Blog do Alfredo

Category: Ponto de vista

Vozes da Alemanha. Ecos da Catalunha

A forma como o mundo se move é uma incógnita, mas dentro de um processo cíclico.

Tenho lido muito e escutado mais ainda sobre as idas e vindas dos movimentos nacionais, nacionalistas e do avanço de discursos excludentes – como se eles fossem uma novidade, uma criação dos malvados europeus, eurocéticos e branquelos.

Os países islamitas são, antes de mais nada, excludentes e intolerantes – basta ver como são tratadas as minorias cristãs nestes países, com o ataque sistemático aos povos que ousam professar o cristianismo.

E daí passamos a ler que há uma onda islamofóbica na Alemanha – mas convivemos com o silêncio e a conivência da verdadeira cruzada cristanofóbica que é norma cotidiana na maioria dos países islâmicos – sendo inclusive muito “comuns” a crucificação de cristãos. E não apenas pelo EI.

Aqui, entre nós, há muitas verdades que precisam ser repensadas – para que, enfim, deixemos de gostar de viver no reinado da farsa.

Porque, afinal de contas, uma votação com 90% em favor de um postulado não tem valor para o jogo democrático de quem só aceita a democracia quando lhe convém.]

Assim como fez o Aécio que, por birra, colocou acetona no monte. E se fez para encher o saco, acabou ele próprio transformado em pó. Em todos os sentidos.

Na Catalunha como aqui, o amanhã é sombrio…

Tempo e memória 17 – Os limites da liberdade

Em 17 de novembro de 2010:

Derrotada, mídia opta por disseminar preconceitos

Causou asco, nojo, espanto e indignação a revelação, em nível nacional, das diatribese sandices vociferadas por um ‘comentarista’ da RBS/SC. Em verdade, não deveria.

Este sujeito, ao qual não se nomina e nem se insere em nenhuma profissão visto que a sua indicação como ‘parte’ de determinada área ou categoria poderia servir como referência desabonadora de outros bons profissionais em verdade não fala sozinho.

Este sujeito, ao qual alguns tentam vincular sua origem (RS) para disseminar o preconceito inverso de que todo gaúcho é preconceituoso, é na realidade semelhante a tantos outros.

A diferença básica está na sua reiterada grosseria – mas que em nada difere do que já foi vomitado pelo Madureira, pelo Jabor, pelo Mainardi, para ficar apenas em alguns casos. Neste caso, todos são condenados, mas a condenação se dá pela sua manifestação de opinião. Não vi nenhum comentário dizendo que Jabor é contra os nordestinos e contra o Lula por ser carioca.

Ou que o Mainardi é contra o Lula e os nordestinos por ser paulista. Então não venham dizer que Prates falou o que falou por ser gaúcho. Falou porque é imbecil e porque representa um ponto de vista que está na cabeça de comentaristas de vários estados, de várias origens, de várias etnias.

A questão não é o estado onde nasceu, mas o estado (mental) no qual se encontra a cabeça de pessoas capazes de dizerem o que diz um Jabor, um Prates, um Mainardi, uma Cantanhede, um Merval.

Não é coerente que nós, de repente, movidos pelos nossos próprios preconceitos, queiramos jogar fora a água suja do balde sem antes tirarmos a criança de dentro.

Tenho dito e volto a dizer: o Governo Lula/PT foi omisso e se acovardou no enfrentamento desta questão da mídia. Foram oito anos jogados fora, período no qual nem o Governo e nem o Partido do Presidente tiveram a coragem e a ousadia de alterar o eixo da política de comunicação. O que impera dentro da lógica da Secom e na ‘comunicação social’ de empresas como CEF, BB, etc – a única exceção, ainda tímida, é a Petrobrás – é o modo tucano de tratar os veículos. Aos grandes, as benesses de tratamento privilegiado. Aos alternativos e pequenos, migalhas e tratamento desrespeitoso.

A mídia usa estas ‘bocas de aluguel’ porque sabe que o Governo Federal é frouxo e conivente. Certa feita causou furor e espanto a afirmação de José Serra de que haviam ‘blogues sujos’ que, segundo ele, eram financiados pelo Governo Federal. Decrépito e demente, como quem fala o que não sabe e nem entende, Serra jamais pode provar nada – ficando assim, mais uma vez comprovada sua dificuldade de manter ligados o ‘tico e o teco’.

