Blog do Alfredo

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Os riscos com o desencanto e a sedução das soluções mágicas

Vivemos tempos estranhos, delicados – que se anunciam sombrios.

Escrevi reiteradas vezes que a oposição, derrotada em 2002 nas urnas (e depois em 2006, 2010 e 2014), para se manter nas proximidades do poder, usufruindo de algumas benesses, cuidando de alguns nichos que o PT deixou sob o comando de grupos do PSDB, do DEM e de outras agremiações,esta oposição abriu mão de “fazer oposição” e delegou esta tarefa para os meios de comunicação.

Como a oposição dos meios de comunicação não conseguiu impedir as derrotas da oposição, a estratégia foi atacar a política – que era o meio de atacar o PT. E ainda assim, o efeito não foi o desejado – ao menos naquele momento.

Veio então a Lava Jato, uma poderosa aliança entre a mídia e setores contrariados com a permanência do PT e de Lula no imaginário popular e seu potencial eleitoral.

Que fique bem claro: nunca escrevi e nem escreverei que a Lava Jato não é necessária.

Ela seria fundamental se tivesse compromisso – por menor que fosse – com a mudança.

Na verdade, o único compromisso da Lava Jato é atingir uma pessoa – e, volto a dizer, não estou aqui dizendo se é inocente ou culpado.

O problema é que a Lava Jato partidarizou a sua ação de modo que as denúncias contra os tucanos jamais avançam. Pior: são esquecidas. Abandonadas. Relegadas a morrerem debaixo dos tapetes…

O roteiro elaborado mostrou-se inconsistente – e acabou atingindo quem não deveria, ainda que a eles nada aconteça.

Em lugar de determinar que o PT era a causa de tudo, fixou-se na sociedade o conceito de que o PT é igual a todos. E como todas as campanhas foram estruturadas no sentido de dizer que o PT era a parte podre da política, o que temos é a destruição da política – onde todos ficaram iguais. Desgraçadamente iguais.

A mídia tentou, junto com a turma da Lava Jato, mostrar para o Brasil e para os brasileiros que a corrupção em nosso País começou no dia 1º de janeiro de 2003. Ao não conseguir concretizar sua parte no roteiro, acabaram desacreditando a política como um todo.

E o risco está no espontaneísmo, na opção por soluções mágicas – e aqui no Brasil já tivemos a experiência nefasta da passagem de Collor pela presidência.

Como ao que parece eles finalmente assumiram que a montagem saiu do controle da mídia, agora ela parte para a desconstrução de Bolsonaro – tentando repetir o que fez com Marina em 2014.

Pode ser tarde, porque o discurso de Bolsonaro mexe com muitas das principais inquietações das pessoas mais simples, humildes, das cidades do interior e do campo: segurança.

Agnelo Pacheco: cheiro de calote no ar

Atualizado às 12h51

Tida como uma das principais agências de publicidade do Brasil antes das denúncias de corrupção, a Agnelo Pacheco fechou as portas em Brasília e se encaminha celeremente  a deixar de existir, no seu rastro muitos pequenos empresários aqui do DF vivem a angústia e o medo de levar calote.

Ela que sempre tinha generosos contratos com a administração pública – GDF, Governo Federal e outros governos estaduais e municipais – sendo conhecida pelo retorno financeiro que dava aos entes públicos, complementando vencimentos, ajudando na manutenção de estruturas paralelas e negociando boas taxas de lucro aos seus operadores, hoje definha e deixa muita gente com a pulga atrás da orelha.

No caso da CLDF, em boa hora ela reteve os últimos pagamentos – exatamente por conta de não haver o repasse dos valores aos veículos. O GDF tem uma situação ainda mais complexa, tendo em vista que ela tinha contratos com o Governo Agnelo e manteve com o Governo Rollemberg.

Há um passivo bem expressivo do GDF com os veículos relativos aos anos de 2013 e 2014, que se encontra na rubrica “restos a pagar”. Pode-se discutir se a dívida do GDF é com a Agnelo (que serviu de intermediária) ou com os veículos (que foram contratados e prestaram os serviços ao GDF – ainda que através da Agnelo). O que o GDF não pode é querer continuar achando que a dívida é do ex-governador…

O mais estranho é que não há nenhum dispositivo nos contratos feitos entre os entes públicos e as agências para situações de insolvência destas – possibilitando o pagamento direto aos veículos e retendo os 20% que são devidos às agências.

