Blog do Alfredo

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Os riscos com o desencanto e a sedução das soluções mágicas

Vivemos tempos estranhos, delicados – que se anunciam sombrios.

Escrevi reiteradas vezes que a oposição, derrotada em 2002 nas urnas (e depois em 2006, 2010 e 2014), para se manter nas proximidades do poder, usufruindo de algumas benesses, cuidando de alguns nichos que o PT deixou sob o comando de grupos do PSDB, do DEM e de outras agremiações,esta oposição abriu mão de “fazer oposição” e delegou esta tarefa para os meios de comunicação.

Como a oposição dos meios de comunicação não conseguiu impedir as derrotas da oposição, a estratégia foi atacar a política – que era o meio de atacar o PT. E ainda assim, o efeito não foi o desejado – ao menos naquele momento.

Veio então a Lava Jato, uma poderosa aliança entre a mídia e setores contrariados com a permanência do PT e de Lula no imaginário popular e seu potencial eleitoral.

Que fique bem claro: nunca escrevi e nem escreverei que a Lava Jato não é necessária.

Ela seria fundamental se tivesse compromisso – por menor que fosse – com a mudança.

Na verdade, o único compromisso da Lava Jato é atingir uma pessoa – e, volto a dizer, não estou aqui dizendo se é inocente ou culpado.

O problema é que a Lava Jato partidarizou a sua ação de modo que as denúncias contra os tucanos jamais avançam. Pior: são esquecidas. Abandonadas. Relegadas a morrerem debaixo dos tapetes…

O roteiro elaborado mostrou-se inconsistente – e acabou atingindo quem não deveria, ainda que a eles nada aconteça.

Em lugar de determinar que o PT era a causa de tudo, fixou-se na sociedade o conceito de que o PT é igual a todos. E como todas as campanhas foram estruturadas no sentido de dizer que o PT era a parte podre da política, o que temos é a destruição da política – onde todos ficaram iguais. Desgraçadamente iguais.

A mídia tentou, junto com a turma da Lava Jato, mostrar para o Brasil e para os brasileiros que a corrupção em nosso País começou no dia 1º de janeiro de 2003. Ao não conseguir concretizar sua parte no roteiro, acabaram desacreditando a política como um todo.

E o risco está no espontaneísmo, na opção por soluções mágicas – e aqui no Brasil já tivemos a experiência nefasta da passagem de Collor pela presidência.

Como ao que parece eles finalmente assumiram que a montagem saiu do controle da mídia, agora ela parte para a desconstrução de Bolsonaro – tentando repetir o que fez com Marina em 2014.

Pode ser tarde, porque o discurso de Bolsonaro mexe com muitas das principais inquietações das pessoas mais simples, humildes, das cidades do interior e do campo: segurança.

Agnelo Pacheco: cheiro de calote no ar

Atualizado às 12h51

Tida como uma das principais agências de publicidade do Brasil antes das denúncias de corrupção, a Agnelo Pacheco fechou as portas em Brasília e se encaminha celeremente  a deixar de existir, no seu rastro muitos pequenos empresários aqui do DF vivem a angústia e o medo de levar calote.

Ela que sempre tinha generosos contratos com a administração pública – GDF, Governo Federal e outros governos estaduais e municipais – sendo conhecida pelo retorno financeiro que dava aos entes públicos, complementando vencimentos, ajudando na manutenção de estruturas paralelas e negociando boas taxas de lucro aos seus operadores, hoje definha e deixa muita gente com a pulga atrás da orelha.

No caso da CLDF, em boa hora ela reteve os últimos pagamentos – exatamente por conta de não haver o repasse dos valores aos veículos. O GDF tem uma situação ainda mais complexa, tendo em vista que ela tinha contratos com o Governo Agnelo e manteve com o Governo Rollemberg.

