Blog do Alfredo

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“Favas contadas”, Temer já comemorou a vitória em jantar com aliados

Certo de que fez o serviço da forma como o rito preconiza – pagando com o que não é seu, prometendo o que for preciso e confiando na absurda falta de pudor e de caráter da maioria dos deputados federais – o governo Temer não só tem certeza de que se safará na votação de hoje a tarde na Câmara dos Deputados, como aproveitou para jantar com os aliados ontem à noite na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Jantar e comemorar.

Já não há panelas nas janelas. Já não há histeria nas ruas. A mídia sabe que com Temer não é a mesma relação “republicana”.

Ainda que o saco de maldades esteja aberto e a corrupção e o fisiologismo continuem sendo a tônica deste presidencialismo de cooptação, o importante – na visão deles – já foi alcançado lá atrás…

Na votação, Temer deve alcançar entre 260 e 270 votos contra o prosseguimento da denúncia. Para alguns parlamentares, esta foi a última oportunidade de extorquir dinheiro do governo – talvez a conta para muitos em 2018. Resta saber se o eleitor levará isto em conta na hora de trocar o seu voto por alguma promessa…

Sobre a expressão “favas contadas”…

Há muitas explicações, copio e transcrevo:

“Esta expressão idiomática vem da forma de eleição do abade em muitos mosteiros medievais, e mesmo depois. Os monges, depois de “chamados a capítulo”, procediam à escolha do abade mediante um sistema de votação de favas brancas (a favor do nomeado) e favas pretas (contra o nomeado). No final, contavam-se as favas. Alguns autores asseveram que este costume de eleger com favas de diferentes cores remonta já à Grécia Clássica.”

Nas Bocas do Mundo, Sérgio Luís de Carvalho

 

Doria – deixou de ser pré-candidato para ser apenas caricato

Bem embalado, empacotado e com seus deslizes administrativos e seus pecados de lobista cuidadosamente maquiados – transformando em empresário de sucesso quem nunca nada produziu, além de viver às custas de governos – Doria não conseguiu manter-se muito tempo dentro do figurino do produto que o marketing criou.

Claro que vencer o PT hoje não chega a ser mérito de ninguém, dada a rejeição que o partido enfrenta por conta de uma reiterada campanha de desconstrução da sigla. E nem vou entrar aqui no mérito ou nos equívocos, mas diria que o PT paga mais por seus acertos do que por seus erros, ainda que entre os seus maiores erros esteja exatamente o de não ter rompido com o status quo ao vencer as eleições em 2002.

Muitas vezes eu discuti com petistas lembrando que a sigla havia vencido uma eleição, o que era bem diferente do que “ganhar” o governo. Ou seja: ao não romper, Lula e o PT pagam o preço da governabilidade – dentro daquilo que o PSDB de maneira muito lúcida chamou de “presidencialismo de cooptação”.

Doria, que vive e enriquece dos governos (inclusive do PT) desde os anos 80, foi vendido como símbolo do sucesso – um case patético, o arquétipo sonhado pelos anti-petistas: rico, sem rugas (prestes a completar 60 anos), com esposa bonita e esbanjando sucesso.

E o eleitorado paulista – que também é símbolo da decadência da aristocracia brasileira, mas ainda tenta manter o antigo ar de superioridade – comprou o candidato, como quem compra um pacote de sabão em pó.

Durante a campanha eleitoral de 2014 estive em São Paulo duas vezes – uma bem próxima às eleições (Feira da Abav de 2014, em setembro). E perguntei ao taxista que me conduzia pela via expressa, porque ele tinha dito que votaria no Doria e ele sintetizou: ele é contra o PT, logo ele que antes havia dito que tinha comprado um apartamento pelo minha Casa – Minha Vida e que a filha fazia jornalismo (eu estava com colete e máquina fotográfica) graças ao Fies.

Ou seja: alguém que tinha sido duplamente beneficiado por políticas dos governos do PT, iria votar e tinha adesivo no carro de alguém que tinha como mérito ser… contra o PT.

Foi assim que Doria, o velho sanguessuga de verbas públicas, virou o herói.

E teria, acredito, vida longa se o novo de repente não esquecesse que aquela figura que o marketing eleitoral criou deveria ser sempre aquela figura que o marketing criou. Mas o velho sanguessuga, o velho fanfarrão, não se conteve e resolveu mostrar que a ambição era muito maior do que a razão e começou a atropelar a moralidade – quando começou a conceder benefícios e contratos aos patrocinadores de “sua” entidade – a Lide, que inclusive concedeu prêmio ao Moro.

