Blog do Alfredo

Category: Reformas

Sobrecarga de trabalho no “jurídico” dos Sindicatos

Com a proximidade do dia 11, quando entra em vigor a “nova” Lei Trabalhista – com impactos ainda não mensurados na vida do trabalhador – os departamentos jurídicos dos principais sindicatos em Brasília estão trabalhando ao máximo para limpar as gavetas e dar entrada em todos os processos possíveis até sexta-feira (10).

É consenso entre dirigentes sindicais de que ficará muito mais perigoso questionar algo na Justiça do Trabalho e, com a nova regulamentação, a parte perdedora terá de arcar com as custas. Por esta ótica, algumas entidades sindicais pensam em alterar seu modo de prestar assistência jurídica aos sindicalizados – para não haver risco de condenações financeiras em caso de insucesso em alguma demanda.

Óbvio que haverá um tempo de ajustes – como se dizia lá no passado que era no sacolejar da carroça que as melancias iam se ajeitando, o mesmo acontecerá com a nova dinâmica nas relações de trabalho.

A única certeza cristalina é que a parte naturalmente mais fraca, ficou ainda mais fragilizada. E quem já era naturalmente mais forte, agora joga de mão, escolhe as cartas e se mesmo assim achar que pode perder, sempre poderá contar com a nova visão do TST, manifestada por seu presidente Ives Gandra em entrevista na Folha de São Paulo – o título por si é aterrador, ainda mais quando reflete o pensamento do presidente do TST: “É PRECISO FLEXIBILIZAR DIREITOS SOCIAIS PARA HAVER EMPREGO, DIZ  CHEFE DO TST.

O link da entrevista está AQUI.

Temer, incansável cabo eleitoral do Lula

Por mais que a turma da Lava Jato, junto com boa parte da mídia, se esmere em querer enfiar goela abaixo dos brasileiros de que evidências servem como provas, indícios são suficientes para condenação e necessidade pessoal justifique punir aqueles apontados como inimigos, a verdade que o ex-presidente Lula conta com um cabo eleitoral de primeira qualidade, que trabalha 24h por dia no único objetivo e fazer com que o ex-metalúrgico vença em 2018.

Funciona de modo cotidiano.

Não há dia no qual o Temer não faça questão de dizer ao eleitorado: olha, vocês precisam votar no Lula. O Lula é a sua única alternativa.

O caso mais aterrador é o do gás de cozinha – que não é apenas uma das principais fontes de renda do tráfico nos morros cariocas, mas serve como uma catapulta a arremessar o nome de Lula para a liderança nas pesquisas eleitorais.

Hoje, por exemplo, a Petrobras anunciou mais um pequeno reposicionamento nos preços: mais 12,9%. Com um detalhe: apenas para o gás de cozinha, vendido em botijões de até 13 quilos. Com isso, as famílias sofreram com aumento de 47,6% do gás de cozinha desde o dia 7 de junho.

É preciso realmente tirar o chapéu para o Lula: diante da teimosia de Dilma em disputar a reeleição – ela que nem deveria ter sido candidata em 2010 – ele foi fazer aliança com o Temer; instigou ele a lançar o Eduardo Cunha para a presidência; pediu para o Aécio espernear pela derrota. Porque se a Dilma ainda estivesse na presidência, Lula hoje não teria 5% dos votos – tal a quantidade de trapalhadas que já teria cometido.

Perspicaz, Lula se aliou ao Temer porque entendeu que apenas ele poderia ajudar a tirá-lo das catacumbas e do rancor ao qual estava fadado, por conta das maluquices de sua “criação”, que nunca virou criatura e se revelou um monstrengo.

É dentro deste contexto que é preciso entender as ações do Temer. Ele e seu governo – que na verdade tem a equipe econômica dos sonhos do Lula – atuam 24 horas em favor do ex-presidente. E o resultado é perceptível nas pesquisas.

