Blog do Alfredo

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Agnelo Pacheco: cheiro de calote no ar

Atualizado às 12h51

Tida como uma das principais agências de publicidade do Brasil antes das denúncias de corrupção, a Agnelo Pacheco fechou as portas em Brasília e se encaminha celeremente  a deixar de existir, no seu rastro muitos pequenos empresários aqui do DF vivem a angústia e o medo de levar calote.

Ela que sempre tinha generosos contratos com a administração pública – GDF, Governo Federal e outros governos estaduais e municipais – sendo conhecida pelo retorno financeiro que dava aos entes públicos, complementando vencimentos, ajudando na manutenção de estruturas paralelas e negociando boas taxas de lucro aos seus operadores, hoje definha e deixa muita gente com a pulga atrás da orelha.

No caso da CLDF, em boa hora ela reteve os últimos pagamentos – exatamente por conta de não haver o repasse dos valores aos veículos. O GDF tem uma situação ainda mais complexa, tendo em vista que ela tinha contratos com o Governo Agnelo e manteve com o Governo Rollemberg.

Há um passivo bem expressivo do GDF com os veículos relativos aos anos de 2013 e 2014, que se encontra na rubrica “restos a pagar”. Pode-se discutir se a dívida do GDF é com a Agnelo (que serviu de intermediária) ou com os veículos (que foram contratados e prestaram os serviços ao GDF – ainda que através da Agnelo). O que o GDF não pode é querer continuar achando que a dívida é do ex-governador…

O mais estranho é que não há nenhum dispositivo nos contratos feitos entre os entes públicos e as agências para situações de insolvência destas – possibilitando o pagamento direto aos veículos e retendo os 20% que são devidos às agências.

Preocupados com o calote, veículos começam a entrar na Justiça contra a CLDF e devem começar a fazer o mesmo contra o GDF – porque são muitas as razões pelas quais o pagamento direto deve ser buscado na Justiça:

  • a Agnelo Pacheco definha;
  • o escritório em Brasília foi fechado;
  • caso o GDF repasse o dinheiro devido (hoje inscrito em restos a pagar), os veículos podem ser prejudicados;
  • as garantias bancárias expiraram.

Mesmo reconhecendo a urgência da resolução do imbróglio, a Consultoria Jurídica da CLDF se diz de mãos atadas – porque os contratos não tratam da falência da agência contratada – no que diz respeito ao pagamento direto.

No caso do GDF, o governo Rollemberg vinha dando de ombros aos restos a pagar – como se o devedor fosse o ex-governador e não o governo. Os veículos – na maioria nanos empresários – ficaram sabendo que estava sendo feito um repasse, mas continuam temendo que a Agnelo Pacheco não faça o pagamento dos valores recebidos.

Neste sentido, ainda nesta semana pretendem procurar Conselheiros do TCDF para ver se conseguem apoio da casa, quem sabe encontrando um mecanismo que apoie a criação da alternativa do pagamento direto do GDF aos veículos – caso a Agnelo Pacheco atrase ou retarde o repasse aos veículos contemplados neste repasse.

PS1: Segundo o secretário Paulo Fona, o GDF repassou R$ 10 milhões e que ainda está em aberto o montante de R$ 27 milhões que deverá ser repassado em 2018.

PS2: As agências Agnelo Pacheco, Propeg e Tempo receberam os respectivos valores na semana passada. O prazo de três dias para que a Agnelo Pacheco faça o repasse aos veículos expira hoje.

O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

Gov. Rollemberg: um doente terminal ou um demente sem igual?

Ao ser vaiado impiedosamente pelo público em um shopping aqui de Brasília por ocasião do aniversário do empreendimento, Rollemberg sentiu na cara aquilo que seus defensores tentam dourar: seu governo se encaminha para ser o mais nefasto da história de Brasília – superando todos os seus antecessores.

