Blog do Alfredo

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Falta d’água: assessoria de imprensa da Caesb enrola, mas não explica

Pelo telefone,. converso com a assessoria de imprensa da Caesb.

Conto o mesmo roteiro das mudanças no perfil de “retorno” para a normalidade do funcionamento.

Amparada em sua sabedoria, a pessoa que se diz assessora insiste na mesma linha, no mesmo raciocínio e nas mesmas argumentações que o pessoal terceirizado do 115 ficou perorando ao telefone, como um jogral de jardim de infância.

Apegando-se ao argumento da transparência, o que a Caesb não consegue explicar:

1 – Quando houve a instituição do racionamento de água, a “volta” da água acontecia sempre ATÉ às 8h da manhã do dia seguinte ao do “racionamento”;

2 – Nas últimas semanas, houve uma “prolatação” do horário;

3 – Na semana passada, a água voltou em torno das 13h;

4 – Nesta semana, a falta de água continua de modo geral nas áreas que ontem tiveram racionamento.

A pergunta feita e para a qual a equipe de comunicação da Caesb e o pessoal do atendimento do 115 ainda não encontraram resposta é só esta:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Diante do nervosismo da pessoa, fica claro que é uma estratégia deliberada – portanto,l obscura e sem transparência – de ir retardando a retomada do fornecimento de água de alguns dos setores , porque é de se duvidar que no caso do Plano Piloto, Sudoeste, Embaixadas, lagos Sul e Norte e outras áreas privilegiadas será adotada a mesma estratégia. L´no 115, a atendente terceirizada ainda teve uma informação complementar: a parcimônia tem o objetivo de preservar a tubulação – algo que deve ter sido deliberação das últimas semanas…

Transparência não se resume a ler ou passar uma resposta, uma ladainha já decorada em seminário interno.

Complementando: às 17h16 enfim o fornecimento efetivamente começou a ser restabelecido no Guará. Vejamos qual será a novela e quais serão as desculpas na próxima semana.

Em Brasília, com racionamento de 24 horas, falta de água pode chegar a três dias*

Por mais que o GDF, a Caesb e os porta-vozes oficiais digam que não, a verdade é que no DF – ao menos em algumas regiões – o racionamento de 48 horas já é uma realidade. O temor agora é uma informação que está sendo repassada de modo enviesado pela Caesb: mesmo com a escala de 24 horas, muitas localidades chegam a demorar mais de 48 horas (além do dia programado) para voltarem a “ter água”.

Como será quando estivermos no regime de 48 horas sem água?

Observe-se o caso do Guará II.

Oficialmente o racionamento na cidade foi nesta segunda, dia 23.

Até duas ou três semanas, a normalização da água acontecia no começo da manhã.

Na semana passada, a normalização aconteceu em torno do meio dia (do dia seguinte).

Já hoje, até às 14h, continua sem fornecimento de água na maior parte dos setores onde ontem estava programada a falta de água – e as pessoas começam a se dar conta de que a realidade, mais uma vez, supera a fantasia do governador que vive no mundo da lua, fazendo dança da chuva.

O quadro geral é bem mais grave do que a fantasia do governador Rollemberg comemorando a chuva em êxtase. Continua faltando água em setores do Guará I, do Guarazinho, Setor de Oficinas, Núcleo Bandeirante – entre outros.

O mais patético é a pessoa ligar para o 115 e uma funcionária terceirizada ler respostas padrão, que devem ter sido elaboradas pela assessoria de imprensa – dando mostras de descaso com o cidadão. E o mais desalentador: pelas explicações, o lógico dentro da atual realidade, é de até 72 horas sem água…

Ou seja: só para variar, o mundo real desmente o mundo paralelo no qual Rollemberg faz de conta que vive…

E só para variar, ninguém diz coisa com coisa…

* Texto atualizado às 16 h do dia 24 de outubro de 2017

Eleições 2018: Lula define a pauta e dita o ritmo

Ontem, andando por gabinetes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, tirei a tarde para conversar com velhos conhecidos e conhecer novos interlocutores. Muitas vezes é mais fácil saber como um deputado ou senador votará, sabendo com quem conversar. Não serve como fonte, mas ajuda a formar um mapa da realidade do País que vamos vivendo.