O que dizer da sua insistência em usar produtos próximos ao vencimento para transformar em ração para os pobres – tratando-os como animais? E, desmoralizado na sua proposta, eis que ele volta com a ideia de agora fazer com que os alunos da rede pública de ensino comam a ração.

É muita estupidez…

E ele que surgiu como uma possibilidade, como uma alternativa ao próprio PSDB, revelou-se incapaz de entender que tudo na vida tem um timming, que toda ação gera uma reação e que a exposição excessiva e de modo forçado acaba gerando um risco de “queimar” a figura.

E depois de surgir com uma roupagem de modernidade, a cada momento o Doria prefeito se revela mais a figura acabada daquilo que ele o Doria candidato dizia ser a negação – elitista, presunçoso, arrogante e incapaz de aceitar críticas.

Vai definhar nas pesquisas, por mais que os meios de comunicação continuem tratando ele como alguém exótico, como alguém engraçado, caricato – uma espécie de bobo da corte. Ao romper as regras de lealdade dentro do PSDB, Doria se encaminha para ser apenas um político paulistano – no que de pior isto pode representar.

Senado decreta: boliu com um, boliu com todos. E salva Aécio

Foi um grande e bizarro circo – com roteiro definido em conchavos, conversas, acordos e juras de amor eterno e de lealdade.

Não conta tanto o resultado em si, mas serve de parâmetro o que o instinto de sobrevivência da classe política é capaz de fazer com seus próprios escrúpulos. Ao restituir o mandato ao senador Aécio Neves, os 44 senadores mostraram que “ali dentro” é outro mundo, são outros os parâmetros e são outras as leis que regem o submundo da política.

Quando o STF se acovardou e se acadelou às ameaças de enfrentamento em reiterados recados enviados de modo aberto e escancarado pelos senadores, ficou claro que cada qual lavaria suas mãos e trataria de safar os seus próprios privilégios.

É preciso entender o recado que o Senado deu à sociedade dentro de uma perspectiva de escárnio e de deboche. A Corte Alta (SFT) e a Câmara Alta (Senado) se igualam no mesmo patamar de cumplicidade, de conivência e de descaso com quem lhes paga salários, mordomias e lhes garante a abjeta impunidade com a qual fazem questão de colocar o povo brasileiro apenas na condição de míseros palhaços.

Não vou entrar no mérito de todos os votos que livraram a cara do Aécio, mas no caso do DF me pareceu pilhéria um levantamento que colocova como indeciso o Hélio Gambiarra – uma das maiores aberrações políticas que nossa (de Brasília) história recente foi capaz de forjar. Trata-se de um político sem noção de compromisso com a sociedade, que chegou ao senado sem ter votos e sairá de lá para a lata de lixo da história como uma justificativa definitiva para o fim desta excrecência chamada de “Suplentes” – algo que acabará sendo extinto pela Justiça, com o fim das coligações.

Gambiarra, que fez 6 votos na disputa para a Câmara Legislativa em 2014, é conhecido dentro do Senado como um puxa-saco de Renan, votando a cabresto e fazendo o que o senador de Alagoas mandar – ainda que custe cargos e empregos de aliados.

Reguffe, o outro senador do DF, votou Sim e Cristovam, só para variar, estava viajando – ele que pretende ganhar do povo do DF mais oito anos para não fazer nada e conhecer muitos lugares e muitos países. Sempre às custas do dinheiro do cidadão.

Todo mundo sonha, mas só o Aécio tem um Judiciário para chamar de “seu”

Como os julgamentos do Supremo seguem uma tendência de momento, o que a Casa decide em uma situação, perde o valor logo ali adiante – basta que os seus privilégios sofram qualquer tipo de risco. Lula já sentenciou que o País tem uma “Suprema Corte totalmente acovardada” – e isso pode ser motivo de júbilo da alguns que hoje veem seus interesses resguardados, mas é péssimo para o País, é péssimo para a sociedade e, pior ainda, péssimo para o próprio STF.

O contorcionismo vocabular da Presidente do STF ao final da sessão foi algo constrangedor, ela sabia o que tinha que fazer – mas não sabia como. Foram momentos hilariantes, onde os ministros que estavam ao seu lado tentavam ajudá-la a construir uma linha de raciocínio que justificasse o que ela própria não conseguia.

