Blog do Alfredo

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O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

“Favas contadas”, Temer já comemorou a vitória em jantar com aliados

Certo de que fez o serviço da forma como o rito preconiza – pagando com o que não é seu, prometendo o que for preciso e confiando na absurda falta de pudor e de caráter da maioria dos deputados federais – o governo Temer não só tem certeza de que se safará na votação de hoje a tarde na Câmara dos Deputados, como aproveitou para jantar com os aliados ontem à noite na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Jantar e comemorar.

Já não há panelas nas janelas. Já não há histeria nas ruas. A mídia sabe que com Temer não é a mesma relação “republicana”.

Ainda que o saco de maldades esteja aberto e a corrupção e o fisiologismo continuem sendo a tônica deste presidencialismo de cooptação, o importante – na visão deles – já foi alcançado lá atrás…

Na votação, Temer deve alcançar entre 260 e 270 votos contra o prosseguimento da denúncia. Para alguns parlamentares, esta foi a última oportunidade de extorquir dinheiro do governo – talvez a conta para muitos em 2018. Resta saber se o eleitor levará isto em conta na hora de trocar o seu voto por alguma promessa…

Sobre a expressão “favas contadas”…

Há muitas explicações, copio e transcrevo:

“Esta expressão idiomática vem da forma de eleição do abade em muitos mosteiros medievais, e mesmo depois. Os monges, depois de “chamados a capítulo”, procediam à escolha do abade mediante um sistema de votação de favas brancas (a favor do nomeado) e favas pretas (contra o nomeado). No final, contavam-se as favas. Alguns autores asseveram que este costume de eleger com favas de diferentes cores remonta já à Grécia Clássica.”

Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

 

Doria – deixou de ser pré-candidato para ser apenas caricato

Bem embalado, empacotado e com seus deslizes administrativos e seus pecados de lobista cuidadosamente maquiados – transformando em empresário de sucesso quem nunca nada produziu, além de viver às custas de governos – Doria não conseguiu manter-se muito tempo dentro do figurino do produto que o marketing criou.

Claro que vencer o PT hoje não chega a ser mérito de ninguém, dada a rejeição que o partido enfrenta por conta de uma reiterada campanha de desconstrução da sigla. E nem vou entrar aqui no mérito ou nos equívocos, mas diria que o PT paga mais por seus acertos do que por seus erros, ainda que entre os seus maiores erros esteja exatamente o de não ter rompido com o status quo ao vencer as eleições em 2002.

Muitas vezes eu discuti com petistas lembrando que a sigla havia vencido uma eleição, o que era bem diferente do que “ganhar” o governo. Ou seja: ao não romper, Lula e o PT pagam o preço da governabilidade – dentro daquilo que o PSDB de maneira muito lúcida chamou de “presidencialismo de cooptação”.

Doria, que vive e enriquece dos governos (inclusive do PT) desde os anos 80, foi vendido como símbolo do sucesso – um case patético, o arquétipo sonhado pelos anti-petistas: rico, sem rugas (prestes a completar 60 anos), com esposa bonita e esbanjando sucesso.

E o eleitorado paulista – que também é símbolo da decadência da aristocracia brasileira, mas ainda tenta manter o antigo ar de superioridade – comprou o candidato, como quem compra um pacote de sabão em pó.

Durante a campanha eleitoral de 2014 estive em São Paulo duas vezes – uma bem próxima às eleições (Feira da Abav de 2014, em setembro). E perguntei ao taxista que me conduzia pela via expressa, porque ele tinha dito que votaria no Doria e ele sintetizou: ele é contra o PT, logo ele que antes havia dito que tinha comprado um apartamento pelo minha Casa – Minha Vida e que a filha fazia jornalismo (eu estava com colete e máquina fotográfica) graças ao Fies.

Ou seja: alguém que tinha sido duplamente beneficiado por políticas dos governos do PT, iria votar e tinha adesivo no carro de alguém que tinha como mérito ser… contra o PT.

Foi assim que Doria, o velho sanguessuga de verbas públicas, virou o herói.

