Blog do Alfredo

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Temer, o incansável e cotidiano cabo eleitoral de Lula para 2018

Já explicitei minha teoria da conspiração, segundo a qual Temer e Lula fizeram um bem-bolado para tirar a Dilma da Presidência – em contrapartida, Temer trataria de aprovar um pacote de maldades, muitas delas simpáticas ao mercado – com quem, cá entre nós, o PT flertou de modo desavergonhado sob o argumento da governabilidade.

E quanto mais o Temer cumpre o seu papel no script, mais trabalho a turma da Lava Jato tem para impedir que a dupla Lula e Temer vençam as eleições em 2018. Há uma parcialidade sem parcimônia entre a turma da Lava Jato, que flerta em muitos momentos com o arbítrio – certos de que a mídia continuará sendo condescendente, omissa e conivente com ilegalidades e ilicitudes. Tudo em nome de impedir que a dupla Lula e Temer concretizem o projeto que armaram.

Mas, é preciso reconhecer: Temer é imbatível na sua cotidiana ação em favor do fortalecimento da candidatura Lula.

É o aumento do combustível, do gás de cozinha, o aumento das passagens aéreas (a despeito do fim da gratuidade de bagagem despachada), reforma da Previdência, manutenção das pensões de filhas de militares, os ataques ao Fies, as ameaças ao Bolsa Família, o fim do Ciências sem Fronteiras, o sucateamento do Minha Casa, Minha Vida, a redução da importância do Enem, a ameaça de tirar o rendimento mínimo dos que chegam aos 60 anos e tantas outras medidas destrambelhadas.

As ações tresloucadas de Temer não apontam para um “palanque” em favor do Lula, mas sim uma verdadeira plataforma a catapultar o nome do ex-presidente – que, ao que tudo indica, deverá enfrentar Bolsonaro…

E talvez por medo do crescimento de Bolsonaro, Temer resolveu dar uma cartada que deve ter julgado decisiva: reduziu a projeção para o aumento do mínimo em 2018. Pouco importa que a redução da expectativa se dê em face de números e índices: importa que o governo Temer, com esta medida, mostra que não está para brincadeira. É Lula… e não quer nem saber!

Ele não para! Ele não cansa! Ele é Temer, o cabo eleitoral…

Mal tinha liberado a publicação do comentário, eis que vem mais uma ação em favor do Lula – copio e colo o texto de Marcelo Brandão, repórter da Agência Brasil:

“Uma das medidas é a alteração na contribuição previdenciária, de 11% para 14%, para servidores públicos com salários acima de R$ 5 mil. Quem ganha acima desse valor terá uma nova tributação, mas somente em referência ao valor que ultrapassar o limite estipulado. Assim, se o servidor ganha R$ 6 mil, a nova tributação incidirá apenas sobre R$ 1 mil.

Na mesma medida provisória, está previsto o adiamento do reajuste para servidores públicos em 2018. “Há uma medida que traz postergação dos reajustes previstos para 2018 para o conjunto de categorias do governo federal que são as mais bem remuneradas e que tinham anteriormente feito um acordo de reajuste por um período de quatro anos”, disse o ministro.”

GDF: falta de água, falta de vergonha, falta de planejamento

Reza a lenda que ao ser planejada, a nova Capital da República – implantada no Cerrado e historicamente com baixa incidência de chuvas – tinha previsão de uma população de 500 mil habitantes na virada do Séc. XX.

Lenda ou não, a verdade é que no meio do caminho teve a passagem de uma figura que viu na imensidão de terra a possibilidade de formar um curral eleitoral e tascou a distribuir lotes, a convidar pessoas de várias partes para virem ao Planalto Central.

E a irresponsabilidade de um governante criou uma verdadeira quadrilha que se imiscuiu na política – que tinha como objetivo incentivar invasões e assentamentos, sempre de olho nos dividendos eleitorais. Sem nenhuma preocupação se tais amontoados urbanos implicavam no assoreamento de riachos até  sua extinção e mesmo a simples “morte” de nascentes.

Vicente Pires é o retrato mais gritante desta leviandade com o meio ambiente – para a qual contribuíram, quer por incentivo, quer por omissão, todos os governos que passaram pelo DF.

A ganância por dinheiro e a busca de votos e dinheiro fácil levaram o DF a situação atual – e aqui não falo apenas de invasões de pobres, porque estes vieram na esteira de um movimento que começa bem antes que é a proliferação desordenada de “condomínios residenciais” voltados para a classe média e localizados em áreas de proteção ambiental, sem sistemas de captação e tratamento de esgotos (o que acabou comprometendo a qualidade da água até do lençol freático) e alimentadas através de poços artesianos abertos de modo indiscriminado.

