Blog do Alfredo

Category: Temer (page 1 of 2)

Senado ainda não definiu como salvar Aécio

Enredado em denúncias, flagrado em gravações e refém de sua própria inépcia política – depois de perder por pouco mais de 2 milhões de votos a eleição presidencial em 2014 disse que o PSDB até poderia quebrar o País, mas não deixaria a Dilma governar – o senador afastado Aécio Neves conta com a cumplicidade de uma banda bem articulada que faz de tudo para restituir o seu mandato em sessão previamente marcada para hoje em hora incerta e pouco provável.

Se forem verdadeiros os muxoxos e os cochichos, existem dois fatores que antecedem qualquer ideia de “ir pro voto” com a cabeça do neto de Tancredo:

  • a necessidade de cassar a liminar concedida por um juiz de Brasília (juiz Marcio Lima Coelho de Freitas, da Sessão Judiciária do DF) que obriga a votação aberta e nominal;
  • a espera de que o ex-militante tucano Alexandre de Moraes, transformado em ministro do STF por serviços prestados ao presidente Temer, irá negar a liminar requerida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) *.

Ou seja: a turma que hoje corre para livrar Aécio – aí incluídos Renan, Michel Temer e os articuladores políticos do Planalto – precisa do voto secreto na esperança de que alguns se arrisquem ao cadafalso para salvar o amigo e, de certa forma, se precaver, porque o futuro sempre é incerto quando o assunto se refere a ratazanas.

O que é notável no caso do senador tucano é que os próprios aliados apelam para chicanas, para questionamentos pueris de ritos processuais. Não há nenhum voz dizendo: ele não fez!

Nem ele tem a coragem de dizer que não fez, ainda que alegue que ligou para um bandido pedindo empréstimo de R$ 2 milhões.

Ninguém sabe ao certo o desfecho deste enredo no Senado.

A única certeza é que o Senado consegue se diminuir a cada dia, corroído e consumido em sua credibilidade junto à sociedade pelo escárnio com que trata a honestidade, a decência e também o pudor.

* O ministro Alexandre de Moraes (do STF) concedeu a liminar ao mandado de segurança impetrado pelo senador Randolfe e determinou que a votação seja “aberta”.

Lula, o espectro que atordoa almas e mentes

A cada nova pesquisa, qualquer que seja a fonte, o instituto ou a metodologia, os números indicam que, no quadro do momento, Lula não é apenas o único nome que cresce em intenções de votos, mas também apenas ele consegue reduzir os índices de rejeição a cada novo levantamento.

É algo que causa perplexidade e tem gerado uma série de análises que primam pela confissão de impotência, medo e fragilidade emocional de quem a produz. Diria que chega a ser “comovente” o esforço que as pessoas fazem para dissimular o ódio que carregam.

Dia destes, durante um chopp com amigos, disse que, na minha opinião, Lula tinha urdido o impeachment da Dilma e imposto como condição que o Temer fizesse uma série de reformas políticas, trabalhistas, ameaçasse direitos dos trabalhadores, atacasse os mais humildes com exclusões do bolsa família, impusesse cortes às universidades para assim estas passassem a ser aliadas dele (Lula). A lógica seria simples: como foi o Lula quem bancou a indicação do Michel para vice de Dilma e depois teve que aceitar o chilique da presidente que não quis abrir mão da reeleição em 2014, estaria na hora do Michel retribuir o presente que Lula estava concedendo: fazer com que alguém, sem nenhuma capacidade, sem nenhuma estrutura ética, sem nenhuma idoneidade moral, cercado de um grupo político que é formado por saqueadores de cofres públicos e larápios contumazes… enfim, fazer com que este alguém que nunca foi ninguém, virasse presidente.

E assim o Lula, matuto astuto, criado com a memória do sertão e a história de sobrevivência de tantos retirantes, transformou o Michel em seu melhor cabo eleitoral. Neste sentido, ao menos no meu imaginário, justifica-se a aparição do Lula ao lado do Renan na caravana pelo nordeste. Para mim, Lula estava agradecendo ao Renan por ter tirado a Dilma da presidência e ter atuado de forma decisiva para tirar da vida pública o Eduardo Cunha. E de lambuja, com a impeachment da Dilma, o Brasil vai se livrar de muitas nulidades – ainda que no momento continuem sugando os cofres públicos figuras como Juca, Padilha, Moreira Franco, etc.