E algumas constatações são interessantes, outras, apenas refletem os caminhos e descaminhos de nossa política.

Que o Temer vai se safar desta, ninguém duvida. A votação deve ser similar à primeira votação – até porque quem tinha algo para perder, já perdeu. E quem não teve coragem para arriscar o pescoço “antes”, agora sabe que qualquer deslize implica em retaliação – e 2018 tem eleição.

Ficou claro também que o Governo Temer trata a sal sem água quem ousa votar contra os seus projetos – e deputados da base aliada costumam dizer que não conseguem ser recebidos nem pela telefonista de ministros.

Mas, há um tema que acaba atraindo todas as conversas: Lula.

Na medida em que conversei com amigos que atuam com vários congressistas, de distintos partidos e esparramados em regiões, o assunto sempre acabava sendo a indagação e muitas vezes a indignação tinha como mote central a contrariedade com os números apresentados por pesquisas eleitorais.

Tenho a opinião de quem o Lula, multiprocessado r provavelmente impedido de participar das presidenciais em 2018 conseguiu vender-se como vítima de injustiças, perseguido pela justiça e aquele que vai reparar todo o “mal” que o Governo Temer personaliza, com reformas e mudanças em legislações.

Lula não tem sido confrontado politicamente sobre os desmandos que aconteceram em seus governos e nem das contradições de um governos “dos trabalhadores” que propiciou os maiores lucros aos banqueiros. Claro que conta com uma capa protetora que está nos milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, mas as contradições mais profundas não tem sido exploradas pela oposição.

Esta mesma oposição, que em 2003 delegou para a mídia o papel de contraponto ao governo do PT, continua sem saber fazer política, continua sem um eixo, sem um rumo, sem um norte ou uma proposta alternativa. Digladia-se na disputa personalista e na necessidade de salvar o pescoço de aliados – sem perceber que ao optar por essa estratégia, mantém Lula como o único ator efetivo do tabuleiro eleitoral.

Este marasmo no campo dos “contra” poderia ser ocupado por Marina, mas ela tem sido omissa em momentos cruciais e também não está aproveitando o vazio político do centro para se mostrar como uma alternativa viável e diferente.

Sobra, pois, todo um espaço para que Jair Bolsonaro se apresente como um nome “contra tudo isso”, sem especificar o que ele pensa de questões fundamentais como Bolsa Família, Fies, Renda Mínima, pensões de viúvas e filhas de militares, condução das políticas econômicas, papel dos bancos públicos, privatizações…

E Bolsonaro cresce porque o campo da esquerda cai na esparrela do deputado e centra sua discussão em temas que ele se sente confortável em atuar – inclusive por conta da fadiga de boa parte da comunidade com a sensação de impunidade e de insegurança que existe no Brasil.

Quanto mais a esquerda e o centro teimarem em tratar a candidatura de Bolsonaro como uma impossibilidade política, mais ele se fortalece junto ao eleitorado. Porque ele não é confrontado – ele é ridicularizado, como se isso fosse o suficiente.

Alguns lembram do crescimento de Marina em 2014 quando, em um determinado momento passou a colocar em risco a dobradinha Aécio e Dilma para o 2º turno e os dois grupos se uniram e rapidamente desconstruíram a sua candidatura.

Não sei se a desconstrução de Bolsonaro será tão fácil, porque há uma percepção muito forte na sociedade que tanto Lula, quanto Marina, Ciro ou o nome que o PSDB ungir para a disputa será “mais do mesmo” – porque, gostem ou não, a verdade é que o único “nome” que não condiciona sua pré-campanha ao que Lula faz, pensa e promete é Bolsonaro.