O grande responsável pelo caos que hoje vivenciamos em termos de abastecimento, sempre foi e continua a ser o GDF – que ao longo do tempo e hoje sob o desmando de Rollemberg – que só tem a preocupação em fazer dinheiro. Quer vendendo lotes em áreas que deveria preservar, quer cobrando IPTU de áreas que deveria derrubar.

O peso eleitoral destes segmentos – nos condomínios de classe média uma parcela mais simpática ao PT e nos assentamentos e invasões populares mais tendentes ao assistencialismo e às práticas coronelescas – acabou unindo todos os campos políticos, não encorajando um debate sobre este tema em seu devido tempo.

Sem optar pelo viés do catastrofinismo, diria que agora é tarde – porque o simplismo das soluções do atual governador seguem dentro da sua capacidade mental de apontar sugestões e alternativas para os problemas do DF. Em sue mandato, Rollemberg não teve capacidade mental e nem qualidade política para propor nenhuma alternativa nova. O simplismo de suas ações lembra aquela imagem de como a avestruz reage a qualquer problema.

E em lugar do propagandeado choque de gestão – bordão eleitoral vazio, mas efetivo ao ponto de levar um desqualificado ao comando do Buriti – o que o povo de Brasília é um convívio cotidiano com a incompetência, o academicismo e a a piora dos serviços públicos que já eram ruins.

Não é só a falta de planejamento na questão da gestão dos recursos hídricos – afinal de contas, dinheiro não é o problema da Caesb, que paga salários de 1º mundo aos seus dirigentes – mas o mesmo vale no caso da educação, da segurança pública, do transporte coletivo e da saúde. Não há um só setor no qual a gestão de Rollemberg tenha feito alguma intervenção para “melhorar” o quadro desalentador que na verdade já vinha como um quadro continuado de desalento nos últimos governos.

O que Rollemberg conseguiu fazer – e digo da vida real, das pessoas que sofrem com a mediocridade do seu governo – foi implantar o caos em todos os segmentos, foi piorar o que já estava ruim. Há dois governos bem distintos: o ideal e perfeccionista das publicidades e blogues oficiais, onde não há problemas e tudo funciona com a precisão de um relógio eletrônico japonês original; e o real, que não é vivido nem pelo governador e seus assessores, nem pelos parlamentares que apoiam suas iniciativas (sendo regiamente recompensados com verbas, cargos e benesses), nem pelos publicitários que seguem um roteiro de mundo encantado (devem ser os mesmos roteiristas, redatores e diretores de arte que vem trabalhando ao longo dos últimos anos nas agências do DF, porque sai governo, entra governo e é sempre o mesmo padrão de “wunderbar”) e muito menos em vozes e porta-vozes que buscam defender Rollemberg mesmo do indefensável.

Não adianta negar o aumento do racionamento para dois dias, quando todos sabem que ele será inevitável se as chuvas não vierem – e quando elas chegarem iremos nos deparar com o caos de todos os anos, porque o governo de Rollemberg reage com a rapidez de uma tartaruga e age coma  celeridade de um cágado: bueiros sujos e entupidos, carros boiando nas tesourinhas da Asa Norte e pessoas surfando e outras navegando em vias alagadas no DF. Em todo o DF.

E como este é um governo errático, engolido pelo ego de um governante que é motivo de chacota e que viraliza em redes sociais em vídeos em não recomendável estado de lucidez e sobriedade, o pior ainda está por vir.

Senado ainda não definiu como salvar Aécio

Enredado em denúncias, flagrado em gravações e refém de sua própria inépcia política – depois de perder por pouco mais de 2 milhões de votos a eleição presidencial em 2014 disse que o PSDB até poderia quebrar o País, mas não deixaria a Dilma governar – o senador afastado Aécio Neves conta com a cumplicidade de uma banda bem articulada que faz de tudo para restituir o seu mandato em sessão previamente marcada para hoje em hora incerta e pouco provável.

Se forem verdadeiros os muxoxos e os cochichos, existem dois fatores que antecedem qualquer ideia de “ir pro voto” com a cabeça do neto de Tancredo:

  • a necessidade de cassar a liminar concedida por um juiz de Brasília (juiz Marcio Lima Coelho de Freitas, da Sessão Judiciária do DF) que obriga a votação aberta e nominal;
  • a espera de que o ex-militante tucano Alexandre de Moraes, transformado em ministro do STF por serviços prestados ao presidente Temer, irá negar a liminar requerida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) *.

Ou seja: a turma que hoje corre para livrar Aécio – aí incluídos Renan, Michel Temer e os articuladores políticos do Planalto – precisa do voto secreto na esperança de que alguns se arrisquem ao cadafalso para salvar o amigo e, de certa forma, se precaver, porque o futuro sempre é incerto quando o assunto se refere a ratazanas.

