Blog do Alfredo

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O que esperar do natimorto e moribundo governo Rollemberg?

O Palácio do Buriti tem um inquilino que se move como um cadáver político, um sujeito que tropego fica tateando móveis e paredes, tropeçando na própria incompetência que era de muitos sabidas, mas que se escondiam pelo fato de que jamais foram obrigado a demonstrar qualquer tino ou iniciativa.

Como político, parece menino criado pela avó.

É um disparate que o DF, com tantos desafios, esteja entregue nas mãos de um gestor com tal nível de desqualificação. Não sabe nem agir e nem reagir – a não ser recorrendo à Justiça para censurar críticas de adversários. Logo ele que gostava de destilar impropérios contra Agnelo, Dilma e outros – sendo que antes havia se fartado em banquetes oferecidos pelos dois.

Quer queiram ou não, o Brasil acabou aderindo ao “Fora Dilma” não por conta das pedaladas fiscais, mas porque ela dava claros sinais de isolamento político, incapacidade administrativa e portar-se como uma biruta de aeroporto – basta observar o vai e vem de sua política econômica, seus antológicos discursos. O uso do atalho constitucional do impeachment acabou derivando em um governo ilegítimo, mas que acabou implementando muitas das propostas pelas quais o próprio PT sempre teve simpatia.

No caso de Rollemberg, como não há ambiente político para uma ação deste porte, a única solução será contar os dias que faltam para que a sociedade se livre dele – ainda que depois terá de arcar com o valor de uma aposentadoria.

Isolado politicamente, Rollemberg parece um notívago que sofre de insônia sempre a caminhar por um mesmo ambiente na esperança de encontrar algo que ainda não tenha visto, com sua visão deformada pela incapacidade de ver e entender a realidade.

Serão meses angustiantes, partes de uma trama que se arrasta, como se os roteiristas tivessem deixado os atores sem uma definição de seus papéis e o diretor, no caso o próprio, sem capacidade de reagir.

Enquanto não vence seu prazo no comando do Buriti, Rollemberg vai dando pauladas e mais pauladas naqueles eleitores que votam apenas para se livrar de determinado dirigente, sem nem ao menos prestarem atenção no jaguara que irão eleger.

Neste sentido, serão meses de aprendizado e de resignação – porque a democracia certamente sobreviverá. O único medo que períodos como estes da gestão de Rollemberg causam é que eles sirvam de alento para resgatar o saudosismo de discursos pregando a volta “velhos tempos”.

Porque, definitivamente, a democracia não tem nenhuma culpa se o eleitor, com o seu voto, elege figuras desde sempre sabidamente incompetentes. Que cada qual assuma seus próprios equívocos e purgue suas culpas.

PT vai em busca do tempo perdido e lança plataforma de participação popular

Foi como nos velhos e bons tempos de sonhos e utopias.

Havia faixas nas paredes, palavras de ordem e emoção nos discursos.

Também havia venda de camisetas, botons, listas de apoio, rifas e tempo para conversas. E nada de coquetéis, ainda que sempre com vinhos de duvidosa qualidade.

Enfim, era como se o velho PT – de antes de 2002, estivesse ali, redivivo.

No lotado Teatro dos Bancários de Brasília, militantes de todas as idades – muitos antigos militantes – readquiriam uma coragem que esteve adormecida ao longo dos anos de pleno emprego. Deixaram de lado, ao menos durante as quase três horas de discursos, palmas e palavras de ordem, aquela preocupação que hoje, sabe-se, embotou o partido: o burocratismo e a sedução do poder.

O evento marcou o lançamento de “o Brasil e o DF que o povo quer”, uma plataforma aberta à participação popular e que busca reconstruir o tempo perdido pelo partido, com o afastamento das demandas e dos anseios populares.

A plataforma está disponível em www.brasilqueopovoquer.org.br e pode ser acessado por qualquer internauta – não precisando ser filiado ao Partido.

Trata-se de uma iniciativa diferenciada, uma vez que resgata a figura do cidadão como parte fundamental do processo político. Ainda que na etapa seguinte o controle das sugestões esteja na mão de “relatores”, a ideia representa um avanço porque busca mudar a visão do “fazer política”.

O próximo passo é ver como será a participação da sociedade, tão receosa de participar da ação política – um processo perigoso e que dá margem ao espontaneísmo e ao viés autoritário de algumas propostas.