E quanto mais ela falava, mais atrapalhada ela ficava – já quase arrancando os cabelos para saber como fazer para cumprir o que tinha acordado.

Instaura-se, agora, o reinado que deve, por dever, passar a ser direito de todo cidadão: decisões judiciais só passarão a ser cumpridas se o apenado concordar com ela.

Este foi o recado direto do grande circo de hoje (dia 11) que o STF encenou – numa demonstração cabal que os interesses de grupos são maiores do que os direitos dos cidadãos. E o mais patético foi a própria Carmem Lúcia dizer que não estava dizendo o que no fundo ela precisava dizer. Porque assim tinha sido dito lá, bem atrás, numa gravação que soa como roteiro de um filme de terror.

Ora, sejamos estúpidos: se um senador da República pedindo dinheiro para alguém já não é passível de encarceramento, então que se abram todos os presídios – que se pare de gastar dinheiro com o confinamento de presos de todas as espécies.

A lição nada positiva que o Supremo deu hoje, para a sociedade, foi a de que existem várias Justiças em nosso País – dependendo das circunstâncias e dos interesses que estiverem em jogo.

Saúdo com imensa alegria esta decisão, porque ela serviu para escancarar o que muitos tolos ainda tinham como referência: temos, infelizmente, uma Corte acovardada, controlada por interesses que fogem da questão judiciária e passam por questões de afinidades ideológicas, por questões de compadrio e de escárnio.

E este é, na minha opinião, apenas o primeiro de muitos ajustes que serão adotados. Chego a temer os próximos passos, como por exemplo o fim da prisão aos condenados em 2ª instância. Porque a sinalização que o STF deu hoje para a sociedade é que o crime, quando envolve poderosos, sempre compensa.

Lula, o último caudilho da política nacional

Tem uma música lá no RS, Trote, composição de João Pereira e Nenito Sarturi que em certo momento diz:

“Mas a vida em seu galope
Não dá alce e corcoveia
E ensina que andando a trote
A rodada é menos feia”

A despeito de uma certa dificuldade que alguns poderão ter com o desconhecimento do linguajar xucro e barbaresco da gente lá da minha terra, os versos podem ser substituídos pro algo como “apressado come cru e quente”.

Tenho tentado conversar com as pessoas, mostrando que a cegueira e o ódio com que elas tentam reinventar a realidade acaba tendo um preço muito significativo. De uns tempos para cá, basta que alguém comece a destilar impropérios contra o PT e contra os petistas e logo se forma uma platéia, mais para patuleia (não no sentido da Revolução de 1836) – aqui compreendida a pobreza mental.

Não é preciso ter conteúdo, não é preciso ter argumentos, não é preciso seguir uma linha de raciocínio, não se faz necessária uma reflexão. Lembra, em certo sentido, um bordão do começo dos anos 80 e que era mote em eleições sindicais e de entidades de classe: “Fora pelegada”.

Bastava isso para que já tivesse uma plataforma eleitoral estruturada.

O mesmo vale para obter a salivação raivosa de tantos: basta falar mal do PT – e não que o PT e os petistas não façam por onde – e há um regozijo no ar,  uma sentimento de conforto: opa… este é dos meus.

E por conta deste reducionismo intelectual e pelo abandono do processo dialético e da discussão que vá além dos estereótipos, estamos antecipando o período eleitoral de 2018. E em lugar de estarmos discutindo as propostas que os candidatos têm, estamos envoltos em um Grenal ridículo e no qual só tem um perdedor: o Brasil.

Os dois lados esperam por Moro, para decidir o que fazer em 2018. E Moro espera por um milagre de que apareçam em suas mãos mais do que evidências, convicções e vontades para que possa enfim cumprir a missão para a qual foi escalado, guindado do ostracismo de um magistrado que atuou por conveniência no episódio do Banestado e que se viu alçado a condição de justiceiro, de única alternativa para impedir a volta de Lula ao poder.

E enquanto os dois lados esperam, o que fazem?

Um lado – o PT – expõe toda sua dependência ao carisma de Lula, que serve como um pólo aglutinador de todas as forças internas do PT e de grupos (em muitos partidos) que se sentem atraídos pelo seu carisma.