O que é notável no caso do senador tucano é que os próprios aliados apelam para chicanas, para questionamentos pueris de ritos processuais. Não há nenhum voz dizendo: ele não fez!

Nem ele tem a coragem de dizer que não fez, ainda que alegue que ligou para um bandido pedindo empréstimo de R$ 2 milhões.

Ninguém sabe ao certo o desfecho deste enredo no Senado.

A única certeza é que o Senado consegue se diminuir a cada dia, corroído e consumido em sua credibilidade junto à sociedade pelo escárnio com que trata a honestidade, a decência e também o pudor.

* O ministro Alexandre de Moraes (do STF) concedeu a liminar ao mandado de segurança impetrado pelo senador Randolfe e determinou que a votação seja “aberta”.

Aécio conta com a fengofobia dos seus pares para se salvar

Terça-feira, 17 de outubro.

O dia ainda está longe, mas os temores já são bem presentes e perceptíveis na movimentação de advogados, em liminares, nas articulações, nas promessas, no envolvimento direto do Governo Temer na tentativa de salvar seu principal aliado dentro do PSDB. A semana de Temer, por sinal, será marcada por grandes emoções – até pela divulgação cotidiana dos vídeos com a delação do Funaro.

Neste dia, em hora incerta e improvável, o plenário do Senado terá de julgar se aceita ou não as medidas cautelares impostas pela 1ª Turma do STF ao senador Aécio Neves – inclusive o afastamento do mandato.

Claro que os senadores gostariam mais de continuar na posição de vítimas do Supremo, mas neste jogo de empurra no qual se transformou a política nacional. Ainda que seja certo que o voto da ministra Carmem Lúcia fará parte do anedotário nacional – ela votou não querendo votar e votando querendo dizer que não votava o que estava votando e depois acabou confrontada com a bizarrice do próprio voto – ela ficou com o estigma de indecisa que decidiu uma coisa jurando que tinha decidido a outra, mas passou a batata quente para o Senado Federal.

Dentro do cenário do faz de conta, o ideal para Aécio é que a votação seja secreta – porque daí é possível barganhar apoios. O anonimato protege os corvos, os abutres e as ratazanas.

Existem pessoas, animais e mesmo plantas que sofrem de Fengofobia – que é o medo mórbido da claridade, aqui, no sentido figurado, entendido como o pavor que alguns tem pela transparência. E é com estes que o Aécio conta para se safar da votação no Senado.

Aécio e os seus lutarão até o fim pelo direito de que a votação seja secreta, mas a guerra de liminares será intensa – até porque faltando menos de uma ano para renovação de 2/3 do Senado, ninguém vai querer ser colocado como defensor de alguém que foi flagrado pedindo míseros R$ 2 milhões para um empresário – porque não é apenas o valor em si, não são apenas as filmagens em si, não são apenas as gravações, mas principalmente os termos usados e o modus operandi definido (tem que ser um que a gente mata).

Algumas bancadas já definiram publicamente suas posições, mas apenas o voto aberto e sem subterfúgio, servirá para mostrar como votaram os senadores. O voto aberto é uma forma de pressão e de vigilância que a sociedade tem para se proteger das traições que o anonimato propicia.

No momento, a votação terá de ser nominal e aberta, mas claro que esta liminar será derrubada – se o próprio Supremo se curvou ao poder do senador, imagina a pressão sobre juízes e desembargadores…

No DF, fracasso do Gov. Rollemberg antecipa articulações para 2018

O caos administrativo, a fisiologia política, a dilapidação do patrimônio público e a rejeição popular do Governo Rollmberg fizeram com que as forças políticas do DF antecipassem as articulações para 2018. O fracasso de Rollemberg e seu destrambelhado governo geraram na classe política a sensação de que qualquer um pode vencê-lo – gerando, pois, uma profusão de candidaturas.

Outra leitura óbvia que as raposas do cerrado fazem é de que uma eventual proliferação de nomes pode tornar o nome de Rollemberg um player não descartável. Querem, óbvio, se proteger de algum outsider que possa ser construído em face dos reiterados fracassos que têm sido as gestões dos eleitos.

Divididos em campos, sabe-se que há candidatos a candidatos e há aqueles que blefam – em busca de ampliar o seu quinhão. Além da vaga de Governador, cuja cadeira está vaga desde a eleição da dupla Rollemberg/Renato, há duas passagens para 8 anos no paraíso dos bons salários, poder ilimitado, benesses, mordomias , impunidade – que os mais antigos chamavam de Senado.