E o Lula não só transformou o mordomo de filme de terror em seu cabo eleitoral como foi capaz de fazer com que o marido da Marcela trouxesse para alavancar o nome do Lula uma boa parte do Congresso Nacional, que enfim assumiu a sua condição de defensores de seus próprios ganhos, e uma fatia considerável do Judiciário – que, com a inépcia dos arrogantes, alimentou a imagem de vítima que o Lula sabe, como ninguém, carregar.

E é a impotência diante deste quadro que torna ainda mais patético e hilariante ler, escutar e discutir o fenômeno Lula com certas pessoas. Como estão chamando ele de todos os termos chulos, deletérios, escatológicos, humanofóbicos faz tanto tempo; estão imputando a ele e aos seus familiares a posse de tantas empresas – dia destes cheguei a escutar de um neurótico de plantão que a Globo era de um dos filhos do Lula! – parece que estão se dando conta de que todas estas diatribes vocabulares, estas incontinências histriônicas apenas ajudam a reforçar o mito Lula. O mito do nordestino cabra da peste que tem na resiliência a sua capacidade inesgotável de tirar o sono de uma parcela da população que o odeia porque pensou que apenas odiando e xingando ele, teria como se livrar dele.

Enquanto os setores que têm vertigem, cólica e urticária com a simples perspectiva do retorno do Lula não conseguirem entender o óbvio – Lula é o único candidato que sabe falar a linguagem do povo! – o nome do ex-presidente continuará a ser, neste momento, o preferido para voltar ao poder em 2019.

Governo Temer envergonha o Brasil e os brasileiros mundo afora

0526 - Serra

São tantas as trapalhadas cotidianas, foram tantas as trapaças e os acordos espúrios que as pessoas de bem que em algum momento realmente acreditaram que tirando a Dilma teríamos de volta o paraíso perdido, mostram-se perplexas e desamparadas.

Envergonham-se, mudam o discurso – buscam justificativas. Conversam de outros assuntos. Perguntam notícias de familiares…

Tenho amigos e conhecidos que, de uma hora para outra, pararam de mandar um monte de mensagens defendendo o fim da corrupção e com a mirabolante sensação de que estavam ajudando a construir um novo despertar, um novo tempo no Brasil.

Não consigo viver de modo tão sectário que me leve a pensar que só os que estão ao meu lado, perfilados com minhas ideias, que defendem os mesmos sonhos e torcem pelas mesmas cores (inclusive gremisticamente falando em termos futebolísticos), estão certos, são certos, probos, honestos e com o direito de formular teses e teorias.

Claro que o assunto saiu dos jornais, deixou-se de lado o pudor e o que existe é uma necessidade de legitimar o impossível – mas, como tem dito uma amiga minha, com esta turma que o Temer escolheu para abrilhantar o espetáculo… será difícil.

A revelação de conversas, de conjecturas e de promessas é comum na política – onde a mesquinharia e a traição fazem parte do DNA dos “profissionais”. Traem beijando na boca, sorrindo, jurando amor e fidelidade… enquanto buscam um jeito de apunhalar.

A trouppe que Temer para compor o seu governo mais parece um bando de trombadinhas, batedores de carteira e meliantes com toda sorte de delitos e contravenções. Poder-se-ia dizer que Temer teve o esmero de pegar para junto de si, para compor com ele o “governo de salvação” majoritariamente pessoas que estavam no “governo da corrupção”.

O que mudou, é que agora o Judiciário é amigo, parceiro, cúmplice e conveniente.

O que mudou, é que agora a mídia está saciada em seu sanha moralizante.

O que mudou, é que agora os bandidos de outrora – em um passe de mágica, viraram os honestos, probos e éticos de agora.

Mas nada, nada mesmo irá superar a cena degradante – e por isso mesmo reveladora – de um Ministro da Educação receber em audiência um ator pornô e demente, alguém que faz apologia ao estupro.

Quando um ministro de Estado, de uma pasta da importância da Educação, abre sua agenda para receber uma figura deste perfil, percebe-se que o golpe não foi só político. Golpearam também a dignidade e a liturgia do cargo.

Que o governo Temer não me represente é algo que diz respeito a mim.