Para mostrar que é mesmo leal ao Lula, Temer foi além: isentou comércio e indústria do reajuste do gás.

 

 

A política não é uma ciência experimental

Tenho escrito e repetido e sei que tornarei a escrever e a repetir: estamos vivendo um tempo de imediatismos, de urgências e de atropelos. Os fatos e a realidade se transformaram em coisas e, como tais, são usadas de modo que convém.

Atribui-se a Ulysses Guimarães a frase de que políticos são como mariposas, não conseguem viver sem um “pau de luz” – como são chamados os refletores usados para captação de imagens/entrevistas para a televisão (hoje de led, em muitos casos).

Deve-se obrigatoriamente complementar: muitas das mariposas da atualidade não sobrevivem à luz. Fazem parte de uma espécie – e, por favor, entendam… estou usando um modo figurado – de seres que vivem no mundo afótico da política.

É o baixo clero que, quando alçado à superfície, revela-se um ente esponjoso, cheio de vícios e adiposidades. Alguns são tratados com condescendência e tem seus erros e estripulias perdoados, porque convém ao sistema – e, neste cenário, podemos ver o tratamento dispensado ao ex-baixo clero Augusto Nardes, hoje no TCU.

A maioria, no entanto, acaba pagando um preço muito caro.

Acostumados a alimentarem a gula fisiológica de cargos de segundo e terceiro escalão na troca cotidiana de  pequenos favores dos restos e das migalhas (detritívoros) em troca de votos, estes representantes do baixo clero têm a plena consciência de que apenas no limbo sobrevivem.

O problema é quando as pessoas trazem estes seres para a luz.

Foi assim com Severino no passado.

Foi assim com Maranhão no presente.

Eles não são culpados de nada. São fruto de um sistema que fez do Congresso Nacional uma casa de castas, onde cada qual se acomoda de acordo com a sua perspectiva política e sua própria compreensão do papel que cabe à classe política, ao fazer política e, acima de tudo, à compreensão do que efetivamente é o exercício da política.

A pergunta que fica é a mesma de sempre: até quando será conveniente empurrar com a barriga a urgência de uma profunda reforma política?

A pornografia política explícita na montagem do governo Temer

Exultantes com a conquista do impeachment, a consumação do golpe que propicia a volta ao comando do poder daqueles que não possuem votos e nem programa para conquistar o eleitorado, a verdade é que tudo aquilo que antes era repugnante e que causava espanto, nojo e rejeição na mídia, no MP, em parlamentares, comentaristas, tudo voltou a ser praticado como sempre foi no mais perverso e abjeto toma-lá-dá-cá. Mas agora sem nenhum espanto e mediante o silêncio covarde e conivente de quem antes fazia juras de amor pela ética.

Os convites primam pelo padrão da troca de apoio e quando poderia aparecer uma luz no túnel, quando ao menos para disfarçar houvesse a compreensão de que a competência fala mais alto do que o fisiologismo político, volta-se à dura realidade.

E nem vou me ater a bizarrice e revelações de irresponsabilidade mental do ainda vice Michel Temer ao convidar Roberto Freire para ser Ministro da Cultura – ele que, pernambucano de vida política, foi expulso de lá e foi se aninhar em São Paulo – como “diretor” ou conselheiro da Ceagesp e de lá, amparado, protegido e inserido no curral tucano, elegeu-se federal.

Claro que estamos falando de um sub-ministério, uma estrutura que só existe para abrigar aliados de segundo nível, como Dilma fez com Marta, a senadora por São Paulo.

Mas é interessante notar que a barganha é escancarada, sem nenhum pudor. E os que antes clamavam aos céus, pedindo até a intervenção divina contra a bandalheira, agora silenciam… Não só silenciam, como encontram argumentos para defender a prática nefasta que trouxe ao Brasil a um quadro no qual TODA a classe política está enrascada na podridão.

