Blog do Alfredo

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Os riscos com o desencanto e a sedução das soluções mágicas

Vivemos tempos estranhos, delicados – que se anunciam sombrios.

Escrevi reiteradas vezes que a oposição, derrotada em 2002 nas urnas (e depois em 2006, 2010 e 2014), para se manter nas proximidades do poder, usufruindo de algumas benesses, cuidando de alguns nichos que o PT deixou sob o comando de grupos do PSDB, do DEM e de outras agremiações,esta oposição abriu mão de “fazer oposição” e delegou esta tarefa para os meios de comunicação.

Como a oposição dos meios de comunicação não conseguiu impedir as derrotas da oposição, a estratégia foi atacar a política – que era o meio de atacar o PT. E ainda assim, o efeito não foi o desejado – ao menos naquele momento.

Veio então a Lava Jato, uma poderosa aliança entre a mídia e setores contrariados com a permanência do PT e de Lula no imaginário popular e seu potencial eleitoral.

Que fique bem claro: nunca escrevi e nem escreverei que a Lava Jato não é necessária.

Ela seria fundamental se tivesse compromisso – por menor que fosse – com a mudança.

Na verdade, o único compromisso da Lava Jato é atingir uma pessoa – e, volto a dizer, não estou aqui dizendo se é inocente ou culpado.

O problema é que a Lava Jato partidarizou a sua ação de modo que as denúncias contra os tucanos jamais avançam. Pior: são esquecidas. Abandonadas. Relegadas a morrerem debaixo dos tapetes…

O roteiro elaborado mostrou-se inconsistente – e acabou atingindo quem não deveria, ainda que a eles nada aconteça.

Em lugar de determinar que o PT era a causa de tudo, fixou-se na sociedade o conceito de que o PT é igual a todos. E como todas as campanhas foram estruturadas no sentido de dizer que o PT era a parte podre da política, o que temos é a destruição da política – onde todos ficaram iguais. Desgraçadamente iguais.

A mídia tentou, junto com a turma da Lava Jato, mostrar para o Brasil e para os brasileiros que a corrupção em nosso País começou no dia 1º de janeiro de 2003. Ao não conseguir concretizar sua parte no roteiro, acabaram desacreditando a política como um todo.

E o risco está no espontaneísmo, na opção por soluções mágicas – e aqui no Brasil já tivemos a experiência nefasta da passagem de Collor pela presidência.

Como ao que parece eles finalmente assumiram que a montagem saiu do controle da mídia, agora ela parte para a desconstrução de Bolsonaro – tentando repetir o que fez com Marina em 2014.

Pode ser tarde, porque o discurso de Bolsonaro mexe com muitas das principais inquietações das pessoas mais simples, humildes, das cidades do interior e do campo: segurança.

Sobrecarga de trabalho no “jurídico” dos Sindicatos

Com a proximidade do dia 11, quando entra em vigor a “nova” Lei Trabalhista – com impactos ainda não mensurados na vida do trabalhador – os departamentos jurídicos dos principais sindicatos em Brasília estão trabalhando ao máximo para limpar as gavetas e dar entrada em todos os processos possíveis até sexta-feira (10).

É consenso entre dirigentes sindicais de que ficará muito mais perigoso questionar algo na Justiça do Trabalho e, com a nova regulamentação, a parte perdedora terá de arcar com as custas. Por esta ótica, algumas entidades sindicais pensam em alterar seu modo de prestar assistência jurídica aos sindicalizados – para não haver risco de condenações financeiras em caso de insucesso em alguma demanda.

Óbvio que haverá um tempo de ajustes – como se dizia lá no passado que era no sacolejar da carroça que as melancias iam se ajeitando, o mesmo acontecerá com a nova dinâmica nas relações de trabalho.

A única certeza cristalina é que a parte naturalmente mais fraca, ficou ainda mais fragilizada. E quem já era naturalmente mais forte, agora joga de mão, escolhe as cartas e se mesmo assim achar que pode perder, sempre poderá contar com a nova visão do TST, manifestada por seu presidente Ives Gandra em entrevista na Folha de São Paulo – o título por si é aterrador, ainda mais quando reflete o pensamento do presidente do TST: “É PRECISO FLEXIBILIZAR DIREITOS SOCIAIS PARA HAVER EMPREGO, DIZ  CHEFE DO TST.