No DF, sobram candidatos às duas vagas ao paraíso em 2018

Atribui-se ao gênio e frasista Darcy Ribeiro a definição de que o Senado Federal é o paraíso sonhado – lugar onde não se trabalha, recebe-se toda sorte de salamaleques, tem um poder ilimitado, não sofre cobranças, pode viajar de graça pelo mundo, tem mordomias incalculáveis, pode nomear amigos, parentes, amantes e tudo fica por isto mesmo.

E em 2018 o eleitor do DF terá a oportunidade de conceder este salvo-conduto dos sonhos há dois literalmente eleitos.

Ficarão vagas e estarão em disputa as cadeiras de Cristovam Buaque – que em dois mandatos conseguiu a proeza de não apresentar nenhum projeto, ser uma figura caricata e quase sempre viajando, isto quando não está na “Casa” divagando. A outra não é uma “vaga”, mas um vazio em termos de representatividade e ética – com o fim da passagem de Hélio Gambiarra pelo Senado – ele que chegou até este posto sem ter nenhum voto (vale lembrar que foi candidato a Distrital e conseguiu a proeza de ters eis votos), sem ter nenhuma proposta e nenhuma qualificação. E como chegou até lá? Pela existência de uma das tantas excrescências da política nacional que é a figura do “suplente”.

O DF, por sinal, faz tempo – muito tempo – que não tem uma representação decente no Senado – lembrando que dois ex-senadores estão presos (Gim Argello e Luis Estevão), um faliu o império que recebeu do pai (Valmir Amaral), um definha (Roriz), um foi preso e hoje é um cadáver político que de vez em quando surge como um espectro a provar que o crime sempre vale a pena (Arruda). Teve ainda Valmir Campelo, que depois do episódio nunca esclarecido dos dólares nas eleições de 1994, cumpriu o mandato no Senado e ganhou como prêmio o cargo de Ministro do TCU.

Mas… e para 2018?

O que não falta são candidatos, sendo que alguns nomes já estão com suas candidaturas na rua: Chico Leite, da Rede; Jofran e Fraga, do consórcio rorizista-arrudiano; Cristovam, que terá de enfrentar a primeira campanha sem o apoio do PT; e o próprio PT que tem o Distrital Wasny de Roure já colocado, mas alguns petistas preferem e defendem outros nomes com vistas a facilitar seus próprios interesses eleitorais. Nos últimos dias, a Universal (em conjunto com outras representantes da chamada teologia da prosperidade) tem avaliado ter um nome próprio na disputa para o Senado, completando sua representação na CLDF, Câmara dos Deputados e, enfim, no próprio Senado – neste caso, Ronaldo Fonseca, mesmo sendo da Assembleia de Deus, poderia ser a alternativa.

Cada nome implica um tipo de aliança – verdadeiro quebra cabeça que inclui até mesmo a negociação dos cargos de suplente (e, em face do histórico do DF, é importante olhar a nominata toda), muitos conchavos e as tradicionais traições. Se formos olhar o conjunto, cada “vaga” de Senador dá direito a dois suplentes  – ou seja: há muito espaço para composições nada republicanas.

Até o momento, o PSD de Rosso e Renato Santana (que se aquietou ou foi aquietado), ainda não sabe se continuará apoiando o tresloucado e incompetente governo de Rollemberg ou procurará outro caminho (isto é, se tiver outro caminho).

Por falar em Senado…

Nem sempre o DF teve senadores sem peso e nem representatividade. Cabe lembrar que já foram eleitos nomes como Pompeu de Souza e Lauro Campos – como para mostrar que o eleitor do DF já teve mais cuidado ou melhores alternativas.

Nos tempos de Constituinte, corria nos corredores com um misto de lenda, anedota e referência sobre o perfil de Pompeu de Souza a seguinte história.

