Blog do Alfredo

Category: Sindicalismo (page 1 of 2)

Sobrecarga de trabalho no “jurídico” dos Sindicatos

Com a proximidade do dia 11, quando entra em vigor a “nova” Lei Trabalhista – com impactos ainda não mensurados na vida do trabalhador – os departamentos jurídicos dos principais sindicatos em Brasília estão trabalhando ao máximo para limpar as gavetas e dar entrada em todos os processos possíveis até sexta-feira (10).

É consenso entre dirigentes sindicais de que ficará muito mais perigoso questionar algo na Justiça do Trabalho e, com a nova regulamentação, a parte perdedora terá de arcar com as custas. Por esta ótica, algumas entidades sindicais pensam em alterar seu modo de prestar assistência jurídica aos sindicalizados – para não haver risco de condenações financeiras em caso de insucesso em alguma demanda.

Óbvio que haverá um tempo de ajustes – como se dizia lá no passado que era no sacolejar da carroça que as melancias iam se ajeitando, o mesmo acontecerá com a nova dinâmica nas relações de trabalho.

A única certeza cristalina é que a parte naturalmente mais fraca, ficou ainda mais fragilizada. E quem já era naturalmente mais forte, agora joga de mão, escolhe as cartas e se mesmo assim achar que pode perder, sempre poderá contar com a nova visão do TST, manifestada por seu presidente Ives Gandra em entrevista na Folha de São Paulo – o título por si é aterrador, ainda mais quando reflete o pensamento do presidente do TST: “É PRECISO FLEXIBILIZAR DIREITOS SOCIAIS PARA HAVER EMPREGO, DIZ  CHEFE DO TST.

O link da entrevista está AQUI.

Temer, o incansável e cotidiano cabo eleitoral de Lula para 2018

Já explicitei minha teoria da conspiração, segundo a qual Temer e Lula fizeram um bem-bolado para tirar a Dilma da Presidência – em contrapartida, Temer trataria de aprovar um pacote de maldades, muitas delas simpáticas ao mercado – com quem, cá entre nós, o PT flertou de modo desavergonhado sob o argumento da governabilidade.

E quanto mais o Temer cumpre o seu papel no script, mais trabalho a turma da Lava Jato tem para impedir que a dupla Lula e Temer vençam as eleições em 2018. Há uma parcialidade sem parcimônia entre a turma da Lava Jato, que flerta em muitos momentos com o arbítrio – certos de que a mídia continuará sendo condescendente, omissa e conivente com ilegalidades e ilicitudes. Tudo em nome de impedir que a dupla Lula e Temer concretizem o projeto que armaram.

Mas, é preciso reconhecer: Temer é imbatível na sua cotidiana ação em favor do fortalecimento da candidatura Lula.

É o aumento do combustível, do gás de cozinha, o aumento das passagens aéreas (a despeito do fim da gratuidade de bagagem despachada), reforma da Previdência, manutenção das pensões de filhas de militares, os ataques ao Fies, as ameaças ao Bolsa Família, o fim do Ciências sem Fronteiras, o sucateamento do Minha Casa, Minha Vida, a redução da importância do Enem, a ameaça de tirar o rendimento mínimo dos que chegam aos 60 anos e tantas outras medidas destrambelhadas.

As ações tresloucadas de Temer não apontam para um “palanque” em favor do Lula, mas sim uma verdadeira plataforma a catapultar o nome do ex-presidente – que, ao que tudo indica, deverá enfrentar Bolsonaro…

E talvez por medo do crescimento de Bolsonaro, Temer resolveu dar uma cartada que deve ter julgado decisiva: reduziu a projeção para o aumento do mínimo em 2018. Pouco importa que a redução da expectativa se dê em face de números e índices: importa que o governo Temer, com esta medida, mostra que não está para brincadeira. É Lula… e não quer nem saber!