Observemos um exemplo pedagógico de como se estrutura o fisiologismo e a irresponsabilidade. Nem vou “reescrever”, sob pena de alguém pensar que há equívocos de interpretação de minha parte.

Trata-se, neste particular, da indicação do novo Ministro da Saúde, da quota-parte do butin que coube ao PP.

Leiamos com toda atenção o que diz a Folha online:

“Ciro [Nogueira – presidente do PP, cujo partido esteve na base de apoio do governo Dilma] desistiu de indicar Cutait, após pressão da bancada do PP na Câmara. Deputados temiam não conseguir indicar seus aliados para os segundo, terceiro e quarto escalões do Ministério da Saúde, se Cutait se tornasse ministro. O médico tinha exigido que todas as nomeações para esses cargos passassem por ele.”

E continua…

“O presidente do PP descartou que Temer venha a indicar Cutait como sua cota pessoal, mesmo sem o aval do PP. “Isso é impossível de acontecer. Eu te garanto que a indicação vai ser do Partido Progressista, e não vai ser o Cutait”, afirmou.”

Ou seja… Não é o Temer quem vai decidir sobre o seu governo, mas um partido que apoiou e participou do golpe que está assumindo publicamente que a partilha nefasta é regra e segue inalterada.

Com a palavra, os éticos de plantão…

Para aprovar reformas, Temer sonha prolongar a lua de mel com o Congresso Nacional

Político experiente na arte da reciprocidade das traições, Temer sabe perfeitamente que as juras de amor e de fidelidade que já são por si delicadas na vida “humana”, no ambiente parlamentar são ainda mais voláteis. Ele próprio é exemplo vivo do quanto a ambição é capaz de alterar conceitos, opiniões e teses.

Os operadores políticos de Temer acreditam que uma vez transformado no “vice no exercício do cargo de presidente”, o seu governo contaria com o apoio e o respaldo de cerca de 400 deputados federais e em torno de 56 senadores. Ainda que sejam números robustos, são apoios que só se manterão mediante o cumprimento das promessas, da troca de favores, do acolhimento de indicações para empresas, conselhos de administração e postos na administração pública.

Mas se a base é ampla e os números atraentes, estes mesmos operadores trabalham com um cenário de desgaste muito rápido – e também nisto reside a estratégia de Eduardo Cunha de não querer o recesso parlamentar de junho e assim concretizar o julgamento, quanto mais sumário melhor. Para interlocutores tucanos, Cunha confidenciou que, estivesse ele no comando do Senado, e a votação seria em no máximo 90 dias.

Os mais otimistas acreditam que a paciência da nova base de Temer esperaria 60/75 dias para começar algum tipo de rebeldia – algumas já estão acontecendo bem antes da primeira votação no Senado e que irá consumar o afastamento de Dilma por um prazo de até 180 dias.

É uma matemática delicada – porque teremos eleições municipais e a manutenção da “pauta” do impeachment no noticiário é um fator de desgaste, uma vez que aumenta a percepção na sociedade de que tudo não passa de um golpe dos derrotados em 2014.

Temer gostaria de poder contar com um prazo de 120 dias de vida pacífica e relação tranquila com o Congresso Nacional para conseguir aprovar a pauta que negociou e que possibilitou a estruturação da engrenagem política do circo que agora vivemos.

Há um agenda perversa no horizonte dos deputados e senadores – com forte ataque aos direitos dos trabalhadores. E a aprovação destas medidas logo no começo do governo é fundamental para que Temer comece a pagar o preço por ter sido transformado em presidente através do voto indireto.

Dentro deste cenário, os “temeristas” acreditam que será necessário atuar fortemente em duas frentes: no atendimento dos compromissos firmados com os deputados federais e senadores, com os partidos e, ao mesmo tempo, encaminhar a fatura dos acordos firmados com Fiesp, CNI, mercado financeiro e investidores estrangeiros para que o Congresso Nacional aprove tudo a toque de caixa – inclusive para afzer caixa para esta e futuras eleições.

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