Mas o governo Temer aviltar e transformar o Brasil em motivo de esculacho é algo que diz, sim, respeito a todos nós…

Apertem os cintos que, mesmo sem o voto do povo, o governo do PSDB voltou…

0525 - Herança tucana

A cada novo dia, o cenário fica mais claro. Mesmo para aqueles que AINDA pensam que o impeachment foi apenas e tão somente uma necessidade de remover da presidência uma pessoa despreparada (e, neste caso, é!), extirpar do poder o partido que criou a corrupção no Brasil (porque antes e a partir de agora, restaura-se a probidade republicana), e proceder o resgate e a continuidade daquilo que foi aplicado nos anos 90 nos foi mandatos de FHC: arrocho salarial, inversão da prioridade saindo do social e priorizando o capital, penalizando os mais pobres, protegendo o andar de cima e liberando o orçamento para que este contemple mais quem sonega do que quem trabalha.

A tarefa de Temer – que atua como boneco de ventríloquo com cara de ratazana – será muito facilitada pelo discurso acordado entre a mídia, o Judiciário, partidos políticos, entidades empresariais, algumas centrais sindicais sem compromissos com os trabalhadores e preocupadas com a manutenção do seu quinhão financeiro e de poder: a herança maldita.

O mantra terá como linha básica de atuação ao modo dos ensinamentos de Goebbels: por conta da herança maldita; por conta do fardo dos desmandos dos (des)governos; por conta do descontrole das contas públicas causadas pelo PT; por conta do 7 a 1 da Alemanha; por conta do Dunga; por conta do rombo da Previdência (que existe, mas é superestimado); por conta…

Tudo caberá na frase a partir do argumento “POR CONTA DE”… e é um governo que tem pressa em fazer o serviço, até porque não é certo que conseguirão aprovar a cassação de Dilma ao final do processo do impeachment no Senado. O caldo entornou tanto que, antes, os usurpadores do poder concedido pelo voto a Dilma antes queriam apressar a votação do processo. Hoje, já não sabem se é melhor apressar o rito na tentativa de evitar surpresas ou protelar e dilatar ao máximo os prazos para, na eventualidade de vitória de Dilma, já terem completado o serviço que não conseguiram concluir até 31 de dezembro de 2002.

O recado foi dado e de modo bem claro: este é um governo que governa com o programa do PSDB – até porque o PMDB nunca teve competência de elaborar ou de pensar projeto algum para o País, preocupado apenas em elaborar estratégias para se locupletar com verbas públicas.

Claro que o PT e principalmente o governo de Dilma colaboraram para este estado de coisas, mas colaboraram exatamente porque mantiveram a mesma prática política – tendo apenas tentado inverter UM POUCO, um cadinho só, a ordem de prioridade dos gastos públicos, direcionando pouco mais do que migalhas para o andar de baixo, para o subterrâneo. Mas esta pequena rotação foi um ponto fora da curva que assustou aqueles que pensam, querem e precisam de um Brasil exclusivo.

Ao contrário do que pensam os “vitoriosos”, boa parcela da conta desta aventura tucana será paga por eles também – por conta do arrocho salarial, pelo fim de concursos públicos, por alterações na previdência do servidor. Claro que o estouro maior será nas costas dos pobres, dos mais humildes e da classe trabalhadora – a começar pelo fim e/ou redirecionamento de programas sociais e de transferência de renda(sob o eufemismo de auditorias e sistemáticas de avaliação e desempenho), o fim da vinculação dos investimentos em saúde e em educação com base em avanços reais.

E agora… o Temer vai escrever uma cartinha pro Joe Biden?

05132016 - Temer e a cartinha

Comandando um governo sem reconhecimento e sem legitimidade, Temer entrará para o anedotário nacional por algumas pérolas que tornam o dia a dia dos brasileiros mais felizes, porque mostram claramente que nada pode estar tão ruim que não possa piorar.

Ao contrário do que o folclórico Catta Preta apregoava em posts que beiravam o nonsense e ajudaram a revelar a que nível de leviandade e de irresponsabilidade podem chegar membros do Poder Judiciário, o Temer assumiu e o dólar subiu e a bolsa caiu – porque está patente, ao menos neste primeiro momento, que o “novo governo” é tão ou mais desqualificado do que aquele que não servia, inclusive com a reutilização de muitos que deixaram de ser bandidos para virarem santos.

