Blog do Alfredo

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Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

Doria – deixou de ser pré-candidato para ser apenas caricato

Bem embalado, empacotado e com seus deslizes administrativos e seus pecados de lobista cuidadosamente maquiados – transformando em empresário de sucesso quem nunca nada produziu, além de viver às custas de governos – Doria não conseguiu manter-se muito tempo dentro do figurino do produto que o marketing criou.

Claro que vencer o PT hoje não chega a ser mérito de ninguém, dada a rejeição que o partido enfrenta por conta de uma reiterada campanha de desconstrução da sigla. E nem vou entrar aqui no mérito ou nos equívocos, mas diria que o PT paga mais por seus acertos do que por seus erros, ainda que entre os seus maiores erros esteja exatamente o de não ter rompido com o status quo ao vencer as eleições em 2002.

Muitas vezes eu discuti com petistas lembrando que a sigla havia vencido uma eleição, o que era bem diferente do que “ganhar” o governo. Ou seja: ao não romper, Lula e o PT pagam o preço da governabilidade – dentro daquilo que o PSDB de maneira muito lúcida chamou de “presidencialismo de cooptação”.

Doria, que vive e enriquece dos governos (inclusive do PT) desde os anos 80, foi vendido como símbolo do sucesso – um case patético, o arquétipo sonhado pelos anti-petistas: rico, sem rugas (prestes a completar 60 anos), com esposa bonita e esbanjando sucesso.

E o eleitorado paulista – que também é símbolo da decadência da aristocracia brasileira, mas ainda tenta manter o antigo ar de superioridade – comprou o candidato, como quem compra um pacote de sabão em pó.

Durante a campanha eleitoral de 2014 estive em São Paulo duas vezes – uma bem próxima às eleições (Feira da Abav de 2014, em setembro). E perguntei ao taxista que me conduzia pela via expressa, porque ele tinha dito que votaria no Doria e ele sintetizou: ele é contra o PT, logo ele que antes havia dito que tinha comprado um apartamento pelo minha Casa – Minha Vida e que a filha fazia jornalismo (eu estava com colete e máquina fotográfica) graças ao Fies.

Ou seja: alguém que tinha sido duplamente beneficiado por políticas dos governos do PT, iria votar e tinha adesivo no carro de alguém que tinha como mérito ser… contra o PT.

Foi assim que Doria, o velho sanguessuga de verbas públicas, virou o herói.

E teria, acredito, vida longa se o novo de repente não esquecesse que aquela figura que o marketing eleitoral criou deveria ser sempre aquela figura que o marketing criou. Mas o velho sanguessuga, o velho fanfarrão, não se conteve e resolveu mostrar que a ambição era muito maior do que a razão e começou a atropelar a moralidade – quando começou a conceder benefícios e contratos aos patrocinadores de “sua” entidade – a Lide, que inclusive concedeu prêmio ao Moro.

O que dizer da sua insistência em usar produtos próximos ao vencimento para transformar em ração para os pobres – tratando-os como animais? E, desmoralizado na sua proposta, eis que ele volta com a ideia de agora fazer com que os alunos da rede pública de ensino comam a ração.

É muita estupidez…

E ele que surgiu como uma possibilidade, como uma alternativa ao próprio PSDB, revelou-se incapaz de entender que tudo na vida tem um timming, que toda ação gera uma reação e que a exposição excessiva e de modo forçado acaba gerando um risco de “queimar” a figura.

E depois de surgir com uma roupagem de modernidade, a cada momento o Doria prefeito se revela mais a figura acabada daquilo que ele o Doria candidato dizia ser a negação – elitista, presunçoso, arrogante e incapaz de aceitar críticas.

Vai definhar nas pesquisas, por mais que os meios de comunicação continuem tratando ele como alguém exótico, como alguém engraçado, caricato – uma espécie de bobo da corte. Ao romper as regras de lealdade dentro do PSDB, Doria se encaminha para ser apenas um político paulistano – no que de pior isto pode representar.

O ego ainda vai enterrar o Doria

Os rompantes de Doria, que atua no cotidiano como se ainda estivesse em um talk show, servem para o aplauso dos puxa-sacos que existem (pagos com recursos públicos) para elogiar/bajular e alimentam a percepção de que é muito fácil fazer com que o showman se revele um destrambelhado. Pela incapacidade de ficar quieto, usa a boca para enterrar aquilo que os marqueteiros conseguiram criar.