Se o Serra não pode provar nada, resta-nos farto material para mostrar que existe sim uma ‘mídia suja’ fartamente bancada pela mídia oficial. Trata-se de algo vergonhoso, basta folhear – quem tiver estômago – alguma edição da Veja. Basta assistir – quem tiver estômago – a Globo ou a Band.

Sinceramente eu não consigo entender como esta cultura tucana se manteve intacta dentro da Secom – e pode-se temer até que continue a vigorar o mesmo tratamento preconceituoso no governo de Dilma. Não há sinais de mudança desta cultura, até porque muitos ‘companheiros e companheiras’ se sentem mais confortáveis com os salamaleques dos grandes veículos do que com o despojamento de quem faz comunicação comunitária, alternativa, independente ou o nome que se queira dar.

A mídia – derrotada pelos Brasil e pelos brasileiros – continua gozando da generosidade das verbas da Secom e do Governo Federal. E, bancada com o dinheiro da sociedade, continuará a disseminar o preconceito contra o Brasil e os brasileiros que a derrotaram.

O que fomenta que os Jabor, os Prates, as Cantanhede e outros continuem vociferando suas aleivosias, exteriorizando de modo impune e incentivando o preconceito, é a certeza, dos donos dos meios de comunicação, de que lá na Secom o modo tucano de gerir as verbas de publicidade se mantiveram intactas durante os oito anos do Governo Lula/PT.

E apostam que continuará assim no Governo Dilma/PT…

Tempo e memória 16 – Os desafios da blogosfera dita “progressista”

Para mim, mais ególatra que progressista, em 9 de outubro de 2010…

Desafios da blogosfera: nós e nossos umbigos

Nem sempre tenho tempo para ficar ‘passeando’ pelos blogues – afinal de contas, são tantos e por vezes é impossível acompanhar as postagens. Diria até que, muitas vezes, fica até difícil de ir postando novas mensagens – até porque sou meio jurássico, na medida em que apenas posto mensagens de minha máquina.

Mas, tem algo que me preocupa – e isso desde bem antes do chamado e histórico Encontro dos Blogueiros Progressistas que aconteceu em São Paulo. Percebo que numa escala crescente os blogueiros trouxeram para ‘cá’ uma prática que muitas vezes condenamos quando utilizada pela mídia convencional.

A Folha publica, o JN repercute, a Veja trata do tema, o Estadão e assim por diante. Como se fosse uma academia do mútuo elogio. Se formos observar, veremos que esta prática acontece entre os blogueiros – onde um grupo de estrelas faz o mesmo jogo, tratando os demais de modo periférico.

Pode parecer antipatia, mas esta é a percepção que se tem: o umbigo e o ego dos blogueiros é realimentado, ensejando uma disseminação dos mesmos entre os mesmos e, num certo sentido, usando os periféricos como ‘cadeia de transmissão’.

Trata-se de algo delicado, na medida em que, no meu modo de pensar, estamos falando no mais das vezes para nós mesmos. Percebo inclusive a repetição dos nomes de autores de comentários em vários blogues.

O que fazer para romper esta repetição que acaba sendo um fator limitante na expansão de nossas idéias? Eu creio que um dos mecanismos está na utilização de ferramentas auxiliares, mas neste sentido deveríamos buscar uma parceria com jornais de entidades sindicais, associativas.

Aqui no DF, por exemplo, entidades como o Sinpro e o Sindicato dos Bancários possuem jornais e informativos com tiragens bem elevadas – mas ainda percebe-se uma tibieza na construção destas parcerias. Mas este é o melhor caminho. Outra alternativa estaria numa parceria com rádios comunitárias e mesmo canais comunitários – ainda que restritos ao espectro das chamadas ‘tvs por assinatura’. Até porque muitos dos blogues ‘matriz’ do outro lado estão dependurados em portais de jornais, revistas, TVs e por aí afora – o que por si só já enseja milhares de acessos.