Preocupados com o calote, veículos começam a entrar na Justiça contra a CLDF e devem começar a fazer o mesmo contra o GDF – porque são muitas as razões pelas quais o pagamento direto deve ser buscado na Justiça:

  • a Agnelo Pacheco definha;
  • o escritório em Brasília foi fechado;
  • caso o GDF repasse o dinheiro devido (hoje inscrito em restos a pagar), os veículos podem ser prejudicados;
  • as garantias bancárias expiraram.

Mesmo reconhecendo a urgência da resolução do imbróglio, a Consultoria Jurídica da CLDF se diz de mãos atadas – porque os contratos não tratam da falência da agência contratada – no que diz respeito ao pagamento direto.

No caso do GDF, o governo Rollemberg vinha dando de ombros aos restos a pagar – como se o devedor fosse o ex-governador e não o governo. Os veículos – na maioria nanos empresários – ficaram sabendo que estava sendo feito um repasse, mas continuam temendo que a Agnelo Pacheco não faça o pagamento dos valores recebidos.

Neste sentido, ainda nesta semana pretendem procurar Conselheiros do TCDF para ver se conseguem apoio da casa, quem sabe encontrando um mecanismo que apoie a criação da alternativa do pagamento direto do GDF aos veículos – caso a Agnelo Pacheco atrase ou retarde o repasse aos veículos contemplados neste repasse.

PS1: Segundo o secretário Paulo Fona, o GDF repassou R$ 10 milhões e que ainda está em aberto o montante de R$ 27 milhões que deverá ser repassado em 2018.

PS2: As agências Agnelo Pacheco, Propeg e Tempo receberam os respectivos valores na semana passada. O prazo de três dias para que a Agnelo Pacheco faça o repasse aos veículos expira hoje.

O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

“Favas contadas”, Temer já comemorou a vitória em jantar com aliados

Certo de que fez o serviço da forma como o rito preconiza – pagando com o que não é seu, prometendo o que for preciso e confiando na absurda falta de pudor e de caráter da maioria dos deputados federais – o governo Temer não só tem certeza de que se safará na votação de hoje a tarde na Câmara dos Deputados, como aproveitou para jantar com os aliados ontem à noite na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Jantar e comemorar.

Já não há panelas nas janelas. Já não há histeria nas ruas. A mídia sabe que com Temer não é a mesma relação “republicana”.

Ainda que o saco de maldades esteja aberto e a corrupção e o fisiologismo continuem sendo a tônica deste presidencialismo de cooptação, o importante – na visão deles – já foi alcançado lá atrás…

Na votação, Temer deve alcançar entre 260 e 270 votos contra o prosseguimento da denúncia. Para alguns parlamentares, esta foi a última oportunidade de extorquir dinheiro do governo – talvez a conta para muitos em 2018. Resta saber se o eleitor levará isto em conta na hora de trocar o seu voto por alguma promessa…

Sobre a expressão “favas contadas”…

Há muitas explicações, copio e transcrevo:

“Esta expressão idiomática vem da forma de eleição do abade em muitos mosteiros medievais, e mesmo depois. Os monges, depois de “chamados a capítulo”, procediam à escolha do abade mediante um sistema de votação de favas brancas (a favor do nomeado) e favas pretas (contra o nomeado). No final, contavam-se as favas. Alguns autores asseveram que este costume de eleger com favas de diferentes cores remonta já à Grécia Clássica.”

Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

 

Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

Doria – deixou de ser pré-candidato para ser apenas caricato

Bem embalado, empacotado e com seus deslizes administrativos e seus pecados de lobista cuidadosamente maquiados – transformando em empresário de sucesso quem nunca nada produziu, além de viver às custas de governos – Doria não conseguiu manter-se muito tempo dentro do figurino do produto que o marketing criou.

Claro que vencer o PT hoje não chega a ser mérito de ninguém, dada a rejeição que o partido enfrenta por conta de uma reiterada campanha de desconstrução da sigla. E nem vou entrar aqui no mérito ou nos equívocos, mas diria que o PT paga mais por seus acertos do que por seus erros, ainda que entre os seus maiores erros esteja exatamente o de não ter rompido com o status quo ao vencer as eleições em 2002.