Como alguém que não quer ver a realidade, o PT – ao menos para o grande público – não aceita nem ao menos pensar em Plano B. A ausência de alternativas mostra não a convicção, mas exatamente a sua fragilidade, a sua dependência pela figura central. Em um exercício de futurologia, pode-se dizer que o PT sem o Lula deixará de ser um partido nacional para ser um partido regional, onde os caciques de cada estado definirão segundo seus interesses e suas conveniências de sobrevivência (este sim o instinto mais forte do ser humano, ainda mais do político).

Em outras palavras: por não se ter renovado, por não ter apoiado a formação de novas lideranças, o PT passará a ser como o PMDB que tem um dono em cada estado e um chefe da quadrilha toda; será uma espécie de PSDB onde os mandaletes farão o serviço que os chefetes consideram indigno e que os chefes precisam que seja feito.

A bem da verdade, Lula é o último caudilho da política nacional – populista, carismático e sem posicionamento ideológico definido, com habilidade para transitar em todo o campo da centro-direita e até a centro-esquerda, sem ter, na realidade, compromisso com nenhum destes campos.

O compromisso do Lula é com o seu projeto pessoal. Como era a postura de outros caudilhos (Sarney, ACM, Bornhausen, FHC, Brizola) – para ficar apenas nos mais recentes.

Ou as pessoas já esqueceram o vai-e-vém de ACM – entre a alcunha de “Malvadeza” e “Ternura”; Sarney de decrépito e responsável pela pauperização do povo do Maranhão, até “ícone” da redemocratização.

E o outro lado – que tinha um patrimônio eleitoral de muitos milhões de votos em 2014 como trunfo, hoje tem em suas mãos algumas penas descoloridas dos embates que consomem as entranhas do ninho tucano. Vergastado pela debacle de Aécio, o PSDB nem teve tempo de comemorar a vitória de Dória e já se viu diante de outra luta fratricida, marcada de traições.

Alckmin que assitia de camarote a derrocada de Aécio, inclusive com um sentimento de pequena vingança pessoal por conta da falta de empenho de Aécio em Minas no 2º turno da eleição presidencial de 2006, quando conseguiu a primazia de diminuir a sua própria votação.

Quando Alckmin pensava estar com o caminho livre – afinal de contas Serra sofre com doenças e com denúncias – principalmente depois de fazer de uma figura velha e conhecida do submundo da política uma alternativa “nova” e elegê-lo prefeito da principal cidade do País, eis que a criatura que era bizarra, folclórica e motivo de chacota pelo modo de administrar via whatsapp, resolveu, diante da ausência de alternativas, assumir o discurso “anti-Lula” no ninho tucano – um nicho já ocupado por Bolsonaro.

E trocando bicadas, o que fica claro: é apenas uma disputa pelo poder, por voltar a ter acesso aos cofres públicos (de onde, diga-se de passagem, Doria SEMPRE buscou recursos para construir sua fortuna pessoal).

E aí está o grande problema, a razão pela qual, no meu entendimento, somos o país do futuro que nunca chega: nossa falta de memória. Nossa incapacidade de pensar com a cabeça. Somos o tempo todo induzidos a pensar com o fígado, a pensar com rancor – porque desta maneira não é necessário “refletir” sobre nada.

Esta é, na minha opinião, a razão pela qual as pessoas se sentem mimetizadas a repetir chavões contra ou a favor, sem nenhum compromisso com a realidade. Elas sabem que esta simplificação é o caminho mais fácil para o aplauso – nem que sejam aquelas palmas protocolares que se escutam ao final de velórios.

Eleições 2018: quando o desespero bate à porta

A divulgação da pesquisa Datafolha acerca das intenções de voto para 2018 e que coloca Lula na liderança em todos os cenários – tanto no 1º quanto no 2º turnos – desencadeou uma série de ações tresloucadas da própria Folha e dos demais meios de comunicação, além de ter recrudescida a virulência nas redes sociais.

Há rancor, ódio, raiva e uma escancarada revelação da percepção de impotência de quem tem no ódio ao Lula sua única razão de viver, de existir e de pensar.

Os meios de comunicação então perderam as estribeiras.

A manchete da Folha dessa segunda, 2, e as abordagens do Uol soaram quase que como imposições ao fantoche travestido de magistrado: “O povo quer ver Lula preso” – com se estivessem avisando ao togado que não passou no Exame da OAB, que concluiu mestrado e doutorado em prazo record e chegou a “Juiz” sem ter cumprido o período de três anos de exercício da advocacia, de que ou ele faz o serviço para o qual foi indicado, ou o mundo pode deixar de ser assim tão conivente com seus arroubos e com suas arbitrariedades.