Há um passivo bem expressivo do GDF com os veículos relativos aos anos de 2013 e 2014, que se encontra na rubrica “restos a pagar”. Pode-se discutir se a dívida do GDF é com a Agnelo (que serviu de intermediária) ou com os veículos (que foram contratados e prestaram os serviços ao GDF – ainda que através da Agnelo). O que o GDF não pode é querer continuar achando que a dívida é do ex-governador…

O mais estranho é que não há nenhum dispositivo nos contratos feitos entre os entes públicos e as agências para situações de insolvência destas – possibilitando o pagamento direto aos veículos e retendo os 20% que são devidos às agências.

Preocupados com o calote, veículos começam a entrar na Justiça contra a CLDF e devem começar a fazer o mesmo contra o GDF – porque são muitas as razões pelas quais o pagamento direto deve ser buscado na Justiça:

  • a Agnelo Pacheco definha;
  • o escritório em Brasília foi fechado;
  • caso o GDF repasse o dinheiro devido (hoje inscrito em restos a pagar), os veículos podem ser prejudicados;
  • as garantias bancárias expiraram.

Mesmo reconhecendo a urgência da resolução do imbróglio, a Consultoria Jurídica da CLDF se diz de mãos atadas – porque os contratos não tratam da falência da agência contratada – no que diz respeito ao pagamento direto.

No caso do GDF, o governo Rollemberg vinha dando de ombros aos restos a pagar – como se o devedor fosse o ex-governador e não o governo. Os veículos – na maioria nanos empresários – ficaram sabendo que estava sendo feito um repasse, mas continuam temendo que a Agnelo Pacheco não faça o pagamento dos valores recebidos.

Neste sentido, ainda nesta semana pretendem procurar Conselheiros do TCDF para ver se conseguem apoio da casa, quem sabe encontrando um mecanismo que apoie a criação da alternativa do pagamento direto do GDF aos veículos – caso a Agnelo Pacheco atrase ou retarde o repasse aos veículos contemplados neste repasse.

PS1: Segundo o secretário Paulo Fona, o GDF repassou R$ 10 milhões e que ainda está em aberto o montante de R$ 27 milhões que deverá ser repassado em 2018.

PS2: As agências Agnelo Pacheco, Propeg e Tempo receberam os respectivos valores na semana passada. O prazo de três dias para que a Agnelo Pacheco faça o repasse aos veículos expira hoje.

A lambança da Dona Carmen Lúcia manda lembranças

Ao desempatar a acirrada votação no STF em 11 de outubro, delegando ao Congresso nacional o aceite, o aval, para o afastamento de deputados e senadores de seus mandatos por ordem da Corte, a ministra Carmem Lúcia tentou dar ares de magistrada a sua tresloucada intervenção, em um voto que foi mais bizarro e vergonhoso do que ridículo e patético – propriamente dito. Vale lembrar que ela, apatetada, tentou dizer que não estava dizendo o que de fato estava dizendo.

Todo mundo sabia que o precedente daquela decisão da Justiça funcionaria como um salvo conduto a ser utilizado pro Câmaras de Vereadores e por Assembleias Legislativas. O mais avassalador de tudo é que ela não aceitou rever a própria porcaria que fez e agora, virou norma: a Justiça prende poderosos com mandato e o Plenário da “casa” a qual pertencem, solta.

Seria bom a Carmem Lúcia ao menos dizer: desculpem-me pela cagada, mas eu tinha que liberar o Aécio…

Senado ainda não definiu como salvar Aécio

Enredado em denúncias, flagrado em gravações e refém de sua própria inépcia política – depois de perder por pouco mais de 2 milhões de votos a eleição presidencial em 2014 disse que o PSDB até poderia quebrar o País, mas não deixaria a Dilma governar – o senador afastado Aécio Neves conta com a cumplicidade de uma banda bem articulada que faz de tudo para restituir o seu mandato em sessão previamente marcada para hoje em hora incerta e pouco provável.