Numa tarde modorrenta e sem nada de interessante, eis que Pompeu do alto dos seus pouco mais de 1,50 discorria em um dos seus tradicionais discursos quando o também senador Rachid Saldanha Derzi, do PMDB-MS, solicitou o aparte.

Com seu humor tradicional e inigualável, Pompeu prontamente aquiesceu:

– Com muito prazer quero escutar o aparte do nobre senador Saldanha Derzi, digníssimo representante do PCB nesta casa…

Estupefação dos presentes, eis que o senador sul-matogrossense faz questão de esclarecer:

– Vossa excelência deve estar se confundindo, jamais fui ou pensei em ser comunista…

Soltando a tradicional risada que marcava sua vida, Pompeu emendou:

– Quando me refiro ao PCB, não o faço como vinculação ao histórico Partidão. No vosso caso, eu o saúdo como representante da bancada do PCB – Partido dos Criadores de Boi…

E mais não foi preciso dizer…

 

TV Comunitária suspende programação ao vivo e apela para vaquinha

Um dos principais instrumentos para democratização da informação, canal que serve de voz e espaço para movimentos sindicais, sociais, além de funcionar como centro de formação e qualificação de mão de obra em vídeo, a TV Comunitária de Brasília está com uma “vaquinha” online.

O objetivo é, através da contribuição de muitos, comprar uma nova mesa – e assim possibilitar a volta da programação ao vivo, uma das principais características da emissora.

O valor é salgado – R$ 20 mil – e a campanha foi lançada no dia 16 de outubro, sendo que a data limite é 31 de dezembro. Em três dias, já foi possível atingir 10% do valor necessário e a expectativa é que exista um engajamento de todos aqueles que já foram beneficiados com a visibilidade de suas lutas.

A programação da TV Comunitária de Brasília pode ser acompanhada pelo Canal 12 na Net-Brasília.

Os dados da campanha são os seguintes:

“Mesa de Corte de imagens (DataVideo HD-SDI SE-2200 – foto), no valor de R$ 19.996,86, na Merlin, para a TV Comunitária de Brasília. A TVCOMDF somente voltará a fazer transmissões, ao vivo pelo canal 12 na NET-DF, quando conseguir comprar o equipamento, com a sua ajuda! O equipamento que estava sendo utilizado, queimou e apenas um nova pode substituir.

O canal é a emissora brasileira que mais promove o acesso público. É a TV mais democrática do Brasil. Para manter nossa independência, a TV não veicula anúncios e é financiada por sindicatos e apoiadores. Doe qualquer quantia. Vamos fortalecer a produção de conteúdo audiovisual no DF!”

PORTANTO…

Se você está entre aqueles que acreditam que lutar pelo democratização da informação e da comunicação é bem mais do que fazer discurso em mesa de bar, compareça, participe, contribua acessando no link abaixo:

www.vakinha.com.br

GDF: falta de água, falta de vergonha, falta de planejamento

Reza a lenda que ao ser planejada, a nova Capital da República – implantada no Cerrado e historicamente com baixa incidência de chuvas – tinha previsão de uma população de 500 mil habitantes na virada do Séc. XX.

Lenda ou não, a verdade é que no meio do caminho teve a passagem de uma figura que viu na imensidão de terra a possibilidade de formar um curral eleitoral e tascou a distribuir lotes, a convidar pessoas de várias partes para virem ao Planalto Central.

E a irresponsabilidade de um governante criou uma verdadeira quadrilha que se imiscuiu na política – que tinha como objetivo incentivar invasões e assentamentos, sempre de olho nos dividendos eleitorais. Sem nenhuma preocupação se tais amontoados urbanos implicavam no assoreamento de riachos até  sua extinção e mesmo a simples “morte” de nascentes.

Vicente Pires é o retrato mais gritante desta leviandade com o meio ambiente – para a qual contribuíram, quer por incentivo, quer por omissão, todos os governos que passaram pelo DF.

