Blog do Alfredo

Category: Senado

Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

No DF, sobram candidatos às duas vagas ao paraíso em 2018

Atribui-se ao gênio e frasista Darcy Ribeiro a definição de que o Senado Federal é o paraíso sonhado – lugar onde não se trabalha, recebe-se toda sorte de salamaleques, tem um poder ilimitado, não sofre cobranças, pode viajar de graça pelo mundo, tem mordomias incalculáveis, pode nomear amigos, parentes, amantes e tudo fica por isto mesmo.

E em 2018 o eleitor do DF terá a oportunidade de conceder este salvo-conduto dos sonhos há dois literalmente eleitos.

Ficarão vagas e estarão em disputa as cadeiras de Cristovam Buaque – que em dois mandatos conseguiu a proeza de não apresentar nenhum projeto, ser uma figura caricata e quase sempre viajando, isto quando não está na “Casa” divagando. A outra não é uma “vaga”, mas um vazio em termos de representatividade e ética – com o fim da passagem de Hélio Gambiarra pelo Senado – ele que chegou até este posto sem ter nenhum voto (vale lembrar que foi candidato a Distrital e conseguiu a proeza de ters eis votos), sem ter nenhuma proposta e nenhuma qualificação. E como chegou até lá? Pela existência de uma das tantas excrescências da política nacional que é a figura do “suplente”.

O DF, por sinal, faz tempo – muito tempo – que não tem uma representação decente no Senado – lembrando que dois ex-senadores estão presos (Gim Argello e Luis Estevão), um faliu o império que recebeu do pai (Valmir Amaral), um definha (Roriz), um foi preso e hoje é um cadáver político que de vez em quando surge como um espectro a provar que o crime sempre vale a pena (Arruda). Teve ainda Valmir Campelo, que depois do episódio nunca esclarecido dos dólares nas eleições de 1994, cumpriu o mandato no Senado e ganhou como prêmio o cargo de Ministro do TCU.

Mas… e para 2018?

O que não falta são candidatos, sendo que alguns nomes já estão com suas candidaturas na rua: Chico Leite, da Rede; Jofran e Fraga, do consórcio rorizista-arrudiano; Cristovam, que terá de enfrentar a primeira campanha sem o apoio do PT; e o próprio PT que tem o Distrital Wasny de Roure já colocado, mas alguns petistas preferem e defendem outros nomes com vistas a facilitar seus próprios interesses eleitorais. Nos últimos dias, a Universal (em conjunto com outras representantes da chamada teologia da prosperidade) tem avaliado ter um nome próprio na disputa para o Senado, completando sua representação na CLDF, Câmara dos Deputados e, enfim, no próprio Senado – neste caso, Ronaldo Fonseca, mesmo sendo da Assembleia de Deus, poderia ser a alternativa.

Cada nome implica um tipo de aliança – verdadeiro quebra cabeça que inclui até mesmo a negociação dos cargos de suplente (e, em face do histórico do DF, é importante olhar a nominata toda), muitos conchavos e as tradicionais traições. Se formos olhar o conjunto, cada “vaga” de Senador dá direito a dois suplentes  – ou seja: há muito espaço para composições nada republicanas.

Até o momento, o PSD de Rosso e Renato Santana (que se aquietou ou foi aquietado), ainda não sabe se continuará apoiando o tresloucado e incompetente governo de Rollemberg ou procurará outro caminho (isto é, se tiver outro caminho).

Por falar em Senado…

Nem sempre o DF teve senadores sem peso e nem representatividade. Cabe lembrar que já foram eleitos nomes como Pompeu de Souza e Lauro Campos – como para mostrar que o eleitor do DF já teve mais cuidado ou melhores alternativas.

Nos tempos de Constituinte, corria nos corredores com um misto de lenda, anedota e referência sobre o perfil de Pompeu de Souza a seguinte história.

Numa tarde modorrenta e sem nada de interessante, eis que Pompeu do alto dos seus pouco mais de 1,50 discorria em um dos seus tradicionais discursos quando o também senador Rachid Saldanha Derzi, do PMDB-MS, solicitou o aparte.