Se forem verdadeiros os muxoxos e os cochichos, existem dois fatores que antecedem qualquer ideia de “ir pro voto” com a cabeça do neto de Tancredo:

  • a necessidade de cassar a liminar concedida por um juiz de Brasília (juiz Marcio Lima Coelho de Freitas, da Sessão Judiciária do DF) que obriga a votação aberta e nominal;
  • a espera de que o ex-militante tucano Alexandre de Moraes, transformado em ministro do STF por serviços prestados ao presidente Temer, irá negar a liminar requerida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) *.

Ou seja: a turma que hoje corre para livrar Aécio – aí incluídos Renan, Michel Temer e os articuladores políticos do Planalto – precisa do voto secreto na esperança de que alguns se arrisquem ao cadafalso para salvar o amigo e, de certa forma, se precaver, porque o futuro sempre é incerto quando o assunto se refere a ratazanas.

O que é notável no caso do senador tucano é que os próprios aliados apelam para chicanas, para questionamentos pueris de ritos processuais. Não há nenhum voz dizendo: ele não fez!

Nem ele tem a coragem de dizer que não fez, ainda que alegue que ligou para um bandido pedindo empréstimo de R$ 2 milhões.

Ninguém sabe ao certo o desfecho deste enredo no Senado.

A única certeza é que o Senado consegue se diminuir a cada dia, corroído e consumido em sua credibilidade junto à sociedade pelo escárnio com que trata a honestidade, a decência e também o pudor.

* O ministro Alexandre de Moraes (do STF) concedeu a liminar ao mandado de segurança impetrado pelo senador Randolfe e determinou que a votação seja “aberta”.

Aécio conta com a fengofobia dos seus pares para se salvar

Terça-feira, 17 de outubro.

O dia ainda está longe, mas os temores já são bem presentes e perceptíveis na movimentação de advogados, em liminares, nas articulações, nas promessas, no envolvimento direto do Governo Temer na tentativa de salvar seu principal aliado dentro do PSDB. A semana de Temer, por sinal, será marcada por grandes emoções – até pela divulgação cotidiana dos vídeos com a delação do Funaro.

Neste dia, em hora incerta e improvável, o plenário do Senado terá de julgar se aceita ou não as medidas cautelares impostas pela 1ª Turma do STF ao senador Aécio Neves – inclusive o afastamento do mandato.

Claro que os senadores gostariam mais de continuar na posição de vítimas do Supremo, mas neste jogo de empurra no qual se transformou a política nacional. Ainda que seja certo que o voto da ministra Carmem Lúcia fará parte do anedotário nacional – ela votou não querendo votar e votando querendo dizer que não votava o que estava votando e depois acabou confrontada com a bizarrice do próprio voto – ela ficou com o estigma de indecisa que decidiu uma coisa jurando que tinha decidido a outra, mas passou a batata quente para o Senado Federal.

Dentro do cenário do faz de conta, o ideal para Aécio é que a votação seja secreta – porque daí é possível barganhar apoios. O anonimato protege os corvos, os abutres e as ratazanas.

Existem pessoas, animais e mesmo plantas que sofrem de Fengofobia – que é o medo mórbido da claridade, aqui, no sentido figurado, entendido como o pavor que alguns tem pela transparência. E é com estes que o Aécio conta para se safar da votação no Senado.

Aécio e os seus lutarão até o fim pelo direito de que a votação seja secreta, mas a guerra de liminares será intensa – até porque faltando menos de uma ano para renovação de 2/3 do Senado, ninguém vai querer ser colocado como defensor de alguém que foi flagrado pedindo míseros R$ 2 milhões para um empresário – porque não é apenas o valor em si, não são apenas as filmagens em si, não são apenas as gravações, mas principalmente os termos usados e o modus operandi definido (tem que ser um que a gente mata).