Cristovam parece que definitivamente cansou de não fazer nada no Senado e agora tenta uma disputa presidencial pelo PPS. Hélio Gambiarra é a personificação do que de mais bizarro a eleição para o Senado pode reservar: suplentes que viram titular – e ele já “abriu mão” da vaga natural e humildemente aceitará ser candidato a Deputado Federal – e a aposta é saber se fará votação maior do que na sua malograda candidatura a Distrital em 2014 (cabe lembrar que naquela oportunidade conseguiu fantásticos SEIS VOTOS).

Neste cenário, muitos tem sido os almoços e as articulações de um grupo que tem Frejat, Alírio, Izalci, Fraga e o indefectível Filippelli – retratos vivos de raposas ávidas para voltar a comandar ou ao menos a usufruir do GDF. Deste quinteto, poucos poderão ser candidatos, visto que ao menos três deles estão enredados com a Justiça e não se sabe em que situação de inelegibilidade chegarão em 2018.

A incógnita fica com a ação que os atuais comparsas de Rollemberg estarão em 2018 – principalmente o PDT, que uma parte do partido sonha com Frejat, outros ficam quietos e uma minoria que prefere manter-se nos cargos atuais.

A Rede ainda sonha com Reguffe, mas ao menos até março deve ficar sem partido – ou seja, será o senado sem-sem-sem: sem partido, sem ação, sem compromisso. Chico Leite sonha com a candidatura ao Senado, aparentemente garantida caso se mantenha a aliança com o governador – mas ele tem sido aconselhado a se descolar do cadáver político no qual Rollemberg se transformou.

O Psol ainda está em fase de discussão da composição do diretório e continua atraindo ex-petistas – alguns sem espaço na antiga casa e outros que tiveram a garantia de que não seriam preteridos em eventuais candidaturas. Mas dificilmente Toninho não será o nome – sempre uma boa alternativa, mas que acaba sendo engolido pelas urnas.

Depois de importar dois candidatos – Cristovam e Agnelo – o PT não parece disposto a repetir a fórmula só para ter um candidato que pudesse ser controlado por uma tendência. O partido se articula para voltar a ser uma alternativa política viável no DF.

Um dos projetos é resgatar a velha guarda e mesclar com lideranças sindicais já consolidadas. Assim, nomes como Arlete Sampaio, Rodrigo Brito e a prof. Rosilene Correa surgem como esperança de votos, para formar uma bancada representativa na CLDF.

Para o Senado, o PT está diante de uma sinuca: Wasny de Roure já manifestou seu desejo de concorrer a uma das duas vagas e caso não tenha seu pleito atendido, não pretende disputar outro mandato – nem de Distrital e nem de Federal.

Com vistas Câmara Federal, fica a incógnita – uma vez que Érika Kokay não se mostra inclinada à disputa, preferindo o Senado ou mesmo o Buriti – para onde alguns sindicalistas gostariam de ver Jacy Afonso como candidato. Ainda que ele negue qualquer possibilidade neste sentido.

Estes embates internos do PT, que sempre acabam criando feridas que demoram para cicatrizar, já movimentam a sigla e deverão estar presentes nesta segunda-feira, a partir das 19h, no Teatro do Bancários aqui em Brasília, quando será lançada a proposta “O DF e o Brasil que o povo quer”, que parte do pressuposto de construção de um programa de governo a partir da massiva participação popular.

Enfim…

Se de um lado o Governo Rollemberg se arrasta em índices de aprovação próximos do Temer,  os que buscam ocupar a sua cadeira no comando do Buriti sabem que mesmo entre o caos e a lama, ele ainda conta com o DODF e a caneta nas mãos. E isso tem um peso imenso na política nacional e principalmente no DF.

O ego ainda vai enterrar o Doria

Os rompantes de Doria, que atua no cotidiano como se ainda estivesse em um talk show, servem para o aplauso dos puxa-sacos que existem (pagos com recursos públicos) para elogiar/bajular e alimentam a percepção de que é muito fácil fazer com que o showman se revele um destrambelhado. Pela incapacidade de ficar quieto, usa a boca para enterrar aquilo que os marqueteiros conseguiram criar.

Feito garoto mimado – antigamente dizia-se que era típico de guri criado pela avó – Doria não sabe conviver com a contrariedade. Comandado por um ego doentio, o episódio dos ataques preconceituosos em lugar de ser razão dele continuar se vangloriando, deveria fazer com que o prefeito procurasse acompanhamento psiquiátrico. No mínimo e com urgência.