Muitas vezes eu discuti com petistas lembrando que a sigla havia vencido uma eleição, o que era bem diferente do que “ganhar” o governo. Ou seja: ao não romper, Lula e o PT pagam o preço da governabilidade – dentro daquilo que o PSDB de maneira muito lúcida chamou de “presidencialismo de cooptação”.

Doria, que vive e enriquece dos governos (inclusive do PT) desde os anos 80, foi vendido como símbolo do sucesso – um case patético, o arquétipo sonhado pelos anti-petistas: rico, sem rugas (prestes a completar 60 anos), com esposa bonita e esbanjando sucesso.

E o eleitorado paulista – que também é símbolo da decadência da aristocracia brasileira, mas ainda tenta manter o antigo ar de superioridade – comprou o candidato, como quem compra um pacote de sabão em pó.

Durante a campanha eleitoral de 2014 estive em São Paulo duas vezes – uma bem próxima às eleições (Feira da Abav de 2014, em setembro). E perguntei ao taxista que me conduzia pela via expressa, porque ele tinha dito que votaria no Doria e ele sintetizou: ele é contra o PT, logo ele que antes havia dito que tinha comprado um apartamento pelo minha Casa – Minha Vida e que a filha fazia jornalismo (eu estava com colete e máquina fotográfica) graças ao Fies.

Ou seja: alguém que tinha sido duplamente beneficiado por políticas dos governos do PT, iria votar e tinha adesivo no carro de alguém que tinha como mérito ser… contra o PT.

Foi assim que Doria, o velho sanguessuga de verbas públicas, virou o herói.

E teria, acredito, vida longa se o novo de repente não esquecesse que aquela figura que o marketing eleitoral criou deveria ser sempre aquela figura que o marketing criou. Mas o velho sanguessuga, o velho fanfarrão, não se conteve e resolveu mostrar que a ambição era muito maior do que a razão e começou a atropelar a moralidade – quando começou a conceder benefícios e contratos aos patrocinadores de “sua” entidade – a Lide, que inclusive concedeu prêmio ao Moro.

O que dizer da sua insistência em usar produtos próximos ao vencimento para transformar em ração para os pobres – tratando-os como animais? E, desmoralizado na sua proposta, eis que ele volta com a ideia de agora fazer com que os alunos da rede pública de ensino comam a ração.

É muita estupidez…

E ele que surgiu como uma possibilidade, como uma alternativa ao próprio PSDB, revelou-se incapaz de entender que tudo na vida tem um timming, que toda ação gera uma reação e que a exposição excessiva e de modo forçado acaba gerando um risco de “queimar” a figura.

E depois de surgir com uma roupagem de modernidade, a cada momento o Doria prefeito se revela mais a figura acabada daquilo que ele o Doria candidato dizia ser a negação – elitista, presunçoso, arrogante e incapaz de aceitar críticas.

Vai definhar nas pesquisas, por mais que os meios de comunicação continuem tratando ele como alguém exótico, como alguém engraçado, caricato – uma espécie de bobo da corte. Ao romper as regras de lealdade dentro do PSDB, Doria se encaminha para ser apenas um político paulistano – no que de pior isto pode representar.

Janaína, uma incompetente buscando holofotes

Alçada a uma condição de celebridade jurídica dentro de circunstâncias muito específicas, a professora Janaína Paschoal agora se julga vítima da academia, que supostamente não concorda com seus pontos de vista.

Explico-me, para quem não acompanha o noticiário: autora do estudo encomendado pelo PSDB sobre a legitimidade das chamadas “pedaladas fiscais” da ex-presidente Dilma, Janaína que leciona na Faculdade de Direito da USP dançou, de modo aplastante, na sua pretensão de virar professora titular – último degrau da carreira do magistério em instituições de ensino superior públicas.

O barraco se arrasta já faz algumas semanas e hoje voltou a ser manchete no Estadão por conta da rejeição de um de seus muitos recursos – dentro da tese do jus esperniandi, do qual ela lança mão na tentativa de reverter decisões desfavoráveis.

Eram duas vagas, quatro candidatos.

E ela ficou em quarto…

Mas, claro, que não aceitou.

Como pode a USP – que é ligada ao Governo do Estado de SP, ninho e nicho do tucanato há 16 anos – ser “petista”, perseguindo aquela que ocupou holofotes sem ter estrutura nem para brilhar à luz de um candeeiro?

