Blog do Alfredo

Category: Eleições 2018 (page 1 of 6)

Os riscos com o desencanto e a sedução das soluções mágicas

Vivemos tempos estranhos, delicados – que se anunciam sombrios.

Escrevi reiteradas vezes que a oposição, derrotada em 2002 nas urnas (e depois em 2006, 2010 e 2014), para se manter nas proximidades do poder, usufruindo de algumas benesses, cuidando de alguns nichos que o PT deixou sob o comando de grupos do PSDB, do DEM e de outras agremiações,esta oposição abriu mão de “fazer oposição” e delegou esta tarefa para os meios de comunicação.

Como a oposição dos meios de comunicação não conseguiu impedir as derrotas da oposição, a estratégia foi atacar a política – que era o meio de atacar o PT. E ainda assim, o efeito não foi o desejado – ao menos naquele momento.

Veio então a Lava Jato, uma poderosa aliança entre a mídia e setores contrariados com a permanência do PT e de Lula no imaginário popular e seu potencial eleitoral.

Que fique bem claro: nunca escrevi e nem escreverei que a Lava Jato não é necessária.

Ela seria fundamental se tivesse compromisso – por menor que fosse – com a mudança.

Na verdade, o único compromisso da Lava Jato é atingir uma pessoa – e, volto a dizer, não estou aqui dizendo se é inocente ou culpado.

O problema é que a Lava Jato partidarizou a sua ação de modo que as denúncias contra os tucanos jamais avançam. Pior: são esquecidas. Abandonadas. Relegadas a morrerem debaixo dos tapetes…

O roteiro elaborado mostrou-se inconsistente – e acabou atingindo quem não deveria, ainda que a eles nada aconteça.

Em lugar de determinar que o PT era a causa de tudo, fixou-se na sociedade o conceito de que o PT é igual a todos. E como todas as campanhas foram estruturadas no sentido de dizer que o PT era a parte podre da política, o que temos é a destruição da política – onde todos ficaram iguais. Desgraçadamente iguais.

A mídia tentou, junto com a turma da Lava Jato, mostrar para o Brasil e para os brasileiros que a corrupção em nosso País começou no dia 1º de janeiro de 2003. Ao não conseguir concretizar sua parte no roteiro, acabaram desacreditando a política como um todo.

E o risco está no espontaneísmo, na opção por soluções mágicas – e aqui no Brasil já tivemos a experiência nefasta da passagem de Collor pela presidência.

Como ao que parece eles finalmente assumiram que a montagem saiu do controle da mídia, agora ela parte para a desconstrução de Bolsonaro – tentando repetir o que fez com Marina em 2014.

Pode ser tarde, porque o discurso de Bolsonaro mexe com muitas das principais inquietações das pessoas mais simples, humildes, das cidades do interior e do campo: segurança.

Agnelo Pacheco: cheiro de calote no ar

Atualizado às 12h51

Tida como uma das principais agências de publicidade do Brasil antes das denúncias de corrupção, a Agnelo Pacheco fechou as portas em Brasília e se encaminha celeremente  a deixar de existir, no seu rastro muitos pequenos empresários aqui do DF vivem a angústia e o medo de levar calote.

Ela que sempre tinha generosos contratos com a administração pública – GDF, Governo Federal e outros governos estaduais e municipais – sendo conhecida pelo retorno financeiro que dava aos entes públicos, complementando vencimentos, ajudando na manutenção de estruturas paralelas e negociando boas taxas de lucro aos seus operadores, hoje definha e deixa muita gente com a pulga atrás da orelha.

No caso da CLDF, em boa hora ela reteve os últimos pagamentos – exatamente por conta de não haver o repasse dos valores aos veículos. O GDF tem uma situação ainda mais complexa, tendo em vista que ela tinha contratos com o Governo Agnelo e manteve com o Governo Rollemberg.