Aécio conta com a fengofobia dos seus pares para se salvar

Terça-feira, 17 de outubro.

O dia ainda está longe, mas os temores já são bem presentes e perceptíveis na movimentação de advogados, em liminares, nas articulações, nas promessas, no envolvimento direto do Governo Temer na tentativa de salvar seu principal aliado dentro do PSDB. A semana de Temer, por sinal, será marcada por grandes emoções – até pela divulgação cotidiana dos vídeos com a delação do Funaro.

Neste dia, em hora incerta e improvável, o plenário do Senado terá de julgar se aceita ou não as medidas cautelares impostas pela 1ª Turma do STF ao senador Aécio Neves – inclusive o afastamento do mandato.

Claro que os senadores gostariam mais de continuar na posição de vítimas do Supremo, mas neste jogo de empurra no qual se transformou a política nacional. Ainda que seja certo que o voto da ministra Carmem Lúcia fará parte do anedotário nacional – ela votou não querendo votar e votando querendo dizer que não votava o que estava votando e depois acabou confrontada com a bizarrice do próprio voto – ela ficou com o estigma de indecisa que decidiu uma coisa jurando que tinha decidido a outra, mas passou a batata quente para o Senado Federal.

Dentro do cenário do faz de conta, o ideal para Aécio é que a votação seja secreta – porque daí é possível barganhar apoios. O anonimato protege os corvos, os abutres e as ratazanas.

Existem pessoas, animais e mesmo plantas que sofrem de Fengofobia – que é o medo mórbido da claridade, aqui, no sentido figurado, entendido como o pavor que alguns tem pela transparência. E é com estes que o Aécio conta para se safar da votação no Senado.

Aécio e os seus lutarão até o fim pelo direito de que a votação seja secreta, mas a guerra de liminares será intensa – até porque faltando menos de uma ano para renovação de 2/3 do Senado, ninguém vai querer ser colocado como defensor de alguém que foi flagrado pedindo míseros R$ 2 milhões para um empresário – porque não é apenas o valor em si, não são apenas as filmagens em si, não são apenas as gravações, mas principalmente os termos usados e o modus operandi definido (tem que ser um que a gente mata).

Algumas bancadas já definiram publicamente suas posições, mas apenas o voto aberto e sem subterfúgio, servirá para mostrar como votaram os senadores. O voto aberto é uma forma de pressão e de vigilância que a sociedade tem para se proteger das traições que o anonimato propicia.

No momento, a votação terá de ser nominal e aberta, mas claro que esta liminar será derrubada – se o próprio Supremo se curvou ao poder do senador, imagina a pressão sobre juízes e desembargadores…

Rollemberg, o medíocre com sorte. Para azar de Brasília

Entre os treinadores do futebol brasileiro, cada qual vai construindo seu pefil, sua história: Murici, o ranzinza; Tite, o padre; Joel Santana, o folclórico; Renato Gaúcho, o falastrão; Luxemburgo, o “professô dos pojetos” e assim por diante. Levir Culpi, hoje no Santos, é conhecido por ser um exímio contador de histórias.

Uma delas inclusive é o nome do seu livro (Burro com sorte), com as suas histórias ao longo de 50 anos de futebol.

Ia o ano de 1989, Levir treinava o Criciúma, perdia um clássico regional de SC contra o Joinville. Precisando de um gol, tirou o centroavante e colocou um meia.

Diante da substituição estranha, um torcedor começou a chamá-lo de “burro”.

Eis que o meia, faz o gol do empate e depois ele vai até o alambrado e procura o torcedor e quando o encontra, o torcedor sentencia: “Seu burro com sorte”.

Uso esse gancho para falar do governador do DF – um medíocre que sempre contou com a sorte – a começar pelo fato de não precisar fazer concurso para virar funcionário do Senado Federal. Valeu-se do sobrenome, valeu-se da politicagem. E, cá entre nós, nada mais torpe, vergonhoso e desabonador para alguém do que carregar a pecha de incompetente até para conseguir emprego por seus próprios méritos.

A história de Rollemberg mostra um político oportunista e sem produção legislativa. Foi secretário de turismo no governo do PT entre 1995 e 1998; deputados distrital entre 1999 e 2002, eleito com os votos do PT. Tentou um voo solo em 2002 lançando-se ao GDF e acabou em terceiro lugar. De volta aos braços do PT, assumiu a Secretaria Nacional de Inclusão Social, do Ministério da Ciência e Tecnologia – e a sua passagem é marcada por muitas denúncias. Com o uso da máquina do Governo do PT, elegeu-se deputado federal em 2006 e, só para variar, teve uma ação legislativa dentro do seu padrão.