Feito garoto mimado – antigamente dizia-se que era típico de guri criado pela avó – Doria não sabe conviver com a contrariedade. Comandado por um ego doentio, o episódio dos ataques preconceituosos em lugar de ser razão dele continuar se vangloriando, deveria fazer com que o prefeito procurasse acompanhamento psiquiátrico. No mínimo e com urgência.

Sem estrutura emocional para conviver com a pressão, Doria hoje é um cadáver preconceituoso – que em lugar de ser o novo que a propaganda tentou vender, é apenas o arquétipo do esclerosado que a pele lisa e sempre bem vestido tenta esconder. Lembrando Pessoa, é um cadáver adiado – cuja única razão de existir foi a percepção das equipes de marketing de que dava para vender um fusca velho como se fosse uma mercedes.

FHC paga até hoje o preço de ter chamado de vagabundo quem, mesmo com plenas condições, se aposenta antes dos 50 anos. O fruto do seu destempero está nas redes sociais e hoje serve como uma marca do pré-sexagenário Doria (completa 60 anos em dezembro): basta cutucar o vaidoso e ele se perde nas tamancas.

É de se imaginar as pérolas que a figurinha midiática geraria em caso de uma campanha presidencial, quando forem desenterrados seus atos nada republicanos quando comandou a Embratur no começo dos anos 90 (e a forma nebulosa como conseguiu sua miraculosa absolvição), os apoios financeiros sistemáticos de governos do PSDB e o fato de ter feito fortuna sem jamais ter tido qualquer atividade produtiva – apenas através do lobby que, ao menos que eu saiba, ainda não é atividade regularizada no Brasil.

Este episódio criou esta dimensão por ter sido, além de uma série de insultos grosseiros, contra alguém da sua laia – porque quando Doria atacava petistas, o Lula e era grosseiro contra as mulheres, daí estava tudo bem.

Depois desta trapalhada, talvez ele se dê conta de que tenha que virar prefeito e daí a porca definitivamente torcer o rabo: em quase 60 anos, será a primeira vez que ele efetivamente terá de trabalhar.

Lula, o último caudilho da política nacional

Tem uma música lá no RS, Trote, composição de João Pereira e Nenito Sarturi que em certo momento diz:

“Mas a vida em seu galope
Não dá alce e corcoveia
E ensina que andando a trote
A rodada é menos feia”

A despeito de uma certa dificuldade que alguns poderão ter com o desconhecimento do linguajar xucro e barbaresco da gente lá da minha terra, os versos podem ser substituídos pro algo como “apressado come cru e quente”.

Tenho tentado conversar com as pessoas, mostrando que a cegueira e o ódio com que elas tentam reinventar a realidade acaba tendo um preço muito significativo. De uns tempos para cá, basta que alguém comece a destilar impropérios contra o PT e contra os petistas e logo se forma uma platéia, mais para patuleia (não no sentido da Revolução de 1836) – aqui compreendida a pobreza mental.

Não é preciso ter conteúdo, não é preciso ter argumentos, não é preciso seguir uma linha de raciocínio, não se faz necessária uma reflexão. Lembra, em certo sentido, um bordão do começo dos anos 80 e que era mote em eleições sindicais e de entidades de classe: “Fora pelegada”.

Bastava isso para que já tivesse uma plataforma eleitoral estruturada.

O mesmo vale para obter a salivação raivosa de tantos: basta falar mal do PT – e não que o PT e os petistas não façam por onde – e há um regozijo no ar,  uma sentimento de conforto: opa… este é dos meus.

E por conta deste reducionismo intelectual e pelo abandono do processo dialético e da discussão que vá além dos estereótipos, estamos antecipando o período eleitoral de 2018. E em lugar de estarmos discutindo as propostas que os candidatos têm, estamos envoltos em um Grenal ridículo e no qual só tem um perdedor: o Brasil.

Os dois lados esperam por Moro, para decidir o que fazer em 2018. E Moro espera por um milagre de que apareçam em suas mãos mais do que evidências, convicções e vontades para que possa enfim cumprir a missão para a qual foi escalado, guindado do ostracismo de um magistrado que atuou por conveniência no episódio do Banestado e que se viu alçado a condição de justiceiro, de única alternativa para impedir a volta de Lula ao poder.

