto que está destituído da legitimidade direta que apenas as urnas podem conceder e conceber através do voto.

Não se trata aqui de discutir se Dilma tinha ou não a qualificação mínima para ocupar a presidência – e estou entre aqueles que julgam que Dilma é uma desqualificada para o cargo e o PT tem imensa responsabilidade com tudo que está acontecendo neste momento, na medida em que não teve compreensão da própria incompetência de Dilma e referendou a aventura de sua reeleição. Mas a democracia não permite que a esperteza e a vilania de alguns sejam maior do que a opção da maioria – e, volto a dizer, não se discute se a opção é certa ou errada. Na democracia, o princípio básico que foi ignorado, desde outubro de 2014, foi o desrespeito pela decisão da maioria.

Claro que o presidente interino contará com o respaldo da mídia, a conivência do Judiciário e a cumplicidade de um Congresso Nacional ávido por recursos, porque muitos dos sócios da carnificina estão sem acesso aos recursos faz tempo e alguns inclusive morrendo de inanição.

Imaginar o que virá depende muito da percepção da própria realidade que vivemos, mas é certo que o Governo Temer irá pautar muito de acordo com as expectativas dos grupos que o apoiaram/financiaram e dos movimentos pautados por uma ética de ocasião e de defesa de bandeiras de proteção de seu espaço social.

Assim, ainda que não esteja definido tudo que virá, está mais do que claro que teremos:

  • os bancos – os grandes beneficiados nos 14 anos do governo do PT (Lula + Dilma) -continuarão lucrando cada vez mais;
  • arrocho salarial e perdas para os aposentados;
  • as empresas públicas serão passadas nos cobres, porque o próprio PT acabou por ajudar o discurso privatizante, envolvendo tais empresas em denúncias de negociatas e corrupção;
  • reformas na previdência, que são mais do que urgentes, pois vem sendo adiadas desde os tempos de… Sarney;
  • criminalização dos movimentos sociais;
  • profundas mudanças na CLT, com o fim de direitos e conquistas da classe trabalhadora;
  • drástica redução da fiscalização por parte do Ministério do Trabalho sobre as condições de vida dos trabalhadores em áreas rurais/fazendas;
  • alteração na lei de greve do serviço público;
  • redefinição do papel de empresas públicas como a Caixa e a própria EBC;
  • drástica redução nos programas de inserção social e de transferência de renda;
  • o abandono do Mercosul como prioridade de integração;
  • abertura do mercado consumidor brasileiro para empresas estrangeiras sem nenhuma salvaguarda às empresas nacionais – empresas aéreas é apenas o ponta-pé inicial;
  • agressivo programa de concessão de setores de infra-estrutura, priorizando o lucro dos concessionários, em detrimento da sociedade (vide diferença entre os pedágios de rodovias licitadas nos governos FHC e nos governos do PT).

Não se trata de antever o caos, mas apenas o exercício de ir juntando fragmentos e formando um mosaico que pode parecer sombrio – mas que terá como principal destinatário na hora de pagar a fatura o trabalhador, que estará em uma situação cada vez mais fragilizada.

Petistas querem resgatar legados do governo do PT – mas sem defender Dilma

05112015 - Petistas

O ser humano é capaz de ações e de omissões surpreendentes.

E é, acima de tudo, um “animal” que pode carregar verdades e vontades em si, sem revelá-las. Esperando para desnudar-se quando o peso tornar-se insuportável ou não houver mais conveniências.

Conversando com petistas – parlamentares, militantes e dirigentes em vários escalões – foi possível perceber o quanto é (era?) pesado carregar o fardo de Dilma Rousseff. Mas não se trata de uma percepção de agora – porque em alguns casos escuto tais confidências e revelações desde bem antes das eleições de 2014.

Claro está que são pessoas que têm a uni-las a compreensão que já tinham lá no passado e que o presente apenas confirma de que foi um equívoco o PT não ir para o confronto com a Dilma em maio de 2014 – impondo a candidatura de Lula.

Para estes, o desfecho que se aproxima é sinônimo de alívio – porque alguns só votaram “não” no dia 17 de abril por lealdade ao Partido. Se pudessem, teriam votado sim.

E apontam  a sucessão de equívocos que a presidente Dilma foi cometendo, sempre dentro de uma lógica simples: “se” tendo a eleição de 2014 como referência ela já fez o que fez, o que esperar dela e de suas ações sem nenhum compromisso com 2018?

O preço do vaticínio tardio é ele soar como oportunista, como desforra. Eles sabem que podem pagar este preço, mas se defendem lembrando que este sentimento “anti-Dilma” dentro do PT sempre foi do conhecimento da Executiva e do próprio presidente Lula. “Sem a Dilma, vamos fazer o que nós sabemos realmente fazer: oposição”, disse um deles enquanto acompanhava o noticiário do andamento do processo no Senado. “Nós não podemos carregar a ilusão de que vamos voltar em 180 dias, até porque estaríamos voltando com a Dilma na presidência e há a certeza de que ela voltaria a cometer os mesmos erros, as mesmas omissões e as mesmas trapalhadas”, concluiu enquanto a porta do elevador se fechava.

Eles não cogitam abandonar a sigla, até porque sabem que criar uma legenda demanda tempo e, principalmente, a necessidade de criar uma empatia com algum segmento social que dê sustentação à ação política.

Há, ainda, outro fator a desanimar a ida destes para um novo partido: no Brasil, as legendas são estruturadas a partir do personalismo. E quando não há este “fio condutor”, acabam virando balcões regionais de negócios. Dentro desta perspectiva, a Rede seria sinônimo de Marina. Quando não tem uma “cara” para vincular, viram saladas de fruta – realidade na qual se insere o PDT que foi de Brizola e hoje nem brizolista é; do Dem que foi de ACM e Bornhausen e hoje é um reduto folclórico com ação nos cafundós do Goiás e na Bahia – lembrando que a turma já abrigou Arruda; o PSDB vive no embate entre facções de São Paulo e Minas; o PMDB uma confederação de partidos regionais, cada qual com sua linha de interesses. Outros exemplos de partidos que patinam no descrédito da política nacional seriam o Psol, o novo partido de Erundina enquanto ela não estrutura um partido para chamar de seu. E seguem desfiando um rosário para outras siglas que surgem sem justificativa que transcenda abocanhar uma parcela do fundo partidário e acomodar interesses.

Assim, querem permanecer no Partido – cientes de que devem submergir e purgarão por algum tempo, sendo responsabilizados pela chamada “herança maldita”. Mas, ainda assim, acreditam que será menos penoso reconstruir o PT de uma perspectiva políitca do que começar do “zero”.

Há outro fio condutor a unir os petistas anti-Dilma: querem pautar a ação política, no cotidiano e no parlamento, na defesa do partido e do legado que acreditam que foi construído. Mas nada de defender Dilma. Para eles, Dilma é um nome que deve ser desvinculado do Partido – algo que acreditam que acontecerá de modo espontâneo.

Para esta parcela de petistas, hoje começa efetivamente um novo dia…

 

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