Com seu humor tradicional e inigualável, Pompeu prontamente aquiesceu:

– Com muito prazer quero escutar o aparte do nobre senador Saldanha Derzi, digníssimo representante do PCB nesta casa…

Estupefação dos presentes, eis que o senador sul-matogrossense faz questão de esclarecer:

– Vossa excelência deve estar se confundindo, jamais fui ou pensei em ser comunista…

Soltando a tradicional risada que marcava sua vida, Pompeu emendou:

– Quando me refiro ao PCB, não o faço como vinculação ao histórico Partidão. No vosso caso, eu o saúdo como representante da bancada do PCB – Partido dos Criadores de Boi…

E mais não foi preciso dizer…

 

Senado decreta: boliu com um, boliu com todos. E salva Aécio

Foi um grande e bizarro circo – com roteiro definido em conchavos, conversas, acordos e juras de amor eterno e de lealdade.

Não conta tanto o resultado em si, mas serve de parâmetro o que o instinto de sobrevivência da classe política é capaz de fazer com seus próprios escrúpulos. Ao restituir o mandato ao senador Aécio Neves, os 44 senadores mostraram que “ali dentro” é outro mundo, são outros os parâmetros e são outras as leis que regem o submundo da política.

Quando o STF se acovardou e se acadelou às ameaças de enfrentamento em reiterados recados enviados de modo aberto e escancarado pelos senadores, ficou claro que cada qual lavaria suas mãos e trataria de safar os seus próprios privilégios.

É preciso entender o recado que o Senado deu à sociedade dentro de uma perspectiva de escárnio e de deboche. A Corte Alta (SFT) e a Câmara Alta (Senado) se igualam no mesmo patamar de cumplicidade, de conivência e de descaso com quem lhes paga salários, mordomias e lhes garante a abjeta impunidade com a qual fazem questão de colocar o povo brasileiro apenas na condição de míseros palhaços.

Não vou entrar no mérito de todos os votos que livraram a cara do Aécio, mas no caso do DF me pareceu pilhéria um levantamento que colocova como indeciso o Hélio Gambiarra – uma das maiores aberrações políticas que nossa (de Brasília) história recente foi capaz de forjar. Trata-se de um político sem noção de compromisso com a sociedade, que chegou ao senado sem ter votos e sairá de lá para a lata de lixo da história como uma justificativa definitiva para o fim desta excrecência chamada de “Suplentes” – algo que acabará sendo extinto pela Justiça, com o fim das coligações.

Gambiarra, que fez 6 votos na disputa para a Câmara Legislativa em 2014, é conhecido dentro do Senado como um puxa-saco de Renan, votando a cabresto e fazendo o que o senador de Alagoas mandar – ainda que custe cargos e empregos de aliados.

Reguffe, o outro senador do DF, votou Sim e Cristovam, só para variar, estava viajando – ele que pretende ganhar do povo do DF mais oito anos para não fazer nada e conhecer muitos lugares e muitos países. Sempre às custas do dinheiro do cidadão.

Aécio conta com a fengofobia dos seus pares para se salvar

Terça-feira, 17 de outubro.

O dia ainda está longe, mas os temores já são bem presentes e perceptíveis na movimentação de advogados, em liminares, nas articulações, nas promessas, no envolvimento direto do Governo Temer na tentativa de salvar seu principal aliado dentro do PSDB. A semana de Temer, por sinal, será marcada por grandes emoções – até pela divulgação cotidiana dos vídeos com a delação do Funaro.

Neste dia, em hora incerta e improvável, o plenário do Senado terá de julgar se aceita ou não as medidas cautelares impostas pela 1ª Turma do STF ao senador Aécio Neves – inclusive o afastamento do mandato.

Claro que os senadores gostariam mais de continuar na posição de vítimas do Supremo, mas neste jogo de empurra no qual se transformou a política nacional. Ainda que seja certo que o voto da ministra Carmem Lúcia fará parte do anedotário nacional – ela votou não querendo votar e votando querendo dizer que não votava o que estava votando e depois acabou confrontada com a bizarrice do próprio voto – ela ficou com o estigma de indecisa que decidiu uma coisa jurando que tinha decidido a outra, mas passou a batata quente para o Senado Federal.