Há um passivo bem expressivo do GDF com os veículos relativos aos anos de 2013 e 2014, que se encontra na rubrica “restos a pagar”. Pode-se discutir se a dívida do GDF é com a Agnelo (que serviu de intermediária) ou com os veículos (que foram contratados e prestaram os serviços ao GDF – ainda que através da Agnelo). O que o GDF não pode é querer continuar achando que a dívida é do ex-governador…

O mais estranho é que não há nenhum dispositivo nos contratos feitos entre os entes públicos e as agências para situações de insolvência destas – possibilitando o pagamento direto aos veículos e retendo os 20% que são devidos às agências.

Preocupados com o calote, veículos começam a entrar na Justiça contra a CLDF e devem começar a fazer o mesmo contra o GDF – porque são muitas as razões pelas quais o pagamento direto deve ser buscado na Justiça:

  • a Agnelo Pacheco definha;
  • o escritório em Brasília foi fechado;
  • caso o GDF repasse o dinheiro devido (hoje inscrito em restos a pagar), os veículos podem ser prejudicados;
  • as garantias bancárias expiraram.

Mesmo reconhecendo a urgência da resolução do imbróglio, a Consultoria Jurídica da CLDF se diz de mãos atadas – porque os contratos não tratam da falência da agência contratada – no que diz respeito ao pagamento direto.

No caso do GDF, o governo Rollemberg vinha dando de ombros aos restos a pagar – como se o devedor fosse o ex-governador e não o governo. Os veículos – na maioria nanos empresários – ficaram sabendo que estava sendo feito um repasse, mas continuam temendo que a Agnelo Pacheco não faça o pagamento dos valores recebidos.

Neste sentido, ainda nesta semana pretendem procurar Conselheiros do TCDF para ver se conseguem apoio da casa, quem sabe encontrando um mecanismo que apoie a criação da alternativa do pagamento direto do GDF aos veículos – caso a Agnelo Pacheco atrase ou retarde o repasse aos veículos contemplados neste repasse.

PS1: Segundo o secretário Paulo Fona, o GDF repassou R$ 10 milhões e que ainda está em aberto o montante de R$ 27 milhões que deverá ser repassado em 2018.

PS2: As agências Agnelo Pacheco, Propeg e Tempo receberam os respectivos valores na semana passada. O prazo de três dias para que a Agnelo Pacheco faça o repasse aos veículos expira hoje.

O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

Gov. Rollemberg: um doente terminal ou um demente sem igual?

Ao ser vaiado impiedosamente pelo público em um shopping aqui de Brasília por ocasião do aniversário do empreendimento, Rollemberg sentiu na cara aquilo que seus defensores tentam dourar: seu governo se encaminha para ser o mais nefasto da história de Brasília – superando todos os seus antecessores.

O que me soa patético e doentio é observar que as pessoas tentam reanimar um cadáver já putrefato, como se buscassem sinais vitais onde só o que emana é o cheiro de podre. Pesa contra Rollemberg não apenas sua decrépita figura, mas o equívoco e ações que apenas servem para ilustrar sua total inaptidão para o cargo para o qual chegou sob o guarda-chuva de um mantra e de onde sairá como o retrato mais acabado da incompetência. O mandato no Buriti desvendou aquilo que muitos já sabiam…

Irá se arrastar nos últimos meses de mandato, contando com um séquito de bajuladores a lhe dizerem que ele não é tudo isso que ele próprio deve ter consciência de ser. Sempre haverá alguém a lhe mostrar números de pesquisas – e aqui vale lembrar que o verdadeiro papel de uma pesquisa é ela revelar aquilo para o qual foi contratada.

Li, não sei quando e nem onde, que pesquisas podem ser forjadas para provar qualquer coisa – até mesmo a verdade e que o verdadeiro papel do estatístico, que é, em síntese, quem tabula os resultados de pesquisas, é torturar os números até que eles confessem. Como sou daqueles que vivem no mundo real, que usam transporte coletivo, que conversam com pessoas de diferentes grupos sociais, culturais, esportivos, religiosos e esportivos, posso dizer que as vozes do mundo real não chegam aos ouvidos moucos do governador e de seus asseclas e puxa-sacos.