Algumas bancadas já definiram publicamente suas posições, mas apenas o voto aberto e sem subterfúgio, servirá para mostrar como votaram os senadores. O voto aberto é uma forma de pressão e de vigilância que a sociedade tem para se proteger das traições que o anonimato propicia.

No momento, a votação terá de ser nominal e aberta, mas claro que esta liminar será derrubada – se o próprio Supremo se curvou ao poder do senador, imagina a pressão sobre juízes e desembargadores…

Lula, o espectro que atordoa almas e mentes

A cada nova pesquisa, qualquer que seja a fonte, o instituto ou a metodologia, os números indicam que, no quadro do momento, Lula não é apenas o único nome que cresce em intenções de votos, mas também apenas ele consegue reduzir os índices de rejeição a cada novo levantamento.

É algo que causa perplexidade e tem gerado uma série de análises que primam pela confissão de impotência, medo e fragilidade emocional de quem a produz. Diria que chega a ser “comovente” o esforço que as pessoas fazem para dissimular o ódio que carregam.

Dia destes, durante um chopp com amigos, disse que, na minha opinião, Lula tinha urdido o impeachment da Dilma e imposto como condição que o Temer fizesse uma série de reformas políticas, trabalhistas, ameaçasse direitos dos trabalhadores, atacasse os mais humildes com exclusões do bolsa família, impusesse cortes às universidades para assim estas passassem a ser aliadas dele (Lula). A lógica seria simples: como foi o Lula quem bancou a indicação do Michel para vice de Dilma e depois teve que aceitar o chilique da presidente que não quis abrir mão da reeleição em 2014, estaria na hora do Michel retribuir o presente que Lula estava concedendo: fazer com que alguém, sem nenhuma capacidade, sem nenhuma estrutura ética, sem nenhuma idoneidade moral, cercado de um grupo político que é formado por saqueadores de cofres públicos e larápios contumazes… enfim, fazer com que este alguém que nunca foi ninguém, virasse presidente.

E assim o Lula, matuto astuto, criado com a memória do sertão e a história de sobrevivência de tantos retirantes, transformou o Michel em seu melhor cabo eleitoral. Neste sentido, ao menos no meu imaginário, justifica-se a aparição do Lula ao lado do Renan na caravana pelo nordeste. Para mim, Lula estava agradecendo ao Renan por ter tirado a Dilma da presidência e ter atuado de forma decisiva para tirar da vida pública o Eduardo Cunha. E de lambuja, com a impeachment da Dilma, o Brasil vai se livrar de muitas nulidades – ainda que no momento continuem sugando os cofres públicos figuras como Juca, Padilha, Moreira Franco, etc.

E o Lula não só transformou o mordomo de filme de terror em seu cabo eleitoral como foi capaz de fazer com que o marido da Marcela trouxesse para alavancar o nome do Lula uma boa parte do Congresso Nacional, que enfim assumiu a sua condição de defensores de seus próprios ganhos, e uma fatia considerável do Judiciário – que, com a inépcia dos arrogantes, alimentou a imagem de vítima que o Lula sabe, como ninguém, carregar.

E é a impotência diante deste quadro que torna ainda mais patético e hilariante ler, escutar e discutir o fenômeno Lula com certas pessoas. Como estão chamando ele de todos os termos chulos, deletérios, escatológicos, humanofóbicos faz tanto tempo; estão imputando a ele e aos seus familiares a posse de tantas empresas – dia destes cheguei a escutar de um neurótico de plantão que a Globo era de um dos filhos do Lula! – parece que estão se dando conta de que todas estas diatribes vocabulares, estas incontinências histriônicas apenas ajudam a reforçar o mito Lula. O mito do nordestino cabra da peste que tem na resiliência a sua capacidade inesgotável de tirar o sono de uma parcela da população que o odeia porque pensou que apenas odiando e xingando ele, teria como se livrar dele.