Não estou entre aqueles que entoam loas ao Lula e muito menos acredito que seja positivo para o País a sua volta ao poder. Mas esta minha opinião pessoal não pode se sobrepor à realidade: prender o Lula virou a única razão de existência de todo o Judiciário (STF como parte ativa) e da imprensa.

E fica escancarado o desespero em ações que vão se sucedendo.

Depois de ter imposto ao Moro a ordem de que o “povo” apóia a prisão do Lula, eis que às 17h32, em artigo escrito da Bloomberg com o título de: “As cinco razões por que Lula não assusta o mercado, segundo analistas”.

É uma obra prima de rancor, de confissão de medos e de, mais uma vez e como ítem 1, um pedido escancarado de que a Justiça faça aquilo que as provas não conseguem provar e que o mercado mais do que querer, exige: a prisão de Lula é a esperança do mercado.

Ao longo dos últimos anos escrevi vários artigos enfatizando que o grande erro da oposição foi ela ter terceirizado a militância política para a mídia, enquanto ela, oposição, continuava a mordiscar dinheiro público – ainda que o governo fosse supostamente “dos trabalhadores”. Deixar que a mídia pautasse a ação política levou ao processo de fragilizar os partidos como um todo – quando, a bem da verdade, o objetivo inicial era apenas demonizar o PT e os movimentos populares.

O tiro saiu pela culatra e agora a mídia, em desespero, percebe que está numa situação onde em lugar de destruir Lula, criou o mito do nordestino pobre e perseguido. E de quebra jogou na vala todos os seus preferidos.

Diante das reações destrambelhadas depois de uma simples pesquisa, tenho a clara sensação de que a mídia em seu desespero diante de um cenário que ela já deixou claro que não irá aceitar, pode agarrar-se a qualquer aventura para não aceitar a realidade.

Será interessante observar as diatribes, as bizarrices e as insanidades que a mídia lançará mão neste período. A menos que o Moro faça aquilo que lhe está sendo ordenado…

E o PSDB encontrou um nome e um baita problema

0402 - BA - Doria

Doria surge como uma alternativa com o verniz do “novo”, mas sua ligação com os cofres públicos vem do começo dos anos 90

Manhã de domingo, eis que antes mesmo do café da manhã, desanda o celular a acusar chamadas. Tenho por hábito atender, nos finais de semana, apenas ligações de números identificados, de pessoas conhecidas.

E o número que insiste é de um código 011. Uma, duas, três e quando veio a quarta ligação, resolvi atender.
– Alemão… agora nós não precisamos mais que o Moro prenda o Lula…

Pelo sotaque paulistano, arrastado e carregado de nuances de quem nasceu em Piracicaba e se orgulha até dos erros de concordância, ficou fácil saber quem estava assim todo afoito.

– Bom dia, primeiro… E nós quem, cara pálida?

A gargalhada inconfundível veio acompanhada de um regozijo que não havia nas últimas e monocórdias conversas quando ele apenas sentenciava:

– Ou o Moro prende o Lula, ou vamos morrer de fome sem o dinheiro do governo…

E a explicação eufórica, como quem estava ali pela terceira garrafa de vinho ou sexta dose de uma boa cachaça da Weber Haus, veio logo: os reiteradamente derrotados, acreditam ter encontrado um nome para se contrapor ao favorito…

Na verdade, eu já havia captado esta sensação de alívio que percebo entre os conhecidos que antes de mais nada odeiam o Lula e depois detestam o PT. Já tinha conversado com alguns tucanos que, coçando a cabeça, se mostravam ainda contrariados com o almofadinha – mas já admitindo que o “novo” que eles temiam em hipótese alguma seria Bolsonaro.

Mas era uma espécie de alivio contido e um misto de resignação e perplexidade: ele vai nos engolir, constatavam estes tucanos em conversas ao longo dos últimos 45/60 dias.

Ao se vender como um político não político – e que sempre teve dinheiro público em suas ações empresariais e carrega inclusive condenações do TCU por malversações e estrepulias quando comandou a Embratur – Dória ocupou um espaço no imaginário social que estava vazio.