Ele não para! Ele não cansa! Ele é Temer, o cabo eleitoral…

Mal tinha liberado a publicação do comentário, eis que vem mais uma ação em favor do Lula – copio e colo o texto de Marcelo Brandão, repórter da Agência Brasil:

“Uma das medidas é a alteração na contribuição previdenciária, de 11% para 14%, para servidores públicos com salários acima de R$ 5 mil. Quem ganha acima desse valor terá uma nova tributação, mas somente em referência ao valor que ultrapassar o limite estipulado. Assim, se o servidor ganha R$ 6 mil, a nova tributação incidirá apenas sobre R$ 1 mil.

Na mesma medida provisória, está previsto o adiamento do reajuste para servidores públicos em 2018. “Há uma medida que traz postergação dos reajustes previstos para 2018 para o conjunto de categorias do governo federal que são as mais bem remuneradas e que tinham anteriormente feito um acordo de reajuste por um período de quatro anos”, disse o ministro.”

TV Comunitária suspende programação ao vivo e apela para vaquinha

Um dos principais instrumentos para democratização da informação, canal que serve de voz e espaço para movimentos sindicais, sociais, além de funcionar como centro de formação e qualificação de mão de obra em vídeo, a TV Comunitária de Brasília está com uma “vaquinha” online.

O objetivo é, através da contribuição de muitos, comprar uma nova mesa – e assim possibilitar a volta da programação ao vivo, uma das principais características da emissora.

O valor é salgado – R$ 20 mil – e a campanha foi lançada no dia 16 de outubro, sendo que a data limite é 31 de dezembro. Em três dias, já foi possível atingir 10% do valor necessário e a expectativa é que exista um engajamento de todos aqueles que já foram beneficiados com a visibilidade de suas lutas.

A programação da TV Comunitária de Brasília pode ser acompanhada pelo Canal 12 na Net-Brasília.

Os dados da campanha são os seguintes:

“Mesa de Corte de imagens (DataVideo HD-SDI SE-2200 – foto), no valor de R$ 19.996,86, na Merlin, para a TV Comunitária de Brasília. A TVCOMDF somente voltará a fazer transmissões, ao vivo pelo canal 12 na NET-DF, quando conseguir comprar o equipamento, com a sua ajuda! O equipamento que estava sendo utilizado, queimou e apenas um nova pode substituir.

O canal é a emissora brasileira que mais promove o acesso público. É a TV mais democrática do Brasil. Para manter nossa independência, a TV não veicula anúncios e é financiada por sindicatos e apoiadores. Doe qualquer quantia. Vamos fortalecer a produção de conteúdo audiovisual no DF!”

PORTANTO…

Se você está entre aqueles que acreditam que lutar pelo democratização da informação e da comunicação é bem mais do que fazer discurso em mesa de bar, compareça, participe, contribua acessando no link abaixo:

www.vakinha.com.br

GDF: falta de água, falta de vergonha, falta de planejamento

Reza a lenda que ao ser planejada, a nova Capital da República – implantada no Cerrado e historicamente com baixa incidência de chuvas – tinha previsão de uma população de 500 mil habitantes na virada do Séc. XX.

Lenda ou não, a verdade é que no meio do caminho teve a passagem de uma figura que viu na imensidão de terra a possibilidade de formar um curral eleitoral e tascou a distribuir lotes, a convidar pessoas de várias partes para virem ao Planalto Central.

E a irresponsabilidade de um governante criou uma verdadeira quadrilha que se imiscuiu na política – que tinha como objetivo incentivar invasões e assentamentos, sempre de olho nos dividendos eleitorais. Sem nenhuma preocupação se tais amontoados urbanos implicavam no assoreamento de riachos até  sua extinção e mesmo a simples “morte” de nascentes.

Vicente Pires é o retrato mais gritante desta leviandade com o meio ambiente – para a qual contribuíram, quer por incentivo, quer por omissão, todos os governos que passaram pelo DF.