Em 2010 elegeu-se senador – eram duas vagas – na bacia das almas e outra vez carregado eleitoralmente pelo PT. Em 4 anos no Senado, nada.

Quando assume a candidatura ao GDF em 2014, pode-se dizer que de novo seu maior cabo eleitoral foi o PT – nesse caso, o caos que foi a gestão de Agnelo, engolido pelas obras do Estádio Nacional, uma obra que é um monumento aos desperdício de dinheiro público.

E o que se observa nesses mais de mil dias de trapalhadas administrativas, de medidas tresloucadas para beneficiar financiadores de campanha e para tentar encontrar sempre algum culpado? Nada, absolutamente nada.

Nesses mais de mil dias, Rollemberg conseguiu dar razão às piores e mais nefastas perspectivas que as pessoas tinham em relação ao seu governo. Por vezes converso com seus eleitores e mesmo pessoas que financiaram sua campanha e, quando confrontados com a bizarrice deste governo, dão de ombros e assumem: o mais importante era tirar o PT.

E no lugar do prometido “Choque de gestão”, Rollemberg foi chocando as pessoas com a voracidade com que se jogou nos braços de aprisionados para buscar a governabilidade – tendo em vista que seu partido não tinha e nem tem nenhum Distrital (alguém pode dizer que isto não faz mal, afinal de contas, o DF também não tem ninguém no comando do GDF).

E a única coisa que realmente seria impossível, ele está conseguindo: a proeza de fazer um governo pior do que a trinca de incompetentes que pavimentou o seu caminho (Arruda, Rosso e Agnelo). Cá entre nós: é preciso ser muito medíocre para conseguir tal feito.

Ele que usou como bordão o “choque de gestão” para solucionar tudo, tomou um choque de realidade e se deu conta de sua própria mediocridade.

Para o azar dos moradores de Brasília…

O que é Medíocre:

Medíocre significa mediano, sofrível. É um adjetivo de dois gêneros que qualifica aquele ou aquilo que está na média entre dois termos de comparação , ou seja, que não é bom nem mau, que não é pequeno nem grande etc. Por exemplo: “Um livro medíocre”.

A expressão medíocre é usada também para fazer referência àquele ou àquilo que tem pouco merecimento, que é ordinário, insignificante. irrelevante, vulgar.

O adjetivo medíocre é normalmente utilizado para qualificar aquilo que está abaixo da média, que possui pouco valor, pouca qualidade, algo ordinário e insignificante, mas, é muitas vezes usado como um insulto, no sentido pejorativo, no intuito de agredir verbalmente.

Ser medíocre significa não ter qualidades ou habilidades suficientes para se destacar naquilo que se propõe a fazer, seja na vida pessoal ou profissional. Uma pessoa medíocre é vulgar, tem poucas qualidades, é uma pessoa pobre do ponto de vista intelectual.

Mediocridade é um substantivo feminino que nomeia o estado ou a qualidade do que é medíocre, que revela ausência de mérito, vulgaridade, indivíduo medíocre, sem talento.

Extraído de www.significados.com.br/mediocre/

O Clube de Vizinhança 1, em Brasília, virou propriedade familiar?

0408 - BdoA - Clube de Vizinhança

A ideia dos Clubes de Vizinhança surgiram antes mesmo da inauguração de Brasília. Deveriam ser seis, mas apenas um saiu do papel e foi inaugurado em 11 de abril de 1961 – poucos dias antes da nova capital completar um ano de sua inauguração. O espaço para os demais, existe – mas os terrenos seguem ociosos.

O Clube de Vizinhança 1 localizado na EQS 108/109 está em polvorosa por conta das eleições que acontecem neste domingo. Cansados dos desmandos de um grupo que transformou a estrutura da entidade em algo para benefício familiar, os sócios decidem neste domingo se dão fim a 10 anos de obscurantismo, pressão sobre associados, falta de transparência e, acima de tudo, malversação de recursos.

São várias as chapas que tentam conquistar a simpatia de mais de três mil associados. Um cargo que, além do poder de administrar um orçamento bem representativo (cerca de R$ 700 mil por mês), também dá visibilidade e poder político ao seu ocupante.