Enquanto os setores que têm vertigem, cólica e urticária com a simples perspectiva do retorno do Lula não conseguirem entender o óbvio – Lula é o único candidato que sabe falar a linguagem do povo! – o nome do ex-presidente continuará a ser, neste momento, o preferido para voltar ao poder em 2019.

A imprensa brasileira virou “justiceira”

A imprensa brasileira – e aqui sou obrigado a generalizar todos os meios, todos os veículos, todas as plataformas e a quase totalidade dos profissionais – tem se transformado em um ente assassino. Com sua postura de “sentenciador”, deixando em plano muito secundário o papel de informar, a comunicação em nosso País se transformou em instrumento de condenação social e execração pública, antes mesmo de qualquer posicionamento do Judiciário.

Na pressa por “informar”, pouco está se lixando se na verdade apenas desinforma pela manipulação, pela omissão e por conveniências inconfessáveis. Claro que ela não faz isso de modo aleatório, inconsequente ou ingênuo.

Faz com o apoio da estrutura policialesca que temos em nosso País. E por policialesco não me refiro apenas à polícia em si, mas as hordas ideológicas do politicamente correto que se abrigam nos meios e buscam, nas redes sociais, o eco que precisam para justificar a banalização dos justiçamentos.

Há uma espetacularização sádica, expondo vidas ao escárnio de pessoas ávidas para extravasarem seus piores sentimentos, suas mais pérfidas necessidades de humilhar o semelhante. E a imprensa, desde o avento dos programas policiais popularescos, sente um prazer mórbido de apontar o dedo para os outros, sentenciando-os.

A suspeita vira condenação em manchetes e chamadas bombásticas, mas uma vez revelado o equívoco, a retratação é num canto de página, sem mea-culpa e muito longe de concessão do mesmo espaço e o mesmo ataque.

Na verdade, as retratações só advém depois de longas batalhas judiciais – e neste aspecto, nada supera a cara de perfeito idiota do Cid Moreira sendo obrigado a ler a nota do Leonel Brizola. Logo o Cid…

Vivemos o tempo onde os estereótipos valem mais do que a essência.

A cada dia se torna mais atual e reveladora, em sua denúncia, a teoria da Espiral do Silêncio, proposta pela alemã Elisabeth Noelle-Neumann, em 1977. Em síntese, pode-se dizer (de modo elementar) que há uma tendência “natural” de as pessoas omitirem sua opinião, pontos de vista e até mesmo crenças, devido ao medo do isolamento, da crítica, do linchamento moral. É o embrião do maldito “politicamente correto”. E hoje esta “maioria” é aquela encastelada nos meios de comunicação, que nem sempre representam a maior parte da sociedade. São, na verdade, aqueles que conseguem criar uma aura de legitimidade pelo acesso a estes mecanismos de pressão de massa.

Este é um tempo complexo, mas a preocupação com o aceite social faz muito tempo que gera preocupação dos filósofos e pensadores. O próprio Aristóteles sugere “que a sociabilidade é uma propriedade essencial do homem, de forma que precisa de vínculos sociais para satisfazer suas necessidades e consequentemente, teme o isolamento”.

Quantos mortos a imprensa terá de carregar até entender que ser instrumento do sadismo coletivo, prestar-se ao papel de justiceiro de éticos de plantão ou libertários revoltados com suas próprias neuroses, pode satisfazer instintos bestiais que muitos carregam – mas definitivamente não tem NADA de comunicação.

Sinais de desespero diante do inevitável

E as redes sociais e as bancas com revistas de ocasião voltaram a ficar “alvorotadas”, com o rancor da impotência estampado em capas sinistras, de denúncias vazias e posts carregados de ódios e mentiras – como se a realidade já não tivesse demonstrado, várias vezes, que a desconstrução da imagem de Lula no imaginário popular segue uma ótica que já se revelou incapaz de atender aos anseios que quem o odeia por saber que não consegue vencê-lo.

E não é por “falta” de força!

Diria que é por falta de capacidade e de inteligência.