A ganância por dinheiro e a busca de votos e dinheiro fácil levaram o DF a situação atual – e aqui não falo apenas de invasões de pobres, porque estes vieram na esteira de um movimento que começa bem antes que é a proliferação desordenada de “condomínios residenciais” voltados para a classe média e localizados em áreas de proteção ambiental, sem sistemas de captação e tratamento de esgotos (o que acabou comprometendo a qualidade da água até do lençol freático) e alimentadas através de poços artesianos abertos de modo indiscriminado.

O grande responsável pelo caos que hoje vivenciamos em termos de abastecimento, sempre foi e continua a ser o GDF – que ao longo do tempo e hoje sob o desmando de Rollemberg – que só tem a preocupação em fazer dinheiro. Quer vendendo lotes em áreas que deveria preservar, quer cobrando IPTU de áreas que deveria derrubar.

O peso eleitoral destes segmentos – nos condomínios de classe média uma parcela mais simpática ao PT e nos assentamentos e invasões populares mais tendentes ao assistencialismo e às práticas coronelescas – acabou unindo todos os campos políticos, não encorajando um debate sobre este tema em seu devido tempo.

Sem optar pelo viés do catastrofinismo, diria que agora é tarde – porque o simplismo das soluções do atual governador seguem dentro da sua capacidade mental de apontar sugestões e alternativas para os problemas do DF. Em sue mandato, Rollemberg não teve capacidade mental e nem qualidade política para propor nenhuma alternativa nova. O simplismo de suas ações lembra aquela imagem de como a avestruz reage a qualquer problema.

E em lugar do propagandeado choque de gestão – bordão eleitoral vazio, mas efetivo ao ponto de levar um desqualificado ao comando do Buriti – o que o povo de Brasília é um convívio cotidiano com a incompetência, o academicismo e a a piora dos serviços públicos que já eram ruins.

Não é só a falta de planejamento na questão da gestão dos recursos hídricos – afinal de contas, dinheiro não é o problema da Caesb, que paga salários de 1º mundo aos seus dirigentes – mas o mesmo vale no caso da educação, da segurança pública, do transporte coletivo e da saúde. Não há um só setor no qual a gestão de Rollemberg tenha feito alguma intervenção para “melhorar” o quadro desalentador que na verdade já vinha como um quadro continuado de desalento nos últimos governos.

O que Rollemberg conseguiu fazer – e digo da vida real, das pessoas que sofrem com a mediocridade do seu governo – foi implantar o caos em todos os segmentos, foi piorar o que já estava ruim. Há dois governos bem distintos: o ideal e perfeccionista das publicidades e blogues oficiais, onde não há problemas e tudo funciona com a precisão de um relógio eletrônico japonês original; e o real, que não é vivido nem pelo governador e seus assessores, nem pelos parlamentares que apoiam suas iniciativas (sendo regiamente recompensados com verbas, cargos e benesses), nem pelos publicitários que seguem um roteiro de mundo encantado (devem ser os mesmos roteiristas, redatores e diretores de arte que vem trabalhando ao longo dos últimos anos nas agências do DF, porque sai governo, entra governo e é sempre o mesmo padrão de “wunderbar”) e muito menos em vozes e porta-vozes que buscam defender Rollemberg mesmo do indefensável.

Não adianta negar o aumento do racionamento para dois dias, quando todos sabem que ele será inevitável se as chuvas não vierem – e quando elas chegarem iremos nos deparar com o caos de todos os anos, porque o governo de Rollemberg reage com a rapidez de uma tartaruga e age coma  celeridade de um cágado: bueiros sujos e entupidos, carros boiando nas tesourinhas da Asa Norte e pessoas surfando e outras navegando em vias alagadas no DF. Em todo o DF.

E como este é um governo errático, engolido pelo ego de um governante que é motivo de chacota e que viraliza em redes sociais em vídeos em não recomendável estado de lucidez e sobriedade, o pior ainda está por vir.