Certa feita, conversando com um psiquiatra, conversei sobre as sequelas e eventuais desvios de personalidade, síndromes que poderiam sofrer as pessoas “comuns” que por “n” razões fossem alçadas a uma condição de celebridades momentâneas – dentro daquele conceito profetizado por uma frase de Andhy Warhol: “um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama”.

Como as pessoas reagem com o fim das luzes, do brilho e do espaço na mídia?

Antes do continuar com com a resposta do psiquiatra, conto a rápida história de como conheci Nilton Santos aqui em Brasília. Sócio da ABCD – Associação Brasiliense dos Cronistas Desportivos, numa das tardes que antecediam a uma partida no velho Mané Garrincha, lá fui eu para ver a questão dos coletes.

Lá chegando, estava ele – a quem conhecia de fotos, filmes e histórias. Eu o cumprimentei como cumprimento a todos: de modo efusivo. Quando já ia passando, ele alcançou meu ombro com a sua mão grande e perguntou: você sabe quem eu sou?

Respondi brincando, claro, Senhor Enciclopédia – é uma pena que não tenha jogado no Grêmio. Depois de uma risada, perguntou se eu não queria fazer uma reportagem com ele e me disse que poderia mostrar as muitas caixas com recortes. Disse que sim, que seria uma boa pauta e que poderíamos conversar sobre esta ideia, uma vez que eu também morava em Brasília.

Fiquei consternado com a situação daquele homem que já esteve nas manchetes dos principais jornais e revistas e estava ali, mendigando um pouco de atenção. Volto à conversa com o psiquiatra sobre as sequelas…

Ele falou que no mais das vezes as pessoas podem desenvolver alguma síndrome de perseguição, uma vez que não conseguem voltar a ter uma vida normal. Ligo o episódio da Janaína ao deste povo que participa dos reality shows e conseguem uma exibição pública que gera milhões de seguidores em redes sociais.  E o que fazem para se manter em evidência: contratam assessores de imprensa – e eu recebo, por conta de uma revista que edito, dezenas de eventos destas sub-celebridades em lançamento de produtos, em inauguração de boutiques, comprando produtos, exibindo o silicone ou mesmo revelando uma traição.

Não há limite nesta busca insana por “aparecer”. É como se estas pessoas tivessem medo de voltar a ser apenas… gente.

A demanda por realimentar o ego é tão grande que tenho um conhecido no Rio que tem uma profissão inusitada: ele é paparazzi de encomenda. Ou seja: ele é contratado para um flagrante armado e combinado, para uma roupa mais ousada, para uma passada de mão na bunda, para um beijo, para uma encoxada na praia, para uma saída de motel ou uns amassos em boate. E depois, ele repassa para blogueiros e jornalistas de fofocas.

Para não sair da mídia, o corpo é só uma mercadoria – seguramente a menos valiosa.

No caso da professora Janaína, está sendo muito interessante observar o quanto ela esperneia, o quanto ela se debate – porque sabe que a sobrevivência dela jamais será pautada pela gratidão de quem a quem ela serviu. Até por ter se exposto demais, não interessa a ninguém que por ventura tenha sido beneficiado por sua ação, aparecer ao seu lado.

Ou ela vai aprender a viver com o peso do anonimato ou terá de conviver com os fantasmas que hoje a vitimizam, tiranizam e escravizam emocional e mentalmente.

Temer, incansável cabo eleitoral do Lula

Por mais que a turma da Lava Jato, junto com boa parte da mídia, se esmere em querer enfiar goela abaixo dos brasileiros de que evidências servem como provas, indícios são suficientes para condenação e necessidade pessoal justifique punir aqueles apontados como inimigos, a verdade que o ex-presidente Lula conta com um cabo eleitoral de primeira qualidade, que trabalha 24h por dia no único objetivo e fazer com que o ex-metalúrgico vença em 2018.

Funciona de modo cotidiano.

Não há dia no qual o Temer não faça questão de dizer ao eleitorado: olha, vocês precisam votar no Lula. O Lula é a sua única alternativa.

O caso mais aterrador é o do gás de cozinha – que não é apenas uma das principais fontes de renda do tráfico nos morros cariocas, mas serve como uma catapulta a arremessar o nome de Lula para a liderança nas pesquisas eleitorais.