A ganância por dinheiro e a busca de votos e dinheiro fácil levaram o DF a situação atual – e aqui não falo apenas de invasões de pobres, porque estes vieram na esteira de um movimento que começa bem antes que é a proliferação desordenada de “condomínios residenciais” voltados para a classe média e localizados em áreas de proteção ambiental, sem sistemas de captação e tratamento de esgotos (o que acabou comprometendo a qualidade da água até do lençol freático) e alimentadas através de poços artesianos abertos de modo indiscriminado.

O grande responsável pelo caos que hoje vivenciamos em termos de abastecimento, sempre foi e continua a ser o GDF – que ao longo do tempo e hoje sob o desmando de Rollemberg – que só tem a preocupação em fazer dinheiro. Quer vendendo lotes em áreas que deveria preservar, quer cobrando IPTU de áreas que deveria derrubar.

O peso eleitoral destes segmentos – nos condomínios de classe média uma parcela mais simpática ao PT e nos assentamentos e invasões populares mais tendentes ao assistencialismo e às práticas coronelescas – acabou unindo todos os campos políticos, não encorajando um debate sobre este tema em seu devido tempo.

Sem optar pelo viés do catastrofinismo, diria que agora é tarde – porque o simplismo das soluções do atual governador seguem dentro da sua capacidade mental de apontar sugestões e alternativas para os problemas do DF. Em sue mandato, Rollemberg não teve capacidade mental e nem qualidade política para propor nenhuma alternativa nova. O simplismo de suas ações lembra aquela imagem de como a avestruz reage a qualquer problema.

E em lugar do propagandeado choque de gestão – bordão eleitoral vazio, mas efetivo ao ponto de levar um desqualificado ao comando do Buriti – o que o povo de Brasília é um convívio cotidiano com a incompetência, o academicismo e a a piora dos serviços públicos que já eram ruins.

Não é só a falta de planejamento na questão da gestão dos recursos hídricos – afinal de contas, dinheiro não é o problema da Caesb, que paga salários de 1º mundo aos seus dirigentes – mas o mesmo vale no caso da educação, da segurança pública, do transporte coletivo e da saúde. Não há um só setor no qual a gestão de Rollemberg tenha feito alguma intervenção para “melhorar” o quadro desalentador que na verdade já vinha como um quadro continuado de desalento nos últimos governos.

O que Rollemberg conseguiu fazer – e digo da vida real, das pessoas que sofrem com a mediocridade do seu governo – foi implantar o caos em todos os segmentos, foi piorar o que já estava ruim. Há dois governos bem distintos: o ideal e perfeccionista das publicidades e blogues oficiais, onde não há problemas e tudo funciona com a precisão de um relógio eletrônico japonês original; e o real, que não é vivido nem pelo governador e seus assessores, nem pelos parlamentares que apoiam suas iniciativas (sendo regiamente recompensados com verbas, cargos e benesses), nem pelos publicitários que seguem um roteiro de mundo encantado (devem ser os mesmos roteiristas, redatores e diretores de arte que vem trabalhando ao longo dos últimos anos nas agências do DF, porque sai governo, entra governo e é sempre o mesmo padrão de “wunderbar”) e muito menos em vozes e porta-vozes que buscam defender Rollemberg mesmo do indefensável.

Não adianta negar o aumento do racionamento para dois dias, quando todos sabem que ele será inevitável se as chuvas não vierem – e quando elas chegarem iremos nos deparar com o caos de todos os anos, porque o governo de Rollemberg reage com a rapidez de uma tartaruga e age coma  celeridade de um cágado: bueiros sujos e entupidos, carros boiando nas tesourinhas da Asa Norte e pessoas surfando e outras navegando em vias alagadas no DF. Em todo o DF.

E como este é um governo errático, engolido pelo ego de um governante que é motivo de chacota e que viraliza em redes sociais em vídeos em não recomendável estado de lucidez e sobriedade, o pior ainda está por vir.