O que me soa patético e doentio é observar que as pessoas tentam reanimar um cadáver já putrefato, como se buscassem sinais vitais onde só o que emana é o cheiro de podre. Pesa contra Rollemberg não apenas sua decrépita figura, mas o equívoco e ações que apenas servem para ilustrar sua total inaptidão para o cargo para o qual chegou sob o guarda-chuva de um mantra e de onde sairá como o retrato mais acabado da incompetência. O mandato no Buriti desvendou aquilo que muitos já sabiam…

Irá se arrastar nos últimos meses de mandato, contando com um séquito de bajuladores a lhe dizerem que ele não é tudo isso que ele próprio deve ter consciência de ser. Sempre haverá alguém a lhe mostrar números de pesquisas – e aqui vale lembrar que o verdadeiro papel de uma pesquisa é ela revelar aquilo para o qual foi contratada.

Li, não sei quando e nem onde, que pesquisas podem ser forjadas para provar qualquer coisa – até mesmo a verdade e que o verdadeiro papel do estatístico, que é, em síntese, quem tabula os resultados de pesquisas, é torturar os números até que eles confessem. Como sou daqueles que vivem no mundo real, que usam transporte coletivo, que conversam com pessoas de diferentes grupos sociais, culturais, esportivos, religiosos e esportivos, posso dizer que as vozes do mundo real não chegam aos ouvidos moucos do governador e de seus asseclas e puxa-sacos.

Porque se tivessem ao menos um pouco de respeito pelo cidadão Rodrigo Rollemberg não o submeteriam ao opróbrio, ao vexame e a ser achincalhado publicamente – e nem permitiriam que ele se deixasse fotografar consumindo bebida alcoólica, logo ele que já tem a voz embaralhada como se estivesse o tempo todo entre uma ressaca e outra.

Fico imaginando o que será de patético este final de mandato…

Em 2018, qualquer um – menos Rollemberg

Repete-se no fim de 2017 um discurso que era recorrente em fins de 2013: qualquer um, menos Agnelo. O nome da vez, em 2017, é do senador que estava na boa vida, em 2013, sem nada fazer, sem nada de trabalho e só fazendo aquilo que mais gosta: saudar a chuva. Convencido que bastaria vendê-lo como sabão em barra de qualidade e ninguém perceberia que sua biografia era de sabão em pó de péssima qualidade – destes que nem o governo tem coragem de incluir em cestas…

Se Agnelo fez um governo marcado pelos fantasmas dos tempos de ministro dos Esportes, com uma equipe de comunicação bizarra, ineficiente e infantilizada em seu modo de trabalhar, carregando o peso das contradições e do desgaste do PT, além dele próprio carecer de ambição e gosto pelo trabalho, Rollemberg consegue ser ainda pior do que o seu antecessor.

E conversando com empresários – muitos daqueles que em 2013 diziam que “serve qualquer um, menos o Agnelo” – há uma unidade quanto ao fato de que, para o bem do DF, é preciso defenestrar Rollemberg da cadeira, para a qual foi guindado muito mais por falta de opção política do que por qualificação para o cargo.

E dentro deste cenário, há uma profusão de candidaturas – inclusive há uma tentativa de criar algum ou alguma outsider, mas até o momento são nomes caricatos que buscam ocupar o espaço vazio. Ainda que não passem de opções vazias.

Muitos destes empresários nutrem simpatia por Jofran Frejat, mas colocam um porém: Jofran é um bom nome, o problema é quem vem junto… O que os empresários temem é a volta dos tempos de extorsão e de pressão que foram marcas de ação política dos governos de Roriz e de Arruda, sem contar a proximidade de alguns nomes que causam pavor em quem desenvolve atividade produtiva.

Caso Jofran consiga se distanciar dos grupos que todos acreditam ter poder de interferir em sua ação – mais precisamente os cadáveres políticos representados por figuras como Arruda, Luis Estevão, o estigma do que ainda resta de Roriz, Fraga, Paulo Octávio, Izalci e tantas figuras que se mostram sempre à espreita por acesso ao poder – ele pode sim se viabilizar eleitoralmente, até porque não há, contra ele, nenhuma acusação.

Descolar destes cadáveres será uma tarefa delicada, porque há muitos comensais visíveis e outros tantos ocultos. Mas a sua viabilização eleitoral efetiva para 2018 passa por esta dissociação com um modo de política que se enraizou no DF há muitos anos e do qual Rollemberg não conseguiu se afastar – pelo contrário.