Dentro do cenário do faz de conta, o ideal para Aécio é que a votação seja secreta – porque daí é possível barganhar apoios. O anonimato protege os corvos, os abutres e as ratazanas.

Existem pessoas, animais e mesmo plantas que sofrem de Fengofobia – que é o medo mórbido da claridade, aqui, no sentido figurado, entendido como o pavor que alguns tem pela transparência. E é com estes que o Aécio conta para se safar da votação no Senado.

Aécio e os seus lutarão até o fim pelo direito de que a votação seja secreta, mas a guerra de liminares será intensa – até porque faltando menos de uma ano para renovação de 2/3 do Senado, ninguém vai querer ser colocado como defensor de alguém que foi flagrado pedindo míseros R$ 2 milhões para um empresário – porque não é apenas o valor em si, não são apenas as filmagens em si, não são apenas as gravações, mas principalmente os termos usados e o modus operandi definido (tem que ser um que a gente mata).

Algumas bancadas já definiram publicamente suas posições, mas apenas o voto aberto e sem subterfúgio, servirá para mostrar como votaram os senadores. O voto aberto é uma forma de pressão e de vigilância que a sociedade tem para se proteger das traições que o anonimato propicia.

No momento, a votação terá de ser nominal e aberta, mas claro que esta liminar será derrubada – se o próprio Supremo se curvou ao poder do senador, imagina a pressão sobre juízes e desembargadores…

Brasília viveu uma segunda-feira no reino da desinformação e do blefe

Em Brasília, o mais importante é a desinformação.

A informação em si é um sub-produto da manipulação e do uso que se pode fazer da desinformação. Veículos e profissionais – e bota muitos profissionais nisso! – ganham mais dinheiro desinformando, omitindo dados e manipulando versões.

Hoje, por exemplo, é destes dias nos quais a especulação determina todas as opiniões e, a vontade individual, acaba sendo mais relevante até mesmo do que a realidade. Cada qual blefa com a sua verdade, segundo os interesses que defende.

Algumas obviedades viram consensuais, mas o que ninguém consegue é ver a urdidura dos fios e que a parte exposta é, no mais das vezes, apenas um objetivo figurativo. E as pessoas se apegam a esta imagem como se fosse a mais inquestionável sentença.

Mas há questões que transcendem a realidade e se inserem no sobrenatural. Porque elas rompem com o que se chama de senso comum, aquele universo no qual mesmo os mais ferrenhos antagonistas sabem que precisam trafegar.

Tentar encontrar lógica ou mesmo partir do pressuposto de que é possível ligar os fios ocultos dos argumentos e das razões pode ser apenas uma forma de blefar. Ou, como diria um experiente político do campo governista, estamos todos – situação e oposição – brincando de faz de conta.

O que fica claro é que Maranhão, um representante do baixo clero (aquele percentual majoritário de parlamentares que sobrevivem de migalhas e de acordos e favores), não teria condições de bancar uma ação destas não tivesse o respaldo de alguém muito interessado em embaralhar e jogar lama em muitos ventiladores.

Foi Cunha?

É recado?

É pra valer?

Já disse e vou repetir: pagamos o preço da falta de lideranças, a parte mais perversa,a  herança mais cruel dos tempos de ditadura. Liderança se forja no debate, na democracia, no exercício cotidiano. A ditadura forma lideranças maniqueístas, do bem contra o mal e vice-versa. Porque só se forjam lideranças na plenitude democrática, no respeito ao divergente.

O que vemos hoje são figuras caricatas, incapazes de gerar credibilidade – de propor um caminho, de indicar um ponto futuro. O espontaneísmo é o embrião do caos, porque ele não segue e nem obedece a uma lógica racionalmente estruturada. Já disse em outro post e vou repetir: hoje, a política no Brasil está sob o comando de chefes de torcida organizada.

E dizer que a culpa é sempre do outro é uma forma leviana de não assumir a responsabilidade. De terceirizar a culpa. De se omitir do preço que será pago, via de regra, pela sociedade. Não apenas por uma parcela da população.