Doria – deixou de ser pré-candidato para ser apenas caricato

Bem embalado, empacotado e com seus deslizes administrativos e seus pecados de lobista cuidadosamente maquiados – transformando em empresário de sucesso quem nunca nada produziu, além de viver às custas de governos – Doria não conseguiu manter-se muito tempo dentro do figurino do produto que o marketing criou.

Claro que vencer o PT hoje não chega a ser mérito de ninguém, dada a rejeição que o partido enfrenta por conta de uma reiterada campanha de desconstrução da sigla. E nem vou entrar aqui no mérito ou nos equívocos, mas diria que o PT paga mais por seus acertos do que por seus erros, ainda que entre os seus maiores erros esteja exatamente o de não ter rompido com o status quo ao vencer as eleições em 2002.

Muitas vezes eu discuti com petistas lembrando que a sigla havia vencido uma eleição, o que era bem diferente do que “ganhar” o governo. Ou seja: ao não romper, Lula e o PT pagam o preço da governabilidade – dentro daquilo que o PSDB de maneira muito lúcida chamou de “presidencialismo de cooptação”.

Doria, que vive e enriquece dos governos (inclusive do PT) desde os anos 80, foi vendido como símbolo do sucesso – um case patético, o arquétipo sonhado pelos anti-petistas: rico, sem rugas (prestes a completar 60 anos), com esposa bonita e esbanjando sucesso.

E o eleitorado paulista – que também é símbolo da decadência da aristocracia brasileira, mas ainda tenta manter o antigo ar de superioridade – comprou o candidato, como quem compra um pacote de sabão em pó.

Durante a campanha eleitoral de 2014 estive em São Paulo duas vezes – uma bem próxima às eleições (Feira da Abav de 2014, em setembro). E perguntei ao taxista que me conduzia pela via expressa, porque ele tinha dito que votaria no Doria e ele sintetizou: ele é contra o PT, logo ele que antes havia dito que tinha comprado um apartamento pelo minha Casa – Minha Vida e que a filha fazia jornalismo (eu estava com colete e máquina fotográfica) graças ao Fies.

Ou seja: alguém que tinha sido duplamente beneficiado por políticas dos governos do PT, iria votar e tinha adesivo no carro de alguém que tinha como mérito ser… contra o PT.

Foi assim que Doria, o velho sanguessuga de verbas públicas, virou o herói.

E teria, acredito, vida longa se o novo de repente não esquecesse que aquela figura que o marketing eleitoral criou deveria ser sempre aquela figura que o marketing criou. Mas o velho sanguessuga, o velho fanfarrão, não se conteve e resolveu mostrar que a ambição era muito maior do que a razão e começou a atropelar a moralidade – quando começou a conceder benefícios e contratos aos patrocinadores de “sua” entidade – a Lide, que inclusive concedeu prêmio ao Moro.

O que dizer da sua insistência em usar produtos próximos ao vencimento para transformar em ração para os pobres – tratando-os como animais? E, desmoralizado na sua proposta, eis que ele volta com a ideia de agora fazer com que os alunos da rede pública de ensino comam a ração.

É muita estupidez…

E ele que surgiu como uma possibilidade, como uma alternativa ao próprio PSDB, revelou-se incapaz de entender que tudo na vida tem um timming, que toda ação gera uma reação e que a exposição excessiva e de modo forçado acaba gerando um risco de “queimar” a figura.

E depois de surgir com uma roupagem de modernidade, a cada momento o Doria prefeito se revela mais a figura acabada daquilo que ele o Doria candidato dizia ser a negação – elitista, presunçoso, arrogante e incapaz de aceitar críticas.

Vai definhar nas pesquisas, por mais que os meios de comunicação continuem tratando ele como alguém exótico, como alguém engraçado, caricato – uma espécie de bobo da corte. Ao romper as regras de lealdade dentro do PSDB, Doria se encaminha para ser apenas um político paulistano – no que de pior isto pode representar.