Doria – deixou de ser pré-candidato para ser apenas caricato

Bem embalado, empacotado e com seus deslizes administrativos e seus pecados de lobista cuidadosamente maquiados – transformando em empresário de sucesso quem nunca nada produziu, além de viver às custas de governos – Doria não conseguiu manter-se muito tempo dentro do figurino do produto que o marketing criou.

Claro que vencer o PT hoje não chega a ser mérito de ninguém, dada a rejeição que o partido enfrenta por conta de uma reiterada campanha de desconstrução da sigla. E nem vou entrar aqui no mérito ou nos equívocos, mas diria que o PT paga mais por seus acertos do que por seus erros, ainda que entre os seus maiores erros esteja exatamente o de não ter rompido com o status quo ao vencer as eleições em 2002.

Muitas vezes eu discuti com petistas lembrando que a sigla havia vencido uma eleição, o que era bem diferente do que “ganhar” o governo. Ou seja: ao não romper, Lula e o PT pagam o preço da governabilidade – dentro daquilo que o PSDB de maneira muito lúcida chamou de “presidencialismo de cooptação”.

Doria, que vive e enriquece dos governos (inclusive do PT) desde os anos 80, foi vendido como símbolo do sucesso – um case patético, o arquétipo sonhado pelos anti-petistas: rico, sem rugas (prestes a completar 60 anos), com esposa bonita e esbanjando sucesso.

E o eleitorado paulista – que também é símbolo da decadência da aristocracia brasileira, mas ainda tenta manter o antigo ar de superioridade – comprou o candidato, como quem compra um pacote de sabão em pó.

Durante a campanha eleitoral de 2014 estive em São Paulo duas vezes – uma bem próxima às eleições (Feira da Abav de 2014, em setembro). E perguntei ao taxista que me conduzia pela via expressa, porque ele tinha dito que votaria no Doria e ele sintetizou: ele é contra o PT, logo ele que antes havia dito que tinha comprado um apartamento pelo minha Casa – Minha Vida e que a filha fazia jornalismo (eu estava com colete e máquina fotográfica) graças ao Fies.

Ou seja: alguém que tinha sido duplamente beneficiado por políticas dos governos do PT, iria votar e tinha adesivo no carro de alguém que tinha como mérito ser… contra o PT.

Foi assim que Doria, o velho sanguessuga de verbas públicas, virou o herói.

E teria, acredito, vida longa se o novo de repente não esquecesse que aquela figura que o marketing eleitoral criou deveria ser sempre aquela figura que o marketing criou. Mas o velho sanguessuga, o velho fanfarrão, não se conteve e resolveu mostrar que a ambição era muito maior do que a razão e começou a atropelar a moralidade – quando começou a conceder benefícios e contratos aos patrocinadores de “sua” entidade – a Lide, que inclusive concedeu prêmio ao Moro.

O que dizer da sua insistência em usar produtos próximos ao vencimento para transformar em ração para os pobres – tratando-os como animais? E, desmoralizado na sua proposta, eis que ele volta com a ideia de agora fazer com que os alunos da rede pública de ensino comam a ração.

É muita estupidez…

E ele que surgiu como uma possibilidade, como uma alternativa ao próprio PSDB, revelou-se incapaz de entender que tudo na vida tem um timming, que toda ação gera uma reação e que a exposição excessiva e de modo forçado acaba gerando um risco de “queimar” a figura.

E depois de surgir com uma roupagem de modernidade, a cada momento o Doria prefeito se revela mais a figura acabada daquilo que ele o Doria candidato dizia ser a negação – elitista, presunçoso, arrogante e incapaz de aceitar críticas.

Vai definhar nas pesquisas, por mais que os meios de comunicação continuem tratando ele como alguém exótico, como alguém engraçado, caricato – uma espécie de bobo da corte. Ao romper as regras de lealdade dentro do PSDB, Doria se encaminha para ser apenas um político paulistano – no que de pior isto pode representar.