E enquanto os dois lados esperam, o que fazem?

Um lado – o PT – expõe toda sua dependência ao carisma de Lula, que serve como um pólo aglutinador de todas as forças internas do PT e de grupos (em muitos partidos) que se sentem atraídos pelo seu carisma.

Como alguém que não quer ver a realidade, o PT – ao menos para o grande público – não aceita nem ao menos pensar em Plano B. A ausência de alternativas mostra não a convicção, mas exatamente a sua fragilidade, a sua dependência pela figura central. Em um exercício de futurologia, pode-se dizer que o PT sem o Lula deixará de ser um partido nacional para ser um partido regional, onde os caciques de cada estado definirão segundo seus interesses e suas conveniências de sobrevivência (este sim o instinto mais forte do ser humano, ainda mais do político).

Em outras palavras: por não se ter renovado, por não ter apoiado a formação de novas lideranças, o PT passará a ser como o PMDB que tem um dono em cada estado e um chefe da quadrilha toda; será uma espécie de PSDB onde os mandaletes farão o serviço que os chefetes consideram indigno e que os chefes precisam que seja feito.

A bem da verdade, Lula é o último caudilho da política nacional – populista, carismático e sem posicionamento ideológico definido, com habilidade para transitar em todo o campo da centro-direita e até a centro-esquerda, sem ter, na realidade, compromisso com nenhum destes campos.

O compromisso do Lula é com o seu projeto pessoal. Como era a postura de outros caudilhos (Sarney, ACM, Bornhausen, FHC, Brizola) – para ficar apenas nos mais recentes.

Ou as pessoas já esqueceram o vai-e-vém de ACM – entre a alcunha de “Malvadeza” e “Ternura”; Sarney de decrépito e responsável pela pauperização do povo do Maranhão, até “ícone” da redemocratização.

E o outro lado – que tinha um patrimônio eleitoral de muitos milhões de votos em 2014 como trunfo, hoje tem em suas mãos algumas penas descoloridas dos embates que consomem as entranhas do ninho tucano. Vergastado pela debacle de Aécio, o PSDB nem teve tempo de comemorar a vitória de Dória e já se viu diante de outra luta fratricida, marcada de traições.

Alckmin que assitia de camarote a derrocada de Aécio, inclusive com um sentimento de pequena vingança pessoal por conta da falta de empenho de Aécio em Minas no 2º turno da eleição presidencial de 2006, quando conseguiu a primazia de diminuir a sua própria votação.

Quando Alckmin pensava estar com o caminho livre – afinal de contas Serra sofre com doenças e com denúncias – principalmente depois de fazer de uma figura velha e conhecida do submundo da política uma alternativa “nova” e elegê-lo prefeito da principal cidade do País, eis que a criatura que era bizarra, folclórica e motivo de chacota pelo modo de administrar via whatsapp, resolveu, diante da ausência de alternativas, assumir o discurso “anti-Lula” no ninho tucano – um nicho já ocupado por Bolsonaro.

E trocando bicadas, o que fica claro: é apenas uma disputa pelo poder, por voltar a ter acesso aos cofres públicos (de onde, diga-se de passagem, Doria SEMPRE buscou recursos para construir sua fortuna pessoal).

E aí está o grande problema, a razão pela qual, no meu entendimento, somos o país do futuro que nunca chega: nossa falta de memória. Nossa incapacidade de pensar com a cabeça. Somos o tempo todo induzidos a pensar com o fígado, a pensar com rancor – porque desta maneira não é necessário “refletir” sobre nada.

Esta é, na minha opinião, a razão pela qual as pessoas se sentem mimetizadas a repetir chavões contra ou a favor, sem nenhum compromisso com a realidade. Elas sabem que esta simplificação é o caminho mais fácil para o aplauso – nem que sejam aquelas palmas protocolares que se escutam ao final de velórios.

E o PSDB encontrou um nome e um baita problema

0402 - BA - Doria

Doria surge como uma alternativa com o verniz do “novo”, mas sua ligação com os cofres públicos vem do começo dos anos 90

Manhã de domingo, eis que antes mesmo do café da manhã, desanda o celular a acusar chamadas. Tenho por hábito atender, nos finais de semana, apenas ligações de números identificados, de pessoas conhecidas.