Até Joaquim Barbosa, ídolo maior dos revoltados e condutor do julgamento do Mensalão no STF saiu do seu silêncio para dizer: “Não tem legitimidade” e ainda aproveitou para fustigar sem dó e nem piedade o PSDB: “É um grupo que, em 2018, completará 20 anos sem ganhar uma eleição”.

Claro está que logo-logo Joaquim Barbosa, o “justiceiro” perderá a consigna que ornava o seu nome e voltará a ser apenas e tão somente um reles ex-ministro do STF indicado pelo PT.

O governo Temer, que navega com o respaldo dos éticos de plantão, não é reconhecido como legítimo pelos países e virou motivo de chacota. Uma rádio argentina o entrevistou e o locutor fez-se passar pelo presidente Macri e ficou visível que ele, Temer, não tem noção do ridículo ao tentar comunicar-se num portunhol deprimente, parecendo um “gardelón” com brilhantina no cabelo, botóx nas facesmetido a poliglota e que não passa de uma figura esdrúxula que denigre a imagem dos brasileiros.

Diante da negativa de Obama em ligar para Temer, dizem que ele está escrevendo uma carta para o vice de Obama, de quem diz ser amigo e parceiro, usufruindo de uma amizade plena, sincera, intensa e cheia de confidências e intimidades inclusive familiares. Escreverá dizendo que não é justo que Obama não ligar para ele, que não é legal que o Barack não reconheça que ele fez tudo aquilo que a embaixadora dos EUA mandou ele fazer e vai mandar para o Congresso nacional todas as mudanças e alterações que ela mandou que ele fizesse e que ainda assim o Obama não ligasse.

Uma ligação do Obama, ele certamente dirá isso na carta para o Joe, valerá mais do que todos os beijos e abraços que já recebeu do Aécio, do Caiado, do Cunha, do Sarney, do Bob Jefferson, do Gedel, do Eliseu, do Gilmar Mendes, do Bolsonaro e do patinho da Fiesp.

No entanto, a coisa é bem mais complexa do que uma eventual ligação que não virá do Obama pode indicar. Em conversas com pessoas de representações diplomáticas e sempre falando na condição de absoluto anonimato, eles revelam uma inquietude com a situação política do país.

De recuou em recuo…

Na noite desta sexta-feira, 13, Michel Temer, o interino, pouco mais de 24 horas no poder, já recuou e restaurou a autonomia da Cultura, que passa a ser uma “secretaria” dentro do MEC e não terá o comando de Mendonça Filho.

De coice em coice

O Itamaraty, sob o comando de José Serra, resolveu partir para o ataque. Depois de não conviver com as críticas dos brasileiros, o catatônico e cadavérico chanceler disse, por meio de nota liberada na noite desta sexta-feira, que ele, na condição de comandante supremo e dono da verdade, não aceita que nenhum país coloque em cheque ou critique o golpe no Brasil.

 

O desencanto com o velho governo só arrefeceu na mídia e nas redes sociais

Consolidado junto à opinião pública mundial como embuste, ilegal e sem credibilidade, o governicho de Temer inicia sob as bençãos da conivente cumplicidade dos meios de comunicação e o silêncio envergonhado daqueles que vociferavam impropérios contra o ancien régime, sem se darem conta de que não passavam de incautos arlequins cantarolando em um circo mambembe como se fossem saltimbancos requisitados.

É um governo que envergonha quem o apoiou em nome da moralidade, porque prima pela composição que é um escárnio para quem vociferava palavras de incontida indignação, em arroubos éticos que não suportaram o convívio cruel com a realidade. Ainda que o STF tenha deixado de lado o protagonismo – onde pontificava a militância partidária de Gilmar Mendes e o silêncio acovardado dos demais ministros e ministras – e não tenha manifestado nenhuma perplexidade em conviver com um governo ilegítimo e onde cabe destacar a folha corrida de muitos deles:

  • Henrique Meirelles (Fazenda)

Suspeita de envio de dinheiro ilegal. A denúncia é de 2005 – nos tempos nos quais Meirelles servia ao “governo do mal”.

  • Romero Jucá (Planejamento)

Eterno líder de governos, está na lista de Janot sobre a Lava-jato.