E teria, acredito, vida longa se o novo de repente não esquecesse que aquela figura que o marketing eleitoral criou deveria ser sempre aquela figura que o marketing criou. Mas o velho sanguessuga, o velho fanfarrão, não se conteve e resolveu mostrar que a ambição era muito maior do que a razão e começou a atropelar a moralidade – quando começou a conceder benefícios e contratos aos patrocinadores de “sua” entidade – a Lide, que inclusive concedeu prêmio ao Moro.

O que dizer da sua insistência em usar produtos próximos ao vencimento para transformar em ração para os pobres – tratando-os como animais? E, desmoralizado na sua proposta, eis que ele volta com a ideia de agora fazer com que os alunos da rede pública de ensino comam a ração.

É muita estupidez…

E ele que surgiu como uma possibilidade, como uma alternativa ao próprio PSDB, revelou-se incapaz de entender que tudo na vida tem um timming, que toda ação gera uma reação e que a exposição excessiva e de modo forçado acaba gerando um risco de “queimar” a figura.

E depois de surgir com uma roupagem de modernidade, a cada momento o Doria prefeito se revela mais a figura acabada daquilo que ele o Doria candidato dizia ser a negação – elitista, presunçoso, arrogante e incapaz de aceitar críticas.

Vai definhar nas pesquisas, por mais que os meios de comunicação continuem tratando ele como alguém exótico, como alguém engraçado, caricato – uma espécie de bobo da corte. Ao romper as regras de lealdade dentro do PSDB, Doria se encaminha para ser apenas um político paulistano – no que de pior isto pode representar.

Senado ainda não definiu como salvar Aécio

Enredado em denúncias, flagrado em gravações e refém de sua própria inépcia política – depois de perder por pouco mais de 2 milhões de votos a eleição presidencial em 2014 disse que o PSDB até poderia quebrar o País, mas não deixaria a Dilma governar – o senador afastado Aécio Neves conta com a cumplicidade de uma banda bem articulada que faz de tudo para restituir o seu mandato em sessão previamente marcada para hoje em hora incerta e pouco provável.

Se forem verdadeiros os muxoxos e os cochichos, existem dois fatores que antecedem qualquer ideia de “ir pro voto” com a cabeça do neto de Tancredo:

  • a necessidade de cassar a liminar concedida por um juiz de Brasília (juiz Marcio Lima Coelho de Freitas, da Sessão Judiciária do DF) que obriga a votação aberta e nominal;
  • a espera de que o ex-militante tucano Alexandre de Moraes, transformado em ministro do STF por serviços prestados ao presidente Temer, irá negar a liminar requerida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) *.

Ou seja: a turma que hoje corre para livrar Aécio – aí incluídos Renan, Michel Temer e os articuladores políticos do Planalto – precisa do voto secreto na esperança de que alguns se arrisquem ao cadafalso para salvar o amigo e, de certa forma, se precaver, porque o futuro sempre é incerto quando o assunto se refere a ratazanas.

O que é notável no caso do senador tucano é que os próprios aliados apelam para chicanas, para questionamentos pueris de ritos processuais. Não há nenhum voz dizendo: ele não fez!

Nem ele tem a coragem de dizer que não fez, ainda que alegue que ligou para um bandido pedindo empréstimo de R$ 2 milhões.

Ninguém sabe ao certo o desfecho deste enredo no Senado.

A única certeza é que o Senado consegue se diminuir a cada dia, corroído e consumido em sua credibilidade junto à sociedade pelo escárnio com que trata a honestidade, a decência e também o pudor.

* O ministro Alexandre de Moraes (do STF) concedeu a liminar ao mandado de segurança impetrado pelo senador Randolfe e determinou que a votação seja “aberta”.

Lava Jato agoniza sem ter cumprido sua única razão de ser

Por mais que se entenda o chororô da turma da Lava jato, mas eles sempre foram reles barnabés do segundo escalão – alçados a uma condição de proeminência e destaque não pela capacidade pessoal, qualificação profissional ou idoneidade, mas pela missão a qual eles foram designados: alimentar a mídia com um noticiário tendencioso, liberando informações truncadas e transformando a palavra de criminosos em “suspeitas” – como se elas tivessem o poder legal de substituir as provas.