A ação de Maranhão poderá, e esta é uma leitura de fim de tarde, acelerar o processo no TSE que julga as contas da campanha de Dilma e Temer em 2014 – criando um fator adicional para temperar um dia no qual o “faz de conta” deu as cartas e jogou de mão.

De outra parte, para quem conseguiu trazer o processo do impeachment até aqui, esta alternativa pode não interessar, porque uma eventual “nova eleição” pode, em última análise, colocar o PT outra vez como vencedor e qual será a desculpa que será usada então iniciar novo processo de impeachment?

Neste cenário, a segunda-feira, 9 de maio de 2016 é destes dias nos quais o lado circense resolveu assumir a plenitude do espetáculo – mas, ao mesmo tempo, fica a pergunta: até quando viveremos apenas de pirotecnia (e isso vale para os dois lados)?

A pornografia política explícita na montagem do governo Temer

Exultantes com a conquista do impeachment, a consumação do golpe que propicia a volta ao comando do poder daqueles que não possuem votos e nem programa para conquistar o eleitorado, a verdade é que tudo aquilo que antes era repugnante e que causava espanto, nojo e rejeição na mídia, no MP, em parlamentares, comentaristas, tudo voltou a ser praticado como sempre foi no mais perverso e abjeto toma-lá-dá-cá. Mas agora sem nenhum espanto e mediante o silêncio covarde e conivente de quem antes fazia juras de amor pela ética.

Os convites primam pelo padrão da troca de apoio e quando poderia aparecer uma luz no túnel, quando ao menos para disfarçar houvesse a compreensão de que a competência fala mais alto do que o fisiologismo político, volta-se à dura realidade.

E nem vou me ater a bizarrice e revelações de irresponsabilidade mental do ainda vice Michel Temer ao convidar Roberto Freire para ser Ministro da Cultura – ele que, pernambucano de vida política, foi expulso de lá e foi se aninhar em São Paulo – como “diretor” ou conselheiro da Ceagesp e de lá, amparado, protegido e inserido no curral tucano, elegeu-se federal.

Claro que estamos falando de um sub-ministério, uma estrutura que só existe para abrigar aliados de segundo nível, como Dilma fez com Marta, a senadora por São Paulo.

Mas é interessante notar que a barganha é escancarada, sem nenhum pudor. E os que antes clamavam aos céus, pedindo até a intervenção divina contra a bandalheira, agora silenciam… Não só silenciam, como encontram argumentos para defender a prática nefasta que trouxe ao Brasil a um quadro no qual TODA a classe política está enrascada na podridão.

Observemos um exemplo pedagógico de como se estrutura o fisiologismo e a irresponsabilidade. Nem vou “reescrever”, sob pena de alguém pensar que há equívocos de interpretação de minha parte.

Trata-se, neste particular, da indicação do novo Ministro da Saúde, da quota-parte do butin que coube ao PP.

Leiamos com toda atenção o que diz a Folha online:

“Ciro [Nogueira – presidente do PP, cujo partido esteve na base de apoio do governo Dilma] desistiu de indicar Cutait, após pressão da bancada do PP na Câmara. Deputados temiam não conseguir indicar seus aliados para os segundo, terceiro e quarto escalões do Ministério da Saúde, se Cutait se tornasse ministro. O médico tinha exigido que todas as nomeações para esses cargos passassem por ele.”

E continua…

“O presidente do PP descartou que Temer venha a indicar Cutait como sua cota pessoal, mesmo sem o aval do PP. “Isso é impossível de acontecer. Eu te garanto que a indicação vai ser do Partido Progressista, e não vai ser o Cutait”, afirmou.”

Ou seja… Não é o Temer quem vai decidir sobre o seu governo, mas um partido que apoiou e participou do golpe que está assumindo publicamente que a partilha nefasta é regra e segue inalterada.

Com a palavra, os éticos de plantão…

Renan assumirá o protagonismo do impeachment de olho em vendetta pessoal

Ao contrário da Câmara dos Deputados onde a cooptação para o sim teve no baixo clero – que sempre foi desdenhado politicamente por Dilma e seus operadores políticos ( Erenice Guerra, Aloísio Mercadante e Ricardo Berzoini) – e que aproveitou a oportunidade para a desforra pelo descaso com que foi tratado ao longo de seis anos de mandato, no Senado desenha-se um novo cenário.