Sem estrutura emocional para conviver com a pressão, Doria hoje é um cadáver preconceituoso – que em lugar de ser o novo que a propaganda tentou vender, é apenas o arquétipo do esclerosado que a pele lisa e sempre bem vestido tenta esconder. Lembrando Pessoa, é um cadáver adiado – cuja única razão de existir foi a percepção das equipes de marketing de que dava para vender um fusca velho como se fosse uma mercedes.

FHC paga até hoje o preço de ter chamado de vagabundo quem, mesmo com plenas condições, se aposenta antes dos 50 anos. O fruto do seu destempero está nas redes sociais e hoje serve como uma marca do pré-sexagenário Doria (completa 60 anos em dezembro): basta cutucar o vaidoso e ele se perde nas tamancas.

É de se imaginar as pérolas que a figurinha midiática geraria em caso de uma campanha presidencial, quando forem desenterrados seus atos nada republicanos quando comandou a Embratur no começo dos anos 90 (e a forma nebulosa como conseguiu sua miraculosa absolvição), os apoios financeiros sistemáticos de governos do PSDB e o fato de ter feito fortuna sem jamais ter tido qualquer atividade produtiva – apenas através do lobby que, ao menos que eu saiba, ainda não é atividade regularizada no Brasil.

Este episódio criou esta dimensão por ter sido, além de uma série de insultos grosseiros, contra alguém da sua laia – porque quando Doria atacava petistas, o Lula e era grosseiro contra as mulheres, daí estava tudo bem.

Depois desta trapalhada, talvez ele se dê conta de que tenha que virar prefeito e daí a porca definitivamente torcer o rabo: em quase 60 anos, será a primeira vez que ele efetivamente terá de trabalhar.

Lula, o último caudilho da política nacional

Tem uma música lá no RS, Trote, composição de João Pereira e Nenito Sarturi que em certo momento diz:

“Mas a vida em seu galope
Não dá alce e corcoveia
E ensina que andando a trote
A rodada é menos feia”

A despeito de uma certa dificuldade que alguns poderão ter com o desconhecimento do linguajar xucro e barbaresco da gente lá da minha terra, os versos podem ser substituídos pro algo como “apressado come cru e quente”.

Tenho tentado conversar com as pessoas, mostrando que a cegueira e o ódio com que elas tentam reinventar a realidade acaba tendo um preço muito significativo. De uns tempos para cá, basta que alguém comece a destilar impropérios contra o PT e contra os petistas e logo se forma uma platéia, mais para patuleia (não no sentido da Revolução de 1836) – aqui compreendida a pobreza mental.

Não é preciso ter conteúdo, não é preciso ter argumentos, não é preciso seguir uma linha de raciocínio, não se faz necessária uma reflexão. Lembra, em certo sentido, um bordão do começo dos anos 80 e que era mote em eleições sindicais e de entidades de classe: “Fora pelegada”.

Bastava isso para que já tivesse uma plataforma eleitoral estruturada.

O mesmo vale para obter a salivação raivosa de tantos: basta falar mal do PT – e não que o PT e os petistas não façam por onde – e há um regozijo no ar,  uma sentimento de conforto: opa… este é dos meus.

E por conta deste reducionismo intelectual e pelo abandono do processo dialético e da discussão que vá além dos estereótipos, estamos antecipando o período eleitoral de 2018. E em lugar de estarmos discutindo as propostas que os candidatos têm, estamos envoltos em um Grenal ridículo e no qual só tem um perdedor: o Brasil.

Os dois lados esperam por Moro, para decidir o que fazer em 2018. E Moro espera por um milagre de que apareçam em suas mãos mais do que evidências, convicções e vontades para que possa enfim cumprir a missão para a qual foi escalado, guindado do ostracismo de um magistrado que atuou por conveniência no episódio do Banestado e que se viu alçado a condição de justiceiro, de única alternativa para impedir a volta de Lula ao poder.

E enquanto os dois lados esperam, o que fazem?

Um lado – o PT – expõe toda sua dependência ao carisma de Lula, que serve como um pólo aglutinador de todas as forças internas do PT e de grupos (em muitos partidos) que se sentem atraídos pelo seu carisma.

Como alguém que não quer ver a realidade, o PT – ao menos para o grande público – não aceita nem ao menos pensar em Plano B. A ausência de alternativas mostra não a convicção, mas exatamente a sua fragilidade, a sua dependência pela figura central. Em um exercício de futurologia, pode-se dizer que o PT sem o Lula deixará de ser um partido nacional para ser um partido regional, onde os caciques de cada estado definirão segundo seus interesses e suas conveniências de sobrevivência (este sim o instinto mais forte do ser humano, ainda mais do político).