Bolsonaro tentou ocupar este espaço, mas a falta de consistência de sua cruzada e o fato de ser apenas um caricato, sempre impediram que ele fosse visto pelo centro e pela direita como um nome. Na verdade, ele teve o papel de, quando toda a oposição esperava o que os jornais diriam para se manifestar, Bolsonaro ficava entupindo redes sociais com suas tresloucadas, bizarras e insanas tiradas.

Para este segmento, a aparição de Doria soa como uma espécie de oásis.

É a possibilidade de um paulista voltar ao comando do País, de onde foram ejetados pelas urnas em 2002. E, o mais importante, com a possibilidade de preservar o Moro para ações futuras – ele que foi um prestativo defensor da causa em ações como Banestado e Lava Jato.

Mas qual a capacidade de Dória sobreviver fora do aquário de super-proteção que a mídia paulista lhe concede. Como ele irá reagir quando as contestações aos factóides que ele cria forem sendo confrontados coma  realidade? Olhando de longe, Dória afz com que relembremos de César Maia – hoje engolido pela lata de lixo da história e que deve estar sobrevivendo daquilo que amealhou e não houve intenção em descobrir.

Como Doria irá reagir quando confrontado pelas ruas – e já se sabe que ele não tem muita habilidade no trato direto, sem encenação e sem roteiro.

Será o Doria uma espécie de Collor do séc. XXI?

Com as redes sociais dissecando cada momento do seu passado, dos seus contratos de publicidade, com seus débitos do IPTU, com as promessas abandonadas em seu plano de metas e tantas coisas que ainda nem se sabe… como Doria irá sobreviver?

E mais…

  1. Alguém acredita que Andrea (sim, quem manda no Aécio é a Andrea e o neto do Tancredo é reles fantoche) vai aceitar que o irmão fique fora do jogo – logo ela que tem uma imensa voracidade no manuseio de verbas publicitárias e em ameaças a jornalistas vai aceitar que o sonho de “chegar lá” se espatifou?
  2. Deixará Serra de lado o hábito de com sua troupe na PF fazer dossiês contra os inimigos e mesmo ações como foi o episódio contra a Roseana Sarney – para ficar em um só registro?
  3. Alckmin, o mentor insosso que viu a criatura engolir o criador… vai aceitar o papel de coadjuvante a ser descartado ali adiante?

São questões que irão surgir ao longo dos próximos dias – mas a verdade é que, neste momento, Doria surge como uma tábua de salvação.

Por isso a euforia do velho amigo – que foi stalinista e hoje é capaz de andar congregando na Opus Dei.

– Com o Doria, o Moro vai ficar sem o que fazer…

Fator Bolsonaro é fruto da incompetência do PSDB

Derrotado eleitoralmente em 2002, o PSDB optou por terceirizar o papel político de ser oposição para os meios de comunicação. Os parlamentares tucanos passaram a ser pautados pela mídia, num processo onde o ego era mais importante do que a articulação de uma proposta, de um projeto diferenciado daquele que o PT buscava implantar.

A dificuldade do PSDB talvez se justifique pelo fato de que os dois possuem o mesmo viés social-democrata (sendo o PT de centro e o PSDB de centro-direita). Olhando desapaixonadamente, há mais convergências entre as propostas e as práticas dos dois grupos políticos do que propriamente “antagonismo”.

Levando em conta a falta de hábito de “fazer oposição”, os tucanos optaram por esperar que o desgaste do PT no governo – até por ser sabedor desde o primeiro instante que os seus operadores passaram a ser operadores do novo governo – faria com que, em 2006, voltassem facilmente ao comando do Diário Oficial da União.

Entre o fim do 2º turno de 2002 e o 1º turno de 2006, os próceres tucanos apenas usaram o microfone para repercutir o que a mídia diziam – sem coragem, sem capacidade e sem oferecer nenhuma alternativa ao que estava acontecendo.

Desde o fim do 2º turno de 2006 até o 1º turno de 2010, o Brasil e os brasileiros continuaram vivendo o mesmo cenário político, onde a chamada oposição nada mais era do que um grupo ansioso e angustiado para voltar ao poder, a se beneficiar do poder – sem nenhuma proposta concreta.

Sem coragem de ser oposição, o PSDB incentivou, por omissão e conveniência, que além da mídia, algumas figuras histriônicas passassem a ocupar o papel de “oposição”.

Perdeu outra vez e teve de engolir a transformação de um poste, em presidente.