Falta d’água: assessoria de imprensa da Caesb enrola, mas não explica

Pelo telefone,. converso com a assessoria de imprensa da Caesb.

Conto o mesmo roteiro das mudanças no perfil de “retorno” para a normalidade do funcionamento.

Amparada em sua sabedoria, a pessoa que se diz assessora insiste na mesma linha, no mesmo raciocínio e nas mesmas argumentações que o pessoal terceirizado do 115 ficou perorando ao telefone, como um jogral de jardim de infância.

Apegando-se ao argumento da transparência, o que a Caesb não consegue explicar:

1 – Quando houve a instituição do racionamento de água, a “volta” da água acontecia sempre ATÉ às 8h da manhã do dia seguinte ao do “racionamento”;

2 – Nas últimas semanas, houve uma “prolatação” do horário;

3 – Na semana passada, a água voltou em torno das 13h;

4 – Nesta semana, a falta de água continua de modo geral nas áreas que ontem tiveram racionamento.

A pergunta feita e para a qual a equipe de comunicação da Caesb e o pessoal do atendimento do 115 ainda não encontraram resposta é só esta:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Diante do nervosismo da pessoa, fica claro que é uma estratégia deliberada – portanto,l obscura e sem transparência – de ir retardando a retomada do fornecimento de água de alguns dos setores , porque é de se duvidar que no caso do Plano Piloto, Sudoeste, Embaixadas, lagos Sul e Norte e outras áreas privilegiadas será adotada a mesma estratégia. L´no 115, a atendente terceirizada ainda teve uma informação complementar: a parcimônia tem o objetivo de preservar a tubulação – algo que deve ter sido deliberação das últimas semanas…

Transparência não se resume a ler ou passar uma resposta, uma ladainha já decorada em seminário interno.

Complementando: às 17h16 enfim o fornecimento efetivamente começou a ser restabelecido no Guará. Vejamos qual será a novela e quais serão as desculpas na próxima semana.

Em Brasília, com racionamento de 24 horas, falta de água pode chegar a três dias*

Por mais que o GDF, a Caesb e os porta-vozes oficiais digam que não, a verdade é que no DF – ao menos em algumas regiões – o racionamento de 48 horas já é uma realidade. O temor agora é uma informação que está sendo repassada de modo enviesado pela Caesb: mesmo com a escala de 24 horas, muitas localidades chegam a demorar mais de 48 horas (além do dia programado) para voltarem a “ter água”.

Como será quando estivermos no regime de 48 horas sem água?

Observe-se o caso do Guará II.

Oficialmente o racionamento na cidade foi nesta segunda, dia 23.

Até duas ou três semanas, a normalização da água acontecia no começo da manhã.

Na semana passada, a normalização aconteceu em torno do meio dia (do dia seguinte).

Já hoje, até às 14h, continua sem fornecimento de água na maior parte dos setores onde ontem estava programada a falta de água – e as pessoas começam a se dar conta de que a realidade, mais uma vez, supera a fantasia do governador que vive no mundo da lua, fazendo dança da chuva.

O quadro geral é bem mais grave do que a fantasia do governador Rollemberg comemorando a chuva em êxtase. Continua faltando água em setores do Guará I, do Guarazinho, Setor de Oficinas, Núcleo Bandeirante – entre outros.

O mais patético é a pessoa ligar para o 115 e uma funcionária terceirizada ler respostas padrão, que devem ter sido elaboradas pela assessoria de imprensa – dando mostras de descaso com o cidadão. E o mais desalentador: pelas explicações, o lógico dentro da atual realidade, é de até 72 horas sem água…

Ou seja: só para variar, o mundo real desmente o mundo paralelo no qual Rollemberg faz de conta que vive…

E só para variar, ninguém diz coisa com coisa…

* Texto atualizado às 16 h do dia 24 de outubro de 2017

GDF: falta de água, falta de vergonha, falta de planejamento

Reza a lenda que ao ser planejada, a nova Capital da República – implantada no Cerrado e historicamente com baixa incidência de chuvas – tinha previsão de uma população de 500 mil habitantes na virada do Séc. XX.