Não em termos de votação – que parece estar definida em favor da cassação.

Mas em termos de ritmo, de liturgias e de cuidados que não exponham a Casa ao constrangimento do espetáculo circense que foi a votação no Plenário da Câmara.

Se na Câmara bastava um abraço, uma ligação, uma vaga promessa de cargo ou um convite para o cafezinho na casa do Lago Sul, no Senado a conversa é mais complexa. A começar que se trata de um espaço onde jacaré nada de costas. Talvez com exceção de alguns novatos que inclusive chegam lá sem voto – caso de Hélio José, hoje no PMDB e que quando foi indicado para suplente de Rollemberg era do PT.

Hoje, o maior desafio da dupla Michel e Cunha é criar pontes com Renan – a quem incomoda, sobremaneira, o protagonismo de algumas figuras que disputam com ele o espaço político dentro do PMDB. Outra animosidade latente é a insistência da turma de Michel e Cunha em fazerem chegar até pessoas próximas ao ex-senador Gim Argello, peso em Curitiba, que seria muito bem-vinda uma delação da parte dele contando das negociatas nas quais se envolveu com Renan, Dilma, etc (ao menos a dupla tem esta certeza).

Renan fará com que o processo ande de acordo com os seus interesses – que não são os mesmos da dupla Michel e Cunha, seus desafetos. Isto possibilitará tempo para que a presidente busque alguma forma de sobrevida – o que é algo utópico, mas ainda possível. Até porque há seis ministérios vagos para negociação…

De volta ao ninho

Prestes a ser escorraçado do poder, o PT parece que se deu conta de que o sonho de agradar as elites tem um preço impagável. E se deu conta de que precisa ajuda a esquerda como um todo a reconstruir um projeto político – não apenas de poder. Depois de ter aceito alianças com o Demo e qualquer coisa ditada pelo pragmatismo político-eleitoral, parece que os petistas começam a voltar ao velho ninho da esquerda. No Rio de Janeiro, por exemplo, a sigla desembarcou da candidatura peemedebista e irá fechar com Jandira – do PCdoB.

Velha sedução

A possibilidade de voltar a contar com as benesses do poder está mexendo com a tucanada. De um lado, o grupo paulista ligado a José Serra quer aceitar o convite do PMDB. Do outro, Aécio prefere “apoiar sem deixar as digitais” de olho em 2018. Lembra, em parte, o mesmo dilema vivido pelos tucanos quando do advento de Collor que convidou FHC para ser ministro e brecado por Covas.

Resta saber se hoje no lado dos tucanos existe alguém com coragem de impedir que os tucanos, via Serra, voltem aos holofotes do executivo federal.

Sem debandada

O Federal Paulo Pimenta (PT-RS) não leva muita fé na propalada debandada de parlamentares petistas rumo a um novo partido. Da mesma forma ele não concorda com a tese da antecipação das eleições. Na sua avaliação, agora é hora de avaliar com frieza os equívocos e superar a atual fase de descrédito junto à sociedade.

E agora, skaf?

Mais uma máscara prestes a cair: a Fiesp, de tantas cruzadas contra CPMF e aumento de impostos em campanhas bancadas com recursos do sistema S, ficará calada diante  do anúncio da “equipe” de Michel de que haverá aumento de impostos – inclusive a recriação da CPMF?

Cada uma…

Funcionária fantasma do Senado nos anos 80, quando era diretora da Sucursal de Brasília da RBS (afiliada da Rede Globo no RS, tendo vendido suas empresas em SC para tentar salvar o grupo que está financeiramente combalido depois de ter sido flagrado nas estripulias da Operação Zelotes), e senadora eleita pelo PP, anti-petista ferrenha e rancorosa, Ana Amélia Lemos (que inclusive foi casada com um senador biônico) é a relatora “dos sonhos” de Michel e Cunha para o processo no Senado.

 

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