O link da entrevista está AQUI.

Temer, o incansável e cotidiano cabo eleitoral de Lula para 2018

Já explicitei minha teoria da conspiração, segundo a qual Temer e Lula fizeram um bem-bolado para tirar a Dilma da Presidência – em contrapartida, Temer trataria de aprovar um pacote de maldades, muitas delas simpáticas ao mercado – com quem, cá entre nós, o PT flertou de modo desavergonhado sob o argumento da governabilidade.

E quanto mais o Temer cumpre o seu papel no script, mais trabalho a turma da Lava Jato tem para impedir que a dupla Lula e Temer vençam as eleições em 2018. Há uma parcialidade sem parcimônia entre a turma da Lava Jato, que flerta em muitos momentos com o arbítrio – certos de que a mídia continuará sendo condescendente, omissa e conivente com ilegalidades e ilicitudes. Tudo em nome de impedir que a dupla Lula e Temer concretizem o projeto que armaram.

Mas, é preciso reconhecer: Temer é imbatível na sua cotidiana ação em favor do fortalecimento da candidatura Lula.

É o aumento do combustível, do gás de cozinha, o aumento das passagens aéreas (a despeito do fim da gratuidade de bagagem despachada), reforma da Previdência, manutenção das pensões de filhas de militares, os ataques ao Fies, as ameaças ao Bolsa Família, o fim do Ciências sem Fronteiras, o sucateamento do Minha Casa, Minha Vida, a redução da importância do Enem, a ameaça de tirar o rendimento mínimo dos que chegam aos 60 anos e tantas outras medidas destrambelhadas.

As ações tresloucadas de Temer não apontam para um “palanque” em favor do Lula, mas sim uma verdadeira plataforma a catapultar o nome do ex-presidente – que, ao que tudo indica, deverá enfrentar Bolsonaro…

E talvez por medo do crescimento de Bolsonaro, Temer resolveu dar uma cartada que deve ter julgado decisiva: reduziu a projeção para o aumento do mínimo em 2018. Pouco importa que a redução da expectativa se dê em face de números e índices: importa que o governo Temer, com esta medida, mostra que não está para brincadeira. É Lula… e não quer nem saber!

Ele não para! Ele não cansa! Ele é Temer, o cabo eleitoral…

Mal tinha liberado a publicação do comentário, eis que vem mais uma ação em favor do Lula – copio e colo o texto de Marcelo Brandão, repórter da Agência Brasil:

“Uma das medidas é a alteração na contribuição previdenciária, de 11% para 14%, para servidores públicos com salários acima de R$ 5 mil. Quem ganha acima desse valor terá uma nova tributação, mas somente em referência ao valor que ultrapassar o limite estipulado. Assim, se o servidor ganha R$ 6 mil, a nova tributação incidirá apenas sobre R$ 1 mil.

Na mesma medida provisória, está previsto o adiamento do reajuste para servidores públicos em 2018. “Há uma medida que traz postergação dos reajustes previstos para 2018 para o conjunto de categorias do governo federal que são as mais bem remuneradas e que tinham anteriormente feito um acordo de reajuste por um período de quatro anos”, disse o ministro.”

“Favas contadas”, Temer já comemorou a vitória em jantar com aliados

Certo de que fez o serviço da forma como o rito preconiza – pagando com o que não é seu, prometendo o que for preciso e confiando na absurda falta de pudor e de caráter da maioria dos deputados federais – o governo Temer não só tem certeza de que se safará na votação de hoje a tarde na Câmara dos Deputados, como aproveitou para jantar com os aliados ontem à noite na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Jantar e comemorar.

Já não há panelas nas janelas. Já não há histeria nas ruas. A mídia sabe que com Temer não é a mesma relação “republicana”.