Escutar o chororô dos procuradores é um prêmio para quem teve que conviver com a estúpida arrogância que a plena percepção de impunidade gera em agentes públicos. Alçados a uma condição de paladinos, encheram os bolsos com palestras e diárias, tudo com a covarde omissão e conivência da mídia.

Afinal de contas, havia – e ainda há! – um objetivo central no manto de proteção: atacar o PT e impossibilitar a candidatura de Lula.

E vou deixar bem claro mais uma vez o meu posicionamento e a razão pela qual sempre considerei a Lava Jato uma farsa: a eletividade e a seletividade das ações – tanto da PF, Ministério Público e o Judiciário. Ninguém lerá um apanhado meu dizendo que o Lula é inocente, porque este não é o meu papel. Dizer se o Lula é inocente ou culpado é papel da Justiça – mas não uma Justiça que prima pela parcialidade de suas ações, de seus atos e de suas decisões.

Se o Moro, a PF e a Lava Jato até hoje foram incapazes, incompetentes, ineptos e fracassaram na única missão para a qual existiram, é hora de pensar seriamente até que ponto vale a pena continuar deixando que segmentos atuem a margem da Lei apenas para saciar o desejo de punição de grupos que os mantém, que os sustentam e que os protegem na mídia.

Negar as evidências de que há uma profunda proximidade eletiva entre Moro e os trombadinhas do PSDB é querer tapar o sol com a peneira – e as fotos com perversa intimidade, trocas de afagos e gestos de cordialidade entre um juiz e corruptos é a prova cabal de que a ação central da Lava Jato nunca foi o combate à corrupção.

Desde o seu surgimento, a Lava Jato sempre teve uma só preocupação – e foi assim no seu começo e será assim até o seu final, que a turma já pressentiu que está chegando. Está chegando e em lugar de terem a dignidade de uma postura de hombridade, disfarçam e tentam misturar alhos com bugalhos.

Lembro de uma entrevista com um dos tantos envolvidos na operação Mãos Limpas, quando ele reconheceu que aquela operação não apenas não terminou com a corrupção, mas depois de um período de êxito midiático, gerou uma reação na classe política.

É isto que estes tolos deslumbrados com os holofotes circunstanciais não querem ainda entender – e o recado do Jucá foi claro: é preciso estancar tudo isso.

A Lava Jato poderia sim ter contribuído com uma melhora do ambiente político, mas preferiu atuar de modo partidarizado, de modo seletivo – sempre com o esmero de proteger os seus. No pior sentido da história, a Lava Jato repete os erros da operação do Banestado, pelas mesmas razões: proteger determinadas figuras políticas, determinadas lideranças.

Mas a turma da Lava Jato levou seus rancores pessoais, suas frustrações e suas idiossincrasias a defender uma tese esdrúxula que o vírus da corrupção foi inculcado na política nacional pelo PT em 1º de janeiro de 2003.

E não aceitaram os depoimentos que apontavam que o PT não foi o criador da corrupção, foi apenas incapaz de romper com  a prática – repetindo o modus operandi e os próprios operadores do ancien régime. Se cabe uma acusação complementar ao PT é que o partido, seduzido pelas benesses do poder, pelos salamaleques de cortesãs não se preocupou em se blindar, acreditando na pureza de antigos bandidos, subitamente transformados em aliados preferenciais.

A Lava Jato não teve capacidade de prestar o serviço que o Brasil queria e que os brasileiros sonharam porque ela se tornou uma frente de ação política. Um braço auxiliar da oposição – incapaz de pensar uma alternativa política para o Brasil.

E a exemplo do que ocorreu na Itália, também aqui a realidade e os riscos de que o que era para atingir uns, acabou atingindo aliados (a despeito de todos os cuidados), paciência do establishment terminou e os meninos deslumbrados com os holofotes e com muita exposição na mídia estão sentindo que o brinquedinho que tinham em mãos está fugindo por entre os dedos.