Porque se tivessem ao menos um pouco de respeito pelo cidadão Rodrigo Rollemberg não o submeteriam ao opróbrio, ao vexame e a ser achincalhado publicamente – e nem permitiriam que ele se deixasse fotografar consumindo bebida alcoólica, logo ele que já tem a voz embaralhada como se estivesse o tempo todo entre uma ressaca e outra.

Fico imaginando o que será de patético este final de mandato…

Sobrecarga de trabalho no “jurídico” dos Sindicatos

Com a proximidade do dia 11, quando entra em vigor a “nova” Lei Trabalhista – com impactos ainda não mensurados na vida do trabalhador – os departamentos jurídicos dos principais sindicatos em Brasília estão trabalhando ao máximo para limpar as gavetas e dar entrada em todos os processos possíveis até sexta-feira (10).

É consenso entre dirigentes sindicais de que ficará muito mais perigoso questionar algo na Justiça do Trabalho e, com a nova regulamentação, a parte perdedora terá de arcar com as custas. Por esta ótica, algumas entidades sindicais pensam em alterar seu modo de prestar assistência jurídica aos sindicalizados – para não haver risco de condenações financeiras em caso de insucesso em alguma demanda.

Óbvio que haverá um tempo de ajustes – como se dizia lá no passado que era no sacolejar da carroça que as melancias iam se ajeitando, o mesmo acontecerá com a nova dinâmica nas relações de trabalho.

A única certeza cristalina é que a parte naturalmente mais fraca, ficou ainda mais fragilizada. E quem já era naturalmente mais forte, agora joga de mão, escolhe as cartas e se mesmo assim achar que pode perder, sempre poderá contar com a nova visão do TST, manifestada por seu presidente Ives Gandra em entrevista na Folha de São Paulo – o título por si é aterrador, ainda mais quando reflete o pensamento do presidente do TST: “É PRECISO FLEXIBILIZAR DIREITOS SOCIAIS PARA HAVER EMPREGO, DIZ  CHEFE DO TST.

O link da entrevista está AQUI.

Temer, o incansável e cotidiano cabo eleitoral de Lula para 2018

Já explicitei minha teoria da conspiração, segundo a qual Temer e Lula fizeram um bem-bolado para tirar a Dilma da Presidência – em contrapartida, Temer trataria de aprovar um pacote de maldades, muitas delas simpáticas ao mercado – com quem, cá entre nós, o PT flertou de modo desavergonhado sob o argumento da governabilidade.

E quanto mais o Temer cumpre o seu papel no script, mais trabalho a turma da Lava Jato tem para impedir que a dupla Lula e Temer vençam as eleições em 2018. Há uma parcialidade sem parcimônia entre a turma da Lava Jato, que flerta em muitos momentos com o arbítrio – certos de que a mídia continuará sendo condescendente, omissa e conivente com ilegalidades e ilicitudes. Tudo em nome de impedir que a dupla Lula e Temer concretizem o projeto que armaram.

Mas, é preciso reconhecer: Temer é imbatível na sua cotidiana ação em favor do fortalecimento da candidatura Lula.

É o aumento do combustível, do gás de cozinha, o aumento das passagens aéreas (a despeito do fim da gratuidade de bagagem despachada), reforma da Previdência, manutenção das pensões de filhas de militares, os ataques ao Fies, as ameaças ao Bolsa Família, o fim do Ciências sem Fronteiras, o sucateamento do Minha Casa, Minha Vida, a redução da importância do Enem, a ameaça de tirar o rendimento mínimo dos que chegam aos 60 anos e tantas outras medidas destrambelhadas.