Ainda que o saco de maldades esteja aberto e a corrupção e o fisiologismo continuem sendo a tônica deste presidencialismo de cooptação, o importante – na visão deles – já foi alcançado lá atrás…

Na votação, Temer deve alcançar entre 260 e 270 votos contra o prosseguimento da denúncia. Para alguns parlamentares, esta foi a última oportunidade de extorquir dinheiro do governo – talvez a conta para muitos em 2018. Resta saber se o eleitor levará isto em conta na hora de trocar o seu voto por alguma promessa…

Sobre a expressão “favas contadas”…

Há muitas explicações, copio e transcrevo:

“Esta expressão idiomática vem da forma de eleição do abade em muitos mosteiros medievais, e mesmo depois. Os monges, depois de “chamados a capítulo”, procediam à escolha do abade mediante um sistema de votação de favas brancas (a favor do nomeado) e favas pretas (contra o nomeado). No final, contavam-se as favas. Alguns autores asseveram que este costume de eleger com favas de diferentes cores remonta já à Grécia Clássica.”

Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

 

Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

Mesmo sem franquia de bagagem, passagens aéreas aumentam

Eu não sei se o pessoal da ANAC é só ingênuo ou só mau-caráter. Não tem como ser os dois ao mesmo tempo, porque daí é ofender aqueles que acreditam em papai noel, em livre concorrência, em transparência empresarial.

Quando soube-se que haveria uma Portaria determinando o fim da gratuidade das bagagens, houve um alarde muito grande de que isto implicaria em redução no preço das passagens – alguns mais pessimistas acreditando que elas poderiam baixar até 12% e os ilusionistas acreditavam que a queda chegaria a 20%.

É preciso ser muito estúpido para acreditar que ainda exista almoço de graça – e ninguém, mas ninguém mesmo, vai tentar ser honesto em um País onde o chefe da Nação já foi chamado de chefe de quadrilha. Por qual razão os empresários do setor aéreo haveriam de cumprir o que prometeram se a Portaria não exigiu nenhuma contrapartida?

Podem me dizer o que quiserem, mas nada tira de meu foco a interpretação mais lógica: Temer, seus ministros e asseclas trabalham diuturnamente pela volta do Lula. É o preço do gás – e o botijão de 13kg a R$ 100 até o fim do ano. É a gasolina a R$ 4,70. É a suspensão do Fies para 2018. É o aumento médio de 35,9% das passagens aéreas – sem contar as tarifas escorchantes. Este povo do Temer trabalha 24 horas por dia em favor do Lula – e depois querem que o Moro resolva a eleição!

Voltemos às passagens – e vou transcrever aqui o que o Estadão disseminou para quem contrata o seu serviço:

“Ao contrário do que se esperava quando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) permitiu que as companhias aéreas passassem a vender passagens que não dão direito a despachar bagagem, o preço das tarifas tem subido desde que as empresas começaram a adotar a prática. Entre junho e setembro, essa alta chegou a 35,9%, segundo dados da FGV. De acordo com levantamento do IBGE, entretanto, a elevação foi mais moderada, de 16,9%.”

Já a Abear – Associação Brasileira das Empresas Aéreas e responsável pelo lobby do setor, aponta que “entre junho e o início de setembro, as tarifas recuaram de 7% a 30% nas rotas domésticas das companhias que adotaram a cobrança da mala despachada (Azul, Gol e Latam)” – sem especificar metodologia, base de análise e mesmo auditoria dos dados.

A Abear, por sinal, tem se esmerado em fortalecer seu lobby no Congresso Nacional buscando evitar que os deputados votem um projeto de resolução, já aprovado pelos senadores, sustando os feitos perversos da Resolução 400 da Anac que determinou o fim da franquia de bagagem sem exigir nada das aéreas – apenas a promessa de boa vontade…

Todo mundo sonha, mas só o Aécio tem um Judiciário para chamar de “seu”

Como os julgamentos do Supremo seguem uma tendência de momento, o que a Casa decide em uma situação, perde o valor logo ali adiante – basta que os seus privilégios sofram qualquer tipo de risco. Lula já sentenciou que o País tem uma “Suprema Corte totalmente acovardada” – e isso pode ser motivo de júbilo da alguns que hoje veem seus interesses resguardados, mas é péssimo para o País, é péssimo para a sociedade e, pior ainda, péssimo para o próprio STF.