Em outras palavras: por não se ter renovado, por não ter apoiado a formação de novas lideranças, o PT passará a ser como o PMDB que tem um dono em cada estado e um chefe da quadrilha toda; será uma espécie de PSDB onde os mandaletes farão o serviço que os chefetes consideram indigno e que os chefes precisam que seja feito.

A bem da verdade, Lula é o último caudilho da política nacional – populista, carismático e sem posicionamento ideológico definido, com habilidade para transitar em todo o campo da centro-direita e até a centro-esquerda, sem ter, na realidade, compromisso com nenhum destes campos.

O compromisso do Lula é com o seu projeto pessoal. Como era a postura de outros caudilhos (Sarney, ACM, Bornhausen, FHC, Brizola) – para ficar apenas nos mais recentes.

Ou as pessoas já esqueceram o vai-e-vém de ACM – entre a alcunha de “Malvadeza” e “Ternura”; Sarney de decrépito e responsável pela pauperização do povo do Maranhão, até “ícone” da redemocratização.

E o outro lado – que tinha um patrimônio eleitoral de muitos milhões de votos em 2014 como trunfo, hoje tem em suas mãos algumas penas descoloridas dos embates que consomem as entranhas do ninho tucano. Vergastado pela debacle de Aécio, o PSDB nem teve tempo de comemorar a vitória de Dória e já se viu diante de outra luta fratricida, marcada de traições.

Alckmin que assitia de camarote a derrocada de Aécio, inclusive com um sentimento de pequena vingança pessoal por conta da falta de empenho de Aécio em Minas no 2º turno da eleição presidencial de 2006, quando conseguiu a primazia de diminuir a sua própria votação.

Quando Alckmin pensava estar com o caminho livre – afinal de contas Serra sofre com doenças e com denúncias – principalmente depois de fazer de uma figura velha e conhecida do submundo da política uma alternativa “nova” e elegê-lo prefeito da principal cidade do País, eis que a criatura que era bizarra, folclórica e motivo de chacota pelo modo de administrar via whatsapp, resolveu, diante da ausência de alternativas, assumir o discurso “anti-Lula” no ninho tucano – um nicho já ocupado por Bolsonaro.

E trocando bicadas, o que fica claro: é apenas uma disputa pelo poder, por voltar a ter acesso aos cofres públicos (de onde, diga-se de passagem, Doria SEMPRE buscou recursos para construir sua fortuna pessoal).

E aí está o grande problema, a razão pela qual, no meu entendimento, somos o país do futuro que nunca chega: nossa falta de memória. Nossa incapacidade de pensar com a cabeça. Somos o tempo todo induzidos a pensar com o fígado, a pensar com rancor – porque desta maneira não é necessário “refletir” sobre nada.

Esta é, na minha opinião, a razão pela qual as pessoas se sentem mimetizadas a repetir chavões contra ou a favor, sem nenhum compromisso com a realidade. Elas sabem que esta simplificação é o caminho mais fácil para o aplauso – nem que sejam aquelas palmas protocolares que se escutam ao final de velórios.

Graças ao Lula, o mundo descobriu a corrupção…

A cada novo dia, me surpreendo com o legado da passagem do Lula pelo poder.

É impressionante, mas foi graças ao retirante e metalúrgico que se descobriu que a atividade política no Brasil é um negócio de família – que o diga o tucano Bonifácio de Andrade de MG que viu sua família enriquecer e consolidar o poder sem desenvolver atividade produtiva.

Claro que tudo, na ótica dos éticos, honestos e probos rapazes da Lava Jato, de forma honesta. Afinal de contas, doação eleitoral só é crime e fruto de corrupção se o destinatário for o PT. Para os demais, tudo é permitido dentro de uma visão comprometida e ideologicamente comprometida.

Foi graças ao Lula que se descobriu que havia uma taxa embutida em cada contrato com o serviço público – um pedágio que advém dos primórdios da humanidade.

Foi graças ao Lula que se descobriu que existem duas tipificações distintas para o mesmo crime: a boa-fé para os amigos, a execração pública aos demais.

Foi graças ao Lula que se descobriu – e hoje voltou a funcionar de modo pleno e intenso, o malfadado BV – Bônus de Veiculação, que é a ferramentas que os grandes meios de comunicação usam para suas tramóias e negociatas com anunciantes.

Enfim foi graças ao Lula que se descobriu que a partir de 1º de janeiro de 2003 o que antes era legítimo, honesto, correto e parte do jogo… de súbito virou atividade criminosa.