A própria prisão depois de sentença em 2ª Instância foi uma concessão de risco, na expectativa de que facilitaria a prisão do Lula – uma imagem que permeia o sonhos de muitos, principalmente do povo da Lava Jato. Tentaram de tudo: condução coercitiva, definição de prazos, desrespeito ao processo legal – enfim: tudo foi feito e aceito porque era parte de um roteiro que tinha um só objetivo: enjaular o Lula.

Acontece que o trem não aconteceu no tempo combinado, por ações atabalhoadas do MP, por erro de cálculo do Lula ou, como disse um frustrado delegado da PF: por perda de timing.

E como quem está mais perto da prisão são quem antes os protegiam, incentivavam e respaldavam inclusive suas arbitrariedades, a reação está em andamento: o STF deverá reavaliar a prisão depois do julgamento em 2ª Instância.

Também há a convicção de muitos juristas e operadores do Direito de que quando estas ações hoje midiáticas chegarem ao STJ, a maioria delas deverá ser reformada, inclusive com a declaração de inocência de muitos hoje condenados por força da pressão da opinião pública por uma razão muito simples: ausência de provas.

Mas nem tudo está perdido para o pessoal da Lava Jato: eles sabem que o TRF da 4ª Região não os deixará na mão: mesmo só com evidências e sem provas, certamente terão tempo de condenar o Lula em 2ª Instância e impedir que ele concorra em 2018 – contando com uma celeridade jamais vista em termos de processos naquela Corte. Afinal de contas, eles terão de completar o serviço que o povo do MP, da PF e do Judiciário em Curitiba, a despeito de todo apoio, da imposição de instrumentos de excessão, não tiveram competência para realizar.

 

 

Todo mundo sonha, mas só o Aécio tem um Judiciário para chamar de “seu”

Como os julgamentos do Supremo seguem uma tendência de momento, o que a Casa decide em uma situação, perde o valor logo ali adiante – basta que os seus privilégios sofram qualquer tipo de risco. Lula já sentenciou que o País tem uma “Suprema Corte totalmente acovardada” – e isso pode ser motivo de júbilo da alguns que hoje veem seus interesses resguardados, mas é péssimo para o País, é péssimo para a sociedade e, pior ainda, péssimo para o próprio STF.

O contorcionismo vocabular da Presidente do STF ao final da sessão foi algo constrangedor, ela sabia o que tinha que fazer – mas não sabia como. Foram momentos hilariantes, onde os ministros que estavam ao seu lado tentavam ajudá-la a construir uma linha de raciocínio que justificasse o que ela própria não conseguia.

E quanto mais ela falava, mais atrapalhada ela ficava – já quase arrancando os cabelos para saber como fazer para cumprir o que tinha acordado.

Instaura-se, agora, o reinado que deve, por dever, passar a ser direito de todo cidadão: decisões judiciais só passarão a ser cumpridas se o apenado concordar com ela.

Este foi o recado direto do grande circo de hoje (dia 11) que o STF encenou – numa demonstração cabal que os interesses de grupos são maiores do que os direitos dos cidadãos. E o mais patético foi a própria Carmem Lúcia dizer que não estava dizendo o que no fundo ela precisava dizer. Porque assim tinha sido dito lá, bem atrás, numa gravação que soa como roteiro de um filme de terror.

Ora, sejamos estúpidos: se um senador da República pedindo dinheiro para alguém já não é passível de encarceramento, então que se abram todos os presídios – que se pare de gastar dinheiro com o confinamento de presos de todas as espécies.

A lição nada positiva que o Supremo deu hoje, para a sociedade, foi a de que existem várias Justiças em nosso País – dependendo das circunstâncias e dos interesses que estiverem em jogo.

Saúdo com imensa alegria esta decisão, porque ela serviu para escancarar o que muitos tolos ainda tinham como referência: temos, infelizmente, uma Corte acovardada, controlada por interesses que fogem da questão judiciária e passam por questões de afinidades ideológicas, por questões de compadrio e de escárnio.