O contorcionismo vocabular da Presidente do STF ao final da sessão foi algo constrangedor, ela sabia o que tinha que fazer – mas não sabia como. Foram momentos hilariantes, onde os ministros que estavam ao seu lado tentavam ajudá-la a construir uma linha de raciocínio que justificasse o que ela própria não conseguia.

E quanto mais ela falava, mais atrapalhada ela ficava – já quase arrancando os cabelos para saber como fazer para cumprir o que tinha acordado.

Instaura-se, agora, o reinado que deve, por dever, passar a ser direito de todo cidadão: decisões judiciais só passarão a ser cumpridas se o apenado concordar com ela.

Este foi o recado direto do grande circo de hoje (dia 11) que o STF encenou – numa demonstração cabal que os interesses de grupos são maiores do que os direitos dos cidadãos. E o mais patético foi a própria Carmem Lúcia dizer que não estava dizendo o que no fundo ela precisava dizer. Porque assim tinha sido dito lá, bem atrás, numa gravação que soa como roteiro de um filme de terror.

Ora, sejamos estúpidos: se um senador da República pedindo dinheiro para alguém já não é passível de encarceramento, então que se abram todos os presídios – que se pare de gastar dinheiro com o confinamento de presos de todas as espécies.

A lição nada positiva que o Supremo deu hoje, para a sociedade, foi a de que existem várias Justiças em nosso País – dependendo das circunstâncias e dos interesses que estiverem em jogo.

Saúdo com imensa alegria esta decisão, porque ela serviu para escancarar o que muitos tolos ainda tinham como referência: temos, infelizmente, uma Corte acovardada, controlada por interesses que fogem da questão judiciária e passam por questões de afinidades ideológicas, por questões de compadrio e de escárnio.

E este é, na minha opinião, apenas o primeiro de muitos ajustes que serão adotados. Chego a temer os próximos passos, como por exemplo o fim da prisão aos condenados em 2ª instância. Porque a sinalização que o STF deu hoje para a sociedade é que o crime, quando envolve poderosos, sempre compensa.

Temer, incansável cabo eleitoral do Lula

Por mais que a turma da Lava Jato, junto com boa parte da mídia, se esmere em querer enfiar goela abaixo dos brasileiros de que evidências servem como provas, indícios são suficientes para condenação e necessidade pessoal justifique punir aqueles apontados como inimigos, a verdade que o ex-presidente Lula conta com um cabo eleitoral de primeira qualidade, que trabalha 24h por dia no único objetivo e fazer com que o ex-metalúrgico vença em 2018.

Funciona de modo cotidiano.

Não há dia no qual o Temer não faça questão de dizer ao eleitorado: olha, vocês precisam votar no Lula. O Lula é a sua única alternativa.

O caso mais aterrador é o do gás de cozinha – que não é apenas uma das principais fontes de renda do tráfico nos morros cariocas, mas serve como uma catapulta a arremessar o nome de Lula para a liderança nas pesquisas eleitorais.

Hoje, por exemplo, a Petrobras anunciou mais um pequeno reposicionamento nos preços: mais 12,9%. Com um detalhe: apenas para o gás de cozinha, vendido em botijões de até 13 quilos. Com isso, as famílias sofreram com aumento de 47,6% do gás de cozinha desde o dia 7 de junho.

É preciso realmente tirar o chapéu para o Lula: diante da teimosia de Dilma em disputar a reeleição – ela que nem deveria ter sido candidata em 2010 – ele foi fazer aliança com o Temer; instigou ele a lançar o Eduardo Cunha para a presidência; pediu para o Aécio espernear pela derrota. Porque se a Dilma ainda estivesse na presidência, Lula hoje não teria 5% dos votos – tal a quantidade de trapalhadas que já teria cometido.

Perspicaz, Lula se aliou ao Temer porque entendeu que apenas ele poderia ajudar a tirá-lo das catacumbas e do rancor ao qual estava fadado, por conta das maluquices de sua “criação”, que nunca virou criatura e se revelou um monstrengo.

É dentro deste contexto que é preciso entender as ações do Temer. Ele e seu governo – que na verdade tem a equipe econômica dos sonhos do Lula – atuam 24 horas em favor do ex-presidente. E o resultado é perceptível nas pesquisas.