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É o caso do presidente Gerson Dias de Lima, réu em processo por improbidade administrativa por conta de estripulias quando fez parte do Governo Arruda, que tentou mudar o estatuto para possibilitar que se candidatasse mais uma vez. Ao não conseguir, colocou a esposa como cabeça da chapa – algo que é visto pelos adversários como uma jogada que define uma laranja.

No caso do processo 2011.01.1.217602.6 a denúncia oferecida pelo MPU-Ministério Público da União é claro e cristalino: Gerson Dias de Lima, que foi Subsecretário de Mobilização de Eventos do GDF na gestão de Arruda, teve participação fundamental para fraudar as contratações diretas – em favor principalmente de uma empresa.

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E não se trata de suspeita ou coisa típica de processos eleitorais. Era propina corriqueira e direta. Sem meias palavras – como está no depoimento do dono da empresa que SEMPRE vencia as licitações:

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O mais engraçado é que muitos dos eventos contratados nem aconteciam – como está no processo. Ou seja: é muita maracutaia.

Mas há mais, inclusive a contratação de obras e serviços com o claro intuito de benefício pessoal.

 

 

A estratégia para transformar o mantra “novas eleições” em clamor nacional

Depois de ter assumido publicamente a defesa da antecipação das eleições para a presidência da República, qualquer notícia da Folha deve ser vista dentro de um contexto estratégico do “seu” projeto de fazer com que o PSDB volte ao governo federal.

O vazamento do áudio se insere neste contexto e busca tornar irreversível a bandeira defendida pelo jornal que atua como porta-voz da elite.

Não há qualquer compromisso com a informação, com a pluralidade ou com a verdade. A divulgação é parte de sua estratégia para que o que ela (Folha) deseje passe a ser clamor nacional. É uma jogada inteligente e que mostra o quanto este discurso encontra amparo.

Comenta-se que o teor das gravações está, desde fins de março, com a PGR, com a PF e com a Justiça (árbitro Moro). A Folha não disse quem liberou o áudio, porque indicaria o que está em jogo e quem a Folha usará como ponta de lança de sua estratégia.

É sabido que hoje o PSDB mantém comando sobre boa parte da cúpula da PF – tanto assim que o seu Diretor Geral trabalhou durante muito tempo na “seccional” de São Paulo e muitos federais sonham com a volta do PSDB ao poder para terem menos trabalho. Não pela diminuição da corrupção. Muito antes, bemmm pelo contrário. Mas porque eles ainda lembram e contam aos mais novos que nos governos do PSDB cabia a Polícia Federal apenas montar dossiês contra os inimigos dos tucanos.

Percebe-se que a movimentação da Folha é no sentido de legitimar a sua bandeira e isto é perceptível na mudança de tom dos que antes batiam panelas contra a corrupção do PT e hoje usam o mote de “é, não tem outro jeito – o negócio é fazer uma nova eleição”.

Mas fazer uma nova eleição sem antes uma profunda, séria e responsável reforma política é apenas MAIS uma tentativa desesperada da Folha de São Paulo e os segmentos que ela representa de voltar a ocupar o poder, a comandar o Brasil.

Zunzum portenho…

Que ninguém se assuste com um eventual retorno apressado de Serra a Brasília, deixando a Argentina e as ameaças das bolinhas de papel e das vais que recebe por onde anda na capital Argentina. Equipe de Michel Temer cogita deslocá-lo do Ministério das relações Exteriores para o Planejamento. A última resistência é de Meirelles – desafeto de Serra e, como ele, pré-candidato a 2018.

Pressa no senado

A incontinência verbal de Jucá e Machado – e, comenta-se, de outras gravações – fez com que Eduardo Cunha aumentasse o ritmo de sua articulação como forma de pressionar senadores a reduzirem ao mínimo “tolerável” – e que possa ser referendado pelo STF em caso de recurso do PT ou de alguém que se sentir ultrajado – o período até a votação final do processo de impeachment. Verdadeiro dono do poder – no qual Temer é apenas um joguete – Cunha não quer correr nenhum risco com eventuais deserções de votos de senadores. A ideia que ele já fez chegar aos seus subalternos no Planalto – Temer, Michelzinho, Padilha e Moreira Franco – é que eles trabalhem no sentido deste prazo não ser superior a 45 dias.

Mais do que isto, é brincar com o imponderável.