Isolado, PT-DF tenta garimpar “um” candidato ao Buriti para 2018

Antes força definidora das alianças políticas no DF, o Partido dos Trabalhadores na Capital Federal se vê às voltas com um quadro inusitado: ninguém quer ser candidato ao governado local em 2018. As principais estrelas do partido, conhecidos como “capas” e que comandam tendências, desta feita estão mais preocupadas em garantir um mandato parlamentar a partir de janeiro de 2019 do que sonhar com a cadeira do Buriti.

Na busca de um nome, os petistas já procuraram José Geraldo, hoje afastado da legenda e ex-reitor da UnB. A despeito de ter se sentido lisonjeado, declinou da generosa oferta, mostrou-se disposto a colaborar com o partido na formulação de propostas, mas não quer a missão suicida.

O nome da vez é Eugênio Aragão, participou do MP, ex-ministro da Justiça de Dilma e professor titular da UnB – que parece ter o perfil talhado para este momento: é bom de palanque, tem capacidade jurídica, não foge da luta. Para alguns, pode ter pouca viabilidade eleitoral em 2018, mas com a visibilidade ocuparia o protagonismo de um espaço que hoje o partido perdeu.

A situação do PT na capital é muito delicada.

Seus aliados tradicionais e históricos hoje constroem outros caminhos – muito por conta do impasse jurídico que envolve a candidatura de Lula à presidência, porque são dois caminhos totalmente distintos. Os partidos, no entanto, costumam reclamar da ingratidão do PT em momentos pós-eleitorais, mormente nas vitórias.

O PDT, que poderia ser uma alternativa, depende da candidatura presidencial de Ciro e seu aliança com o PSB – o que sepultaria qualquer conversa local, até porque o Lupi (presidente do PDT) não brinca e não aceita deserções. O PCdoB hoje vive uma crise de identidade, tendo se transformado no mais fiel aliado de Rodrigo Maia (Dem) e aqui no DF não se sabe qual o rumo que seguirá. Cristovam, do PPS, que chegou a flertar com uma candidatura ao GDF e depois fez banners em redes sociais anunciando-se candidato à presidência da República, voltou ao seu devido tamanho político e sonha com mais um mandato de Senador – ele que nos dois anteriores, nada fez de útil ou produtivo para o DF. O chamado campo rorizista está minado de candidaturas e de candidatos a candidato, engalfinhando-se para ver quem será o nome – que, na avaliação deles, é coisa de favas contadas. Qualquer que seja o ungido em algum ritual de pajelança.

Dentro deste quadro, o PT tenta acomodar seus nomes e suas vaidades, de modo a que não fiquem sem mandato e possam pensar em fazer política mais sossegadamente no futuro. Neste momento, os projetos pessoais e as demandas urgentes da vida política não passam pelo Buriti.

Como disse um petista bem humorado, o maior risco do PT-DF é ter como único aliado em 2018 o Pros, que hoje tem o senador Hélio Gambiarra como seu “representante”.

Em 2018, qual o discurso que os candidatos ao GDF usarão para seduzir os servidores?

Depois de um governo extremamente generoso – Agnelo – os servidores públicos do GDF se depararam com a cruel realidade de um governo que resolveu tratá-los a pão e água, não apenas sem abrir negociação salarial, mesmo com  a inflação corroendo o poder de compra, bem como não pagando aqueles que já tinham sido acordados no passado.

E cabe lembrar aqui que o Rollemberg foi muito generoso com promessas, porque segundo sua ótica de quem vive no mundo da lua, o que não faltava era dinheiro para dar aumentos, mas sim um “choque de gestão”

E este será o primeiro abacaxi que o governador a ser eleito em 2018 terá pela frente: administrar o caos e fazer frente a demandas crescentes e reprimidas por melhorias salariais por parte das categorias e contemplar a sociedade em sua justa expectativa por uma melhor qualidade dos serviços.

