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Moribundos, alguns petistas fingem não aceitar que a festa JÁ acabou

Que foi golpe, disto ninguém tem dúvida e os dados, as evidências, mostram claramente.

Mas foi um golpe para o qual contribuiu de modo decisivo a presidente Dilma Roussef, ao insistir em maio de 2014 na disputa de um novo mandato – mesmo se sabendo desqualificada para o cargo. Ninguém pode, por conta da trama urdida, ignorar que as equipes de Dilma, a partir da metade de seu primeiro mandato (algo como maio/julho de 2012) primaram pela mediocridade – algo que ficou claramente anunciado quando designou Erenice Guerra como Chefe da Casa Civil.

Sejamos francos: nenhum governante sério pode se dar ao luxo de tal insanidade. Ou de tantas insanidades.

Mas Dilma foi além: convidou um funcionário da Veja para cuidar das verbas publicitárias e depois chamou para junto de si Helena Chagas – pessoas que batiam no peito e vociferavam toda ojeriza ao PT…

O que dizer então do “mago” Arno Augustin, o artífice maior das pedaladas e das maquiagens das contas? Mentor e que se vangloriava da trapaça…

Brasília vive um cenário nonsense – lembra um pouco Esperando Godot, a célebre obra de estreia de Samuel Becket e que é ainda hoje um enigma e um desafio para atores e responsáveis pelos cenários de peças teatrais.

Encontro petistas que faz tempo não via, absortos que estavam em suas tarefas burocráticas, em seus afazeres palacianos – fazendo de tudo para se equilibrar em cargos que permitissem alguns luxos e direitos: pedir cafezinho, ter celular funcional, usar elevador privativo, ser chamado de doutor (ou doutora), ter direito a requisitar um carro e – por que não? – quem sabe até viajar para uma das tantas reuniões…

Dia destes, um destes petistas que andava consumido em afazeres, depois de ler um texto meu, disse que “precisava” conversar comigo. Sugeriu que fosse no Café Eldorado… O tempo aqui fora não parou e é preciso lembrar aos amigos e amigas que a vida seguiu seu fluxo, cobrando o preço de cada omissão, de cada esquecimento.

Usam as palavras de uma resistência retórica, apelando a sentimentos que eles próprios trataram de banalizar, como um doente terminal se ilude ao consumir um placebo, sentindo uma melhora que é apenas emocional – enquanto as entranhas continuam sendo consumidas pelo mal que os levou até este estágio. Mesmo que através de um passe de mágica o golpe fosse interrompido, ainda assim a verdade mais cruel é a de que o Governo Dilma acabou. E acabou em grande parte por culpa e responsabilidade dela e da nanocracia que ela buscou para junto de si. Da falta de interlocução. Da falta de respeito no trato e no relacionamento com as pessoas.

Vai ser interessante ver tantos voltando para a planície, depois de terem vivido no Olimpo. Voltarem a ser simples mortais, sem aquela empáfia de um cargo. Quem sabe enfim com tempo para um café. Quem sabe com a humildade de escutar. Quem sabe com a percepção dos erros que foram sendo cometidos ao longo de tantos anos. De omissões. De abandonos. De descasos. De nem querer saber o que o mundo pensa.

Mas o momento pode e deve – será que haverá coragem para tanto? – servir para reflexões sobre os fatos que trouxeram o quadro do governo até este estágio. Hoje, vejo a presidente Dilma Roussef no papel de animadora de torcida, num espetáculo que tenta, pelo emocional, encobrir a realidade de quem se mostrou inapta para a dimensão do cargo.

Não se trata de dar conselhos, mas a “esquerda” poderia aproveitar este momento de necessário mergulho para voltar a ler, a estudar, a se atualizar em seus métodos e em suas práticas – na ação política, no movimento estudantil cada vez mais distante das aspirações dos estudantes, nos movimentos sindicais onde o sindicalismo deixe de ser um fim em si e volte a ser uma estrutura a serviço da classe trabalhadora, nas ONGs, na valorização da comunicação popular e no cotidiano com o resgate da solidariedade. Voltar a descobrir o valor da organização, da valorização dos pontos de vista divergentes dentro do seu próprio universo de confrontações cotidianas. A esquerda terá um longo e árduo trabalho de reinvenção e no caso do PT, observando muito mais Haddad do que Lula – fazendo mea-culpa e se reciclando em métodos e visões.

Não resta dúvida que haverá retrocessos em termos de direitos sociais, de conquistas das classes menos favorecidas, e de alterações na CLT – algumas mais do que necessárias, inclusive aquela que altera a idade mínima para aposentadoria em face de novos patamares de longevidade.

É claro que os adversários tratarão de fazer terra arrasada. Eles carregam muitas frustrações, foram somatizando muitos ódios, decorrentes da incompetência política deles. Ninguém administra bem emocionalmente levar reiteradas surras eleitorais – e ficará sempre este gosto de impotência de saberem que só retomarão o governo – porque o poder em momento algum perderam – pelo artifício de um golpe.

Aliados de Temer não querem que ele repita postura de Lula em 2003

Aliados de Temer que até há poucos dias viviam fazendo juras de amor ao PT e para Dilma tem feito chegar ao vice, a quem já tratam como presidente, o pedido, em forma de conselho, de que, uma vez instalado no no Planalto e com a caneta do DOU na mão, ele não faça como Lula em 2003.

Vale lembrar que Lula, em nome de uma governabilidade e de uma incapacidade – para alguns, incompetência política – de ir para o enfrentamento, não teve coragem de proceder a medidas como mandar aprofundar as investigações do Escândalo do Banestado e de mais de quatro dezenas de escândalos que marcaram os oito anos de FHC – incluindo a privatização da Vale do Rio Doce e a bandalheira (para não dizer roubalheira) que envolveu a privatização do sistema de telefonia.

Temer também tem sido aconselhado a demitir todos os atuais integrantes de cargos comissionados – e não fazer como fez o governo Lula que deixou gente ligada a FHC durante muitos anos em postos chaves e alguns deles conseguiram se segurar através da bajulação e da hipocrisia até hoje.

Sugerem que Temer crie CPIs que busquem alimentar o ódio ao PT na patuleia e na classe média com suas panelas convenientemente guardadas. Querem, por exemplo, reabrir a CPI dos Fundos de Pensão, agora com um viés de escândalos. Mas duas CPIs são particularmente muito defendidas: a dos repasses para a UNE, Ubes e entidades do movimento estudantil e aquela que visa mitigar os efeitos de qualquer movimentação do MST.

Por ora, não acham recomendável atacar a CUT – porque acabaria atingindo o já condenado e aliado Paulinho da Força, bem como as demais centrais que precisam do Imposto Sindical para sobreviver.

Os “novos” governantes também querem que Temer resgate o modo de operar dos tempos de FHC, onde os governadores aliados eram tratados com generosidade e os da oposição nem a pão e água. Dizem que é este é o momento de tratar bem os aliados, buscando ferrar os adversários – aproveitando que o PT e os petistas ainda são uma espécie de Geni da política nacional.

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