Desde o fim do 2º turno de 2010 até o 1º turno de 2014, tudo que o PSDB conseguiu fazer foi acirrar sua própria luta interna pelo poder – sempre pautado na análise infantil de que o poder voltaria a cair no seu colo. Como se isso fosse um direito natual – e não uma construção política.

Por ter sido omisso e ausente do “fazer política”, eis que em 2014 o tucanato viu que tinha criado algumas cobras – antes incentivadas. E precisou atacar a candidatura de Marina de modo impiedoso, desconstruindo a imagem da ex-seringueira e assim garantir a sua presença no 2º turno.

Outra vez derrotado em 2014, o grão-ducado de plumagens rotas percebeu que era preciso buscar uma forma de, antidemocraticamente, inviabilizar o governo de Dilma – algo para o que ela contribuiu de modo decisivo.

O resto da história é sabido – ao menos a parte já revelada, com suas nuances de perversão e de nonsense.

Faltando mais de um ano para as próximas presidenciais e o desespero tomou conta das hostes tucanas ao constatar que a estratégia adotada – terceirizar o “fazer oposição” para a mídia, instrumentalizar o judiciário como uma ferramenta política e delegar a figuras excêntricas e tresloucadas o papel de vociferar contra o PT – não só se revelou inútil como, nas últimas pesquisas, mostrou que a criatura está engolindo outra vez o criador.

Hoje, fevereiro de 2018, o PSDB precisa se preocupar muito mais com Bolsonaro do que com Lula – porque ao que tudo indica o ex-presidente irá terçar armas contra o “candidato” que não se sabe por qual partido estará na disputa. Se é que estará…

Com a expertise de ter destruído política, moral e ideologicamente Martina Silva em 2014, os tucanos terão de repetir a estratégia contra Bolsonaro. Resta saber se terão o mesmo êxito, uma vez que, ao ser atacada, Marina foi para uma posição de fuga. Não é de se acreditar que Bolsonaro vá aceitar os ataques do PSDB de modo calado, ainda que o seu nome só tenha conquistado espaço por uma concessão política da visão deturpada dos tucanos – que nunca tiveram coragem de se posicionar em relação a nada.

Apertem os cintos que, mesmo sem o voto do povo, o governo do PSDB voltou…

0525 - Herança tucana

A cada novo dia, o cenário fica mais claro. Mesmo para aqueles que AINDA pensam que o impeachment foi apenas e tão somente uma necessidade de remover da presidência uma pessoa despreparada (e, neste caso, é!), extirpar do poder o partido que criou a corrupção no Brasil (porque antes e a partir de agora, restaura-se a probidade republicana), e proceder o resgate e a continuidade daquilo que foi aplicado nos anos 90 nos foi mandatos de FHC: arrocho salarial, inversão da prioridade saindo do social e priorizando o capital, penalizando os mais pobres, protegendo o andar de cima e liberando o orçamento para que este contemple mais quem sonega do que quem trabalha.

A tarefa de Temer – que atua como boneco de ventríloquo com cara de ratazana – será muito facilitada pelo discurso acordado entre a mídia, o Judiciário, partidos políticos, entidades empresariais, algumas centrais sindicais sem compromissos com os trabalhadores e preocupadas com a manutenção do seu quinhão financeiro e de poder: a herança maldita.

O mantra terá como linha básica de atuação ao modo dos ensinamentos de Goebbels: por conta da herança maldita; por conta do fardo dos desmandos dos (des)governos; por conta do descontrole das contas públicas causadas pelo PT; por conta do 7 a 1 da Alemanha; por conta do Dunga; por conta do rombo da Previdência (que existe, mas é superestimado); por conta…

Tudo caberá na frase a partir do argumento “POR CONTA DE”… e é um governo que tem pressa em fazer o serviço, até porque não é certo que conseguirão aprovar a cassação de Dilma ao final do processo do impeachment no Senado. O caldo entornou tanto que, antes, os usurpadores do poder concedido pelo voto a Dilma antes queriam apressar a votação do processo. Hoje, já não sabem se é melhor apressar o rito na tentativa de evitar surpresas ou protelar e dilatar ao máximo os prazos para, na eventualidade de vitória de Dilma, já terem completado o serviço que não conseguiram concluir até 31 de dezembro de 2002.