E o número que insiste é de um código 011. Uma, duas, três e quando veio a quarta ligação, resolvi atender.
– Alemão… agora nós não precisamos mais que o Moro prenda o Lula…

Pelo sotaque paulistano, arrastado e carregado de nuances de quem nasceu em Piracicaba e se orgulha até dos erros de concordância, ficou fácil saber quem estava assim todo afoito.

– Bom dia, primeiro… E nós quem, cara pálida?

A gargalhada inconfundível veio acompanhada de um regozijo que não havia nas últimas e monocórdias conversas quando ele apenas sentenciava:

– Ou o Moro prende o Lula, ou vamos morrer de fome sem o dinheiro do governo…

E a explicação eufórica, como quem estava ali pela terceira garrafa de vinho ou sexta dose de uma boa cachaça da Weber Haus, veio logo: os reiteradamente derrotados, acreditam ter encontrado um nome para se contrapor ao favorito…

Na verdade, eu já havia captado esta sensação de alívio que percebo entre os conhecidos que antes de mais nada odeiam o Lula e depois detestam o PT. Já tinha conversado com alguns tucanos que, coçando a cabeça, se mostravam ainda contrariados com o almofadinha – mas já admitindo que o “novo” que eles temiam em hipótese alguma seria Bolsonaro.

Mas era uma espécie de alivio contido e um misto de resignação e perplexidade: ele vai nos engolir, constatavam estes tucanos em conversas ao longo dos últimos 45/60 dias.

Ao se vender como um político não político – e que sempre teve dinheiro público em suas ações empresariais e carrega inclusive condenações do TCU por malversações e estrepulias quando comandou a Embratur – Dória ocupou um espaço no imaginário social que estava vazio.

Bolsonaro tentou ocupar este espaço, mas a falta de consistência de sua cruzada e o fato de ser apenas um caricato, sempre impediram que ele fosse visto pelo centro e pela direita como um nome. Na verdade, ele teve o papel de, quando toda a oposição esperava o que os jornais diriam para se manifestar, Bolsonaro ficava entupindo redes sociais com suas tresloucadas, bizarras e insanas tiradas.

Para este segmento, a aparição de Doria soa como uma espécie de oásis.

É a possibilidade de um paulista voltar ao comando do País, de onde foram ejetados pelas urnas em 2002. E, o mais importante, com a possibilidade de preservar o Moro para ações futuras – ele que foi um prestativo defensor da causa em ações como Banestado e Lava Jato.

Mas qual a capacidade de Dória sobreviver fora do aquário de super-proteção que a mídia paulista lhe concede. Como ele irá reagir quando as contestações aos factóides que ele cria forem sendo confrontados coma  realidade? Olhando de longe, Dória afz com que relembremos de César Maia – hoje engolido pela lata de lixo da história e que deve estar sobrevivendo daquilo que amealhou e não houve intenção em descobrir.

Como Doria irá reagir quando confrontado pelas ruas – e já se sabe que ele não tem muita habilidade no trato direto, sem encenação e sem roteiro.

Será o Doria uma espécie de Collor do séc. XXI?

Com as redes sociais dissecando cada momento do seu passado, dos seus contratos de publicidade, com seus débitos do IPTU, com as promessas abandonadas em seu plano de metas e tantas coisas que ainda nem se sabe… como Doria irá sobreviver?

E mais…

  1. Alguém acredita que Andrea (sim, quem manda no Aécio é a Andrea e o neto do Tancredo é reles fantoche) vai aceitar que o irmão fique fora do jogo – logo ela que tem uma imensa voracidade no manuseio de verbas publicitárias e em ameaças a jornalistas vai aceitar que o sonho de “chegar lá” se espatifou?
  2. Deixará Serra de lado o hábito de com sua troupe na PF fazer dossiês contra os inimigos e mesmo ações como foi o episódio contra a Roseana Sarney – para ficar em um só registro?
  3. Alckmin, o mentor insosso que viu a criatura engolir o criador… vai aceitar o papel de coadjuvante a ser descartado ali adiante?

São questões que irão surgir ao longo dos próximos dias – mas a verdade é que, neste momento, Doria surge como uma tábua de salvação.

Por isso a euforia do velho amigo – que foi stalinista e hoje é capaz de andar congregando na Opus Dei.