As ações tresloucadas de Temer não apontam para um “palanque” em favor do Lula, mas sim uma verdadeira plataforma a catapultar o nome do ex-presidente – que, ao que tudo indica, deverá enfrentar Bolsonaro…

E talvez por medo do crescimento de Bolsonaro, Temer resolveu dar uma cartada que deve ter julgado decisiva: reduziu a projeção para o aumento do mínimo em 2018. Pouco importa que a redução da expectativa se dê em face de números e índices: importa que o governo Temer, com esta medida, mostra que não está para brincadeira. É Lula… e não quer nem saber!

Ele não para! Ele não cansa! Ele é Temer, o cabo eleitoral…

Mal tinha liberado a publicação do comentário, eis que vem mais uma ação em favor do Lula – copio e colo o texto de Marcelo Brandão, repórter da Agência Brasil:

“Uma das medidas é a alteração na contribuição previdenciária, de 11% para 14%, para servidores públicos com salários acima de R$ 5 mil. Quem ganha acima desse valor terá uma nova tributação, mas somente em referência ao valor que ultrapassar o limite estipulado. Assim, se o servidor ganha R$ 6 mil, a nova tributação incidirá apenas sobre R$ 1 mil.

Na mesma medida provisória, está previsto o adiamento do reajuste para servidores públicos em 2018. “Há uma medida que traz postergação dos reajustes previstos para 2018 para o conjunto de categorias do governo federal que são as mais bem remuneradas e que tinham anteriormente feito um acordo de reajuste por um período de quatro anos”, disse o ministro.”

Em 2018, qualquer um – menos Rollemberg

Repete-se no fim de 2017 um discurso que era recorrente em fins de 2013: qualquer um, menos Agnelo. O nome da vez, em 2017, é do senador que estava na boa vida, em 2013, sem nada fazer, sem nada de trabalho e só fazendo aquilo que mais gosta: saudar a chuva. Convencido que bastaria vendê-lo como sabão em barra de qualidade e ninguém perceberia que sua biografia era de sabão em pó de péssima qualidade – destes que nem o governo tem coragem de incluir em cestas…

Se Agnelo fez um governo marcado pelos fantasmas dos tempos de ministro dos Esportes, com uma equipe de comunicação bizarra, ineficiente e infantilizada em seu modo de trabalhar, carregando o peso das contradições e do desgaste do PT, além dele próprio carecer de ambição e gosto pelo trabalho, Rollemberg consegue ser ainda pior do que o seu antecessor.

E conversando com empresários – muitos daqueles que em 2013 diziam que “serve qualquer um, menos o Agnelo” – há uma unidade quanto ao fato de que, para o bem do DF, é preciso defenestrar Rollemberg da cadeira, para a qual foi guindado muito mais por falta de opção política do que por qualificação para o cargo.

E dentro deste cenário, há uma profusão de candidaturas – inclusive há uma tentativa de criar algum ou alguma outsider, mas até o momento são nomes caricatos que buscam ocupar o espaço vazio. Ainda que não passem de opções vazias.

Muitos destes empresários nutrem simpatia por Jofran Frejat, mas colocam um porém: Jofran é um bom nome, o problema é quem vem junto… O que os empresários temem é a volta dos tempos de extorsão e de pressão que foram marcas de ação política dos governos de Roriz e de Arruda, sem contar a proximidade de alguns nomes que causam pavor em quem desenvolve atividade produtiva.

Caso Jofran consiga se distanciar dos grupos que todos acreditam ter poder de interferir em sua ação – mais precisamente os cadáveres políticos representados por figuras como Arruda, Luis Estevão, o estigma do que ainda resta de Roriz, Fraga, Paulo Octávio, Izalci e tantas figuras que se mostram sempre à espreita por acesso ao poder – ele pode sim se viabilizar eleitoralmente, até porque não há, contra ele, nenhuma acusação.