Enquanto não conseguirmos romper o limitado de nossos umbigos, o poder de intervenção da blogosfera no ‘cotidiano’ continuará sendo muito limitado – até porque há um ‘outro lado’ que tem jogado com mais virulência, truculência e baixaria.

Como vencer este fator que é hoje um limite real?

Como fazer para não trocarmos apenas o nome da prática que condenamos nos outros e continuarmos com uma postura verticalizada de repetição e de reforço?

Como fazer para resgatar na blogosfera algo que está ausente no cotidiano real que é a solidariedade? Percebo, também, que os blogues ‘de lá’ são muito mais sujos em seu conteúdo, muito mais agressivos – mas os percebo mais solidários entre si (como não transito por aquelas bandas não sei qual o clubismo que adotaram, mas a verdade é que eles se divulgam e se protegem com mais vigor).

Este foi, inclusive, o teor da minha intervenção no Encontro dos Blogueiros – porque percebi o quanto o ego esteve acima da solidariedade. O que nós precisamos é fortalecer os meios de ‘levar’ os blogues para além dos limites e das almas já conquistadas. Mas isto não se dará, na minha modesta opinião, mantendo-se o atual padrão vertical e centralizado, mas pela construção de parcerias paralelas – com o fortalecimento de um contraponto dos blogues regionais.

Aqui não se trata de estipular verdades, mas apenas um desejo intenso e imenso de questionar algumas práticas, avaliar algumas posturas e, acima de tudo, descobrir (compartilhando experiências e angústias) meios, mecanismos e caminhos para transcender o limitado de nossos próprios umbigos.

Tempo e memória 13 – Como o PT sempre procurou ajudar a mídia que o atacava…

Em 14 de setembro de 2010:

Governo Lula financia o “câncer”

Ao se omitir de partir para o enfrentamento da máfia midiática, o governo Lula prestou um imenso desserviço à democracia. Pode-se arghumerntar que o pragmatismo lulista optou por não criar atritos com um setor oligárquico e onde a prática mafiosa e de quadrilha é lei. Mas não precisava envolver-se na lama que cerca este segmento. E é preciso dizer sim: o governo Lula foi conivente com a mídia – a começar pela estrutura da Secom, que sempre se pautou por parâmetros ‘tucanos’ na distribuição de verbas.

Não passa de ardilosa falácia dizer que o governo pulverizou as verbas publicitárias, quando isto é apenas uma verdade forjada em números absolutos. O governo Lula foi conivente ao não ter uma política séria, responsável e consequente para o fortalecimento da comunicação comunitária, independente e verdadeiramente alternativa.

Ao deixar a Secom nas mãos de pessoas comprometidas com o sistema – oriundos da grande mídia e trazendo consigo toda sorte de preconceitos – o governo Lula que tantos avanços teve em outras áreas, no setor da comunicação social foi um retrocesso. E só não está pior por conta da ação dos blogueiros – que ainda são acusados de receber dinheiro do governo e do PT.

Como se explica que um governo popular e democrático insiste em despejar milhões de reais mensalmente nos cofres de empresas como Abril, Globo, Folha, Estadão e RBS – que não passam de ‘câncer’ a carcomer e destruir o tecido social?

O que justifica colocar egressos da TV Globo a comandar a comunicação do País – Hélio Costa, no Ministério das Comunicações; Franklin Martins, na Secom; Tereza Cruvinel, na EBC. Será que só na TV Globo existe competência? Será que não existem pessoas mais capazes e capacitadas?

Cada um destes foi colocado por um razão estratégica – lembrando sempre que o Ministério das comunicações é uma espécie de capitania hereditária onde a TV Globo manda e desmanda. Não deve ser só por acaso que no governo Lula as chamados rádios alternativas e comunitárias viveram seu período de maior perseguição. Não deve ser por acaso que a Conferência de Comunicação foi a última a ser realizada – porque quem esteve na ‘coordenação’ foi alguém indicado por Hélio Costa.