Hoje, por exemplo, a Petrobras anunciou mais um pequeno reposicionamento nos preços: mais 12,9%. Com um detalhe: apenas para o gás de cozinha, vendido em botijões de até 13 quilos. Com isso, as famílias sofreram com aumento de 47,6% do gás de cozinha desde o dia 7 de junho.

É preciso realmente tirar o chapéu para o Lula: diante da teimosia de Dilma em disputar a reeleição – ela que nem deveria ter sido candidata em 2010 – ele foi fazer aliança com o Temer; instigou ele a lançar o Eduardo Cunha para a presidência; pediu para o Aécio espernear pela derrota. Porque se a Dilma ainda estivesse na presidência, Lula hoje não teria 5% dos votos – tal a quantidade de trapalhadas que já teria cometido.

Perspicaz, Lula se aliou ao Temer porque entendeu que apenas ele poderia ajudar a tirá-lo das catacumbas e do rancor ao qual estava fadado, por conta das maluquices de sua “criação”, que nunca virou criatura e se revelou um monstrengo.

É dentro deste contexto que é preciso entender as ações do Temer. Ele e seu governo – que na verdade tem a equipe econômica dos sonhos do Lula – atuam 24 horas em favor do ex-presidente. E o resultado é perceptível nas pesquisas.

Para mostrar que é mesmo leal ao Lula, Temer foi além: isentou comércio e indústria do reajuste do gás.

 

 

Graças ao Lula, o mundo descobriu a corrupção…

A cada novo dia, me surpreendo com o legado da passagem do Lula pelo poder.

É impressionante, mas foi graças ao retirante e metalúrgico que se descobriu que a atividade política no Brasil é um negócio de família – que o diga o tucano Bonifácio de Andrade de MG que viu sua família enriquecer e consolidar o poder sem desenvolver atividade produtiva.

Claro que tudo, na ótica dos éticos, honestos e probos rapazes da Lava Jato, de forma honesta. Afinal de contas, doação eleitoral só é crime e fruto de corrupção se o destinatário for o PT. Para os demais, tudo é permitido dentro de uma visão comprometida e ideologicamente comprometida.

Foi graças ao Lula que se descobriu que havia uma taxa embutida em cada contrato com o serviço público – um pedágio que advém dos primórdios da humanidade.

Foi graças ao Lula que se descobriu que existem duas tipificações distintas para o mesmo crime: a boa-fé para os amigos, a execração pública aos demais.

Foi graças ao Lula que se descobriu – e hoje voltou a funcionar de modo pleno e intenso, o malfadado BV – Bônus de Veiculação, que é a ferramentas que os grandes meios de comunicação usam para suas tramóias e negociatas com anunciantes.

Enfim foi graças ao Lula que se descobriu que a partir de 1º de janeiro de 2003 o que antes era legítimo, honesto, correto e parte do jogo… de súbito virou atividade criminosa.

Mas o Lula foi capaz de algo ainda mais grandioso, muito mais do que as dezenas de títulos Dr. Honoris Causa que foi conquistando pelo mundo: o Lula conseguiu inocular o vírus da corrupção na Itália, que inclusive fez uma operação chamada Mãos Limpas; corrompeu o Sarkozy, levando-o a ser condenado; tornou João Havelange e Ricardo Teixeira ladrões – sem esquecer do Joseph Blatter e o próprio Beckenbauer; com seu carisma de alfabetizado mais pela vida do que pela cátedra, eis que agora se sabe que Lula corrompeu o COI…

Até a candidatura do Brasil, a escolha das demais sedes sempre foi apenas por questões técnicas, sem nenhuma troca de favores. Foi Lula quem corrompeu todo este povo. Foi Lula quem ensinou a este povo que vale a pena barganhar favores em troca de votos.

É por conta de haver gente com esta visão tão estupidamente torpe que o Brasil está neste estágio, porque para mim a história é bem diferente: a Copa e os Jogos Olímpicos para o Brasil porque pela primeira vez o Brasil aceitou jogar o jogo que sempre existiu.

Briga Alckmin x Doria pode ajudar Lula

A história mostra – e há inclusive um termo bem brasileiro para identificar este fenômeno – que as lutas internas pelo controle do partido ou por vantagens supostamente eleitorais descambam em traições que acabam ajudando a eleger o inimigo do meu ex-amigo que virou meu novo-amigo.

Não é necessário remontar ao que aconteceu em 1950, hoje parte da história.