Para mostrar que é mesmo leal ao Lula, Temer foi além: isentou comércio e indústria do reajuste do gás.

 

 

Lula, o espectro que atordoa almas e mentes

A cada nova pesquisa, qualquer que seja a fonte, o instituto ou a metodologia, os números indicam que, no quadro do momento, Lula não é apenas o único nome que cresce em intenções de votos, mas também apenas ele consegue reduzir os índices de rejeição a cada novo levantamento.

É algo que causa perplexidade e tem gerado uma série de análises que primam pela confissão de impotência, medo e fragilidade emocional de quem a produz. Diria que chega a ser “comovente” o esforço que as pessoas fazem para dissimular o ódio que carregam.

Dia destes, durante um chopp com amigos, disse que, na minha opinião, Lula tinha urdido o impeachment da Dilma e imposto como condição que o Temer fizesse uma série de reformas políticas, trabalhistas, ameaçasse direitos dos trabalhadores, atacasse os mais humildes com exclusões do bolsa família, impusesse cortes às universidades para assim estas passassem a ser aliadas dele (Lula). A lógica seria simples: como foi o Lula quem bancou a indicação do Michel para vice de Dilma e depois teve que aceitar o chilique da presidente que não quis abrir mão da reeleição em 2014, estaria na hora do Michel retribuir o presente que Lula estava concedendo: fazer com que alguém, sem nenhuma capacidade, sem nenhuma estrutura ética, sem nenhuma idoneidade moral, cercado de um grupo político que é formado por saqueadores de cofres públicos e larápios contumazes… enfim, fazer com que este alguém que nunca foi ninguém, virasse presidente.

E assim o Lula, matuto astuto, criado com a memória do sertão e a história de sobrevivência de tantos retirantes, transformou o Michel em seu melhor cabo eleitoral. Neste sentido, ao menos no meu imaginário, justifica-se a aparição do Lula ao lado do Renan na caravana pelo nordeste. Para mim, Lula estava agradecendo ao Renan por ter tirado a Dilma da presidência e ter atuado de forma decisiva para tirar da vida pública o Eduardo Cunha. E de lambuja, com a impeachment da Dilma, o Brasil vai se livrar de muitas nulidades – ainda que no momento continuem sugando os cofres públicos figuras como Juca, Padilha, Moreira Franco, etc.

E o Lula não só transformou o mordomo de filme de terror em seu cabo eleitoral como foi capaz de fazer com que o marido da Marcela trouxesse para alavancar o nome do Lula uma boa parte do Congresso Nacional, que enfim assumiu a sua condição de defensores de seus próprios ganhos, e uma fatia considerável do Judiciário – que, com a inépcia dos arrogantes, alimentou a imagem de vítima que o Lula sabe, como ninguém, carregar.

E é a impotência diante deste quadro que torna ainda mais patético e hilariante ler, escutar e discutir o fenômeno Lula com certas pessoas. Como estão chamando ele de todos os termos chulos, deletérios, escatológicos, humanofóbicos faz tanto tempo; estão imputando a ele e aos seus familiares a posse de tantas empresas – dia destes cheguei a escutar de um neurótico de plantão que a Globo era de um dos filhos do Lula! – parece que estão se dando conta de que todas estas diatribes vocabulares, estas incontinências histriônicas apenas ajudam a reforçar o mito Lula. O mito do nordestino cabra da peste que tem na resiliência a sua capacidade inesgotável de tirar o sono de uma parcela da população que o odeia porque pensou que apenas odiando e xingando ele, teria como se livrar dele.

Enquanto os setores que têm vertigem, cólica e urticária com a simples perspectiva do retorno do Lula não conseguirem entender o óbvio – Lula é o único candidato que sabe falar a linguagem do povo! – o nome do ex-presidente continuará a ser, neste momento, o preferido para voltar ao poder em 2019.

Sinais de desespero diante do inevitável

E as redes sociais e as bancas com revistas de ocasião voltaram a ficar “alvorotadas”, com o rancor da impotência estampado em capas sinistras, de denúncias vazias e posts carregados de ódios e mentiras – como se a realidade já não tivesse demonstrado, várias vezes, que a desconstrução da imagem de Lula no imaginário popular segue uma ótica que já se revelou incapaz de atender aos anseios que quem o odeia por saber que não consegue vencê-lo.