E este é, na minha opinião, apenas o primeiro de muitos ajustes que serão adotados. Chego a temer os próximos passos, como por exemplo o fim da prisão aos condenados em 2ª instância. Porque a sinalização que o STF deu hoje para a sociedade é que o crime, quando envolve poderosos, sempre compensa.

Janaína, uma incompetente buscando holofotes

Alçada a uma condição de celebridade jurídica dentro de circunstâncias muito específicas, a professora Janaína Paschoal agora se julga vítima da academia, que supostamente não concorda com seus pontos de vista.

Explico-me, para quem não acompanha o noticiário: autora do estudo encomendado pelo PSDB sobre a legitimidade das chamadas “pedaladas fiscais” da ex-presidente Dilma, Janaína que leciona na Faculdade de Direito da USP dançou, de modo aplastante, na sua pretensão de virar professora titular – último degrau da carreira do magistério em instituições de ensino superior públicas.

O barraco se arrasta já faz algumas semanas e hoje voltou a ser manchete no Estadão por conta da rejeição de um de seus muitos recursos – dentro da tese do jus esperniandi, do qual ela lança mão na tentativa de reverter decisões desfavoráveis.

Eram duas vagas, quatro candidatos.

E ela ficou em quarto…

Mas, claro, que não aceitou.

Como pode a USP – que é ligada ao Governo do Estado de SP, ninho e nicho do tucanato há 16 anos – ser “petista”, perseguindo aquela que ocupou holofotes sem ter estrutura nem para brilhar à luz de um candeeiro?

Certa feita, conversando com um psiquiatra, conversei sobre as sequelas e eventuais desvios de personalidade, síndromes que poderiam sofrer as pessoas “comuns” que por “n” razões fossem alçadas a uma condição de celebridades momentâneas – dentro daquele conceito profetizado por uma frase de Andhy Warhol: “um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama”.

Como as pessoas reagem com o fim das luzes, do brilho e do espaço na mídia?

Antes do continuar com com a resposta do psiquiatra, conto a rápida história de como conheci Nilton Santos aqui em Brasília. Sócio da ABCD – Associação Brasiliense dos Cronistas Desportivos, numa das tardes que antecediam a uma partida no velho Mané Garrincha, lá fui eu para ver a questão dos coletes.

Lá chegando, estava ele – a quem conhecia de fotos, filmes e histórias. Eu o cumprimentei como cumprimento a todos: de modo efusivo. Quando já ia passando, ele alcançou meu ombro com a sua mão grande e perguntou: você sabe quem eu sou?

Respondi brincando, claro, Senhor Enciclopédia – é uma pena que não tenha jogado no Grêmio. Depois de uma risada, perguntou se eu não queria fazer uma reportagem com ele e me disse que poderia mostrar as muitas caixas com recortes. Disse que sim, que seria uma boa pauta e que poderíamos conversar sobre esta ideia, uma vez que eu também morava em Brasília.

Fiquei consternado com a situação daquele homem que já esteve nas manchetes dos principais jornais e revistas e estava ali, mendigando um pouco de atenção. Volto à conversa com o psiquiatra sobre as sequelas…

Ele falou que no mais das vezes as pessoas podem desenvolver alguma síndrome de perseguição, uma vez que não conseguem voltar a ter uma vida normal. Ligo o episódio da Janaína ao deste povo que participa dos reality shows e conseguem uma exibição pública que gera milhões de seguidores em redes sociais.  E o que fazem para se manter em evidência: contratam assessores de imprensa – e eu recebo, por conta de uma revista que edito, dezenas de eventos destas sub-celebridades em lançamento de produtos, em inauguração de boutiques, comprando produtos, exibindo o silicone ou mesmo revelando uma traição.

Não há limite nesta busca insana por “aparecer”. É como se estas pessoas tivessem medo de voltar a ser apenas… gente.