  • Marcos Pereira (Desenvolvimento, Indústria e Comércio)

Denunciado pelo MP por associação ao tráfico

  • José Serra (Relações Exteriores)

Responde a três processos ativos por corrupção e outros crimes eleitorais

  • Eliseu Padilha (Casa Civil)

Volta a ser réu no escândalo dos precatórios

  • Gedel Vieira Lima (Secretaria de Governo)

Envolvido na Lava-jato e na defesa da OAS

  • Sérgio Etchegoyen (Secretaria de Segurança Insitutcional + Abin)

Denunciado como torturador pela Comissão da Verdade

  • Mendonça Filho (Educação)

Recebeu dinheiro para as eleições de 2014 da Odebrecht e Queiroz Galvão. Mas, claro, sendo ele do Demo é óbvio que foi doação legal sem nenhuma intenção ou vinculação…

  • Ricardo Barros (Saúde)

É investigado pelo MP-PR por fraude em licitação. Ainda bem que o Ministério dele não fará nenhuma licitação…

  • Alexandre de Moraes (Justiça e Cidadania)

Continua advogando, ainda que diga o contrário. Atuou na defesa de uma cooperativa de vans do PCC.

  • Blairo Maggi (Agricultura)

A Veja tem farto material sobre o envolvimento dele no escândalo da Operação Ararath. Ou a Veja deixou de ser fonte confiável?

  • Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário)

O TC-RS apontou irregularidades de Terra no período em que esteve à frente da Secretaria de Saúde do RS e na gestão da prefeitura de Santa Rosa. Foi condenado e pagou multa.

  • Sarney Filho (Meio-ambiente)

Beneficiário dos esquemas de corrupção que favorecem a ação e a atuação da família Sarney no Maranhão.

  • Bruno Araújo (Cidades)

Recebeu dinheiro de empresas envolvidas no petrolão, mas é claro que no caso dele tais doações foram apenas por caridade.

  • Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia e Comunicações)

Réu em esquema de corrupção na Feira da Madrugada em São Paulo. A propina, segundo denúncias, era dividida entre Kassab, PCC e Celso Russomano.

  • Maurício Quintella (Transportes)

Foi condenado a, junto com outros nove comparsas, a devolver, em 2014, R$ 133 milhões para os cofres da União por conta de desvios nos programas de merenda e transporte escolar.

E a cereja do bolo:

MICHEL TEMER: Ficha Suja por decisão do TRE-SP

Limpo:

  • Ronaldo Nogueira (Trabalho)

Tem como único “crime” ser evangélico.

Trata-se de algo que deve sim merecer uma demorada reflexão, porque demonstra o perfil das pessoas que se escondiam por detrás do rancor de muitos e a ingênua crença de outros de que haveria um novo quadro, uma nova realidade.

Temer assume e apresenta um ministério de “costas para o Brasil”

05122015 - Temer

O retrato do novo governo nos revela uma fotografia de um Brasil perdido no tempo – um Brasil para uma parcela dos brasileiros, um Brasil para aqueles que sempre pensaram na exclusão e não na inclusão. Querem – e esta é a verdade – restaurar um Brasil que seja exclusivo deles, um clube do bolinha que decida e preserve os seus interesses e, se sobrarem algumas migalhas, que elas sejam jogadas como quem joga milho carunchado aos bichos.

Montou um governo 100% masculino, branco, velho e envelhecido, de ricos (poucos por conta do próprio trabalho, a maior parte deles enriqueceu no exercício de sucessivos mandatos parlamentares ou no poder executivo – numa mágica difícil de entender, tendo em vista que a corrupção só começou em 1º de janeiro de 2003 ), de obesos e, principalmente, com pouco apego à democracia.

Ao não respeitar a heterogeneidade do Brasil, Temer brindou os seus adeptos com um ministério moldado ao gosto do mercado, da Fiesp – que foi a principal financiadora da campanha, valendo-se de recursos do Sistema S. Cabe lembrar que o perfil histórico dos que compõem o governo de Temer é de pessoas rancorosas, falsas, fisiológicas e comprometidas única e exclusivamente com os seus interesses.

Será um governo que atenderá a uma demanda exclusiva de seus apoiadores – que desejam a imposição da ordem, com a criminalização do pensamento diverso. Pode-se, inclusive, que se trata de um governo que nasce sob a inspiração do positivismo – Ordem e Progresso na verdade sintetiza o ideário positivista de “Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta”. E não apenas no slogan oportunista que pretende usar – o que poderá ser impugnado facilmente, porque não se pode usar um símbolo nacional (e a consigna da bandeira é parte de um símbolo nacional) como identificação de um governo, se apropriando do que é de todos e representa a nação para identificar apenas um governo que tungou o poder através de manhas.