Levando em conta de que alguns dos pré-pré-pré candidatos têm sua trajetória política apoiando fortemente o corporativismo – ao menos nos períodos pré-eleitorais – a dúvida é como irão pautar sua plataforma de governo tendo que partir do princípio de que não haverá condições de prometer loucuras como equiparar a remuneração da Polícia Civil do DF com a PF, conceder benefícios para o pessoal da PM, melhorar o salário do pessoal da saúde e dos professores.

Porque esta será a realidade a ser enfrentada, a menos que os servidores queiram ser enganados, que estejam dispostos a serem ludibriados, tapeados e tratados como otários – porque quem prometer o Eldorado, terá pouco mais a oferecer do que o inferno.

Não há nada no cenário econômico nacional no médio prazo – algo como seis ou oito anos – que indique que os governos voltarão a ter gordura financeira para conceder reajustes. A tendência é que ações como a do governador Rollemberg de atacar recursos que servem para provisionar futuras demandas com a aposentadoria dos servidores deixarão de ser esporádicas para se transformarem em rotina – enquanto houver algum caraminguado.

Porque o que a gente observa é que entra governo, sai governo e o desperdício continua sendo uma prática deplorável – a começar pela estrutura administrativa que vai sendo criada, inchada e aumentada para ir contemplando com cargos e benesses os apadrinhados políticos e também para contemplar os Deputados Distritais aliados, sempre ávidos por cargos, e que revelam um apetite descomunal.

Basta observar quantas administrações regionais existem e o quanto cada uma delas custa para o cidadão – porque muitas delas funcionam como mecanismos para obtenção de vantagens: vendem dificuldades, para justificar pequenos e cotidianos achaques.

O GDF que possui imóveis desocupados, sublocados ou simplesmente abandonados, se dá ao luxo de alugar salas e mais salas. E ninguém precisa ser vidente para saber o que há por trás dos dois casos – um levantamento revelaria quem são os proprietários de tais imóveis…

É assustador perceber que os candidatos prometem o paraíso antes das eleições e depois assumem a verdadeira faceta. E o servidor, que tem como principal preocupação a melhoria do seu salário, acaba aceitando ser tratado como otário.

Moribundos, alguns petistas fingem não aceitar que a festa JÁ acabou

Que foi golpe, disto ninguém tem dúvida e os dados, as evidências, mostram claramente.

Mas foi um golpe para o qual contribuiu de modo decisivo a presidente Dilma Roussef, ao insistir em maio de 2014 na disputa de um novo mandato – mesmo se sabendo desqualificada para o cargo. Ninguém pode, por conta da trama urdida, ignorar que as equipes de Dilma, a partir da metade de seu primeiro mandato (algo como maio/julho de 2012) primaram pela mediocridade – algo que ficou claramente anunciado quando designou Erenice Guerra como Chefe da Casa Civil.

Sejamos francos: nenhum governante sério pode se dar ao luxo de tal insanidade. Ou de tantas insanidades.

Mas Dilma foi além: convidou um funcionário da Veja para cuidar das verbas publicitárias e depois chamou para junto de si Helena Chagas – pessoas que batiam no peito e vociferavam toda ojeriza ao PT…

O que dizer então do “mago” Arno Augustin, o artífice maior das pedaladas e das maquiagens das contas? Mentor e que se vangloriava da trapaça…

Brasília vive um cenário nonsense – lembra um pouco Esperando Godot, a célebre obra de estreia de Samuel Becket e que é ainda hoje um enigma e um desafio para atores e responsáveis pelos cenários de peças teatrais.

Encontro petistas que faz tempo não via, absortos que estavam em suas tarefas burocráticas, em seus afazeres palacianos – fazendo de tudo para se equilibrar em cargos que permitissem alguns luxos e direitos: pedir cafezinho, ter celular funcional, usar elevador privativo, ser chamado de doutor (ou doutora), ter direito a requisitar um carro e – por que não? – quem sabe até viajar para uma das tantas reuniões…

Dia destes, um destes petistas que andava consumido em afazeres, depois de ler um texto meu, disse que “precisava” conversar comigo. Sugeriu que fosse no Café Eldorado… O tempo aqui fora não parou e é preciso lembrar aos amigos e amigas que a vida seguiu seu fluxo, cobrando o preço de cada omissão, de cada esquecimento.