– Com o Doria, o Moro vai ficar sem o que fazer…

Sinais de desespero diante do inevitável

E as redes sociais e as bancas com revistas de ocasião voltaram a ficar “alvorotadas”, com o rancor da impotência estampado em capas sinistras, de denúncias vazias e posts carregados de ódios e mentiras – como se a realidade já não tivesse demonstrado, várias vezes, que a desconstrução da imagem de Lula no imaginário popular segue uma ótica que já se revelou incapaz de atender aos anseios que quem o odeia por saber que não consegue vencê-lo.

E não é por “falta” de força!

Diria que é por falta de capacidade e de inteligência.

Hoje, quem deveria “ajudar a matar” Lula e seu legado, funciona como ferramenta poderosa de seu fortalecimento e sua transformação em um ente “invencível”.

Observe-se a pantomima do STF, que a cada momento mais e mais confirma a observação de Lula de que se trata de uma corte acovardada. E nem digo apenas pelo episódio Moreira Franco, que é apenas patético e revelador da decadência ética daquela Casa. Falo do silêncio diante da indicação de um plagiador como Alexandre Moraes, sobre o qual recaem suspeitas inclusive de ter advogado para uma conhecida facção criminosa. Falo da militância ostensiva, partidária e rancorosa de Gilmar Mendes. E falo principalmente pelo pânico hoje instalado naquela casa por conta das ameaças e chantagens de Eduardo Cunha em revelar as supostas relações nada recomendáveis entre ministros e o suborno.

O Supremo é apenas uma ponta de um Judiciário que flerta vergonhosamente com o arbítrio, ao delegar a um Juiz que no passado foi omisso por conveniência com a corrupção – caso Banestado – a condução de um processo que deveria sim ser tocado e conduzido de modo isento. Porque eu ao menos quero muito que a mazela da corrupção seja extirpada dentre nós. Mas não chegaremos a isso seccionando intencionalmente no tempo a ação, delimitando que antes de 2003 havia honestidade e que pós 2003 instaurou-se o caos.

Convenhamos que se trata de algo estúpido, para dizer o mínimo…

As delações da Odebrecht estão servindo de argumento jurídico para pedir a extradição de um ex-presidente do Peru por atos supostamente cometidos nos anos 80 – fatos estes revelados pela Lava-Jato. Mas no Brasil, o juiz faz este corte em 2003 – para proteger a súcia que o venera, protege e incensa. E assim evita que se revele ao País o grau de degradação que as instituições vivem – e não é de hoje.

Ou pode existir algo mais perversamente patético do que as posturas que o rapazinho deslumbrado pelas luzes e apavorado pela ciência do fracasso de sua cruzada vem adotando na condução do processo?

  • ao proibir a gravação das audiências;
  • ao defender o presidente Temer;
  • ao beijar os pés e se humilhar de modo assombroso diante de FHC;
  • ao blindar as fundações de Collor, Itamar, Sarney e FHC da simples relação de todos os seus doadores.

A exemplo de tantos, recebi na sexta-feira, 17, o resultado de uma pesquisa acerca da qual não li nenhuma reflexão. Realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, tendo como universo 2.200 entrevistados em 146 municípios,  entre os dias 12 e 15 de fevereiro, buscava responder:

Em sua opinião, o Governo do Presidente Michel Temer apoia, é contra ou não apoia, nem é contra a Operação Lava Jato?

Apoia 26,4%

Não apoia, nem é contra 23,9%

É contra 44,3%

Não sabe/ não opinou 5,5%

Tem na mesma pesquisa uma outra pergunta interessante e o resultado óbvio:

Em sua opinião, a mídia e o Poder Judiciário protegem nomes do PSDB e do PMDB?

Não 33,7%

Sim 61,0%

Não sabe/ não opinou 5,3%

Esta pesquisa deve ter embasado a guinada de posição da Veja, que de repente perdeu o papel de porta-voz do grupo golpista que preferiu investir os recursos disponíveis para ter a IstoÉ como porta-voz.

Já escrevi e volto a dizer e enfatizar: os dados das pesquisas de intenção de voto para 2018 farão com que o juiz ao qual foi imposta a missão de “matar o Lula” se torne cada vez mais presunçoso, arbitrário e arrogante – inclusive desrespeitando, ignorando e atropelando ritos processuais. Ele sabe que uma parte da sociedade já está cobrando dele as luzes e os holofotes que obteve, sem ter capacidade para conquistá-las de moto próprio. E que estas cobranças aumentarão a cada nova rodada…

Moro corre contra o tempo: 2018 já chegou!