Mas há ainda “coisa” pior no jabuti que mora no Jaburu: sete dos seus ministros são encrencados, envolvidos, citados e/ou indiciados na Lava-jato. É de se esperar que o líder tucano no STF, Gilmar Mendes, breque esta imoralidade. Ou esta análise só tinha validade para o Lula?

Haverá uma pacificação apenas nos meios de comunicação, porque a realidade continuará sendo cruel e será ainda mais – principalmente para aqueles que se acostumaram com a liberdade.

Com Temer, Brasil viverá a paz dos cemitérios

Consulting the Oracle 1884 John William Waterhouse 1849-1917 Presented by Sir Henry Tate 1894 http://www.tate.org.uk/art/work/N01541

Nos primórdios, as pessoas do povo e os mandatários recorriam aos oráculos para saber o futuro, para antever o destino e tentar fugir das armadilhas criadas pelo acaso ou, na crença de então, por desígnios de uma infinidade de deuses que viviam em conflito entre si e redundando em castigos, pragas e penas para os “mortais”.

A partir da mitologia sabe-se da existência de três destes oráculos famosos (Delfos, Zeus e Ámon). A própria Bíblia trata de oráculos em vários momentos, por vezes textualmente e em outras de modo simbológico.

Entender o que vai acontecer com a política brasileira passa por esta vontade latente de querer saber o que vem pela frente – mas já se sabe que aquilo que começa de um desvio da normalidade democrática – ou da forma irresponsável como um ex-ministro do STF reduziu a “pausa democrática” – não tem como chegar a bom termo.

Ungido a condição de presidente, Temer é, em termos reais, a própria negação daquilo que se propõe a conduzir: a pacificação. Instrumento barato e leviano para a construção do golpe, Temer será mais um joguete nas mãos dos interesses ocultos que comandaram e financiaram a cruzada moralizadora, do que chefe da Nação – visto que está destituído da legitimidade direta que apenas as urnas podem conceder e conceber através do voto.

Não se trata aqui de discutir se Dilma tinha ou não a qualificação mínima para ocupar a presidência – e estou entre aqueles que julgam que Dilma é uma desqualificada para o cargo e o PT tem imensa responsabilidade com tudo que está acontecendo neste momento, na medida em que não teve compreensão da própria incompetência de Dilma e referendou a aventura de sua reeleição. Mas a democracia não permite que a esperteza e a vilania de alguns sejam maior do que a opção da maioria – e, volto a dizer, não se discute se a opção é certa ou errada. Na democracia, o princípio básico que foi ignorado, desde outubro de 2014, foi o desrespeito pela decisão da maioria.

Claro que o presidente interino contará com o respaldo da mídia, a conivência do Judiciário e a cumplicidade de um Congresso Nacional ávido por recursos, porque muitos dos sócios da carnificina estão sem acesso aos recursos faz tempo e alguns inclusive morrendo de inanição.

Imaginar o que virá depende muito da percepção da própria realidade que vivemos, mas é certo que o Governo Temer irá pautar muito de acordo com as expectativas dos grupos que o apoiaram/financiaram e dos movimentos pautados por uma ética de ocasião e de defesa de bandeiras de proteção de seu espaço social.

Assim, ainda que não esteja definido tudo que virá, está mais do que claro que teremos:

  • os bancos – os grandes beneficiados nos 14 anos do governo do PT (Lula + Dilma) -continuarão lucrando cada vez mais;
  • arrocho salarial e perdas para os aposentados;
  • as empresas públicas serão passadas nos cobres, porque o próprio PT acabou por ajudar o discurso privatizante, envolvendo tais empresas em denúncias de negociatas e corrupção;
  • reformas na previdência, que são mais do que urgentes, pois vem sendo adiadas desde os tempos de… Sarney;
  • criminalização dos movimentos sociais;
  • profundas mudanças na CLT, com o fim de direitos e conquistas da classe trabalhadora;
  • drástica redução da fiscalização por parte do Ministério do Trabalho sobre as condições de vida dos trabalhadores em áreas rurais/fazendas;
  • alteração na lei de greve do serviço público;
  • redefinição do papel de empresas públicas como a Caixa e a própria EBC;
  • drástica redução nos programas de inserção social e de transferência de renda;
  • o abandono do Mercosul como prioridade de integração;
  • abertura do mercado consumidor brasileiro para empresas estrangeiras sem nenhuma salvaguarda às empresas nacionais – empresas aéreas é apenas o ponta-pé inicial;
  • agressivo programa de concessão de setores de infra-estrutura, priorizando o lucro dos concessionários, em detrimento da sociedade (vide diferença entre os pedágios de rodovias licitadas nos governos FHC e nos governos do PT).