E não é por “falta” de força!

Diria que é por falta de capacidade e de inteligência.

Hoje, quem deveria “ajudar a matar” Lula e seu legado, funciona como ferramenta poderosa de seu fortalecimento e sua transformação em um ente “invencível”.

Observe-se a pantomima do STF, que a cada momento mais e mais confirma a observação de Lula de que se trata de uma corte acovardada. E nem digo apenas pelo episódio Moreira Franco, que é apenas patético e revelador da decadência ética daquela Casa. Falo do silêncio diante da indicação de um plagiador como Alexandre Moraes, sobre o qual recaem suspeitas inclusive de ter advogado para uma conhecida facção criminosa. Falo da militância ostensiva, partidária e rancorosa de Gilmar Mendes. E falo principalmente pelo pânico hoje instalado naquela casa por conta das ameaças e chantagens de Eduardo Cunha em revelar as supostas relações nada recomendáveis entre ministros e o suborno.

O Supremo é apenas uma ponta de um Judiciário que flerta vergonhosamente com o arbítrio, ao delegar a um Juiz que no passado foi omisso por conveniência com a corrupção – caso Banestado – a condução de um processo que deveria sim ser tocado e conduzido de modo isento. Porque eu ao menos quero muito que a mazela da corrupção seja extirpada dentre nós. Mas não chegaremos a isso seccionando intencionalmente no tempo a ação, delimitando que antes de 2003 havia honestidade e que pós 2003 instaurou-se o caos.

Convenhamos que se trata de algo estúpido, para dizer o mínimo…

As delações da Odebrecht estão servindo de argumento jurídico para pedir a extradição de um ex-presidente do Peru por atos supostamente cometidos nos anos 80 – fatos estes revelados pela Lava-Jato. Mas no Brasil, o juiz faz este corte em 2003 – para proteger a súcia que o venera, protege e incensa. E assim evita que se revele ao País o grau de degradação que as instituições vivem – e não é de hoje.

Ou pode existir algo mais perversamente patético do que as posturas que o rapazinho deslumbrado pelas luzes e apavorado pela ciência do fracasso de sua cruzada vem adotando na condução do processo?

  • ao proibir a gravação das audiências;
  • ao defender o presidente Temer;
  • ao beijar os pés e se humilhar de modo assombroso diante de FHC;
  • ao blindar as fundações de Collor, Itamar, Sarney e FHC da simples relação de todos os seus doadores.

A exemplo de tantos, recebi na sexta-feira, 17, o resultado de uma pesquisa acerca da qual não li nenhuma reflexão. Realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, tendo como universo 2.200 entrevistados em 146 municípios,  entre os dias 12 e 15 de fevereiro, buscava responder:

Em sua opinião, o Governo do Presidente Michel Temer apoia, é contra ou não apoia, nem é contra a Operação Lava Jato?

Apoia 26,4%

Não apoia, nem é contra 23,9%

É contra 44,3%

Não sabe/ não opinou 5,5%

Tem na mesma pesquisa uma outra pergunta interessante e o resultado óbvio:

Em sua opinião, a mídia e o Poder Judiciário protegem nomes do PSDB e do PMDB?

Não 33,7%

Sim 61,0%

Não sabe/ não opinou 5,3%

Esta pesquisa deve ter embasado a guinada de posição da Veja, que de repente perdeu o papel de porta-voz do grupo golpista que preferiu investir os recursos disponíveis para ter a IstoÉ como porta-voz.

Já escrevi e volto a dizer e enfatizar: os dados das pesquisas de intenção de voto para 2018 farão com que o juiz ao qual foi imposta a missão de “matar o Lula” se torne cada vez mais presunçoso, arbitrário e arrogante – inclusive desrespeitando, ignorando e atropelando ritos processuais. Ele sabe que uma parte da sociedade já está cobrando dele as luzes e os holofotes que obteve, sem ter capacidade para conquistá-las de moto próprio. E que estas cobranças aumentarão a cada nova rodada…

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