Lenda ou não, a verdade é que no meio do caminho teve a passagem de uma figura que viu na imensidão de terra a possibilidade de formar um curral eleitoral e tascou a distribuir lotes, a convidar pessoas de várias partes para virem ao Planalto Central.

E a irresponsabilidade de um governante criou uma verdadeira quadrilha que se imiscuiu na política – que tinha como objetivo incentivar invasões e assentamentos, sempre de olho nos dividendos eleitorais. Sem nenhuma preocupação se tais amontoados urbanos implicavam no assoreamento de riachos até  sua extinção e mesmo a simples “morte” de nascentes.

Vicente Pires é o retrato mais gritante desta leviandade com o meio ambiente – para a qual contribuíram, quer por incentivo, quer por omissão, todos os governos que passaram pelo DF.

A ganância por dinheiro e a busca de votos e dinheiro fácil levaram o DF a situação atual – e aqui não falo apenas de invasões de pobres, porque estes vieram na esteira de um movimento que começa bem antes que é a proliferação desordenada de “condomínios residenciais” voltados para a classe média e localizados em áreas de proteção ambiental, sem sistemas de captação e tratamento de esgotos (o que acabou comprometendo a qualidade da água até do lençol freático) e alimentadas através de poços artesianos abertos de modo indiscriminado.

O grande responsável pelo caos que hoje vivenciamos em termos de abastecimento, sempre foi e continua a ser o GDF – que ao longo do tempo e hoje sob o desmando de Rollemberg – que só tem a preocupação em fazer dinheiro. Quer vendendo lotes em áreas que deveria preservar, quer cobrando IPTU de áreas que deveria derrubar.

O peso eleitoral destes segmentos – nos condomínios de classe média uma parcela mais simpática ao PT e nos assentamentos e invasões populares mais tendentes ao assistencialismo e às práticas coronelescas – acabou unindo todos os campos políticos, não encorajando um debate sobre este tema em seu devido tempo.

Sem optar pelo viés do catastrofinismo, diria que agora é tarde – porque o simplismo das soluções do atual governador seguem dentro da sua capacidade mental de apontar sugestões e alternativas para os problemas do DF. Em sue mandato, Rollemberg não teve capacidade mental e nem qualidade política para propor nenhuma alternativa nova. O simplismo de suas ações lembra aquela imagem de como a avestruz reage a qualquer problema.

E em lugar do propagandeado choque de gestão – bordão eleitoral vazio, mas efetivo ao ponto de levar um desqualificado ao comando do Buriti – o que o povo de Brasília é um convívio cotidiano com a incompetência, o academicismo e a a piora dos serviços públicos que já eram ruins.

Não é só a falta de planejamento na questão da gestão dos recursos hídricos – afinal de contas, dinheiro não é o problema da Caesb, que paga salários de 1º mundo aos seus dirigentes – mas o mesmo vale no caso da educação, da segurança pública, do transporte coletivo e da saúde. Não há um só setor no qual a gestão de Rollemberg tenha feito alguma intervenção para “melhorar” o quadro desalentador que na verdade já vinha como um quadro continuado de desalento nos últimos governos.

O que Rollemberg conseguiu fazer – e digo da vida real, das pessoas que sofrem com a mediocridade do seu governo – foi implantar o caos em todos os segmentos, foi piorar o que já estava ruim. Há dois governos bem distintos: o ideal e perfeccionista das publicidades e blogues oficiais, onde não há problemas e tudo funciona com a precisão de um relógio eletrônico japonês original; e o real, que não é vivido nem pelo governador e seus assessores, nem pelos parlamentares que apoiam suas iniciativas (sendo regiamente recompensados com verbas, cargos e benesses), nem pelos publicitários que seguem um roteiro de mundo encantado (devem ser os mesmos roteiristas, redatores e diretores de arte que vem trabalhando ao longo dos últimos anos nas agências do DF, porque sai governo, entra governo e é sempre o mesmo padrão de “wunderbar”) e muito menos em vozes e porta-vozes que buscam defender Rollemberg mesmo do indefensável.