Jucá pediu “licença”

No interior há uma expressão meio campeira e que aponta que a pessoa envolvida em falcatruas ou suspeitas ou que foi pega em situação difícil de explicar que ela peça licença e saia de fininho. Jucá, flagrado confessando o golpe, não resistiu e “pediu licença”. A política brasileira e os brasileiros esperam que seja uma licença “até nunca mais”.

Agora, caberá ao Senado passar a guilhotina em seu mandato como passou no mandato de Delcídio.

O Brasil tem a oportunidade de se livrar de Romero e de muitos “jucás”

O pernambucano Romero Jucá é uma das figuras que melhor identificam o perfil de corrupto da classe política brasileira e sua inesgotável capacidade de portar-se como um camaleão para sobreviver.

Pernambucano, foi o último governador de Roraima enquanto território federal. É desta época que vem o apelido de “Lata de Ninho” ou simplesmente “Ninho”: fez um acordo com os garimpeiros, permitindo que extraíssem o minério em reservas indígenas – mediante o pagamento semanal, quinzenal ou mesmo mensal de uma lata de ouro. Este acordo era garantido por um oficial gaúcho da PM de lá. Tinha experiência no trato com os índios e sabia o potencial de extração na região, visto ter sido do Projeto Rondon e ter comandado a Funai.

Foi com este acordo que, segundo o povo de lá, ele construiu sua fortuna e asfaltou a estrada de sua trajetória política.

Virou governador por via indireta quando Roraima virou Estado, mas não conseguiu eleger-se pelo voto. Ocupou outros cargos, até ser eleito senador em 1994 – e passou então a demonstrar toda sua habilidade em sobreviver a governos e denúncias.

Foi fiel escudeiro de FHC, em 2002 já pelo PMDB, passou a ser auxiliar e escudeiro de Lula (de quem foi até ministro), serviu Dilma com dedicação e, quando viu um novo galho, passou a ser conspirador em favor de Temer.

A revelação das gravações, ao que tudo indica pela PF que as tinham em seu poder desde março e há indícios de que também estariam com a PGR e o próprio árbitro Moro cópias do material, mostra que a trama do impeachment foi urdida de modo solerte, escancarado e institucional. E que o interino Temer é um temor para a democracia e o seu governo é um embuste.

E qual a alternativa para o Brasil?

Resta saber ATÉ QUANDO Temer manterá Jucá e quando o Senado irá caçar o Jucá…

Na disputa do “nós contra eles” e “eles contra nós”, os corruptos são sempre os “outros”…

A cada novo dia, a cada nova informação que vem à lume, a cada nova revelação… enfim, a cada novo piscar de olhos fica mais claro que o objetivo dos mentores, defensores e justificadores do impeachment no meio político, no STF onde pontifica a militância política desenfreada e, até certo ponto, irresponsável, de Gilmar Mendes e segmentos da mídia que aproveitaram o mote petista do “nós contra eles” e criaram o “eles contra nós”… que o único objetivo estava na “salvação”. Não aquela prometida por Jesus aos que se arrependem e confessam seus pecados, mas a salvação da impunidade e da manutenção da roubalheira.

A divulgação de trechos de conversas entre Romero Jucá com o ex-tucano Sérgio Machado dá razão aos que apregoam, tipificam e consagram que o que ocorreu no Brasil foi apenas e tão somente um golpe.

Estas revelações do Jucá também serviram para mostrar que aparentemente só resotu um “juiz” honesto no STF, casualmente aquele que é “juiz” e não está ministro por injunções e contingências.

É preciso, por sinal, abrir um parêntese sobre o PSDB: não há criminoso político, corrupto ou delinquente da contravenção com recursos públicos que não tenha em seu DNA uma passagem de formação e qualificação na condição de quadrilheiro-mestre pelos quadros do PSDB. Basta observar alguns exemplos:

  • Marcos Valério
  • Delcídio do Amaral
  • Sérgio Machado
  • Youssef

Sem contar aqueles tantos que por lá continuam – ansiosos pela volta ao poder para voltarem ao seu passatempo predileto: dilapidar cofres públicos, com a conivência da mídia. E a proteção do Judiciário – em sua imensa maioria.

Mas, voltando as confidências…

Sabe-se, agora (para aqueles puros de alma que achavam que apenas o Lula falava palavrão), que os termos de Jucá primam pelo zelo – mas as revelações foram muito mais esclarecedoras:

  • a condução coercitiva foi um circo para impedir Lula de assumir a Casa Civil;
  • que a delação da Odebrecht é uma picaretagem:

 

Machado: Odebrecht vai fazer (delação).

