05132016 - Temer e a cartinha

Comandando um governo sem reconhecimento e sem legitimidade, Temer entrará para o anedotário nacional por algumas pérolas que tornam o dia a dia dos brasileiros mais felizes, porque mostram claramente que nada pode estar tão ruim que não possa piorar.

Ao contrário do que o folclórico Catta Preta apregoava em posts que beiravam o nonsense e ajudaram a revelar a que nível de leviandade e de irresponsabilidade podem chegar membros do Poder Judiciário, o Temer assumiu e o dólar subiu e a bolsa caiu – porque está patente, ao menos neste primeiro momento, que o “novo governo” é tão ou mais desqualificado do que aquele que não servia, inclusive com a reutilização de muitos que deixaram de ser bandidos para virarem santos.

Até Joaquim Barbosa, ídolo maior dos revoltados e condutor do julgamento do Mensalão no STF saiu do seu silêncio para dizer: “Não tem legitimidade” e ainda aproveitou para fustigar sem dó e nem piedade o PSDB: “É um grupo que, em 2018, completará 20 anos sem ganhar uma eleição”.

Claro está que logo-logo Joaquim Barbosa, o “justiceiro” perderá a consigna que ornava o seu nome e voltará a ser apenas e tão somente um reles ex-ministro do STF indicado pelo PT.

O governo Temer, que navega com o respaldo dos éticos de plantão, não é reconhecido como legítimo pelos países e virou motivo de chacota. Uma rádio argentina o entrevistou e o locutor fez-se passar pelo presidente Macri e ficou visível que ele, Temer, não tem noção do ridículo ao tentar comunicar-se num portunhol deprimente, parecendo um “gardelón” com brilhantina no cabelo, botóx nas facesmetido a poliglota e que não passa de uma figura esdrúxula que denigre a imagem dos brasileiros.

Diante da negativa de Obama em ligar para Temer, dizem que ele está escrevendo uma carta para o vice de Obama, de quem diz ser amigo e parceiro, usufruindo de uma amizade plena, sincera, intensa e cheia de confidências e intimidades inclusive familiares. Escreverá dizendo que não é justo que Obama não ligar para ele, que não é legal que o Barack não reconheça que ele fez tudo aquilo que a embaixadora dos EUA mandou ele fazer e vai mandar para o Congresso nacional todas as mudanças e alterações que ela mandou que ele fizesse e que ainda assim o Obama não ligasse.

Uma ligação do Obama, ele certamente dirá isso na carta para o Joe, valerá mais do que todos os beijos e abraços que já recebeu do Aécio, do Caiado, do Cunha, do Sarney, do Bob Jefferson, do Gedel, do Eliseu, do Gilmar Mendes, do Bolsonaro e do patinho da Fiesp.

No entanto, a coisa é bem mais complexa do que uma eventual ligação que não virá do Obama pode indicar. Em conversas com pessoas de representações diplomáticas e sempre falando na condição de absoluto anonimato, eles revelam uma inquietude com a situação política do país.

De recuou em recuo…

Na noite desta sexta-feira, 13, Michel Temer, o interino, pouco mais de 24 horas no poder, já recuou e restaurou a autonomia da Cultura, que passa a ser uma “secretaria” dentro do MEC e não terá o comando de Mendonça Filho.

De coice em coice

O Itamaraty, sob o comando de José Serra, resolveu partir para o ataque. Depois de não conviver com as críticas dos brasileiros, o catatônico e cadavérico chanceler disse, por meio de nota liberada na noite desta sexta-feira, que ele, na condição de comandante supremo e dono da verdade, não aceita que nenhum país coloque em cheque ou critique o golpe no Brasil.