O recado foi dado e de modo bem claro: este é um governo que governa com o programa do PSDB – até porque o PMDB nunca teve competência de elaborar ou de pensar projeto algum para o País, preocupado apenas em elaborar estratégias para se locupletar com verbas públicas.

Claro que o PT e principalmente o governo de Dilma colaboraram para este estado de coisas, mas colaboraram exatamente porque mantiveram a mesma prática política – tendo apenas tentado inverter UM POUCO, um cadinho só, a ordem de prioridade dos gastos públicos, direcionando pouco mais do que migalhas para o andar de baixo, para o subterrâneo. Mas esta pequena rotação foi um ponto fora da curva que assustou aqueles que pensam, querem e precisam de um Brasil exclusivo.

Ao contrário do que pensam os “vitoriosos”, boa parcela da conta desta aventura tucana será paga por eles também – por conta do arrocho salarial, pelo fim de concursos públicos, por alterações na previdência do servidor. Claro que o estouro maior será nas costas dos pobres, dos mais humildes e da classe trabalhadora – a começar pelo fim e/ou redirecionamento de programas sociais e de transferência de renda(sob o eufemismo de auditorias e sistemáticas de avaliação e desempenho), o fim da vinculação dos investimentos em saúde e em educação com base em avanços reais.

O começo do fim daquilo que nunca deveria ter sido sequer pensado

0523 - Jucá e Temer

O episódio “Jucá” revela bem mais do que o destempero verborrágico de uma figura abjeta que ocupou o espaço político através da capacidade de sobreviver adaptando-se às conveniências. É preciso lembrar e dizer SEMPRE que o PT é parte deste esquema que busca transformar o que é público em particular ao aceitar lambuzar-se no fel de um presidencialismo gerido e comandado por ladrões.

Já disse outras vezes e vou tornar a dizer sempre que me parecer conveniente lembrar que o PT não criou a corrupção, nem a institucionalizou e nem mesmo foi pioneiro em transformar empresas públicas e a ocupação de CCs (ou sei lá qual a sigla do cargo destinado àqueles puxa-sacos que, do nada, adquirem um poder para o qual NUNCA se exigiu qualificação e/ou capacitação) em prática partidária.

O erro do PT – e aí é sim responsabilidade do Lula e do PT – foi não ter tido coragem de, com o respaldo das urnas e com a esperança de mudança, denunciar o preço da governabilidade.

O erro do PT foi achar que, ao jogar o jogo conforme as regras passadas pelo establishment, isto garantiria que ele, PT, seria aceito pelo sistema e visto como confiável.

O erro infantil do PT foi acreditar que usando os mesmos esquemas e canais de desvios de recursos públicos em contratos e de lavagem de dinheiro, isto impediria que, seletivamente, se atacasse e se acusasse apenas o PT.

Enquanto o PT não assumir estes seus erros, continuará aceitando o rótulo de “inventor” da corrupção – quando o Partido foi apenas irresponsavelmente conivente e cúmplice de esquemas que já existiam. E que continuam existindo.

A conversa de Jucá mostra que a derrubada de Dilma foi uma trama urdida entre segmentos que precisam ter um acesso mais privilegiado aos recursos públicos – quanto menso transparente, melhor. A derrubada de Dilma foi uma alternativa “simples, fácil e barata” que uma parcela significativa de membros do Judiciário, da imprensa, do Legislativo, do empresariado, do mercado financeiro e da sociedade naturalmente com viés fascista encontrou para voltar ao poder – ainda que o poder em momento algum tenha saído de suas mãos.

A derrocada de Jucá é um sinal de que dificilmente Temer conseguirá concluir a interinidade – uma vez que a falta de legitimidade do processo como um todo fica a cada dia mais escancarada.

As manifestações contra Temer se intensificam e já é sabido que o vice não possui o mesmo “estomago democrático” que a Dilma tinha e tem – de suportar a pressão, por exemplo. No linguajar do meu tempo de jovem, Temer é um banana de não aguenta pressão. Forjado mais nos conchavos do que no enfrentamento político. Mais afeito à barganha do que à discussão de ideias. Busca mais convergir para sobreviver do que sobreviver para triunfar.

A volta de Dilma pode ser importante para restabelecer a normalidade democrática, mas mergulhará o País em um clima de total passionalidade – dada a posição adotada pelo Congresso Nacional nas votações deste processo que hoje está confirmado que foi urdido e tramado na sua forma mais popular e consagrada: Golpe!

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