Hoje, quem deveria “ajudar a matar” Lula e seu legado, funciona como ferramenta poderosa de seu fortalecimento e sua transformação em um ente “invencível”.

Observe-se a pantomima do STF, que a cada momento mais e mais confirma a observação de Lula de que se trata de uma corte acovardada. E nem digo apenas pelo episódio Moreira Franco, que é apenas patético e revelador da decadência ética daquela Casa. Falo do silêncio diante da indicação de um plagiador como Alexandre Moraes, sobre o qual recaem suspeitas inclusive de ter advogado para uma conhecida facção criminosa. Falo da militância ostensiva, partidária e rancorosa de Gilmar Mendes. E falo principalmente pelo pânico hoje instalado naquela casa por conta das ameaças e chantagens de Eduardo Cunha em revelar as supostas relações nada recomendáveis entre ministros e o suborno.

O Supremo é apenas uma ponta de um Judiciário que flerta vergonhosamente com o arbítrio, ao delegar a um Juiz que no passado foi omisso por conveniência com a corrupção – caso Banestado – a condução de um processo que deveria sim ser tocado e conduzido de modo isento. Porque eu ao menos quero muito que a mazela da corrupção seja extirpada dentre nós. Mas não chegaremos a isso seccionando intencionalmente no tempo a ação, delimitando que antes de 2003 havia honestidade e que pós 2003 instaurou-se o caos.

Convenhamos que se trata de algo estúpido, para dizer o mínimo…

As delações da Odebrecht estão servindo de argumento jurídico para pedir a extradição de um ex-presidente do Peru por atos supostamente cometidos nos anos 80 – fatos estes revelados pela Lava-Jato. Mas no Brasil, o juiz faz este corte em 2003 – para proteger a súcia que o venera, protege e incensa. E assim evita que se revele ao País o grau de degradação que as instituições vivem – e não é de hoje.

Ou pode existir algo mais perversamente patético do que as posturas que o rapazinho deslumbrado pelas luzes e apavorado pela ciência do fracasso de sua cruzada vem adotando na condução do processo?

  • ao proibir a gravação das audiências;
  • ao defender o presidente Temer;
  • ao beijar os pés e se humilhar de modo assombroso diante de FHC;
  • ao blindar as fundações de Collor, Itamar, Sarney e FHC da simples relação de todos os seus doadores.

A exemplo de tantos, recebi na sexta-feira, 17, o resultado de uma pesquisa acerca da qual não li nenhuma reflexão. Realizada pelo instituto Paraná Pesquisas, tendo como universo 2.200 entrevistados em 146 municípios,  entre os dias 12 e 15 de fevereiro, buscava responder:

Em sua opinião, o Governo do Presidente Michel Temer apoia, é contra ou não apoia, nem é contra a Operação Lava Jato?

Apoia 26,4%

Não apoia, nem é contra 23,9%

É contra 44,3%

Não sabe/ não opinou 5,5%

Tem na mesma pesquisa uma outra pergunta interessante e o resultado óbvio:

Em sua opinião, a mídia e o Poder Judiciário protegem nomes do PSDB e do PMDB?

Não 33,7%

Sim 61,0%

Não sabe/ não opinou 5,3%

Esta pesquisa deve ter embasado a guinada de posição da Veja, que de repente perdeu o papel de porta-voz do grupo golpista que preferiu investir os recursos disponíveis para ter a IstoÉ como porta-voz.

Já escrevi e volto a dizer e enfatizar: os dados das pesquisas de intenção de voto para 2018 farão com que o juiz ao qual foi imposta a missão de “matar o Lula” se torne cada vez mais presunçoso, arbitrário e arrogante – inclusive desrespeitando, ignorando e atropelando ritos processuais. Ele sabe que uma parte da sociedade já está cobrando dele as luzes e os holofotes que obteve, sem ter capacidade para conquistá-las de moto próprio. E que estas cobranças aumentarão a cada nova rodada…

Moro corre contra o tempo: 2018 já chegou!