Na medida em que o próprio tempo está sendo o responsável por revelar e cristalizar, na sociedade, a percepção de que a única razão pela qual a “Lava jato” foi concebida, apoiada (inclusive de modo sub-reptício a partir de acordos ocultos com outros governos) e mantida ao longo dos anos foi de atingir Lula e que não consegue atingir seus objetivos a despeito de todo o esforço dos meios de comunicação e de todas as arbitrariedades que vêm sendo cometidas pela força tarefa, pelo MP, pelo Moro e pela PF, fica apenas uma certeza: O juiz benevolente do Banestado, o bajulador vergonhoso que se desculpou por interrogar FHC e o defensor de Temer na audiência de Cunha está, a cada dia, com menos tempo de cumprir a única razão de sua existência e de sua transformação em ícone de palestras do PSDB: prender Lula.

O tempo começa a atuar contra o Juiz que não se constrange diante de suas próprias insanidades – como se soubesse que terá de fazer cada vez mais das tripas coração para entregar aquilo que lhe foi encomendado: a cabeça do Lula.

Até agora, foram tiros e mais tiros no pé – numa sucessão patética de presepadas, transformando o judiciário numa esperança eleitoral de quem não possui nenhuma alternativa eleitoral ou política.

E a pressão sobre o magistrado das cartas marcadas aumenta a cada nova pesquisa que é divulgada e que reitera a posição de Lula – cada vez mais favorito para a disputa de 2018. Inclusive com perspectivas de vitória já no 1º turno.

Assim, depois de ser “trolado” por FHC e desmoralizado por Cunha que lhe deu preciosas lições de Direito, Moro terá de aumentar seus malabarismos para evitar o cenário que hoje é o mais palpável para as eleições que se aproximam se transforme em realidade.

Apertem os cintos que, mesmo sem o voto do povo, o governo do PSDB voltou…

0525 - Herança tucana

A cada novo dia, o cenário fica mais claro. Mesmo para aqueles que AINDA pensam que o impeachment foi apenas e tão somente uma necessidade de remover da presidência uma pessoa despreparada (e, neste caso, é!), extirpar do poder o partido que criou a corrupção no Brasil (porque antes e a partir de agora, restaura-se a probidade republicana), e proceder o resgate e a continuidade daquilo que foi aplicado nos anos 90 nos foi mandatos de FHC: arrocho salarial, inversão da prioridade saindo do social e priorizando o capital, penalizando os mais pobres, protegendo o andar de cima e liberando o orçamento para que este contemple mais quem sonega do que quem trabalha.

A tarefa de Temer – que atua como boneco de ventríloquo com cara de ratazana – será muito facilitada pelo discurso acordado entre a mídia, o Judiciário, partidos políticos, entidades empresariais, algumas centrais sindicais sem compromissos com os trabalhadores e preocupadas com a manutenção do seu quinhão financeiro e de poder: a herança maldita.

O mantra terá como linha básica de atuação ao modo dos ensinamentos de Goebbels: por conta da herança maldita; por conta do fardo dos desmandos dos (des)governos; por conta do descontrole das contas públicas causadas pelo PT; por conta do 7 a 1 da Alemanha; por conta do Dunga; por conta do rombo da Previdência (que existe, mas é superestimado); por conta…

Tudo caberá na frase a partir do argumento “POR CONTA DE”… e é um governo que tem pressa em fazer o serviço, até porque não é certo que conseguirão aprovar a cassação de Dilma ao final do processo do impeachment no Senado. O caldo entornou tanto que, antes, os usurpadores do poder concedido pelo voto a Dilma antes queriam apressar a votação do processo. Hoje, já não sabem se é melhor apressar o rito na tentativa de evitar surpresas ou protelar e dilatar ao máximo os prazos para, na eventualidade de vitória de Dilma, já terem completado o serviço que não conseguiram concluir até 31 de dezembro de 2002.

O recado foi dado e de modo bem claro: este é um governo que governa com o programa do PSDB – até porque o PMDB nunca teve competência de elaborar ou de pensar projeto algum para o País, preocupado apenas em elaborar estratégias para se locupletar com verbas públicas.