No caso do RS, é ainda mais vergonhosa a cumplicidade do Governo Federal e tenho inclusive solicitado a muitos de meus conhecidos jornalistas em atividade lá que perguntem ao Tarso Genro se ele vaio continuar se ajoelhando para a RBS, se ele vai continuar mantendo a relação promíscua com a RBS – ou se vai fazer como o Roberto Requião e dar uma banana para este povo.

O RS vive um estado de manipulação que chega a ser doentio. Lá a RBS se dfá ao luxo de perseguir democratas, de estar dentro do aparelho do Estado – inclusive com senhas privativas para acesso.

Extraio o post do Cloaca News (http://cloacanews.blogspot.com/) “Depois de admitir, por meio de nota publicada no tabloide venal Zero Hora, que o araponga lotado na Casa Militar do Palácio Piratini era informante do Grupo RBS (afiliado da Globo no RS e em SC), o império mafiomidiático gaúcho está às voltas com mais uma sarna: pelo menos dez senhas de acesso ao Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança foram distribuídas pelo governo Yeda Crusius (PSDB) aos repórteres do conglomerado da Famiglia Sirotsky.”

Lembremo-nos: este grupo mafio-midiático detém o controle da informação no RS e também em SC, com dezenas de concessões de rádio e TV, além de jornais. Não é por acaso que no RS e em SC estão os menores índices de votação de Dilma Rousseff nas pesquisas.

E repito: o governo Lula foi conivente com este grupo mafiomidiático permitindo que fosse inserida publicidade em seus veículos de manipulação, desinformação e preconceito. Se alguém que não for do RS estiver pensando que exagero, convido que assistam – se tiverem estomago – os comentários de Lasier Martins e as notícias de Ana Amélia Lemos (inclusive candidata da RBS ao Senado) no RS ou então os comentários de Luis Carlos Prates ou mesmo de um boçal como Cacau Menezes em algum dos seus veículos em SC. No caso de SC, cabe lembrar que um dosa ‘Sirostky’ inclusive participou de um estupro coletivo contra uma menor – sendo que todos os veículos da ‘famiglia’ silenciaram.

E volto a dizer: o governo Lula foi conivente ao inserir publicidade em tais ‘meios de comunicação’. Ao faser isto, ao permitir que isso ocorresse, Lula foi conivente e cúmplice – esta é uma verdade amarga, mas que precisa ser dita.

Por fim, que a presidenta Dilma Rousseff tenha coragem de implementar uma ‘Lei Geral para os Meios de Comunicação’ ou, como diz o Paulo Henrique Amorim com muita propriedade, ela não terá paz e nem sossego. E concluo eu dizendo: se não fizer a Lei, se não tomar nenhuma atitude, não cumpre o mandato até o fim.

Para que serve o Estado?

Talvez fosse melhor indagar: para quem serve o Estado?

A dura e cruel realidade é que, ao longo de nossa história, observamos que houve uma apropriação do Estado por duas forças supostamente antagônicas:

  1. de um lado, a estrutura burocrática e o corporativismo dos servidores públicos;
  2. de outro, segmentos empresariais e produtivos que criaram mecanismos poderosos e perversos (do quais, o  mais visível, é a corrupção endêmica que se estabelece entre uma iniciativa privada que de capitalista só tem a ganância pelo lucro e uma classe política naturalmente sem compromissos com o País – enquanto que o mais repugnante é a impunidade) que os protegem da concorrência e do risco.

E o Estado, que tem na prestação de serviços básicos (educação, saúde, transporte e segurança) aos mais frágeis da estrutura ou edifício social sua razão de existir, acaba penalizando os únicos a quem deveria efetivamente proteger.

Exemplos da distorção do “papel do Estado” estão em toda parte – como, por exemplo, na estapafúrdia prática de usar o subterfúgio do patrocínio estatal para bancar eventos como o Carnaval. Não há lógica que justifique que o Estado, já tão depauperado, ainda se preste à filantropia momesca.

A sociedade precisa discutir qual o efetivo papel do Estado – porque, afinal de contas, a conta é desta mesma sociedade que, muitas vezes, se sente tão anestesiada ao ponto de imaginar que vale mais a pena juntar-se aos sanguessugas do que lutar por uma relação mais justa e na qual o papel do Estado seja servir.

E não servir-se.

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