A demanda por realimentar o ego é tão grande que tenho um conhecido no Rio que tem uma profissão inusitada: ele é paparazzi de encomenda. Ou seja: ele é contratado para um flagrante armado e combinado, para uma roupa mais ousada, para uma passada de mão na bunda, para um beijo, para uma encoxada na praia, para uma saída de motel ou uns amassos em boate. E depois, ele repassa para blogueiros e jornalistas de fofocas.

Para não sair da mídia, o corpo é só uma mercadoria – seguramente a menos valiosa.

No caso da professora Janaína, está sendo muito interessante observar o quanto ela esperneia, o quanto ela se debate – porque sabe que a sobrevivência dela jamais será pautada pela gratidão de quem a quem ela serviu. Até por ter se exposto demais, não interessa a ninguém que por ventura tenha sido beneficiado por sua ação, aparecer ao seu lado.

Ou ela vai aprender a viver com o peso do anonimato ou terá de conviver com os fantasmas que hoje a vitimizam, tiranizam e escravizam emocional e mentalmente.

Temer, incansável cabo eleitoral do Lula

Por mais que a turma da Lava Jato, junto com boa parte da mídia, se esmere em querer enfiar goela abaixo dos brasileiros de que evidências servem como provas, indícios são suficientes para condenação e necessidade pessoal justifique punir aqueles apontados como inimigos, a verdade que o ex-presidente Lula conta com um cabo eleitoral de primeira qualidade, que trabalha 24h por dia no único objetivo e fazer com que o ex-metalúrgico vença em 2018.

Funciona de modo cotidiano.

Não há dia no qual o Temer não faça questão de dizer ao eleitorado: olha, vocês precisam votar no Lula. O Lula é a sua única alternativa.

O caso mais aterrador é o do gás de cozinha – que não é apenas uma das principais fontes de renda do tráfico nos morros cariocas, mas serve como uma catapulta a arremessar o nome de Lula para a liderança nas pesquisas eleitorais.

Hoje, por exemplo, a Petrobras anunciou mais um pequeno reposicionamento nos preços: mais 12,9%. Com um detalhe: apenas para o gás de cozinha, vendido em botijões de até 13 quilos. Com isso, as famílias sofreram com aumento de 47,6% do gás de cozinha desde o dia 7 de junho.

É preciso realmente tirar o chapéu para o Lula: diante da teimosia de Dilma em disputar a reeleição – ela que nem deveria ter sido candidata em 2010 – ele foi fazer aliança com o Temer; instigou ele a lançar o Eduardo Cunha para a presidência; pediu para o Aécio espernear pela derrota. Porque se a Dilma ainda estivesse na presidência, Lula hoje não teria 5% dos votos – tal a quantidade de trapalhadas que já teria cometido.

Perspicaz, Lula se aliou ao Temer porque entendeu que apenas ele poderia ajudar a tirá-lo das catacumbas e do rancor ao qual estava fadado, por conta das maluquices de sua “criação”, que nunca virou criatura e se revelou um monstrengo.

É dentro deste contexto que é preciso entender as ações do Temer. Ele e seu governo – que na verdade tem a equipe econômica dos sonhos do Lula – atuam 24 horas em favor do ex-presidente. E o resultado é perceptível nas pesquisas.

Para mostrar que é mesmo leal ao Lula, Temer foi além: isentou comércio e indústria do reajuste do gás.

 

 

Rollemberg, o medíocre com sorte. Para azar de Brasília

Entre os treinadores do futebol brasileiro, cada qual vai construindo seu pefil, sua história: Murici, o ranzinza; Tite, o padre; Joel Santana, o folclórico; Renato Gaúcho, o falastrão; Luxemburgo, o “professô dos pojetos” e assim por diante. Levir Culpi, hoje no Santos, é conhecido por ser um exímio contador de histórias.

Uma delas inclusive é o nome do seu livro (Burro com sorte), com as suas histórias ao longo de 50 anos de futebol.

Ia o ano de 1989, Levir treinava o Criciúma, perdia um clássico regional de SC contra o Joinville. Precisando de um gol, tirou o centroavante e colocou um meia.