Descolar destes cadáveres será uma tarefa delicada, porque há muitos comensais visíveis e outros tantos ocultos. Mas a sua viabilização eleitoral efetiva para 2018 passa por esta dissociação com um modo de política que se enraizou no DF há muitos anos e do qual Rollemberg não conseguiu se afastar – pelo contrário.

“Favas contadas”, Temer já comemorou a vitória em jantar com aliados

Certo de que fez o serviço da forma como o rito preconiza – pagando com o que não é seu, prometendo o que for preciso e confiando na absurda falta de pudor e de caráter da maioria dos deputados federais – o governo Temer não só tem certeza de que se safará na votação de hoje a tarde na Câmara dos Deputados, como aproveitou para jantar com os aliados ontem à noite na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Jantar e comemorar.

Já não há panelas nas janelas. Já não há histeria nas ruas. A mídia sabe que com Temer não é a mesma relação “republicana”.

Ainda que o saco de maldades esteja aberto e a corrupção e o fisiologismo continuem sendo a tônica deste presidencialismo de cooptação, o importante – na visão deles – já foi alcançado lá atrás…

Na votação, Temer deve alcançar entre 260 e 270 votos contra o prosseguimento da denúncia. Para alguns parlamentares, esta foi a última oportunidade de extorquir dinheiro do governo – talvez a conta para muitos em 2018. Resta saber se o eleitor levará isto em conta na hora de trocar o seu voto por alguma promessa…

Sobre a expressão “favas contadas”…

Há muitas explicações, copio e transcrevo:

“Esta expressão idiomática vem da forma de eleição do abade em muitos mosteiros medievais, e mesmo depois. Os monges, depois de “chamados a capítulo”, procediam à escolha do abade mediante um sistema de votação de favas brancas (a favor do nomeado) e favas pretas (contra o nomeado). No final, contavam-se as favas. Alguns autores asseveram que este costume de eleger com favas de diferentes cores remonta já à Grécia Clássica.”

Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

 

Falta d’água: assessoria de imprensa da Caesb enrola, mas não explica

Pelo telefone,. converso com a assessoria de imprensa da Caesb.

Conto o mesmo roteiro das mudanças no perfil de “retorno” para a normalidade do funcionamento.

Amparada em sua sabedoria, a pessoa que se diz assessora insiste na mesma linha, no mesmo raciocínio e nas mesmas argumentações que o pessoal terceirizado do 115 ficou perorando ao telefone, como um jogral de jardim de infância.

Apegando-se ao argumento da transparência, o que a Caesb não consegue explicar:

1 – Quando houve a instituição do racionamento de água, a “volta” da água acontecia sempre ATÉ às 8h da manhã do dia seguinte ao do “racionamento”;

2 – Nas últimas semanas, houve uma “prolatação” do horário;

3 – Na semana passada, a água voltou em torno das 13h;

4 – Nesta semana, a falta de água continua de modo geral nas áreas que ontem tiveram racionamento.

A pergunta feita e para a qual a equipe de comunicação da Caesb e o pessoal do atendimento do 115 ainda não encontraram resposta é só esta:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Diante do nervosismo da pessoa, fica claro que é uma estratégia deliberada – portanto,l obscura e sem transparência – de ir retardando a retomada do fornecimento de água de alguns dos setores , porque é de se duvidar que no caso do Plano Piloto, Sudoeste, Embaixadas, lagos Sul e Norte e outras áreas privilegiadas será adotada a mesma estratégia. L´no 115, a atendente terceirizada ainda teve uma informação complementar: a parcimônia tem o objetivo de preservar a tubulação – algo que deve ter sido deliberação das últimas semanas…

Transparência não se resume a ler ou passar uma resposta, uma ladainha já decorada em seminário interno.

Complementando: às 17h16 enfim o fornecimento efetivamente começou a ser restabelecido no Guará. Vejamos qual será a novela e quais serão as desculpas na próxima semana.

Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

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