Usam as palavras de uma resistência retórica, apelando a sentimentos que eles próprios trataram de banalizar, como um doente terminal se ilude ao consumir um placebo, sentindo uma melhora que é apenas emocional – enquanto as entranhas continuam sendo consumidas pelo mal que os levou até este estágio. Mesmo que através de um passe de mágica o golpe fosse interrompido, ainda assim a verdade mais cruel é a de que o Governo Dilma acabou. E acabou em grande parte por culpa e responsabilidade dela e da nanocracia que ela buscou para junto de si. Da falta de interlocução. Da falta de respeito no trato e no relacionamento com as pessoas.

Vai ser interessante ver tantos voltando para a planície, depois de terem vivido no Olimpo. Voltarem a ser simples mortais, sem aquela empáfia de um cargo. Quem sabe enfim com tempo para um café. Quem sabe com a humildade de escutar. Quem sabe com a percepção dos erros que foram sendo cometidos ao longo de tantos anos. De omissões. De abandonos. De descasos. De nem querer saber o que o mundo pensa.

Mas o momento pode e deve – será que haverá coragem para tanto? – servir para reflexões sobre os fatos que trouxeram o quadro do governo até este estágio. Hoje, vejo a presidente Dilma Roussef no papel de animadora de torcida, num espetáculo que tenta, pelo emocional, encobrir a realidade de quem se mostrou inapta para a dimensão do cargo.

Não se trata de dar conselhos, mas a “esquerda” poderia aproveitar este momento de necessário mergulho para voltar a ler, a estudar, a se atualizar em seus métodos e em suas práticas – na ação política, no movimento estudantil cada vez mais distante das aspirações dos estudantes, nos movimentos sindicais onde o sindicalismo deixe de ser um fim em si e volte a ser uma estrutura a serviço da classe trabalhadora, nas ONGs, na valorização da comunicação popular e no cotidiano com o resgate da solidariedade. Voltar a descobrir o valor da organização, da valorização dos pontos de vista divergentes dentro do seu próprio universo de confrontações cotidianas. A esquerda terá um longo e árduo trabalho de reinvenção e no caso do PT, observando muito mais Haddad do que Lula – fazendo mea-culpa e se reciclando em métodos e visões.

Não resta dúvida que haverá retrocessos em termos de direitos sociais, de conquistas das classes menos favorecidas, e de alterações na CLT – algumas mais do que necessárias, inclusive aquela que altera a idade mínima para aposentadoria em face de novos patamares de longevidade.

É claro que os adversários tratarão de fazer terra arrasada. Eles carregam muitas frustrações, foram somatizando muitos ódios, decorrentes da incompetência política deles. Ninguém administra bem emocionalmente levar reiteradas surras eleitorais – e ficará sempre este gosto de impotência de saberem que só retomarão o governo – porque o poder em momento algum perderam – pelo artifício de um golpe.

Aliados de Temer não querem que ele repita postura de Lula em 2003

Aliados de Temer que até há poucos dias viviam fazendo juras de amor ao PT e para Dilma tem feito chegar ao vice, a quem já tratam como presidente, o pedido, em forma de conselho, de que, uma vez instalado no no Planalto e com a caneta do DOU na mão, ele não faça como Lula em 2003.

Vale lembrar que Lula, em nome de uma governabilidade e de uma incapacidade – para alguns, incompetência política – de ir para o enfrentamento, não teve coragem de proceder a medidas como mandar aprofundar as investigações do Escândalo do Banestado e de mais de quatro dezenas de escândalos que marcaram os oito anos de FHC – incluindo a privatização da Vale do Rio Doce e a bandalheira (para não dizer roubalheira) que envolveu a privatização do sistema de telefonia.