Mas o Lula foi capaz de algo ainda mais grandioso, muito mais do que as dezenas de títulos Dr. Honoris Causa que foi conquistando pelo mundo: o Lula conseguiu inocular o vírus da corrupção na Itália, que inclusive fez uma operação chamada Mãos Limpas; corrompeu o Sarkozy, levando-o a ser condenado; tornou João Havelange e Ricardo Teixeira ladrões – sem esquecer do Joseph Blatter e o próprio Beckenbauer; com seu carisma de alfabetizado mais pela vida do que pela cátedra, eis que agora se sabe que Lula corrompeu o COI…

Até a candidatura do Brasil, a escolha das demais sedes sempre foi apenas por questões técnicas, sem nenhuma troca de favores. Foi Lula quem corrompeu todo este povo. Foi Lula quem ensinou a este povo que vale a pena barganhar favores em troca de votos.

É por conta de haver gente com esta visão tão estupidamente torpe que o Brasil está neste estágio, porque para mim a história é bem diferente: a Copa e os Jogos Olímpicos para o Brasil porque pela primeira vez o Brasil aceitou jogar o jogo que sempre existiu.

Com Temer, Brasil viverá a paz dos cemitérios

Consulting the Oracle 1884 John William Waterhouse 1849-1917 Presented by Sir Henry Tate 1894 http://www.tate.org.uk/art/work/N01541

Nos primórdios, as pessoas do povo e os mandatários recorriam aos oráculos para saber o futuro, para antever o destino e tentar fugir das armadilhas criadas pelo acaso ou, na crença de então, por desígnios de uma infinidade de deuses que viviam em conflito entre si e redundando em castigos, pragas e penas para os “mortais”.

A partir da mitologia sabe-se da existência de três destes oráculos famosos (Delfos, Zeus e Ámon). A própria Bíblia trata de oráculos em vários momentos, por vezes textualmente e em outras de modo simbológico.

Entender o que vai acontecer com a política brasileira passa por esta vontade latente de querer saber o que vem pela frente – mas já se sabe que aquilo que começa de um desvio da normalidade democrática – ou da forma irresponsável como um ex-ministro do STF reduziu a “pausa democrática” – não tem como chegar a bom termo.

Ungido a condição de presidente, Temer é, em termos reais, a própria negação daquilo que se propõe a conduzir: a pacificação. Instrumento barato e leviano para a construção do golpe, Temer será mais um joguete nas mãos dos interesses ocultos que comandaram e financiaram a cruzada moralizadora, do que chefe da Nação – visto que está destituído da legitimidade direta que apenas as urnas podem conceder e conceber através do voto.

Não se trata aqui de discutir se Dilma tinha ou não a qualificação mínima para ocupar a presidência – e estou entre aqueles que julgam que Dilma é uma desqualificada para o cargo e o PT tem imensa responsabilidade com tudo que está acontecendo neste momento, na medida em que não teve compreensão da própria incompetência de Dilma e referendou a aventura de sua reeleição. Mas a democracia não permite que a esperteza e a vilania de alguns sejam maior do que a opção da maioria – e, volto a dizer, não se discute se a opção é certa ou errada. Na democracia, o princípio básico que foi ignorado, desde outubro de 2014, foi o desrespeito pela decisão da maioria.

Claro que o presidente interino contará com o respaldo da mídia, a conivência do Judiciário e a cumplicidade de um Congresso Nacional ávido por recursos, porque muitos dos sócios da carnificina estão sem acesso aos recursos faz tempo e alguns inclusive morrendo de inanição.

Imaginar o que virá depende muito da percepção da própria realidade que vivemos, mas é certo que o Governo Temer irá pautar muito de acordo com as expectativas dos grupos que o apoiaram/financiaram e dos movimentos pautados por uma ética de ocasião e de defesa de bandeiras de proteção de seu espaço social.

Assim, ainda que não esteja definido tudo que virá, está mais do que claro que teremos:

  • os bancos – os grandes beneficiados nos 14 anos do governo do PT (Lula + Dilma) -continuarão lucrando cada vez mais;
  • arrocho salarial e perdas para os aposentados;
  • as empresas públicas serão passadas nos cobres, porque o próprio PT acabou por ajudar o discurso privatizante, envolvendo tais empresas em denúncias de negociatas e corrupção;
  • reformas na previdência, que são mais do que urgentes, pois vem sendo adiadas desde os tempos de… Sarney;
  • criminalização dos movimentos sociais;
  • profundas mudanças na CLT, com o fim de direitos e conquistas da classe trabalhadora;
  • drástica redução da fiscalização por parte do Ministério do Trabalho sobre as condições de vida dos trabalhadores em áreas rurais/fazendas;
  • alteração na lei de greve do serviço público;
  • redefinição do papel de empresas públicas como a Caixa e a própria EBC;
  • drástica redução nos programas de inserção social e de transferência de renda;
  • o abandono do Mercosul como prioridade de integração;
  • abertura do mercado consumidor brasileiro para empresas estrangeiras sem nenhuma salvaguarda às empresas nacionais – empresas aéreas é apenas o ponta-pé inicial;
  • agressivo programa de concessão de setores de infra-estrutura, priorizando o lucro dos concessionários, em detrimento da sociedade (vide diferença entre os pedágios de rodovias licitadas nos governos FHC e nos governos do PT).