Diante da substituição estranha, um torcedor começou a chamá-lo de “burro”.

Eis que o meia, faz o gol do empate e depois ele vai até o alambrado e procura o torcedor e quando o encontra, o torcedor sentencia: “Seu burro com sorte”.

Uso esse gancho para falar do governador do DF – um medíocre que sempre contou com a sorte – a começar pelo fato de não precisar fazer concurso para virar funcionário do Senado Federal. Valeu-se do sobrenome, valeu-se da politicagem. E, cá entre nós, nada mais torpe, vergonhoso e desabonador para alguém do que carregar a pecha de incompetente até para conseguir emprego por seus próprios méritos.

A história de Rollemberg mostra um político oportunista e sem produção legislativa. Foi secretário de turismo no governo do PT entre 1995 e 1998; deputados distrital entre 1999 e 2002, eleito com os votos do PT. Tentou um voo solo em 2002 lançando-se ao GDF e acabou em terceiro lugar. De volta aos braços do PT, assumiu a Secretaria Nacional de Inclusão Social, do Ministério da Ciência e Tecnologia – e a sua passagem é marcada por muitas denúncias. Com o uso da máquina do Governo do PT, elegeu-se deputado federal em 2006 e, só para variar, teve uma ação legislativa dentro do seu padrão.

Em 2010 elegeu-se senador – eram duas vagas – na bacia das almas e outra vez carregado eleitoralmente pelo PT. Em 4 anos no Senado, nada.

Quando assume a candidatura ao GDF em 2014, pode-se dizer que de novo seu maior cabo eleitoral foi o PT – nesse caso, o caos que foi a gestão de Agnelo, engolido pelas obras do Estádio Nacional, uma obra que é um monumento aos desperdício de dinheiro público.

E o que se observa nesses mais de mil dias de trapalhadas administrativas, de medidas tresloucadas para beneficiar financiadores de campanha e para tentar encontrar sempre algum culpado? Nada, absolutamente nada.

Nesses mais de mil dias, Rollemberg conseguiu dar razão às piores e mais nefastas perspectivas que as pessoas tinham em relação ao seu governo. Por vezes converso com seus eleitores e mesmo pessoas que financiaram sua campanha e, quando confrontados com a bizarrice deste governo, dão de ombros e assumem: o mais importante era tirar o PT.

E no lugar do prometido “Choque de gestão”, Rollemberg foi chocando as pessoas com a voracidade com que se jogou nos braços de aprisionados para buscar a governabilidade – tendo em vista que seu partido não tinha e nem tem nenhum Distrital (alguém pode dizer que isto não faz mal, afinal de contas, o DF também não tem ninguém no comando do GDF).

E a única coisa que realmente seria impossível, ele está conseguindo: a proeza de fazer um governo pior do que a trinca de incompetentes que pavimentou o seu caminho (Arruda, Rosso e Agnelo). Cá entre nós: é preciso ser muito medíocre para conseguir tal feito.

Ele que usou como bordão o “choque de gestão” para solucionar tudo, tomou um choque de realidade e se deu conta de sua própria mediocridade.

Para o azar dos moradores de Brasília…

O que é Medíocre:

Medíocre significa mediano, sofrível. É um adjetivo de dois gêneros que qualifica aquele ou aquilo que está na média entre dois termos de comparação , ou seja, que não é bom nem mau, que não é pequeno nem grande etc. Por exemplo: “Um livro medíocre”.

A expressão medíocre é usada também para fazer referência àquele ou àquilo que tem pouco merecimento, que é ordinário, insignificante. irrelevante, vulgar.

O adjetivo medíocre é normalmente utilizado para qualificar aquilo que está abaixo da média, que possui pouco valor, pouca qualidade, algo ordinário e insignificante, mas, é muitas vezes usado como um insulto, no sentido pejorativo, no intuito de agredir verbalmente.

Ser medíocre significa não ter qualidades ou habilidades suficientes para se destacar naquilo que se propõe a fazer, seja na vida pessoal ou profissional. Uma pessoa medíocre é vulgar, tem poucas qualidades, é uma pessoa pobre do ponto de vista intelectual.