Não se trata de antever o caos, mas apenas o exercício de ir juntando fragmentos e formando um mosaico que pode parecer sombrio – mas que terá como principal destinatário na hora de pagar a fatura o trabalhador, que estará em uma situação cada vez mais fragilizada.

Liturgia do caos: sai um cadáver odiado e entra outro cadáver odiado

05102015 - Dilma e Temer

Ainda que na euforia da concretização do sonho que as urnas teimosamente negavam e, pelas pesquisas, continuariam negando, a verdade é que haverá um tempo de “paz”. Ao menos no noticiário dos meios de comunicação que tratarão de continuar dissecando e expondo à execração pública as entranhas da razão de todo ódio que foi diuturnamente construído – mas, de outra parte, haverá a preocupação de mostrar que, o novo cadáver, é bonito, recatado, cheiroso e do lar.

A necrofilia da política nacional vai precisar de outros cadáveres e eles devem estar sendo cuidadosamente preparados para serem usados no momento oportuno. No sonho de sepultar de uma vez por todas àqueles que foram a razão de todos os males, de todas as mazelas – principalmente de possibilitar, entre os muitos erros, que o quadro social sofresse alterações através de políticas públicas: filhos de pobre estudando.

Minha visão sobre os 14 anos de governo do PT se dividem de modo até certo ponto simplista em dois períodos: de janeiro de 2003 até janeiro de 2011 e a verdadeira debacle começa em maio/junho de 2012 quando Dilma, sabe-se lá guiada por qual oráculo, pensou que poderia abrir mão de tudo que legara e passou a construir o quadro atual ao qual ela chegou – e a responsabilidade é sim, dela! – por equívocos, falta de diálogo com todos os segmentos da sociedade e um acentuado menosprezo pela classe política.

Sempre escuto que as pessoas verdadeiramente inteligentes aprendem com os próprios erros; os inteligentes com os próprios erros e existem os outros. Dilma não quis aprender com os erros do Collor – e ele colocou isso de modo didático em discurso no Senado. Dilma não quis aprender com os próprios erros dela. Assim, ela se insere no terceiro grupo, daqueles que não apenas não aprendem, mas se ufanam de não precisar aprender.

Vejo como uma data do anúncio do fim de Dilma quando ela passou a priorizar os representantes mais esquálidos da nanocracia, pessoas que se prestavam ao papel de verdadeiros “sacos de pancada” apenas pelo prazer ou pelo orgulho de figurarem próximo ao núcleo da “chefe”.

Sempre cabe lembrar que TODOS os ex-ministros e chefes de secretarias (dos partidos da base) votaram pelo sim no dia 17 de abril – e isto tem um peso, porque desnuda um retrato que muitas vezes as pessoas não querem ver, uma realidade que fingem ignorar. Todos eles carregaram o rancor, o ódio e o desprezo pela lembrança da forma como ela os tratava e atacava, as intermináveis esperas na ante-sala, enquanto ela ficava entre nada fazer e fazer nada.

A morte anunciada de Dilma e a chegada de Temer ao governo sem o aval da urnas e com repulsa geral, fará com que o Brasil e os brasileiros vivam uma realidade de termos dois presidentes e, pela falta de qualificação de uma e de legitimidade e qualificação do outro, na verdade vivamos 180 dias (no máximo) sem “presidente” algum. Afastada e interino são os títulos que deverão estar apostos ao mencionarmos os nomes de qualquer um dos dois.

O que é inadiável, por mais que isso cause espanto e revolta, é a implementação de reformas efetivas numa estrutura podre e carcomida – e que, ao contrário de muitos simplistas, não foi construída ou destruída pelos governos do PT. Apenas foi exposta a podridão para servir de álibi para os éticos de plantão, para aqueles que sentiam falta de um gancho, de um “demônio”, como justificativa para expulsar, pela via indireta das promessas e das trocas de favores, a razão de todos os males.