Claro que o PT e principalmente o governo de Dilma colaboraram para este estado de coisas, mas colaboraram exatamente porque mantiveram a mesma prática política – tendo apenas tentado inverter UM POUCO, um cadinho só, a ordem de prioridade dos gastos públicos, direcionando pouco mais do que migalhas para o andar de baixo, para o subterrâneo. Mas esta pequena rotação foi um ponto fora da curva que assustou aqueles que pensam, querem e precisam de um Brasil exclusivo.

Ao contrário do que pensam os “vitoriosos”, boa parcela da conta desta aventura tucana será paga por eles também – por conta do arrocho salarial, pelo fim de concursos públicos, por alterações na previdência do servidor. Claro que o estouro maior será nas costas dos pobres, dos mais humildes e da classe trabalhadora – a começar pelo fim e/ou redirecionamento de programas sociais e de transferência de renda(sob o eufemismo de auditorias e sistemáticas de avaliação e desempenho), o fim da vinculação dos investimentos em saúde e em educação com base em avanços reais.

O começo do fim daquilo que nunca deveria ter sido sequer pensado

0523 - Jucá e Temer

O episódio “Jucá” revela bem mais do que o destempero verborrágico de uma figura abjeta que ocupou o espaço político através da capacidade de sobreviver adaptando-se às conveniências. É preciso lembrar e dizer SEMPRE que o PT é parte deste esquema que busca transformar o que é público em particular ao aceitar lambuzar-se no fel de um presidencialismo gerido e comandado por ladrões.

Já disse outras vezes e vou tornar a dizer sempre que me parecer conveniente lembrar que o PT não criou a corrupção, nem a institucionalizou e nem mesmo foi pioneiro em transformar empresas públicas e a ocupação de CCs (ou sei lá qual a sigla do cargo destinado àqueles puxa-sacos que, do nada, adquirem um poder para o qual NUNCA se exigiu qualificação e/ou capacitação) em prática partidária.

O erro do PT – e aí é sim responsabilidade do Lula e do PT – foi não ter tido coragem de, com o respaldo das urnas e com a esperança de mudança, denunciar o preço da governabilidade.

O erro do PT foi achar que, ao jogar o jogo conforme as regras passadas pelo establishment, isto garantiria que ele, PT, seria aceito pelo sistema e visto como confiável.

O erro infantil do PT foi acreditar que usando os mesmos esquemas e canais de desvios de recursos públicos em contratos e de lavagem de dinheiro, isto impediria que, seletivamente, se atacasse e se acusasse apenas o PT.

Enquanto o PT não assumir estes seus erros, continuará aceitando o rótulo de “inventor” da corrupção – quando o Partido foi apenas irresponsavelmente conivente e cúmplice de esquemas que já existiam. E que continuam existindo.

A conversa de Jucá mostra que a derrubada de Dilma foi uma trama urdida entre segmentos que precisam ter um acesso mais privilegiado aos recursos públicos – quanto menso transparente, melhor. A derrubada de Dilma foi uma alternativa “simples, fácil e barata” que uma parcela significativa de membros do Judiciário, da imprensa, do Legislativo, do empresariado, do mercado financeiro e da sociedade naturalmente com viés fascista encontrou para voltar ao poder – ainda que o poder em momento algum tenha saído de suas mãos.

A derrocada de Jucá é um sinal de que dificilmente Temer conseguirá concluir a interinidade – uma vez que a falta de legitimidade do processo como um todo fica a cada dia mais escancarada.

As manifestações contra Temer se intensificam e já é sabido que o vice não possui o mesmo “estomago democrático” que a Dilma tinha e tem – de suportar a pressão, por exemplo. No linguajar do meu tempo de jovem, Temer é um banana de não aguenta pressão. Forjado mais nos conchavos do que no enfrentamento político. Mais afeito à barganha do que à discussão de ideias. Busca mais convergir para sobreviver do que sobreviver para triunfar.

A volta de Dilma pode ser importante para restabelecer a normalidade democrática, mas mergulhará o País em um clima de total passionalidade – dada a posição adotada pelo Congresso Nacional nas votações deste processo que hoje está confirmado que foi urdido e tramado na sua forma mais popular e consagrada: Golpe!