Não se trata de antever o caos, mas apenas o exercício de ir juntando fragmentos e formando um mosaico que pode parecer sombrio – mas que terá como principal destinatário na hora de pagar a fatura o trabalhador, que estará em uma situação cada vez mais fragilizada.

Petistas querem resgatar legados do governo do PT – mas sem defender Dilma

05112015 - Petistas

O ser humano é capaz de ações e de omissões surpreendentes.

E é, acima de tudo, um “animal” que pode carregar verdades e vontades em si, sem revelá-las. Esperando para desnudar-se quando o peso tornar-se insuportável ou não houver mais conveniências.

Conversando com petistas – parlamentares, militantes e dirigentes em vários escalões – foi possível perceber o quanto é (era?) pesado carregar o fardo de Dilma Rousseff. Mas não se trata de uma percepção de agora – porque em alguns casos escuto tais confidências e revelações desde bem antes das eleições de 2014.

Claro está que são pessoas que têm a uni-las a compreensão que já tinham lá no passado e que o presente apenas confirma de que foi um equívoco o PT não ir para o confronto com a Dilma em maio de 2014 – impondo a candidatura de Lula.

Para estes, o desfecho que se aproxima é sinônimo de alívio – porque alguns só votaram “não” no dia 17 de abril por lealdade ao Partido. Se pudessem, teriam votado sim.

E apontam  a sucessão de equívocos que a presidente Dilma foi cometendo, sempre dentro de uma lógica simples: “se” tendo a eleição de 2014 como referência ela já fez o que fez, o que esperar dela e de suas ações sem nenhum compromisso com 2018?

O preço do vaticínio tardio é ele soar como oportunista, como desforra. Eles sabem que podem pagar este preço, mas se defendem lembrando que este sentimento “anti-Dilma” dentro do PT sempre foi do conhecimento da Executiva e do próprio presidente Lula. “Sem a Dilma, vamos fazer o que nós sabemos realmente fazer: oposição”, disse um deles enquanto acompanhava o noticiário do andamento do processo no Senado. “Nós não podemos carregar a ilusão de que vamos voltar em 180 dias, até porque estaríamos voltando com a Dilma na presidência e há a certeza de que ela voltaria a cometer os mesmos erros, as mesmas omissões e as mesmas trapalhadas”, concluiu enquanto a porta do elevador se fechava.

Eles não cogitam abandonar a sigla, até porque sabem que criar uma legenda demanda tempo e, principalmente, a necessidade de criar uma empatia com algum segmento social que dê sustentação à ação política.

Há, ainda, outro fator a desanimar a ida destes para um novo partido: no Brasil, as legendas são estruturadas a partir do personalismo. E quando não há este “fio condutor”, acabam virando balcões regionais de negócios. Dentro desta perspectiva, a Rede seria sinônimo de Marina. Quando não tem uma “cara” para vincular, viram saladas de fruta – realidade na qual se insere o PDT que foi de Brizola e hoje nem brizolista é; do Dem que foi de ACM e Bornhausen e hoje é um reduto folclórico com ação nos cafundós do Goiás e na Bahia – lembrando que a turma já abrigou Arruda; o PSDB vive no embate entre facções de São Paulo e Minas; o PMDB uma confederação de partidos regionais, cada qual com sua linha de interesses. Outros exemplos de partidos que patinam no descrédito da política nacional seriam o Psol, o novo partido de Erundina enquanto ela não estrutura um partido para chamar de seu. E seguem desfiando um rosário para outras siglas que surgem sem justificativa que transcenda abocanhar uma parcela do fundo partidário e acomodar interesses.

Assim, querem permanecer no Partido – cientes de que devem submergir e purgarão por algum tempo, sendo responsabilizados pela chamada “herança maldita”. Mas, ainda assim, acreditam que será menos penoso reconstruir o PT de uma perspectiva políitca do que começar do “zero”.

Há outro fio condutor a unir os petistas anti-Dilma: querem pautar a ação política, no cotidiano e no parlamento, na defesa do partido e do legado que acreditam que foi construído. Mas nada de defender Dilma. Para eles, Dilma é um nome que deve ser desvinculado do Partido – algo que acreditam que acontecerá de modo espontâneo.

Para esta parcela de petistas, hoje começa efetivamente um novo dia…

 

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