Jucá: Seletiva, mas vai fazer

Fica, pois, a pergunta ao árbitro Moro:

  • é assim que funciona a picaretagem da Lava-jato? A delação é seletiva para proteger quem o protege?

O que estamos vivenciando é um estágio de deterioração do tecido social, do esfacelamento da esperança e da transformação da classe política em dejetos sociais.

O desencanto com o velho governo só arrefeceu na mídia e nas redes sociais

Consolidado junto à opinião pública mundial como embuste, ilegal e sem credibilidade, o governicho de Temer inicia sob as bençãos da conivente cumplicidade dos meios de comunicação e o silêncio envergonhado daqueles que vociferavam impropérios contra o ancien régime, sem se darem conta de que não passavam de incautos arlequins cantarolando em um circo mambembe como se fossem saltimbancos requisitados.

É um governo que envergonha quem o apoiou em nome da moralidade, porque prima pela composição que é um escárnio para quem vociferava palavras de incontida indignação, em arroubos éticos que não suportaram o convívio cruel com a realidade. Ainda que o STF tenha deixado de lado o protagonismo – onde pontificava a militância partidária de Gilmar Mendes e o silêncio acovardado dos demais ministros e ministras – e não tenha manifestado nenhuma perplexidade em conviver com um governo ilegítimo e onde cabe destacar a folha corrida de muitos deles:

  • Henrique Meirelles (Fazenda)

Suspeita de envio de dinheiro ilegal. A denúncia é de 2005 – nos tempos nos quais Meirelles servia ao “governo do mal”.

  • Romero Jucá (Planejamento)

Eterno líder de governos, está na lista de Janot sobre a Lava-jato.

  • Marcos Pereira (Desenvolvimento, Indústria e Comércio)

Denunciado pelo MP por associação ao tráfico

  • José Serra (Relações Exteriores)

Responde a três processos ativos por corrupção e outros crimes eleitorais

  • Eliseu Padilha (Casa Civil)

Volta a ser réu no escândalo dos precatórios

  • Gedel Vieira Lima (Secretaria de Governo)

Envolvido na Lava-jato e na defesa da OAS

  • Sérgio Etchegoyen (Secretaria de Segurança Insitutcional + Abin)

Denunciado como torturador pela Comissão da Verdade

  • Mendonça Filho (Educação)

Recebeu dinheiro para as eleições de 2014 da Odebrecht e Queiroz Galvão. Mas, claro, sendo ele do Demo é óbvio que foi doação legal sem nenhuma intenção ou vinculação…

  • Ricardo Barros (Saúde)

É investigado pelo MP-PR por fraude em licitação. Ainda bem que o Ministério dele não fará nenhuma licitação…

  • Alexandre de Moraes (Justiça e Cidadania)

Continua advogando, ainda que diga o contrário. Atuou na defesa de uma cooperativa de vans do PCC.

  • Blairo Maggi (Agricultura)

A Veja tem farto material sobre o envolvimento dele no escândalo da Operação Ararath. Ou a Veja deixou de ser fonte confiável?

  • Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário)

O TC-RS apontou irregularidades de Terra no período em que esteve à frente da Secretaria de Saúde do RS e na gestão da prefeitura de Santa Rosa. Foi condenado e pagou multa.

  • Sarney Filho (Meio-ambiente)

Beneficiário dos esquemas de corrupção que favorecem a ação e a atuação da família Sarney no Maranhão.

  • Bruno Araújo (Cidades)

Recebeu dinheiro de empresas envolvidas no petrolão, mas é claro que no caso dele tais doações foram apenas por caridade.

  • Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia e Comunicações)

Réu em esquema de corrupção na Feira da Madrugada em São Paulo. A propina, segundo denúncias, era dividida entre Kassab, PCC e Celso Russomano.

  • Maurício Quintella (Transportes)

Foi condenado a, junto com outros nove comparsas, a devolver, em 2014, R$ 133 milhões para os cofres da União por conta de desvios nos programas de merenda e transporte escolar.

E a cereja do bolo:

MICHEL TEMER: Ficha Suja por decisão do TRE-SP

Limpo:

  • Ronaldo Nogueira (Trabalho)

Tem como único “crime” ser evangélico.

Trata-se de algo que deve sim merecer uma demorada reflexão, porque demonstra o perfil das pessoas que se escondiam por detrás do rancor de muitos e a ingênua crença de outros de que haveria um novo quadro, uma nova realidade.