Com Temer, Brasil viverá a paz dos cemitérios

Consulting the Oracle 1884 John William Waterhouse 1849-1917 Presented by Sir Henry Tate 1894 http://www.tate.org.uk/art/work/N01541

Nos primórdios, as pessoas do povo e os mandatários recorriam aos oráculos para saber o futuro, para antever o destino e tentar fugir das armadilhas criadas pelo acaso ou, na crença de então, por desígnios de uma infinidade de deuses que viviam em conflito entre si e redundando em castigos, pragas e penas para os “mortais”.

A partir da mitologia sabe-se da existência de três destes oráculos famosos (Delfos, Zeus e Ámon). A própria Bíblia trata de oráculos em vários momentos, por vezes textualmente e em outras de modo simbológico.

Entender o que vai acontecer com a política brasileira passa por esta vontade latente de querer saber o que vem pela frente – mas já se sabe que aquilo que começa de um desvio da normalidade democrática – ou da forma irresponsável como um ex-ministro do STF reduziu a “pausa democrática” – não tem como chegar a bom termo.

Ungido a condição de presidente, Temer é, em termos reais, a própria negação daquilo que se propõe a conduzir: a pacificação. Instrumento barato e leviano para a construção do golpe, Temer será mais um joguete nas mãos dos interesses ocultos que comandaram e financiaram a cruzada moralizadora, do que chefe da Nação – visto que está destituído da legitimidade direta que apenas as urnas podem conceder e conceber através do voto.

Não se trata aqui de discutir se Dilma tinha ou não a qualificação mínima para ocupar a presidência – e estou entre aqueles que julgam que Dilma é uma desqualificada para o cargo e o PT tem imensa responsabilidade com tudo que está acontecendo neste momento, na medida em que não teve compreensão da própria incompetência de Dilma e referendou a aventura de sua reeleição. Mas a democracia não permite que a esperteza e a vilania de alguns sejam maior do que a opção da maioria – e, volto a dizer, não se discute se a opção é certa ou errada. Na democracia, o princípio básico que foi ignorado, desde outubro de 2014, foi o desrespeito pela decisão da maioria.

Claro que o presidente interino contará com o respaldo da mídia, a conivência do Judiciário e a cumplicidade de um Congresso Nacional ávido por recursos, porque muitos dos sócios da carnificina estão sem acesso aos recursos faz tempo e alguns inclusive morrendo de inanição.

Imaginar o que virá depende muito da percepção da própria realidade que vivemos, mas é certo que o Governo Temer irá pautar muito de acordo com as expectativas dos grupos que o apoiaram/financiaram e dos movimentos pautados por uma ética de ocasião e de defesa de bandeiras de proteção de seu espaço social.

Assim, ainda que não esteja definido tudo que virá, está mais do que claro que teremos:

  • os bancos – os grandes beneficiados nos 14 anos do governo do PT (Lula + Dilma) -continuarão lucrando cada vez mais;
  • arrocho salarial e perdas para os aposentados;
  • as empresas públicas serão passadas nos cobres, porque o próprio PT acabou por ajudar o discurso privatizante, envolvendo tais empresas em denúncias de negociatas e corrupção;
  • reformas na previdência, que são mais do que urgentes, pois vem sendo adiadas desde os tempos de… Sarney;
  • criminalização dos movimentos sociais;
  • profundas mudanças na CLT, com o fim de direitos e conquistas da classe trabalhadora;
  • drástica redução da fiscalização por parte do Ministério do Trabalho sobre as condições de vida dos trabalhadores em áreas rurais/fazendas;
  • alteração na lei de greve do serviço público;
  • redefinição do papel de empresas públicas como a Caixa e a própria EBC;
  • drástica redução nos programas de inserção social e de transferência de renda;
  • o abandono do Mercosul como prioridade de integração;
  • abertura do mercado consumidor brasileiro para empresas estrangeiras sem nenhuma salvaguarda às empresas nacionais – empresas aéreas é apenas o ponta-pé inicial;
  • agressivo programa de concessão de setores de infra-estrutura, priorizando o lucro dos concessionários, em detrimento da sociedade (vide diferença entre os pedágios de rodovias licitadas nos governos FHC e nos governos do PT).

Não se trata de antever o caos, mas apenas o exercício de ir juntando fragmentos e formando um mosaico que pode parecer sombrio – mas que terá como principal destinatário na hora de pagar a fatura o trabalhador, que estará em uma situação cada vez mais fragilizada.

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