Eleição para Distrital em 2018: o PT pode sofrer com a falta de votos

Até o momento, tudo indica que o PT terá uma nominata de luxo para disputar as 24 vagas para a Câmara Legislativa em 2018, dentro do projeto de fazer uma bancada forte. Os nomes ventilados, são representativos e todos carregam a fama de amealharem milhares de votos a cada eleição – mas o que garante mesmo que a legenda atinja o quociente eleitoral não é apenas o desempenho das estrelas, mas principalmente daqueles candidatos que possuem um padrão entre três e oito mil votos.

E alguns destes nomes de forte representatividade – e cá entre nós, fazer oito mil votos não é o mesmo do que discutir filosofia em mesa de bar – e que em eleições passadas ajudaram de forma decisiva para completar o balaio de votos dos eleitos, já não estão mais no PT e outros já avisaram que não pretendem entrar na disputa de novo.

Se o partido conta com Arlete Sampaio, Chico Vigilante, Policarpo, Ricardo Vale, Rodrigo Brito e a professora Rosilene Correa como nomes com potencial de conquistar muitos votos, sempre é bom lembrar que nas eleições de 2014, o quociente eleitoral foi de 63.549 votos por vaga (em termos de CLDF). E aí é que a coisa começa a ficar complicada.

A decisão de Wasny de Roure de não disputar um novo mandato na CLDF e se colocar como pretendente a uma vaga no Senado, deixa o PT sem um nome no segmento evangélico, algo que pode ser crucial – dado o peso e a representatividade do segmento e, também, os ataques que muitas lideranças petistas costumam desfechar contra este grupo religioso.

Pesquisando, encontrei apenas dados de 2013, quando os evangélicos representavam 26,58% da população de todo o DF (no mesmo levantamento católicos representavam 56,91%; espíritas, 3,62%; umbanda e candomblé, 0,25%; outras religiões, 2,23%, e sem religião, 14,21%). Ou o PT abriu mão deste segmento eleitoral, dada a incompatibilidade entre a pauta que o partido defende e aquela que as correntes religiosas preconizam?

Além das dificuldades naturais que o partido sofre por estar sendo vinculado pelos meios de comunicação como sinônimo de corrupção – numa demonização trabalhada e que também atinge os movimentos sociais – o PT vem penando com algumas deserções – nomes que saíram do partido e migraram até para o Dem, enquanto que outros não pretendem repetir a experiência de uma campanha.

Dentro desta realidade, o grande desafio de Érika Kokay, presidente do PT-DF, será montar uma nominata que não represente um processo de autofagia interna, como aconteceu em 1998 – naquela oportunidade, na reta final, muitos cabos eleitorais perguntavam acerca das intenções de voto e, diante da resposta, atacavam: “mas fulano já está eleito! Vamos ampliar a bancada. Seu voto é mais importante para o meu candidato do que para este com o qual você simpatiza.

Nem vou citar nomes para não reavivar velhas feridas – até porque este processo gerou rancores que acabaram levando muitos a não trabalharem no 2º turno da eleição para governador por uma espécie de vingança, possibilitando uma virada do Roriz que até hoje é motivo de dúvidas.

Além de todas estas questões, a ausência de um nome competitivo do PT na disputa para o Buriti surge como outro entrave para o desempenho dos candidatos ao Legislativo. Como será a experiência para os petistas?

Sobre as mudanças – e aqui nem falo nem de modo indireto em relação ao PT, mas como parte do cenário nacional e com a rápida cooptação de pseudos lideranças pelo sistema: Onde buscar estes nomes em um momento no qual as pessoas estão fugindo da política e muitos dos que se apresentam como renovação já chegam com todos os vícios, manias e defeitos que nos levaram a este estágio de saturação?