Não adianta negar o aumento do racionamento para dois dias, quando todos sabem que ele será inevitável se as chuvas não vierem – e quando elas chegarem iremos nos deparar com o caos de todos os anos, porque o governo de Rollemberg reage com a rapidez de uma tartaruga e age coma  celeridade de um cágado: bueiros sujos e entupidos, carros boiando nas tesourinhas da Asa Norte e pessoas surfando e outras navegando em vias alagadas no DF. Em todo o DF.

E como este é um governo errático, engolido pelo ego de um governante que é motivo de chacota e que viraliza em redes sociais em vídeos em não recomendável estado de lucidez e sobriedade, o pior ainda está por vir.

PT vai em busca do tempo perdido e lança plataforma de participação popular

Foi como nos velhos e bons tempos de sonhos e utopias.

Havia faixas nas paredes, palavras de ordem e emoção nos discursos.

Também havia venda de camisetas, botons, listas de apoio, rifas e tempo para conversas. E nada de coquetéis, ainda que sempre com vinhos de duvidosa qualidade.

Enfim, era como se o velho PT – de antes de 2002, estivesse ali, redivivo.

No lotado Teatro dos Bancários de Brasília, militantes de todas as idades – muitos antigos militantes – readquiriam uma coragem que esteve adormecida ao longo dos anos de pleno emprego. Deixaram de lado, ao menos durante as quase três horas de discursos, palmas e palavras de ordem, aquela preocupação que hoje, sabe-se, embotou o partido: o burocratismo e a sedução do poder.

O evento marcou o lançamento de “o Brasil e o DF que o povo quer”, uma plataforma aberta à participação popular e que busca reconstruir o tempo perdido pelo partido, com o afastamento das demandas e dos anseios populares.

A plataforma está disponível em www.brasilqueopovoquer.org.br e pode ser acessado por qualquer internauta – não precisando ser filiado ao Partido.

Trata-se de uma iniciativa diferenciada, uma vez que resgata a figura do cidadão como parte fundamental do processo político. Ainda que na etapa seguinte o controle das sugestões esteja na mão de “relatores”, a ideia representa um avanço porque busca mudar a visão do “fazer política”.

O próximo passo é ver como será a participação da sociedade, tão receosa de participar da ação política – um processo perigoso e que dá margem ao espontaneísmo e ao viés autoritário de algumas propostas.

Isolado, PT-DF tenta garimpar “um” candidato ao Buriti para 2018

Antes força definidora das alianças políticas no DF, o Partido dos Trabalhadores na Capital Federal se vê às voltas com um quadro inusitado: ninguém quer ser candidato ao governado local em 2018. As principais estrelas do partido, conhecidos como “capas” e que comandam tendências, desta feita estão mais preocupadas em garantir um mandato parlamentar a partir de janeiro de 2019 do que sonhar com a cadeira do Buriti.

Na busca de um nome, os petistas já procuraram José Geraldo, hoje afastado da legenda e ex-reitor da UnB. A despeito de ter se sentido lisonjeado, declinou da generosa oferta, mostrou-se disposto a colaborar com o partido na formulação de propostas, mas não quer a missão suicida.

O nome da vez é Eugênio Aragão, participou do MP, ex-ministro da Justiça de Dilma e professor titular da UnB – que parece ter o perfil talhado para este momento: é bom de palanque, tem capacidade jurídica, não foge da luta. Para alguns, pode ter pouca viabilidade eleitoral em 2018, mas com a visibilidade ocuparia o protagonismo de um espaço que hoje o partido perdeu.

A situação do PT na capital é muito delicada.

Seus aliados tradicionais e históricos hoje constroem outros caminhos – muito por conta do impasse jurídico que envolve a candidatura de Lula à presidência, porque são dois caminhos totalmente distintos. Os partidos, no entanto, costumam reclamar da ingratidão do PT em momentos pós-eleitorais, mormente nas vitórias.