O clima de beligerância tem sido alimentado de modo leviano e causa repulsa quando um suposto ministro do STF – Supremo Tribunal Federal que deveria pautar-se pela sobriedade, assume, de modo irresponsável, o papel de militante político, de chefe de grupo. Quando um suposto “juiz” da mais alta corte do País é contaminado por este tipo de conduta e busca holofotes e microfones para verbalizar sua frustração política pela incontinência verbal, o que esperar dos demais?

Haverá foguetes, provocações, barricadas – com o risco de que a crescente agressividade na verbalização acabe descambando em agressões físicas cada vez mais “cotidianas” – como se cada lado continuasse, de modo insano, na busca por um cadáver.

 

Brasília viveu uma segunda-feira no reino da desinformação e do blefe

Em Brasília, o mais importante é a desinformação.

A informação em si é um sub-produto da manipulação e do uso que se pode fazer da desinformação. Veículos e profissionais – e bota muitos profissionais nisso! – ganham mais dinheiro desinformando, omitindo dados e manipulando versões.

Hoje, por exemplo, é destes dias nos quais a especulação determina todas as opiniões e, a vontade individual, acaba sendo mais relevante até mesmo do que a realidade. Cada qual blefa com a sua verdade, segundo os interesses que defende.

Algumas obviedades viram consensuais, mas o que ninguém consegue é ver a urdidura dos fios e que a parte exposta é, no mais das vezes, apenas um objetivo figurativo. E as pessoas se apegam a esta imagem como se fosse a mais inquestionável sentença.

Mas há questões que transcendem a realidade e se inserem no sobrenatural. Porque elas rompem com o que se chama de senso comum, aquele universo no qual mesmo os mais ferrenhos antagonistas sabem que precisam trafegar.

Tentar encontrar lógica ou mesmo partir do pressuposto de que é possível ligar os fios ocultos dos argumentos e das razões pode ser apenas uma forma de blefar. Ou, como diria um experiente político do campo governista, estamos todos – situação e oposição – brincando de faz de conta.

O que fica claro é que Maranhão, um representante do baixo clero (aquele percentual majoritário de parlamentares que sobrevivem de migalhas e de acordos e favores), não teria condições de bancar uma ação destas não tivesse o respaldo de alguém muito interessado em embaralhar e jogar lama em muitos ventiladores.

Foi Cunha?

É recado?

É pra valer?

Já disse e vou repetir: pagamos o preço da falta de lideranças, a parte mais perversa,a  herança mais cruel dos tempos de ditadura. Liderança se forja no debate, na democracia, no exercício cotidiano. A ditadura forma lideranças maniqueístas, do bem contra o mal e vice-versa. Porque só se forjam lideranças na plenitude democrática, no respeito ao divergente.

O que vemos hoje são figuras caricatas, incapazes de gerar credibilidade – de propor um caminho, de indicar um ponto futuro. O espontaneísmo é o embrião do caos, porque ele não segue e nem obedece a uma lógica racionalmente estruturada. Já disse em outro post e vou repetir: hoje, a política no Brasil está sob o comando de chefes de torcida organizada.

E dizer que a culpa é sempre do outro é uma forma leviana de não assumir a responsabilidade. De terceirizar a culpa. De se omitir do preço que será pago, via de regra, pela sociedade. Não apenas por uma parcela da população.

A ação de Maranhão poderá, e esta é uma leitura de fim de tarde, acelerar o processo no TSE que julga as contas da campanha de Dilma e Temer em 2014 – criando um fator adicional para temperar um dia no qual o “faz de conta” deu as cartas e jogou de mão.

De outra parte, para quem conseguiu trazer o processo do impeachment até aqui, esta alternativa pode não interessar, porque uma eventual “nova eleição” pode, em última análise, colocar o PT outra vez como vencedor e qual será a desculpa que será usada então iniciar novo processo de impeachment?

Neste cenário, a segunda-feira, 9 de maio de 2016 é destes dias nos quais o lado circense resolveu assumir a plenitude do espetáculo – mas, ao mesmo tempo, fica a pergunta: até quando viveremos apenas de pirotecnia (e isso vale para os dois lados)?

Olderposts

Copyright © 2017 Blog do Alfredo

Theme by Anders NorenUp ↑