Mediocridade é um substantivo feminino que nomeia o estado ou a qualidade do que é medíocre, que revela ausência de mérito, vulgaridade, indivíduo medíocre, sem talento.

Extraído de www.significados.com.br/mediocre/

Lula, o espectro que atordoa almas e mentes

A cada nova pesquisa, qualquer que seja a fonte, o instituto ou a metodologia, os números indicam que, no quadro do momento, Lula não é apenas o único nome que cresce em intenções de votos, mas também apenas ele consegue reduzir os índices de rejeição a cada novo levantamento.

É algo que causa perplexidade e tem gerado uma série de análises que primam pela confissão de impotência, medo e fragilidade emocional de quem a produz. Diria que chega a ser “comovente” o esforço que as pessoas fazem para dissimular o ódio que carregam.

Dia destes, durante um chopp com amigos, disse que, na minha opinião, Lula tinha urdido o impeachment da Dilma e imposto como condição que o Temer fizesse uma série de reformas políticas, trabalhistas, ameaçasse direitos dos trabalhadores, atacasse os mais humildes com exclusões do bolsa família, impusesse cortes às universidades para assim estas passassem a ser aliadas dele (Lula). A lógica seria simples: como foi o Lula quem bancou a indicação do Michel para vice de Dilma e depois teve que aceitar o chilique da presidente que não quis abrir mão da reeleição em 2014, estaria na hora do Michel retribuir o presente que Lula estava concedendo: fazer com que alguém, sem nenhuma capacidade, sem nenhuma estrutura ética, sem nenhuma idoneidade moral, cercado de um grupo político que é formado por saqueadores de cofres públicos e larápios contumazes… enfim, fazer com que este alguém que nunca foi ninguém, virasse presidente.

E assim o Lula, matuto astuto, criado com a memória do sertão e a história de sobrevivência de tantos retirantes, transformou o Michel em seu melhor cabo eleitoral. Neste sentido, ao menos no meu imaginário, justifica-se a aparição do Lula ao lado do Renan na caravana pelo nordeste. Para mim, Lula estava agradecendo ao Renan por ter tirado a Dilma da presidência e ter atuado de forma decisiva para tirar da vida pública o Eduardo Cunha. E de lambuja, com a impeachment da Dilma, o Brasil vai se livrar de muitas nulidades – ainda que no momento continuem sugando os cofres públicos figuras como Juca, Padilha, Moreira Franco, etc.

E o Lula não só transformou o mordomo de filme de terror em seu cabo eleitoral como foi capaz de fazer com que o marido da Marcela trouxesse para alavancar o nome do Lula uma boa parte do Congresso Nacional, que enfim assumiu a sua condição de defensores de seus próprios ganhos, e uma fatia considerável do Judiciário – que, com a inépcia dos arrogantes, alimentou a imagem de vítima que o Lula sabe, como ninguém, carregar.

E é a impotência diante deste quadro que torna ainda mais patético e hilariante ler, escutar e discutir o fenômeno Lula com certas pessoas. Como estão chamando ele de todos os termos chulos, deletérios, escatológicos, humanofóbicos faz tanto tempo; estão imputando a ele e aos seus familiares a posse de tantas empresas – dia destes cheguei a escutar de um neurótico de plantão que a Globo era de um dos filhos do Lula! – parece que estão se dando conta de que todas estas diatribes vocabulares, estas incontinências histriônicas apenas ajudam a reforçar o mito Lula. O mito do nordestino cabra da peste que tem na resiliência a sua capacidade inesgotável de tirar o sono de uma parcela da população que o odeia porque pensou que apenas odiando e xingando ele, teria como se livrar dele.

Enquanto os setores que têm vertigem, cólica e urticária com a simples perspectiva do retorno do Lula não conseguirem entender o óbvio – Lula é o único candidato que sabe falar a linguagem do povo! – o nome do ex-presidente continuará a ser, neste momento, o preferido para voltar ao poder em 2019.

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