Senado decreta: boliu com um, boliu com todos. E salva Aécio

Foi um grande e bizarro circo – com roteiro definido em conchavos, conversas, acordos e juras de amor eterno e de lealdade.

Não conta tanto o resultado em si, mas serve de parâmetro o que o instinto de sobrevivência da classe política é capaz de fazer com seus próprios escrúpulos. Ao restituir o mandato ao senador Aécio Neves, os 44 senadores mostraram que “ali dentro” é outro mundo, são outros os parâmetros e são outras as leis que regem o submundo da política.

Quando o STF se acovardou e se acadelou às ameaças de enfrentamento em reiterados recados enviados de modo aberto e escancarado pelos senadores, ficou claro que cada qual lavaria suas mãos e trataria de safar os seus próprios privilégios.

É preciso entender o recado que o Senado deu à sociedade dentro de uma perspectiva de escárnio e de deboche. A Corte Alta (SFT) e a Câmara Alta (Senado) se igualam no mesmo patamar de cumplicidade, de conivência e de descaso com quem lhes paga salários, mordomias e lhes garante a abjeta impunidade com a qual fazem questão de colocar o povo brasileiro apenas na condição de míseros palhaços.

Não vou entrar no mérito de todos os votos que livraram a cara do Aécio, mas no caso do DF me pareceu pilhéria um levantamento que colocova como indeciso o Hélio Gambiarra – uma das maiores aberrações políticas que nossa (de Brasília) história recente foi capaz de forjar. Trata-se de um político sem noção de compromisso com a sociedade, que chegou ao senado sem ter votos e sairá de lá para a lata de lixo da história como uma justificativa definitiva para o fim desta excrecência chamada de “Suplentes” – algo que acabará sendo extinto pela Justiça, com o fim das coligações.

Gambiarra, que fez 6 votos na disputa para a Câmara Legislativa em 2014, é conhecido dentro do Senado como um puxa-saco de Renan, votando a cabresto e fazendo o que o senador de Alagoas mandar – ainda que custe cargos e empregos de aliados.

Reguffe, o outro senador do DF, votou Sim e Cristovam, só para variar, estava viajando – ele que pretende ganhar do povo do DF mais oito anos para não fazer nada e conhecer muitos lugares e muitos países. Sempre às custas do dinheiro do cidadão.

PT vai em busca do tempo perdido e lança plataforma de participação popular

Foi como nos velhos e bons tempos de sonhos e utopias.

Havia faixas nas paredes, palavras de ordem e emoção nos discursos.

Também havia venda de camisetas, botons, listas de apoio, rifas e tempo para conversas. E nada de coquetéis, ainda que sempre com vinhos de duvidosa qualidade.

Enfim, era como se o velho PT – de antes de 2002, estivesse ali, redivivo.

No lotado Teatro dos Bancários de Brasília, militantes de todas as idades – muitos antigos militantes – readquiriam uma coragem que esteve adormecida ao longo dos anos de pleno emprego. Deixaram de lado, ao menos durante as quase três horas de discursos, palmas e palavras de ordem, aquela preocupação que hoje, sabe-se, embotou o partido: o burocratismo e a sedução do poder.

O evento marcou o lançamento de “o Brasil e o DF que o povo quer”, uma plataforma aberta à participação popular e que busca reconstruir o tempo perdido pelo partido, com o afastamento das demandas e dos anseios populares.

A plataforma está disponível em www.brasilqueopovoquer.org.br e pode ser acessado por qualquer internauta – não precisando ser filiado ao Partido.

Trata-se de uma iniciativa diferenciada, uma vez que resgata a figura do cidadão como parte fundamental do processo político. Ainda que na etapa seguinte o controle das sugestões esteja na mão de “relatores”, a ideia representa um avanço porque busca mudar a visão do “fazer política”.

O próximo passo é ver como será a participação da sociedade, tão receosa de participar da ação política – um processo perigoso e que dá margem ao espontaneísmo e ao viés autoritário de algumas propostas.

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