Vale lembrar que em 2002, o tucano José Serra via com preocupação o crescimento da candidatura de Roseana Sarney e, para muito, armou, em conluio com policiais federais de sua confiança, o episódio da invasão do comitê de Roseana e a descoberta de dinheiro.

Passo seguinte, com o rancor de pai e o cacife de coronel, José Sarney abandona as hostes que sempre o abrigaram e passa a trabalhar em favor do nome de Lula. O resultado, todos sabem…

As traições acontecem a cada eleição – e muitas vezes pequenas rusgas, pequenos embates, antigas desavenças, estes episódios que fazem parte da alma humana e que no mais das vezes são lembrados apenas por quem “apanhou”, acabam sendo relembrados e muitas vezes aumentados, servindo como uma espécie de dopping emocional.

O PSDB que já sofreu com este tipo de cisma interno, pode estar outra vez alimentando este monstro do ódio e do rancor. Já escrevi muitas vezes que o pessoal do PSDB abdicou de fazer política com a derrota em 2002. O partido sempre acreditou que sua volta ao poder seria um processo natural, como se o “poder” fosse uma capitania hereditária onde eles, apenas por brincadeira, deixaram que o povo sentisse o gosto do poder.

Mas a realidade não seguiu o script – ainda que o PT tenha feito todo o esforço possível para que isso acontecesse. E foram muitas as demonstrações do PT:

  • valeu-se dos mesmos métodos tucanos;
  • valeu-se dos mesmos nomes tucanos;
  • repetiu a relação promíscua dos tucanos com a mídia;
  • não criou e nem fortaleceu nenhuma forma de imprensa popular;
  • não lutou pela democratização dos meios de comunicação.

Volto a dizer: apesar de todo esforço dos petistas – e mesmo naquela época escrevi um texto chamado “A maldição do cafezinho” – o PSDB pagou nas eleições de 2006, 2010 e 2014 e corre o risco de pagar de novo em 2018 pelo fato de ter terceirizado o ato de fazer política para os meios de comunicação.

Dentro deste quadro, o mofado Doria aparece repaginado e dá ao PSDB uma vitória improvável em SP. Ex-diretor da Embratur no começo dos anos 90 e que lá demonstrou toda sua incapacidade de gestor, o empresário que enriqueceu sempre com o acesso a verbas públicas – mesmo nos governos do PT – conseguiu ocupar um lugar no imaginário das pessoas, vendendo-se como novo.

E por conta da ambição, que é inerente ao ser humano, ele desandou a andar de norte a sul do Brasil, usando jatos de empresas que apoiam uma ONG sua, dando contratos da prefeitura de SP para empresas que doam dinheiro – dentro de um círculo onde os recursos, bens e patrimônio público vão sendo drenados em favor dos seus.

E Doria pode se esbaldar, porque pegou uma prefeitura razoavelmente organizada, com as contas em dia – mas isto ninguém menciona.

As ameaças nem tão veladas assim de “sair” do ninho e buscar abrigo em outra sigla – e a descoberta de que um grupo sonha em ter uma dobradinha Doria x ACM Neto junto com o Pmdb, o povo do agronegócio e segmentos evangélicos, não pode ser visto como uma alternativa, mas como uma gangue, um grupo a exterminar o que resta de Brasil.

O cenário mostra que Alckmin é o nome da vez do PSDB – mas resta saber como o partido irá se portar em 2018. Aécio, que deve apoiar Doria onde quer que ele esteja, é pouco mais do que um cadáver adiado, putrefato, mas que ainda pode prejudicar as pretensões de Alckmin em alguns grotões de Minas onde mantém algum prestígio. Aécio, por sinal, deve tentar uma candidatura a Federal ou, quem sabe, estadual – na tentativa de renascer politicamente. Se estiver solto…

Ainda que estejam bem posicionados nas pesquisas, Marina e Bolsonaro não passam de fenômenos pré-eleitorais. Marina por sua incapacidade de ocupar o espaço político que sua votação em 2014 credenciaria. Bolsonaro, bom… Bolsonaro é um caso típico de incontinência vocabular: quando mais fala, mais claro fica que não tem nada para falar…

Assim… o racha que se anuncia no campo da centro-direita brasileira só beneficia a candidatura de Lula – ao menos no 1º turno – porque nada indica que o nome de Ciro vá decolar e se viabilizar eleitoralmente em 2018.

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