Liturgia do caos: sai um cadáver odiado e entra outro cadáver odiado

05102015 - Dilma e Temer

Ainda que na euforia da concretização do sonho que as urnas teimosamente negavam e, pelas pesquisas, continuariam negando, a verdade é que haverá um tempo de “paz”. Ao menos no noticiário dos meios de comunicação que tratarão de continuar dissecando e expondo à execração pública as entranhas da razão de todo ódio que foi diuturnamente construído – mas, de outra parte, haverá a preocupação de mostrar que, o novo cadáver, é bonito, recatado, cheiroso e do lar.

A necrofilia da política nacional vai precisar de outros cadáveres e eles devem estar sendo cuidadosamente preparados para serem usados no momento oportuno. No sonho de sepultar de uma vez por todas àqueles que foram a razão de todos os males, de todas as mazelas – principalmente de possibilitar, entre os muitos erros, que o quadro social sofresse alterações através de políticas públicas: filhos de pobre estudando.

Minha visão sobre os 14 anos de governo do PT se dividem de modo até certo ponto simplista em dois períodos: de janeiro de 2003 até janeiro de 2011 e a verdadeira debacle começa em maio/junho de 2012 quando Dilma, sabe-se lá guiada por qual oráculo, pensou que poderia abrir mão de tudo que legara e passou a construir o quadro atual ao qual ela chegou – e a responsabilidade é sim, dela! – por equívocos, falta de diálogo com todos os segmentos da sociedade e um acentuado menosprezo pela classe política.

Sempre escuto que as pessoas verdadeiramente inteligentes aprendem com os próprios erros; os inteligentes com os próprios erros e existem os outros. Dilma não quis aprender com os erros do Collor – e ele colocou isso de modo didático em discurso no Senado. Dilma não quis aprender com os próprios erros dela. Assim, ela se insere no terceiro grupo, daqueles que não apenas não aprendem, mas se ufanam de não precisar aprender.

Vejo como uma data do anúncio do fim de Dilma quando ela passou a priorizar os representantes mais esquálidos da nanocracia, pessoas que se prestavam ao papel de verdadeiros “sacos de pancada” apenas pelo prazer ou pelo orgulho de figurarem próximo ao núcleo da “chefe”.

Sempre cabe lembrar que TODOS os ex-ministros e chefes de secretarias (dos partidos da base) votaram pelo sim no dia 17 de abril – e isto tem um peso, porque desnuda um retrato que muitas vezes as pessoas não querem ver, uma realidade que fingem ignorar. Todos eles carregaram o rancor, o ódio e o desprezo pela lembrança da forma como ela os tratava e atacava, as intermináveis esperas na ante-sala, enquanto ela ficava entre nada fazer e fazer nada.

A morte anunciada de Dilma e a chegada de Temer ao governo sem o aval da urnas e com repulsa geral, fará com que o Brasil e os brasileiros vivam uma realidade de termos dois presidentes e, pela falta de qualificação de uma e de legitimidade e qualificação do outro, na verdade vivamos 180 dias (no máximo) sem “presidente” algum. Afastada e interino são os títulos que deverão estar apostos ao mencionarmos os nomes de qualquer um dos dois.

O que é inadiável, por mais que isso cause espanto e revolta, é a implementação de reformas efetivas numa estrutura podre e carcomida – e que, ao contrário de muitos simplistas, não foi construída ou destruída pelos governos do PT. Apenas foi exposta a podridão para servir de álibi para os éticos de plantão, para aqueles que sentiam falta de um gancho, de um “demônio”, como justificativa para expulsar, pela via indireta das promessas e das trocas de favores, a razão de todos os males.

O clima de beligerância tem sido alimentado de modo leviano e causa repulsa quando um suposto ministro do STF – Supremo Tribunal Federal que deveria pautar-se pela sobriedade, assume, de modo irresponsável, o papel de militante político, de chefe de grupo. Quando um suposto “juiz” da mais alta corte do País é contaminado por este tipo de conduta e busca holofotes e microfones para verbalizar sua frustração política pela incontinência verbal, o que esperar dos demais?

Haverá foguetes, provocações, barricadas – com o risco de que a crescente agressividade na verbalização acabe descambando em agressões físicas cada vez mais “cotidianas” – como se cada lado continuasse, de modo insano, na busca por um cadáver.

 

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