Na medida em que o próprio tempo está sendo o responsável por revelar e cristalizar, na sociedade, a percepção de que a única razão pela qual a “Lava jato” foi concebida, apoiada (inclusive de modo sub-reptício a partir de acordos ocultos com outros governos) e mantida ao longo dos anos foi de atingir Lula e que não consegue atingir seus objetivos a despeito de todo o esforço dos meios de comunicação e de todas as arbitrariedades que vêm sendo cometidas pela força tarefa, pelo MP, pelo Moro e pela PF, fica apenas uma certeza: O juiz benevolente do Banestado, o bajulador vergonhoso que se desculpou por interrogar FHC e o defensor de Temer na audiência de Cunha está, a cada dia, com menos tempo de cumprir a única razão de sua existência e de sua transformação em ícone de palestras do PSDB: prender Lula.

O tempo começa a atuar contra o Juiz que não se constrange diante de suas próprias insanidades – como se soubesse que terá de fazer cada vez mais das tripas coração para entregar aquilo que lhe foi encomendado: a cabeça do Lula.

Até agora, foram tiros e mais tiros no pé – numa sucessão patética de presepadas, transformando o judiciário numa esperança eleitoral de quem não possui nenhuma alternativa eleitoral ou política.

E a pressão sobre o magistrado das cartas marcadas aumenta a cada nova pesquisa que é divulgada e que reitera a posição de Lula – cada vez mais favorito para a disputa de 2018. Inclusive com perspectivas de vitória já no 1º turno.

Assim, depois de ser “trolado” por FHC e desmoralizado por Cunha que lhe deu preciosas lições de Direito, Moro terá de aumentar seus malabarismos para evitar o cenário que hoje é o mais palpável para as eleições que se aproximam se transforme em realidade.

Com a democracia, não se brinca. Jamais!

Dilma final

Em menos de 48 horas, 7.386 pessoas contribuíram espontaneamente para que o patamar de R$ 500 mil fosse alcançado – valor este a custear as despesas do uso dos aviões da FAB por Dilma Roussef – presidente democraticamente eleita e afastada por um golpe torpe, vil e que funcionou como um 3º turno para os derrotados sucessivamente pelos eleitores em 2002, 2006, 2010 e 2014.

Não estou entre aqueles que morrem de amor pela Dilma – bem pelo contrário.

Considero-a desqualificada, despreparada e incapaz para o exercício da presidência,

Mas “eu” pensar isto, não me dá o direito de pensar em algum modo de retirá-la do poder que não seja através do voto.

Esta é a regra básica da democracia.

Qualquer atalho ou desvio – sob qualquer que seja o argumento (ódio, interesses contrariados, podridão dos interlocutores, impotência eleitoral, etc) – é aviltante e precisa ser combatido, denunciado e não deve ser reconhecido.

A pequenez política de Temer e seus asseclas certamente perdem apenas para a torpez, a volúpia e o exercício do poder para beneficiar uma súcia de ladrões, uma corja de contraventores.

Temer, com sua cara de rato, seu focinho de rato e a idoneidade moral de um ganster, precisa aprender que a democracia é um bem mais caro – para muitos – do que se sujeitar o papel vil e degradante de um traidor, de um desequilibrado, de um conspirador torpe. Um batedor de carteiras de enésima categoria.

Diante da acintosa provocação de Temer e de seus asseclas – as pessoas responderam de modo claro, doando voluntariamente mais de R$ 500 mil em menos de 48h.

Teriam Temer, Gedel, Padilha, Gilmar mendes, Aécio, Serra, Cristovam e outros golpistas travestidos de “éticos” em alguns arroubos verborrágicos a coragem de fazer algo semelhante ao que aconteceu no financiamento coletivo para Dilma?

Duvido – até porque não precisam.

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