Temer também tem sido aconselhado a demitir todos os atuais integrantes de cargos comissionados – e não fazer como fez o governo Lula que deixou gente ligada a FHC durante muitos anos em postos chaves e alguns deles conseguiram se segurar através da bajulação e da hipocrisia até hoje.

Sugerem que Temer crie CPIs que busquem alimentar o ódio ao PT na patuleia e na classe média com suas panelas convenientemente guardadas. Querem, por exemplo, reabrir a CPI dos Fundos de Pensão, agora com um viés de escândalos. Mas duas CPIs são particularmente muito defendidas: a dos repasses para a UNE, Ubes e entidades do movimento estudantil e aquela que visa mitigar os efeitos de qualquer movimentação do MST.

Por ora, não acham recomendável atacar a CUT – porque acabaria atingindo o já condenado e aliado Paulinho da Força, bem como as demais centrais que precisam do Imposto Sindical para sobreviver.

Os “novos” governantes também querem que Temer resgate o modo de operar dos tempos de FHC, onde os governadores aliados eram tratados com generosidade e os da oposição nem a pão e água. Dizem que é este é o momento de tratar bem os aliados, buscando ferrar os adversários – aproveitando que o PT e os petistas ainda são uma espécie de Geni da política nacional.

Para aprovar reformas, Temer sonha prolongar a lua de mel com o Congresso Nacional

Político experiente na arte da reciprocidade das traições, Temer sabe perfeitamente que as juras de amor e de fidelidade que já são por si delicadas na vida “humana”, no ambiente parlamentar são ainda mais voláteis. Ele próprio é exemplo vivo do quanto a ambição é capaz de alterar conceitos, opiniões e teses.

Os operadores políticos de Temer acreditam que uma vez transformado no “vice no exercício do cargo de presidente”, o seu governo contaria com o apoio e o respaldo de cerca de 400 deputados federais e em torno de 56 senadores. Ainda que sejam números robustos, são apoios que só se manterão mediante o cumprimento das promessas, da troca de favores, do acolhimento de indicações para empresas, conselhos de administração e postos na administração pública.

Mas se a base é ampla e os números atraentes, estes mesmos operadores trabalham com um cenário de desgaste muito rápido – e também nisto reside a estratégia de Eduardo Cunha de não querer o recesso parlamentar de junho e assim concretizar o julgamento, quanto mais sumário melhor. Para interlocutores tucanos, Cunha confidenciou que, estivesse ele no comando do Senado, e a votação seria em no máximo 90 dias.

Os mais otimistas acreditam que a paciência da nova base de Temer esperaria 60/75 dias para começar algum tipo de rebeldia – algumas já estão acontecendo bem antes da primeira votação no Senado e que irá consumar o afastamento de Dilma por um prazo de até 180 dias.

É uma matemática delicada – porque teremos eleições municipais e a manutenção da “pauta” do impeachment no noticiário é um fator de desgaste, uma vez que aumenta a percepção na sociedade de que tudo não passa de um golpe dos derrotados em 2014.

Temer gostaria de poder contar com um prazo de 120 dias de vida pacífica e relação tranquila com o Congresso Nacional para conseguir aprovar a pauta que negociou e que possibilitou a estruturação da engrenagem política do circo que agora vivemos.

Há um agenda perversa no horizonte dos deputados e senadores – com forte ataque aos direitos dos trabalhadores. E a aprovação destas medidas logo no começo do governo é fundamental para que Temer comece a pagar o preço por ter sido transformado em presidente através do voto indireto.

Dentro deste cenário, os “temeristas” acreditam que será necessário atuar fortemente em duas frentes: no atendimento dos compromissos firmados com os deputados federais e senadores, com os partidos e, ao mesmo tempo, encaminhar a fatura dos acordos firmados com Fiesp, CNI, mercado financeiro e investidores estrangeiros para que o Congresso Nacional aprove tudo a toque de caixa – inclusive para afzer caixa para esta e futuras eleições.

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