O PDT, que poderia ser uma alternativa, depende da candidatura presidencial de Ciro e seu aliança com o PSB – o que sepultaria qualquer conversa local, até porque o Lupi (presidente do PDT) não brinca e não aceita deserções. O PCdoB hoje vive uma crise de identidade, tendo se transformado no mais fiel aliado de Rodrigo Maia (Dem) e aqui no DF não se sabe qual o rumo que seguirá. Cristovam, do PPS, que chegou a flertar com uma candidatura ao GDF e depois fez banners em redes sociais anunciando-se candidato à presidência da República, voltou ao seu devido tamanho político e sonha com mais um mandato de Senador – ele que nos dois anteriores, nada fez de útil ou produtivo para o DF. O chamado campo rorizista está minado de candidaturas e de candidatos a candidato, engalfinhando-se para ver quem será o nome – que, na avaliação deles, é coisa de favas contadas. Qualquer que seja o ungido em algum ritual de pajelança.

Dentro deste quadro, o PT tenta acomodar seus nomes e suas vaidades, de modo a que não fiquem sem mandato e possam pensar em fazer política mais sossegadamente no futuro. Neste momento, os projetos pessoais e as demandas urgentes da vida política não passam pelo Buriti.

Como disse um petista bem humorado, o maior risco do PT-DF é ter como único aliado em 2018 o Pros, que hoje tem o senador Hélio Gambiarra como seu “representante”.

Em 2018, qual o discurso que os candidatos ao GDF usarão para seduzir os servidores?

Depois de um governo extremamente generoso – Agnelo – os servidores públicos do GDF se depararam com a cruel realidade de um governo que resolveu tratá-los a pão e água, não apenas sem abrir negociação salarial, mesmo com  a inflação corroendo o poder de compra, bem como não pagando aqueles que já tinham sido acordados no passado.

E cabe lembrar aqui que o Rollemberg foi muito generoso com promessas, porque segundo sua ótica de quem vive no mundo da lua, o que não faltava era dinheiro para dar aumentos, mas sim um “choque de gestão”

E este será o primeiro abacaxi que o governador a ser eleito em 2018 terá pela frente: administrar o caos e fazer frente a demandas crescentes e reprimidas por melhorias salariais por parte das categorias e contemplar a sociedade em sua justa expectativa por uma melhor qualidade dos serviços.

Levando em conta de que alguns dos pré-pré-pré candidatos têm sua trajetória política apoiando fortemente o corporativismo – ao menos nos períodos pré-eleitorais – a dúvida é como irão pautar sua plataforma de governo tendo que partir do princípio de que não haverá condições de prometer loucuras como equiparar a remuneração da Polícia Civil do DF com a PF, conceder benefícios para o pessoal da PM, melhorar o salário do pessoal da saúde e dos professores.

Porque esta será a realidade a ser enfrentada, a menos que os servidores queiram ser enganados, que estejam dispostos a serem ludibriados, tapeados e tratados como otários – porque quem prometer o Eldorado, terá pouco mais a oferecer do que o inferno.

Não há nada no cenário econômico nacional no médio prazo – algo como seis ou oito anos – que indique que os governos voltarão a ter gordura financeira para conceder reajustes. A tendência é que ações como a do governador Rollemberg de atacar recursos que servem para provisionar futuras demandas com a aposentadoria dos servidores deixarão de ser esporádicas para se transformarem em rotina – enquanto houver algum caraminguado.

Porque o que a gente observa é que entra governo, sai governo e o desperdício continua sendo uma prática deplorável – a começar pela estrutura administrativa que vai sendo criada, inchada e aumentada para ir contemplando com cargos e benesses os apadrinhados políticos e também para contemplar os Deputados Distritais aliados, sempre ávidos por cargos, e que revelam um apetite descomunal.

Basta observar quantas administrações regionais existem e o quanto cada uma delas custa para o cidadão – porque muitas delas funcionam como mecanismos para obtenção de vantagens: vendem dificuldades, para justificar pequenos e cotidianos achaques.

O GDF que possui imóveis desocupados, sublocados ou simplesmente abandonados, se dá ao luxo de alugar salas e mais salas. E ninguém precisa ser vidente para saber o que há por trás dos dois casos – um levantamento revelaria quem são os proprietários de tais imóveis…

É assustador perceber que os candidatos prometem o paraíso antes das eleições e depois assumem a verdadeira faceta. E o servidor, que tem como principal preocupação a melhoria do seu salário, acaba aceitando ser tratado como otário.

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